LOGINQuando estou passando pelo beco, escuto o barulho da moto dele vindo logo atrás de mim.
Merda. Tento até acelerar o passo, mas Kauê para a moto bem na minha frente, bloqueando minha passagem. — Sobe aí. Eu te deixo lá no postinho. — Ele me encara, mas eu desvio o olhar na mesma hora. — Não precisa. — Qual foi, Bianca? — pergunta enquanto desce da moto e fica na minha frente. Respiro fundo, já sentindo meu estresse aumentar. — Kauê, sério mesmo? Você vai continuar tentando falar comigo? — Por que a gente não pode ser amigo? Solto uma risada sem humor. — Porque eu gosto de você. — respondo na lata. Ele trava por alguns segundos. — Bianca… — Relaxa, eu não tô dizendo que quero ficar com você ou algo do tipo. Mas depois de tudo… isso ainda é difícil pra mim. — falo sincera. E era a verdade. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, eu ainda sentia alguma coisa pelo Kauê. Mesmo sabendo que ele não merecia. — Porra… às vezes eu odeio essa tua sinceridade. — Ele passa a mão na nuca, claramente incomodado. — Fala isso porque eu não sou mentirosa igual você? — Bianca, eu não menti. Eu… — Kauê, relaxa. Eu não tô te cobrando nada. Só quero viver em paz aqui no morro. — E eu quero que você me perdoe. — Ele tenta se aproximar, mas eu dou um passo pra trás imediatamente. — Não dá. De verdade… eu não consigo. Ele suspira pesado, me olhando como se também estivesse perdido naquela situação. — Poxa, Bianca… eu nem sei como agir com você morando aqui tão perto de mim. Cruzo os braços. — Age normal, ué. Igual fez quando assumiu a Aline pra todo mundo. Ele me olha com aquela famosa cara de cachorro abandonado, mas eu não caía mais nesse jogo. O Kauê fez a escolha dele. Agora precisava lidar com as consequências de me ter ali, tão perto. O problema era dele, não meu. — Bianca, vamos conversar direito… — Sério, Kauê. Finge que eu nem tô aqui. Ou continua não dando a mínima, igual você sempre fez. Dou as costas antes que ele responda e saio andando. Eu estava cansada daquele blá-blá-blá. Tudo o que eu queria era seguir minha vida e superar aquilo de uma vez. Durante o caminho, uma lágrima acaba escapando, mas seco rapidamente. Eu não vou deixar o Kauê me afetar mais. --- Meu primeiro dia no postinho foi exatamente do jeito que eu imaginei. Correria, pacientes, crianças chorando, idosos agradecidos… e, pela primeira vez em muito tempo, senti que estava no lugar certo. — E aí, doutora Bianca? Bora no bar da dona Zilu comemorar o primeiro dia? — Wesley, que fazia parte da equipe, pergunta animado. Graças a Deus eu tinha me dado bem com todo mundo. — Bora, doutora! Hoje merece uma geladinha! — Dandara fala rindo. Acabo sorrindo junto. — Vocês se importam se eu chamar uma amiga também? — Claro que não. Chama ela! Mais gente pra curtir. — Lucas responde já todo interessado. Mal sabia ele que minha amiga já tinha dono. — Então fechou. Sete horas lá? — Dandara pergunta. — Por mim, perfeito. Vejo vocês mais tarde. Me despeço deles e sigo meu caminho. Vou andando enquanto tento ligar pra Ju, mas ela não atende. Depois da terceira tentativa, desisto e guardo o celular na bolsa. Melhor falar com ela pessoalmente. Só que, quando levanto o olhar, acabo esbarrando em alguém e quase caio no chão. Por sorte, a pessoa me segura pela cintura antes. — Porra, garota. Tá cega? Nossa. Que grosso. Levanto o rosto imediatamente, pronta pra responder, mas encontro um homem alto me encarando com a expressão fechada. Ele me solta logo em seguida, como se o simples toque tivesse incomodado. Reviro os olhos. Sorte dele que hoje eu tô de bom humor. Porque se não estivesse… Ignoro completamente e continuo andando. Hoje eu queria paz. Não ia perder meu tempo me estressando por pouca coisa. --- Assim que chego em casa, começo a me