INICIAR SESIÓNNyraEu tinha descoberto duas coisas naquela semana.A primeira era que Smoke tinha sérios problemas de ego.A segunda era que Naomy não aceitava um não como resposta quando decidia que eu precisava me divertir.— Levanta essa bunda do sofá, Nyra.— Não.— Eu nem terminei de falar!— E eu já respondi. Estamos sendo eficientes.Naomy apareceu na minha frente com uma sacola enorme de mercado em cada mão e uma expressão que não anunciava nada de bom.— Você vai sair comigo hoje.— Já saí com você ontem.— Ontem fomos comprar absorvente.— E foi uma experiência maravilhosa. Nunca me diverti tanto escolhendo entre duas marcas de algodão.Ela jogou uma almofada na minha cara.— Engraçadinha. Estou falando sério. Você passa o dia inteiro trabalhando, depois fica pensando em corrida, problema, homem bonito e problema com homem bonito. Precisa de uma noite normal.Afastei a almofada.— Minha vida é perfeitamente normal.Naomy me olhou.Olhou de novo.Depois soltou uma gargalhada.— Nyra, queri
Nyra— Vai ter alguma corrida hoje? — perguntei, do nada, quebrando o silêncio da sala.Kael, que tava mexendo no celular, congelou por uns segundos. — Não é final de semana... — ele começou, enrolando.— E daí? — cruzei os braços, olhando firme. — Eu sei que nem sempre vocês esperam sábado pra correr.Naomy, do meu lado, revirou os olhos.— Pronto, lá vem ela.Kael largou o celular na mesa, respirando fundo.— Tá. Vai ter. Mas não é uma corrida qualquer, Nyra. É ilegal até pros padrões daqui. O tipo de evento que não aparece em rede social, que não tem plateia vibrando. Só apostadores grandes e pilotos com mais coragem do que juízo.Meus olhos brilharam na hora.— Onde?— Não vou falar. — Ele cortou seco.— Vai sim — rebati. — Você sabe que eu vou descobrir de qualquer jeito.Naomy tentou entrar no meio:— Ny, olha o que o Kael tá dizendo. Se até ele tá chamando de perigosa, é porque a coisa é feia.Kael olhou pra mim, derrotado. Ele percebeu que argumentar comigo era inútil.— Smok
NyraA porta fechou atrás de mim com um clique suave, mas o barulho ecoou como se tivesse batido um portão de ferro. Encostei a testa contra a madeira fria, tentando controlar a respiração que saía acelerada, como se eu tivesse corrido uma maratona. Só tinha estado a centímetros de Killian. E aquilo bastava pra me deixar inquieta.O quarto estava escuro, iluminado apenas pela luz da rua que atravessava a cortina. Eu me joguei na cama sem nem tirar os sapatos, o corpo mole, mas a mente em chamas. Eu não conseguia parar de pensar nele.Era ridículo. Eu o conhecia há pouquíssimo tempo... pelo menos era isso que minha razão repetia como um mantra. Mas o corpo não ligava pra razão. Meu corpo reagia a Killian como se ele fosse... familiar. Como se ele fosse um porto seguro e, ao mesmo tempo, um abismo pronto pra me engolir. Fechei os olhos e revivi a cena de minutos atrás: o jeito que ele me olhou.Não foi só intensidade, foi algo que atravessou minha pele e se alojou direto no meu peito
Killian A madrugada sempre teve um jeito estranho de me incomodar. O silêncio não é só ausência de som... é uma pressão que empurra os pensamentos pra fora, como se minha cabeça fosse um cofre mal trancado. Kael estava largado no sofá, a boca entreaberta, roncando baixo. Naomy dormia encolhida, abraçando a almofada como se fosse um escudo. Pareciam dois adolescentes depois de uma festa qualquer. Eu e Nyra éramos os únicos acordados. Ela estava no outro sofá, os olhos presos no teto como quem implora pra encontrar respostas escondidas nas rachaduras. O cabelo bagunçado caía sobre o ombro, e havia uma tensão nos lábios dela, como se estivesse brigando em silêncio com o próprio ser. E eu... eu não conseguia parar de olhar. Porra. Eu tinha que parar. Passei a mão no rosto, tentando me forçar a desviar os olhos. Mas era inútil. Quanto mais eu tentava me afastar, mais ela parecia me puxar. Nyra era como um imã quando estava perto de mim. por isso eu não tinha gostado da ideia de dorm
[ NYRA ]Depois de alguns surtos de quase todo mundo. A noite tinha caído, e a sala de Kael estava iluminada apenas pela luz amarelada da cozinha. O apartamento exalava cheiro de cigarro e café, misturado com aquela tensão que ninguém ousava nomear.Kael apagou o cigarro no cinzeiro e se virou para nós.- Olha... - começou, cruzando os braços. - Não acho que vocês duas devam voltar pra casa hoje.Franzi o cenho.- Como assim? - Ele deu um suspiro pesado. - Nyra, você tá tremendo até agora. Não vou fingir que não percebi. Você não tem que voltar pra sua casa como se nada tivesse acontecido.Naomy concordou na mesma hora, os olhos escuros brilhando de firmeza.- Ele tem razão. Dorme aqui comigo hoje.Eu balancei a cabeça, automática.- Não, não precisa. Eu só... quero tomar um banho e esquecer disso. Amanhã eu resolvo.- Sozinha? - Naomy rebateu na hora. - E se esse infeliz te segue? Se aparece no seu prédio? Você acha que vai dormir tranquila?Meu peito apertou. A imagem dele na porta
[ NYRA ]O ar da rua parecia mais denso do que o normal, como se cada molécula fosse feita de fumaça e poeira. Eu caminhava rápido, mas ao mesmo tempo cada passo parecia um esforço absurdo. O som dos meus saltos no asfalto misturava-se ao zumbido da cidade, mas tudo soava abafado, distante.Meu celular vibrou na mão suada.Naomy: "Chegando. Dois minutos."Dois minutos. Respira, Nyra. Dois minutos.Encostei-me num poste, olhando para o chão rachado da calçada, tentando controlar o tremor das mãos. Elas não paravam. Minhas pernas também não pareciam minhas. E, mesmo no calor abafado da tarde, havia um frio gelado percorrendo minha espinha.O carro da Naomy surgiu na esquina e, por instinto, meus ombros caíram um pouco. Ela parou bruscamente, saiu sem fechar a porta e atravessou a rua sem se importar com os carros.— Ny... — disse meu nome com um tom que carregava preocupação e raiva ao mesmo tempo.Eu só consegui balançar a cabeça. Não queria falar ali.Ela me puxou para um abraço forte







