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Capítulo 81

last update publish date: 2026-09-11 15:20:26

Nos primeiros metros, não olhei para trás. Foi a única regra que consegui impor a mim mesma enquanto continuava pela calçada com a mala ao lado da perna, sem acelerar o suficiente para chamar atenção e sem diminuir o passo, embora cada ruído atrás de mim parecesse prestes a se transformar numa voz conhecida.

Ninguém chamou meu nome.

Cheguei à esquina, atravessei com outras pessoas quando o sinal abriu e só então me permiti olhar para o reflexo escuro de uma vitrine. Vi carros passando, gente
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    A porta do escritório estava entreaberta. Empurrei-a com a ponta dos dedos e encontrei Matteo junto à janela, de costas parcialmente voltadas para mim. Estava de pé, com as duas mãos enterradas nos bolsos da calça e os ombros rígidos sob a camisa. Não fazia nada além de olhar para a escuridão do lado de fora, mas havia tanta tensão naquela postura que parei por um instante na entrada.Eu estava acostumada a vê-lo irritado, frio, até furioso.Aquilo era diferente. Parecia um homem tentando manter alguma coisa sob controle sem ter decidido ainda como fazer isso.Matteo percebeu minha presença e virou o rosto apenas o suficiente para me olhar.— Ivy.Meu estômago se apertou diante da expressão fechada dele.Os olhos passaram por mim sem a demora habitual, como se até me olhar exigisse mais contenção do que ele estava disposto a gastar.— Vai embora. Não quero falar com você agora.Fechei a porta atrás de mim. A irritação veio tão depressa que meus dedos se fecharam em torno da maçaneta a

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    Mais tarde, já perto da hora de dormir, eu terminava de tirar a maquiagem diante do espelho do quarto. Matteo continuava sentado na poltrona perto da janela.O paletó estava largado sobre o braço da cadeira. Ele permanecia de camisa, com o colarinho aberto, um copo de uísque numa das mãos e o tornozelo apoiado sobre o joelho oposto. A postura poderia ter passado por relaxada se não fosse pelo modo como me observava. Desde que eu começara a me preparar para dormir, os olhos dele acompanhavam cada movimento meu.Passei o algodão sob um dos olhos e ergui o rosto para conferir se ainda havia algum vestígio de maquiagem. Foi assim que encontrei o olhar de Matteo no espelho.Nenhum de nós pareceu disposto a desviar primeiro.Por alguns segundos, ficamos presos naquela disputa idiota e silenciosa. O olhar dele desceu pelo meu reflexo, demorou-se na camisola fina antes de voltar ao meu rosto, e senti o calor se concentrar entre minhas pernas até a calcinha começar a umedecer. Irritou-me que a

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    Assim que entramos no carro, Matteo voltou ao silêncio. Continuava tenso ao meu lado, o telefone numa das mãos enquanto o polegar percorria a tela de tempos em tempos, embora eu tivesse a impressão de que não estava realmente prestando atenção ao que aparecia ali.No hotel, depois que eu comi, ele tinha perguntado se eu estava melhor e, alguns minutos mais tarde, se estava pronta para voltar para casa.A palavra ficou comigo por mais tempo do que deveria. Casa. Tinha saído da boca dele com tanta naturalidade que quase parecia que aquela mansão era simplesmente a nossa casa e nós éramos um casal normal voltando para ela depois de um dia particularmente ruim, em vez de duas pessoas que tinham passado as últimas horas discutindo porque uma delas tinha fugido da outra.A partir dali, ele não voltou ao assunto, e eu também não fiz qualquer esforço para retomá-lo. Já tínhamos discutido a fuga até não restar nada de novo para dizer; Matteo continuava furioso, eu continuava cansada e, naquele

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    — Para mim. Matteo soltou um som baixo, quase um grunhido, e ficou me olhando como se ainda houvesse alguma coisa naquela resposta que o irritasse. Passei a mão pelos cabelos, mais pelo impulso de fazer alguma coisa do que por necessidade, e uma mecha ondulada prendeu-se entre meus dedos. Eu tinha conseguido dizer. Talvez não tudo, talvez nem metade, mas o suficiente para sentir aquela exposição desconfortável de quando as palavras finalmente saem e já não existe maneira de fingir que nunca estiveram ali. Não tive tempo de decidir o que fazer com isso. Matteo atravessou o espaço entre nós, segurou minha nuca com a mão limpa e me beijou. A boca dele encontrou a minha com força, e percebi quase imediatamente que aquela era apenas outra maneira de libertar o que ainda restava da raiva que nem o soco contra a parede tinha conseguido arrancar dele. Não havia delicadeza, nem qualquer tentativa de transformar aquilo numa trégua. Matteo me beijava como tinha discutido comigo, intenso dem

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    Pouco mais de duas horas depois de eu ter compartilhado minha localização, bateram à porta. O som de três batidas firmes fez meu estômago se contrair. Olhei pelo olho mágico antes de abrir e encontrei Matteo do outro lado. Nico permanecia alguns passos atrás dele, acompanhado por outro homem da segurança que eu reconhecia sem saber o nome, e os dois pareciam exatamente como eu esperava que homens de Matteo parecessem depois de passarem horas procurando alguém que não queria ser encontrada: atentos, tensos e prontos para transformar aquele corredor medíocre de hotel em território controlado. Matteo não. Abri a porta e, durante alguns segundos, simplesmente fiquei olhando para ele, não porque houvesse alguma coisa em Matteo que eu ainda não conhecesse, mas porque nunca o tinha visto exatamente daquele jeito. Quase um metro e noventa, ombros largos ocupando boa parte do vão da porta e aquele corpo forte sob as roupas caras que eu conhecia melhor do que deveria. Eu sabia como precis

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    Fiquei parada no meio do quarto, olhando para a fotografia sobre a cama. Eu sabia que não estava ali antes. Durante alguns segundos, foi a única coisa em que consegui pensar. A mala continuava perto da parede, a poltrona junto à janela e o resto do quarto parecia exatamente como eu o havia deixado, mas havia agora um retângulo de papel no centro da colcha que alguém tinha colocado ali enquanto eu estava fora. Meu corpo reagiu antes que minha cabeça acompanhasse. Fui até a porta, passei a trava, testei a maçaneta duas vezes e olhei pelo olho mágico. O corredor estava vazio, mas isso não significava absolutamente nada quando alguém já tinha conseguido entrar sem deixar sinal. Afastei-me da porta e procurei pelo quarto inteiro, abrindo o armário com força demais, empurrando os cabides para o lado e me abaixando para verificar o espaço inferior antes de olhar atrás da cortina, debaixo da cama e entre a lateral do colchão e a parede. Voltei ao banheiro, abri o box, conferi atrás da por

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