arrumar. Escolho um short jeans desfiado e um cropped rosa com um decote discreto que deixava minha tatuagem à mostra. Coloco minha rasteirinha de amarrar, alguns cordões, pulseiras e argolas. Minhas joias favoritas. A maquiagem faço bem básica. Tá calor demais pra inventar moda. Pego o celular e mando mensagem pra Ju. **Eu:** Amiga, tá pronta? **Ju:** Tô sim! Você vai passar aqui ou quer que eu encontre você lá? **Eu:** Passo aí. É caminho e a gente já vai juntas. **Ju:** Tá bom! Tô te esperando. Beijos! Guardo algumas coisas na bolsinha de lado e saio de casa. A brisa da noite estava gostosa, deixando o clima leve. A casa da Ju era caminho, então não custava nada passar lá. Só espero não encontrar o Kauê. Apesar de que… sendo realista… era quase impossível. --- Chego rapidinho e passo pelos seguranças, já que praticamente todo mundo ali me conhece. — Juuuh! — grito da porta. Só que quem abre não é ela. É justamente a assombração que eu queria evitar. Kauê. E, infelizmente, ele estava bonito demais. Todo arrumado, cheiroso, daquele jeito que fazia meu coração vacilar mesmo quando eu não queria. Meu olhar passa rápido pelo conjunto da Nike azul-escuro, pelos cordões brilhando no pescoço e pelas pulseiras no braço. Chega me dá um arrepio. Mas trato de ignorar imediatamente. Não posso ficar pensando nessas coisas. — Entra aí. Ela tá lá em cima se arrumando. — Ele fala enquanto me olha de cima a baixo, sem disfarçar. — Ah… valeu. Desvio o olhar rápido, porque eu também estava encarando. E isso definitivamente era perigoso. Subo as escadas em silêncio, tentando controlar o coração acelerado, e sigo direto pro quarto da Ju.BiancaAlguns meses depois ..Hoje é o aniversário do meu afilhado Pietro.Rayane tá toda animada, mas nada se compara a felicidade do Kauê. KkkEle é um pai super babão e morre de amores pelo filho.Fico muito feliz por eles...– Amor, vamos? Ja estamos atrasados.Murilo me chama entrando no quarto – Sim. Me ajuda só a colocar a sandália. A Feh e Denis já foram?– Sim. Eles foram com Jp.Olho pra ele sorrindo. Já arrumaram até vulgo pro meu sobrinho. RS.Eu tô muito feliz também pela Fernanda e Denis. A Feh conseguiu adotar o João Paulo e foi a coisa mais linda quando o Denis trouxe ele pra ela com os papeis na mão.Fernanda chorou muito, ela tinha se apegado muito a ele como mãe já. Agora eles têm a família deles.Denis vive dizendo que quer uma menina também, só que a Feh quer esperar mais um pouco até terminar a faculdade.Ela vai ficar de frente na ong daqui...Assim que chegamos todos vieram nos cumprimentar e brincar com a minha barriga que estava enorme. Eu não via a hor
Fernanda Eu estava me divertindo muito com as meninas, hora ou outra o Denis vinha aqui trazer bebida pra mim. Tudo ainda era muito novo e eu apenas bebia drinks fracos .– Então, Feh. Vocês decidiram se vão se mudar?A gente estava falando sobre o morro que eu herdei por matar o Souza, mas eu não queria ir pra lá. Eu gosto de morar aqui, gosto de ter a Bia por perto e ajudar na ong que ela construiu. Até pensei em trszer o João Paulo pra cá se a dona Angel permitisse.Ai ele ficaria mais perto de mim..– Eu vou ficar no morro do Mr. Não quero me afastar daqui, lá eu não tenho ninguém que eu conheço a não ser o Preto .– O Preto? Bia pergunta.– Sim, vamos deixar ele lá cuidando de tudo.– Ótima escolha, Preto é um cara muito legal e responsável. Fico feliz que você fique aqui com a gente. Eu amo ter vocês por perto. Ela me abraça rápido e a gente sorri.Voltamos a dançar e eu sinto a Juh me cutucar.– Amiga, aquela piriguete ali não tira o olho do teu boy.Fala apontando pro b
