LOGINAcordei sem coragem nenhuma de enfrentar o mundo.
Passei quase a noite toda em claro, pensando no que minha mãe tinha dito sobre provocar ciúmes. Será que vai dar certo? Espero que, no final, ninguém saia magoado... Desci e meus pais já estavam na cozinha. — Bom dia, meus amores! — Oi, filha! Minha mãe sorriu e me deu um beijo. — Filha, o Diego vem te buscar, já que é caminho. Você precisa resolver logo essa história da sua carteira. — Tudo bem, pai. Vejo isso depois. Sentei para tomar café da manhã com eles e, poucos minutos depois, a campainha tocou. Eu já sabia que era o Diego, e isso me deixou supernervosa. Minha mãe, é claro, saiu correndo para atender. Kkk. Ela simplesmente adorava colocar fogo no parquinho. — Oi, meu afilhado lindo! Entra aí! Ela já foi puxando o Diego para dentro. Ele entrou e cumprimentou meu pai. — Bom dia, padrinho! Oi, Angel. Vamos? — Si-sim... Merda! Não sei por que fico desse jeito perto dele. ... Me despedi dos meus pais e segui Diego até lá fora. — Vem, monta aí! Olhei para aquela moto enorme, já imaginando a loucura que seria. — Acho melhor eu pedir um segurança para me levar. — Bora logo! Deixa de ser medrosa. Olhei para ele com raiva e subi na moto. Diego precisou me ajudar, porque a moto era alta demais para mim. — Melhor segurar em mim. — Tô bem aqui... Ele arrancou com aquele monstro, e eu imediatamente segurei firme em sua cintura para não cair. — Vai devagar, Diego! — gritei. Mas ele nem me deu bola. Acabei encostando a cabeça em seu ombro enquanto apertava os braços ao redor dele. O bom de tudo isso era sentir seu perfume e ficar assim, tão pertinho. Só que o momento não durou muito, porque logo chegamos. Ele me ajudou a descer e, em seguida, passou na minha frente, me ignorando completamente. Respirei fundo e entrei também. Acho que vai ser mais difícil do que pensei... ... Assim que cheguei ao corredor, encontrei a Débora. Ela veio correndo na minha direção. — Amiga, você precisa ver o gato que chegou aqui hoje! Ela estava toda animada. Eu já imaginava de quem ela estava falando. — Vamos para a sala, Debby. — Nada disso! Vamos lá no pátio. Ele ainda deve estar por lá. Ela saiu me arrastando, enquanto eu revirava os olhos. Assim que chegamos, encontrei uma rodinha enorme em volta do Diego. Chegava a ser patético. Quando ele nos viu, veio na nossa direção. — Angel, onde fica essa sala? Ele falou meu nome alto, fazendo todo mundo olhar para mim. Debby ficou com uma cara de louca. Kkk. — Na mesma sala do Fp. Deixa eu ver se encontro ele... Olhei em volta, mas não vi Felipe. Comecei a andar, e Diego e Debby vieram atrás de mim. — Gata, olha o Fp ali! Olhei para frente e vi Felipe acabando de descer da moto. Ele me encarou e abriu aquele sorriso safado de sempre. Revirei os olhos. Felipe sempre fazia isso. De repente, Diego segurou meu braço com força. Olhei para ele. — O que foi? Ele parecia incomodado. — Quem é esse? — Vocês estão na mesma sala. Vem. Felipe se aproximou. — Fala, meus amores! Ele deu um beijo na Debby e depois em mim. — Oi, cara! — Diego apenas acenou. O sinal tocou e fomos todos para a sala. Mostrei ao Diego onde era e ele entrou com Felipe. Não sei por que ele tinha ficado daquele jeito, mas espero que seja um sinalzinho de ciúmes. Kkk. ... Assim que a aula acabou, saímos para o pátio. Encontramos Felipe e Diego no maior papo. — Angel? — Huum? — Esse seu primo é aquele por quem você é apaixonada? — Esquece isso. — Kkk... Você está ferrada! Olhei para ela sem entender. — Ué, por quê? — Porque o Felipe é afim de você. E, se o seu primo perceber isso, vai ser a maior rivalidade entre os dois. — Claro que não! Eu e o Felipe somos apenas amigos. — Da sua