ログインMonica assinou os papéis do divórcio no escritório do advogado Morrison. George estava sentado à sua frente, evitando contato visual. Sharon Don esperava no corredor, conferindo a manicure.
"Cinquenta mil dólares e você fica com suas joias pessoais", disse Morrison. "O Sr. Winston fica com todos os bens, investimentos e ativos comerciais."
"Tudo bem", disse Monica. Ela queria que tudo terminasse logo.
"A cobertura será desocupada até sexta-feira. Os pertences da Sra. Winston serão embalados e entregues no endereço que ela indicar."
Monica deu a eles o endereço de sua mãe em Connecticut. Ela não tinha condições de pagar o aluguel em Manhattan com cinquenta mil dólares.
"Mais uma coisa", disse George baixinho. "A imprensa vai fazer perguntas. Eu preferiria que mantivéssemos os detalhes em sigilo."
"Você quer dizer para não contar a ninguém que você traiu?"
"Para preservar a reputação de nós dois."
Monica deu uma risada amarga. "Minha reputação já está destruída. A sua está intacta."
Ela assinou a última página e se levantou.
"Sra. Winston, ou melhor, Srta. Charleston", corrigiu-se Morrison. "A senhora tem trinta dias para alterar legalmente seu nome de volta."
"Já está planejado."
Monica caminhou em direção à porta. George a seguiu até o corredor, onde Sharon esperava impacientemente.
"Finalmente", disse Sharon. "Estou esperando há vinte minutos. George, temos a reunião para planejar a festa de noivado daqui a uma hora."
Monica parou de andar. "Festa de noivado? O divórcio nem foi finalizado ainda."
"Será em três dias", Sharon sorriu friamente. "George e eu não vemos motivo para perder tempo."
"Monica", disse George. "Sobre ontem à noite no hotel..."
"O que aconteceu ontem à noite?", perguntou Sharon, insistindo.
George tinha ido ao quarto de hotel de Monica depois que os papéis do divórcio foram entregues. Ele estava bebendo e falando sobre arrependimento. Uma coisa levou à outra. Monica se odiava por ter dormido com ele, mas precisava se sentir desejada uma última vez.
"Nada importante", disse Monica. "Só estou me despedindo."
Sharon pareceu desconfiada, mas George assentiu.
"Cuide-se, Monica", disse George.
Monica saiu do escritório de advocacia sem olhar para trás.
Três semanas depois, Monica estava sentada em seu quarto de infância em Connecticut, encarando o resultado do teste de gravidez. Positivo. Ela estava esperando um filho de George Winston.
Sua mãe bateu na porta. "Monica, querida? Você está aí em cima há horas."
"Entre, mãe."
Eleanor Charleston entrou com chá e biscoitos. "Alguma novidade sobre as candidaturas de emprego?"
Monica não havia se candidatado a nenhum emprego. Estava deprimida demais para sair do quarto na maioria dos dias.
"Mãe, preciso te contar uma coisa."
"O que foi, querida?"
"Estou grávida."
Eleanor deixou cair a bandeja de chá. Xícaras se estilhaçaram no chão de madeira.
"Grávida? Como isso é possível?" "Do jeito de sempre."
"Mas você está divorciada há semanas."
"George veio ao meu quarto de hotel na noite em que os papéis do divórcio foram entregues. Eu estava boba e emotiva e..."
"Ah, Monica."
"Não posso contar para ele. Ele está casado com a Sharon agora. Eles se casaram semana passada."
"Este bebê também é filho dele. Ele tem o direito de saber."
"Ele não tem direito a nada. George me descartou como lixo. Não vou dar a ele a chance de rejeitar nosso bebê também."
Eleanor sentou-se na cama ao lado de Monica. "O que você vai fazer?"
"Criar o bebê sozinha. Mudar para algum lugar onde George não nos encontre."
"Você pode ficar aqui."
"Não. Todo mundo na cidade sabe do divórcio. Vão fofocar sobre a época do nascimento do bebê."
Monica já tinha feito as contas. Se ela se mudasse agora, poderia alegar que o bebê era de um relacionamento posterior ao divórcio. Ninguém questionaria. "Para onde você vai?"
"Boston. Tenho amigos da faculdade lá. Posso recomeçar do zero."
"Monica, pense bem nisso. Criar um filho sozinha é difícil."
"Mais difícil do que ficar casada com um homem que nunca me amou?"
Eleanor não pôde discordar.
Naquela noite, Monica ligou para sua colega de quarto da faculdade, Sarah Chen, em Boston.
"Monica! Soube do divórcio. Sinto muito."
"Obrigada. Olha, preciso de um favor. Posso ficar na sua casa por um tempo? Quero recomeçar em um lugar novo."
"Claro! Quanto tempo você precisa?"
"Talvez um ano. Estou pensando em abrir um negócio."
"Que tipo de negócio?"
Monica vinha pensando nisso. "Consultoria empresarial. Aprendi muito sobre operações comerciais durante meu casamento. As empresas pagam bem por consultoria em reestruturação."
