LOGINDia 6 de novembro, 11 da noite. Eu não conseguia dormir no 42º andar. Barulho de ar condicionado, luz de computador, e um vampiro CEO roncando no sofá da biblioteca. Adrian nunca dormia. Vampiro de 200 anos não dorme, só finge que dorme pra enganar humano. Mas depois do bolo e do livro de coelho, ele começou a dormir de verdade. "Elena, você não dorme?" "Não consigo, Adrian. Muito barulho de dinheiro na minha cabeça." Ele levantou do sofá, com pijama de bolinha que ele roubou do senhor Mendes de 350 anos. Pijama grande nele. "Vou te ensinar a dormir igual minha mãe me ensinava quando eu tinha 5 anos humanos. Antes de virar CEO." Ele pegou cobertor de 400 anos, cobertor que vale mais que carro, e jogou em cima de mim no sofá. Cobertor cheirando a mofo e a bolo de chocolate de 2 dias atrás. "Primeiro, fecha os olhos. Segundo, respira fundo. Terceiro, pensa em coelho CEO." Eu fechei os olhos. Ele sentou no chão do lado do sofá, igual babá de criança. Vampiro CEO de 200 anos virand
Dia 5 de novembro, 8 da manhã. Eu cheguei no 42º andar e o sofá do CEO estava ocupado. Não por CEO, não por contrato, não por dinheiro. Estava ocupado pela marca do meu corpo. Porque ontem eu dormi no sofá da biblioteca depois de comer bolo de chocolate. Deixei marca de estagiária no sofá de CEO de 400 anos. Adrian estava me olhando com cara de quem não dormiu a noite toda. Vampiro de 200 anos com olheira roxa. Olheira em vampiro é muito raro. Só acontece quando vampiro fica a noite toda pensando, pensando, pensando e não consegue dormir. "Elena, você dormiu aqui ontem? No meu sofá? No sofá que vale mais que carro?" "Dormi, Adrian. Comi muito bolo e apaguei. Foi o melhor sono da minha vida inteira no 42º andar. Nunca dormi tão bem." Ele sentou na ponta do sofá, longe de mim, com medo, como se sofá queimasse, como se sofá tivesse virado humano. Em 200 anos de vida, nenhuma mulher humana tinha dormido no sofá dele. Só tinha contrato de demissão, pasta de couro e copo de sangue caro.
Dia 4 de novembro, 6 da manhã. Acordei no 42º andar com cheiro de bolo. Não era cheiro de perfume caro de CEO, não era cheiro de dinheiro, não era cheiro de sangue em copo de cristal. Era cheiro de bolo de chocolate quente de verdade, bolo de mãe, bolo humano. Em 400 anos de Black Corporation, nunca teve cheiro de bolo no 42º andar. Nunca. Desci correndo de pijama, cabelo bagunçado, chinelo de coelho que a Júlia me deu. No elevador, senhor Mendes de 350 anos também de pijama de bolinha azul. Nunca tinha visto vampiro de 350 anos de pijama de bolinha. Ele também estava farejando o ar. "Elena, você também sentiu? Cheiro de bolo no 42º? Achei que era sonho de quando eu ainda era humano, antes de virar vampiro." "Também senti, senhor Mendes. Vamos ver o que é." No primeiro andar, cozinha da Dona Maria. Ela chorava e fazia bolo ao mesmo tempo. Grávida de 8 meses, 5 da manhã, barriga enorme, com 3 formas de bolo na mão, toda suja de chocolate. "Dona Maria, que bolo é esse? Que cheiro b
Dia 3 de novembro, 6 da manhã. Eu acordei no 42º andar e o cheiro era diferente. Não era cheiro de café de CEO, nem de couro de cadeira cara, nem de dinheiro de 400 anos. Era cheiro de livro. Cheiro de papel velho e madeira nova. Cheiro da nossa biblioteca de 200 livros. Adrian ainda dormia no sofá da biblioteca. Ele tinha dormido lá a noite toda, abraçado com o Pequeno Príncipe azul da mãe dele. Vampiro de 200 anos dormindo em sofá de biblioteca humana. Em 400 anos de Black Corporation, nunca aconteceu. Eu não acordei ele. Desci para o primeiro andar buscar chá. No elevador, encontrei o pai do Adrian. Presidente do conselho, 400 anos, terno preto, pasta de couro de 100 anos. Ele estava indo para o 42º andar às 6 da manhã. Coisa que nunca faz. "Elena, você vai para a biblioteca?" ele perguntou. "Vou, senhor. Levar chá pro Adrian. Ele dormiu lá." "Eu também vou. Não dormi a noite toda pensando no livro azul." Subimos juntos. Elevador do primeiro ao 42º andar em silêncio.
Dia 2 de novembro, 7 da manhã. Eu acordei no 42º andar com o livro azul do Pequeno Príncipe na mesinha. Adrian já tinha descido para a mansão. Hoje era o dia de montar a biblioteca. Às 8 horas, um caminhão chegou na frente da Black Corporation. Dentro tinha 200 livros humanos. Todos doados pela mãe humana do Adrian, que tinha guardado por 50 anos no porão da mansão. O pai de Adrian olhou assustado. "Elena, você tem certeza? 200 livros humanos no 42º andar? Em 400 anos nunca tivemos livro humano no 42º andar." "Tenho certeza, senhor Black. É a quarta decisão. Biblioteca da Mãe Humana. Para todos os funcionários do primeiro ao 42º andar." Subimos todos os 200 livros de elevador. Dona Maria do primeiro andar ajudou, Júlia do vigésimo andar ajudou, cinco seguranças ajudaram, até o senhor Mendes de 350 anos ajudou carregando dois livros e reclamando da coluna. No 42º andar, que era vazio, frio e escuro por 400 anos, montamos prateleiras de madeira. Madeira humana, não de va
Dia primeiro de novembro, seis da manhã. Eu acordei no 42º andar e olhei o calendário novo na parede. Outubro tinha ficado todo verde, de 2 a 31, com 34.487 palavras. Agora novembro estava zerado, branquinho, esperando. Adrian entrou com duas xícaras de chá quente. "Bom dia, conselheira que fechou outubro inteiro verde. Preparada para novembro?" "Preparada. O que tem hoje no livro de 1620?" "Hoje nada. Hoje é dia de descanso. Você trabalhou 30 dias seguidos sem parar. O conselho te deu folga no dia primeiro." Eu sorri. Primeira folga em 30 dias. Descemos para o jardim da mansão Black. Minha pitangueira pequena tinha crescido dois centímetros em uma semana. Tinha uma plaquinha nova do lado: "Árvore de Elena Hart - 13ª humana - Outubro verde - 34.487 palavras - Plantada em 25 de outubro de 2026". "Ela cresceu?" eu perguntei. "Cresceu. Igual você cresceu. Há 40 dias você era estagiária com currículo amassado no vigésimo andar. Hoje você tem pulseira de 400 anos, colar de







