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Capítulo 2

作者: Outono fresco
Naquele instante, a luz da tela do cinema clareou de repente. Foi justamente sob aquele brilho que consegui ver o perfil do homem.

Era meu cunhado.

Meu coração quase parou.

Minha irmã e meu cunhado... No cinema?

Eles realmente tinham coragem de brincar com um perigo daqueles?

Senti o rosto esquentar de vergonha. Eu sabia que não devia continuar olhando. Sabia que aquilo não era algo que eu deveria presenciar.

Mas meu corpo inteiro ardia de um jeito inquieto e, por mais que eu tentasse me controlar, meus olhos sempre acabavam voltando para eles.

Minha cabeça também começou a ser invadida por pensamentos confusos, absurdos, proibidos.

Por um instante, desejei estar no lugar dela, tão perto dele.

Aquele pensamento me assustou.

Eu me odiei por desejar uma coisa daquelas.

Mas simplesmente não consegui impedir.

Minha irmã e meu cunhado tinham perdido quase tudo depois de um fracasso nos negócios. Venderam até a casa onde moravam e, por enquanto, estavam hospedados no meu apartamento.

Vivendo sob o mesmo teto, era impossível não esbarrar neles o tempo todo.

Meu cunhado tinha um desejo intenso, quase insaciável. Praticamente todos os dias, ele procurava minha irmã e, mesmo com apenas uma parede separando nossos quartos, eu sempre acabava ouvindo os sons abafados dela, como se já não conseguisse acompanhar o ritmo dele.

Sempre que isso acontecia, um pensamento vergonhoso surgia na minha cabeça.

"Se ele fosse meu namorado, eu com certeza não seria como a minha irmã. Eu conseguiria acompanhar."

Só de pensar nisso, uma onda de calor percorria meu corpo.

Mas eu não esperava que a cena diante de mim ficasse ainda mais ousada.

Havia pouca gente no cinema, e quase todos estavam sentados nas primeiras fileiras. Talvez por isso, meu cunhado parecesse já não ter receio de nada. Ele puxou minha irmã para mais perto, ajeitou-a sobre seu colo e a manteve de costas para ele, envolvida por seus braços, numa intimidade perigosa demais para aquele lugar.

Então ouvi, com uma clareza absurda, a voz manhosa da minha irmã:

— Ah... Amor, você está me deixando sem ar.

Meu cunhado envolvia a cintura dela com os braços, mantendo-a presa contra si em movimentos cada vez mais intensos.

Eu conseguia até ouvir o rangido discreto das poltronas.

Era ousado demais.

Ao mesmo tempo em que eu tinha medo de que os dois fossem descobertos, também temia que percebessem minha presença. Ainda assim, meus olhos pareciam grudados naquela cena, incapazes de se desviar.

Meu rosto ardia.

Eu tinha ouvido dizer que as câmeras daquele cinema estavam quebradas.

Talvez por isso, minha coragem crescesse um pouco. A tensão acumulada dentro de mim ficou difícil demais de suportar e, num descuido, deixei escapar um som baixo.

Meu coração quase parou.

Fiquei imóvel na mesma hora, sem ousar respirar direito.

Esperei dois segundos.

Quando vi que minha irmã e meu cunhado não tinham se virado, finalmente soltei o ar preso nos pulmões.

Mas meu coração batia ainda mais rápido.

A sensação de ter escapado por pouco, em vez de me assustar de vez, acendeu em mim uma vontade ainda maior de experimentar aquele perigo.

Com cuidado, desfiz o botão da calça jeans e abaixei um pouco o zíper.

Meu rosto queimava.

A tensão dentro de mim já tinha ultrapassado qualquer limite razoável. Eu sabia que estava errada. Sabia que, se minha irmã e meu cunhado descobrissem que eu estava ali, escondida no canto do cinema, vendo aquela cena e sendo arrastada por pensamentos tão vergonhosos, ficariam decepcionados comigo.

Talvez até me odiassem.

A culpa apertava meu peito.

Mas o desejo era intenso demais.

Essas duas forças me rasgavam por dentro. Uma tentava me puxar de volta à razão. A outra me empurrava cada vez mais fundo naquele abismo proibido.

Eu já não me atrevia a pensar.

Só queria que aquela sensação esmagadora crescesse depressa, depressa o bastante para cobrir a vergonha, o medo e todos os pensamentos que eu não conseguia mais controlar.

— Ah... Amor, eu não aguento mais.

Assim que ouvi o gemido abafado da minha irmã, meu corpo inteiro estremeceu com força. A sensação acumulada dentro de mim explodiu de repente, tão intensa que quase perdi o controle ali mesmo, naquele canto escuro do cinema.

Entrei em pânico.

Ajeitei a roupa depressa, tentando parecer normal, enquanto meu coração batia como se fosse saltar do peito.

Quando levantei os olhos de novo, vi meu cunhado segurando minha irmã pela cintura, impedindo-a de se afastar.

A voz dele saiu rouca, carregada de uma insatisfação evidente:

— Ainda não acabou. Fica mais um pouco.

Minha irmã respondeu quase em súplica:

— Amor, eu não consigo mais. Sério... Já estou no meu limite.

Ele a soltou com relutância, claramente contrariado.

Então murmurou, num tom baixo e impaciente:

— Quem dera você tivesse metade do fogo da sua irmã.

Arregalei os olhos.

Por um instante, fiquei completamente sem reação.

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