"Parece perfeito para você. Quando você pode vir?"
"Semana que vem."
Sarah mudou o telefone de orelha, já reorganizando mentalmente o quarto de hóspedes. "Isso é rápido, mas não se preocupe, vamos dar um jeito. Tenho esse quarto extra e, sinceramente, adoraria companhia. Este lugar fica solitário."
Monica sentiu uma onda de alívio. Ela não tinha percebido o quão tensa estava até a aceitação imediata de Sarah. "Você me salvou, Sarah. Eu sei que é repentino, mas não consigo mais ficar aqui. Cada canto desta casa me lembra dele, do que tínhamos."
"Eu entendo perfeitamente. Fre
"É preciso renovar o ambiente." Sarah fez uma pausa e continuou com crescente entusiasmo. "E Boston é perfeita para consultoria. Tem um monte de empresas aqui, e muitas startups também. Você não vai ter falta de clientes em potencial."
"Espero que sim. Tenho pesquisado o mercado e definitivamente há demanda. Empresas de pequeno e médio porte, principalmente, precisam de ajuda com eficiência operacional, mas não têm dinheiro para contratar as grandes consultorias."
"Viu? Você já encontrou seu nicho." A voz de Sarah se animou. "Lembra de como você organizava todo o nosso andar do dormitório? Você tinha cronogramas com cores diferentes para tudo — lavanderia, grupos de estudo, até entregas de pizza. Essa coisa de consultoria é exatamente isso, só que com uma remuneração melhor."
Monica riu pela primeira vez em semanas. "Nossa, eu tinha me esquecido desses cronogramas. Vocês todas acharam que eu estava louca."
"Loucamente organizada, talvez. Mas funcionou. As notas de todo mundo melhoraram naquele semestre."
"Obrigada por acreditar em mim, Sarah." "Eu realmente preciso disso agora."
"É para isso que servem os colegas de quarto — para sempre e para sempre. Leve pouca bagagem para a viagem. Podemos resolver o envio das suas coisas depois."
"Combinado. Até semana que vem."
Depois de desligar, Monica começou a planejar. Ela tinha cinquenta mil dólares do acordo de divórcio, mais o fundo fiduciário da avó. Capital suficiente para abrir uma empresa de consultoria.
George achava que ela não tinha contribuído com nada para a Winston Corporation. Mas Monica havia participado de todas as reuniões do conselho, lido todos os relatórios financeiros, entendido todas as decisões de negócios. Ela sabia mais sobre administração de empresas do que George imaginava.
O telefone dela tocou. Número desconhecido.
"Alô?"
"Monica, é o Juiz Simon. Amigo do George."
Ela se lembrou dele do casamento. Padrinho e consultor jurídico de George.
"O que você quer?"
"Soube do divórcio. Queria saber como você está."
"Estou bem."
"Está mesmo? George parece infeliz." "O casamento com Sharon não está indo bem."
"Não é mais problema meu."
"Monica, eu sei o que realmente aconteceu. Germany Slater vem enchendo a cabeça do George com mentiras sobre você há meses. E Sharon não é quem finge ser."
"Do que você está falando?"
"Vamos tomar um café amanhã. Há coisas que você precisa saber sobre o verdadeiro motivo do fim do seu casamento."
Monica hesitou. Ela estava tentando seguir em frente, não olhar para trás.
"Por favor", disse Simon. "George não sabe que estou ligando para você. Mas alguém precisa te contar a verdade sobre o envolvimento de Germany Slater no seu divórcio."
"Eu te encontro. Uma hora. Depois disso, acabou tudo o que tem a ver com George Winston."
"Obrigado, Monica." "Meio-dia no Riverside Café, na Main Street."
Monica desligou o telefone, imaginando o que Simon poderia lhe dizer que importasse agora. Seu casamento havia acabado. George estava com Sharon.
Mas a curiosidade venceu. Amanhã ela ouviria o que o Juiz Simon tinha a dizer. Depois, faria as malas e começaria sua nova vida em Boston.
Com ou sem o bebê de George Winston.