Kauê Hoje tem baile no morro do meu irmão comemorando a volta dele. Eu tô feliz de verdade. Tô feliz em saber que ele tá bem e em ver todo mundo bem. Geral tem se aproximado bastante e pela primeira vez eu me sinto querido pelas pessoas em minha volta. Sei que eles realmente gostam de mim pelo que eu me tornei graças a Rayane e ao meu filho. Porra, eu nem acredito que vou ser pai! Foi tão espontânea a conexão com esse bebê que não dá pra acreditar como um amor assim é capaz de surgir sem nem mesmo conhecer a pessoa ainda. Eu só sei que sou muito grato a Deus pela oportunidade ter mudado e me tornado quem sou hoje. Hoje sim posso dizer que sou o Kauê verdadeiro! Aquele que os pais admiram. A irmã sente orgulho. Os amigos se preocupam e querem por perto. O irmão que considera. E o melhor de tudo, ter o amor da mulher mais perfeita desse mundo e ainda por cima ser pai de um meninão. Eu fico tão feliz que dá vontade gritar pro mundo todo ouvir. Kk .. – Você acha que ess
Denis Parecia que tudo finalmente estava se ajeitando.Nesses últimos dias eu fiquei a frente de tudo enquanto o Mr se recuperava.Ele voltou pro morro dele, mas a Bia disse que ia fazê-lo se recuperar em casa sem trabalho e sem esforço. KkkHoje finalmente é o dia que vamos saber se o bebê da Rayane é meu ou do Souza.Com tudo que aconteceu, resolvemos esperar um pouco e nos dar um tempo.Rayane até ficou no morro do K2. Lá, a mãe dele e a irmã ajudavam a cuidar dela.Fico feliz por eles, só quero que independente de tudo ela seja muito feliz. Sei que o Kauê vai fazer isso. Mesmo se eu for o pai desse bebê, sei que ele vai ter um papel importante na vida dele como pai também.Dá pra ver de longe o quanto ele está feliz com a gravidez da Rayane...Estava indo buscar a Fernanda no morro do Lz.Ela estava lá ajudando a tia Angel com Matheus e a ong...Assim que cheguei lá, tia Angel disse que ela estava na ong ajudando com as crianças.Ultimamente ela passa bastante tempo lá...– O
Bianca Saí daquela sala querendo desabar.Eu nunca vivi algo tão difícil assim. Meu mundo pareceu andar em câmera lenta...Abri a porta e dei de cara com meus pais.– Filha! Os dois falam juntos vindo me abraçar.Abraço eles forte deixando as lágrimas caírem.– Meu amor se acalma, como o Mr está?Minha mãe pergunta segurando minha mão enquanto meu pai enxuga minhas lágrimas.– Agora ele tá fora de perigo, mas eu achei que ia perdê-lo, mãe. Fiquei com tanto medo. Ele teve duas paradas e na última quase não voltou, ali meu mundo desabou por segundos.Falo ainda nervosa lembrando de como foi vê-lo ali quase morto na minha frente.Foi o pior dia da minha vida. Pensar que o Murilo poderia não viver me fez querer morrer por dentro também.– Mas agora ele tá bem, filha. Você conseguiu salvar ele, é uma médica maravilhosa.Meu pai fala fazendo carinho no meu rosto e eu sorrio pegando a mão dele e a da minha mãe encostando na minha barriga.– Sim pai, agora nós vamos ser muito felizes.So
MrFiquei feliz pelo Denis ter ido atrás da Fernanda.Sabia que ele tinha ficado com ciúmes do tal Preto que chegou com ela.Nós já tinha trocado até um papo e ele garantiu que era só amizade entre eles.Disse que até tentou algo, mas o coração da Fernanda já tinha alguém e ele se contentava só com a amizade...As meninas estavam lá na grade dançando enquanto eu ficava aqui de canto olhando o movimento.Vi o Kauê chegar na Rayane e fiquei observando. Tava na cara que meu irmão tá amarradão na dela.Dou mó apoio pra eles fluírem, K2 mudou muito nesses últimos tempos e tem se mostrado um cara foda. Sem falar que ele realmente se interessa sobre o bebê que ela espera. Acho que já está bastante apegado aos dois...– Mr, posso falar com você um minuto?Marisa se aproxima parando de frente pra mim.– Pprt, não! E fica longe, na mora! Eu tenho mulher, não quero bo com ela por sua culpa. Ainda não esqueci das paradas que tu fez, então se não quiser problema, mete o pé e fica na sua.Ela