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Monica tinha uma conferência de três dias em Chicago, uma palestra importante para a qual vinha se preparando há meses, o tipo de marco profissional que representava tudo o que ela havia reconstruído do zero após o divórcio. George insistiu, com total confiança, que conseguiria lidar com três dias sozinho com Georgia, Ian e Ashley sem incidentes.Ao final do primeiro dia, George percebeu que estava terrivelmente enganado.Começou razoavelmente bem. O café da manhã correu bem — Georgia se virava sozinha com o cereal, e os gêmeos, agora com oito meses, comiam suas papinhas com a bagunça típica da idade, mas nada que George não conseguisse controlar. Ele sentiu, ao deixar Georgia na pré-escola com os dois gêmeos no carrinho duplo, uma modesta e totalmente prematura sensação de competência.O problema começou na hora da soneca, quando Ian e Ashley, aparentemente pressentindo a ausência da mãe por meio de alguma telepatia infantil que nenhum dos pais conseguia explicar, decidiram em perfei
A casa no lago fora sugestão de Simon, por mais estranho que parecesse — uma propriedade que sua família possuía há duas gerações, situada de forma tranquila e discreta no final de uma estrada de terra a três horas ao norte da cidade, o tipo de lugar que cheirava a agulhas de pinheiro e fumaça de lenha velha assim que se entrava pela porta."Você precisa de um lugar sem sinal de celular", disse Simon, entregando as chaves a George com a franqueza peculiar de um homem que vira seu chefe se esgotar por um ano inteiro. "Um lugar onde a Corporação Winston não possa te contatar, nem ninguém mais. Leve sua família. Eu cuido de tudo o que surgir. Isso é uma ordem, não uma sugestão."George riu de receber ordens do próprio chefe de segurança e, três dias depois, arrumou o carro mesmo assim.Monica não esperava relaxar. Passou toda a viagem meio convencida de que alguma crise surgiria assim que cruzassem a divisa do condado — velhos hábitos, a vigilância peculiar de uma mulher que passara dois
Não foi, considerando tudo o que já tinham superado, uma briga significativa. Era justamente isso que a tornava estranha.Tudo começou com a louça — mais especificamente, uma pilha dela deixada na pia por dois dias, que George presumiu que Monica lavaria e Monica presumiu que George lavaria, um mal-entendido doméstico completamente comum que, em seu antigo casamento, teria se dissipado em um silêncio gélido e três semanas de ressentimento não expresso.Em vez disso, George disse: "Achei que você fosse lavar a louça."E Monica respondeu: "Eu também achei."E ambos ficaram parados na cozinha, olhando para quatro dias de louça suja com a irritação peculiar de dois pais exaustos que, por um breve momento, ambos haviam deixado uma bola cair."Esta é a nossa primeira briga de verdade", disse Monica, surpreendendo-se com a própria constatação.George fez uma pausa, com o pano de prato na mão. "Sobre a louça.""Sobre a louça", confirmou Monica.Algo no absurdo da situação quebrou um pouco a t
Tudo começou como uma simples história para dormir e, ao longo de vários meses, transformou-se numa mitologia inteira que George não planejava criar e da qual não conseguia, naquele momento, escapar."Conte-me sobre Gerald", disse Georgia certa noite, segurando o pinguim de pelúcia com expectativa. George, improvisando, exausto, tentando alcançar qualquer coisa, disse: "Era uma vez, Gerald, o pinguim, que descobriu que podia voar, mas apenas à noite e somente quando alguém precisava dele."Georgia ficou imóvel, com a atenção absorta de uma criança que acabara de receber algo precioso."Continue", disse ela.E ele continuou. Gerald, descobriu-se, era secretamente o pinguim mais corajoso do Ártico, encarregado de uma missão noturna: sobrevoar o céu e verificar se havia crianças com medo do escuro. Ele tinha um rival — uma coruja rabugenta chamada Bartolomeu, que não acreditava que pinguins pudessem voar — e uma melhor amiga, uma morsa chamada Pérola, que o ajudava a se orientar pelas es
Ian não parava de chorar, e George descobriu, por volta do quadragésimo minuto da crise, que a única coisa que funcionava era movimento.Não andar. Não pular. Balançar — devagar, rítmico, quase como dançar, embora George não tivesse chamado assim se alguém perguntasse. Ele simplesmente notou, no delírio exausto de uma mamada às duas da manhã que deu errado, que o choro de Ian passou de um protesto estridente para um soluço abafado no momento em que George começou a transferir o peso de um pé para o outro na cozinha, segurando o filho contra o ombro, cantarolando algo sem melodia baixinho.Monica o encontrou assim — descalço no piso frio da cozinha, balançando lentamente na penumbra sobre o fogão, o choro de Ian se transformando em pequenos suspiros exaustos contra seu ombro."Você descobriu o truque", disse ela suavemente, encostando-se no batente da porta."Eu não descobri truque nenhum", disse George, ainda balançando. "Descobri a única coisa que funcionou em quarenta minutos e tenh
George nunca tinha feito tranças na vida, e estava determinado a não deixar que isso o impedisse às seis e meia da manhã, com Georgia sentada de pernas cruzadas na bancada do banheiro, escova de cabelo em uma mão, três elásticos de cabelo presos no pulso como um homem se preparando para uma pequena e específica batalha."Mamãe faz duas tranças", informou Georgia, observando seu rosto no espelho com a calma autoridade de alguém que havia sobrevivido a quatro anos de negociações capilares. "Uma de cada lado. Depois, elas se encontram atrás.""Duas tranças", repetiu George. "Se encontrando atrás. Entendi."Na verdade, ele não tinha entendido.Monica estava no chuveiro no final do corredor, completamente alheia à situação, tendo concordado na noite anterior — mais como uma brincadeira, mais para ver o que aconteceria — que George cuidaria do cabelo dela para o dia da foto enquanto ela se arrumava para a ligação com o cliente às nove horas. Ela não esperava que ele realmente tentasse. Espe