parte, né? Porque, por ele, vocês já estariam ficando há muito tempo. Kkk. — Para, sua chata! Dei um empurrãozinho nela, mas Debby continuou rindo. — Vamos comer alguma coisa? Ela concordou, e fomos até a lanchonete pegar alguns lanches. Quando estávamos voltando, Diego e Felipe vieram em nossa direção. Olhei para Diego, mas ele desviou o olhar. Então olhei para Felipe, que estava me encarando com um sorriso. Fiquei sem jeito e voltei a atenção para Debby. — Eles estão vindo. — Não fala nada, hein... Eles se aproximaram, e Diego finalmente me encarou. — Angel! Podemos ir? — Claro. Tchau, gente! Antes que eu conseguisse sair, Felipe se aproximou e segurou meu braço. — Será que a gente pode conversar rapidinho? Olhei para Diego. Ele me encarava com uma expressão fechada. — Pode ser depois, Fp? — Não. A resposta veio séria e direta. Diego respirou fundo. — Vai lá. Eu não vou esperar você. Depois chama alguém para te levar. Ele saiu, colocou o capacete e montou na moto. Poucos segundos depois, foi embora. Fiquei olhando sem acreditar. Que cretino! — Amiga, também vou nessa. Debby me deu um beijo no rosto e saiu. Olhei para Felipe. — O que você quer, Fp? Agora fiquei sem carona para ir para casa. — Relaxa. Eu te levo. Revirei os olhos, mas concordei. Começamos a caminhar em direção à moto. — Quero te perguntar uma coisa. — Fala. Felipe cruzou os braços. — O que você e seu primo têm? Franzi a testa. — Não entendi. — Sei lá... Parece que rola um clima entre vocês. — Clima? Kkk. Você tá doido. O Diego nem fala comigo direito. — Melhor assim. Olhei para ele, confusa. — Melhor por quê? — Nada não. Vem! Ele segurou minha mão e me levou até a moto. Meu Deus! Hoje era definitivamente o dia de andar com esses motoqueiros malucos. Felipe me ajudou a subir e colocou minhas mãos em sua cintura. Pelo menos ele não corria tanto. Aproveitei a brisa e relaxei. Até que andar de moto era gostoso. Deu até vontade de aprender. ... — Tá entregue, princesa! Felipe sorriu e me ajudou a descer. — Obrigada, Fp. — Só isso? — Como assim? — Só vai me agradecer desse jeito? — Eu disse obrigada, ué. Ele deu um sorriso de canto. — Tem um jeito melhor de me agradecer, Angel. Felipe se aproximou e me encarou intensamente. Um calafrio percorreu meu corpo, mas sustentei seu olhar. — Como? Ele segurou delicadamente meu rosto e se aproximou. — Fe-Felipe... Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, ele me beijou. Fiquei surpresa, mas acabei correspondendo. O beijo me pegou completamente desprevenida. Eu ainda estava tentando entender o que estava acontecendo quando escutei uma voz atrás de nós. — Que porra é essa, Angel? Meu coração parou. — Di-Diego? Olhei para ele, completamente espantada. Felipe também ficou sério e encarou Diego. — Que putaria é essa aqui na frente de casa? — E-eu... Eu nem sabia o que dizer. — Relaxa, cara. A gente só estava se despedindo. Olhei para Felipe. Ele havia mudado completamente o jeito de falar e agora parecia tranquilo. Diego estreitou os olhos. — Vocês têm alguma coisa? — Não! — respondi imediatamente. — Sim! — Felipe respondeu ao mesmo tempo. Olhei para ele, incrédula. Diego me encarou com ainda mais raiva. Eu não fazia a menor ideia do que Felipe estava tentando fazer. Quando eu ia tentar explicar, meu pai saiu de casa e parou na nossa frente. Ele olhou primeiro para mim, depois para Felipe. A mão de Felipe ainda estava na minha cintura. Meu pai olhou diretamente para ela. Agora a merda tinha fedido de vez! — Quem é você, moleque? Tira as mãos da minha filha! Meu pai estava claramente nervoso, e minha mãe segurou seu braço. — Pode parar com isso, Alex! Vai assustar o menino. — Gente, eu... Felipe, para minha surpresa, nem pareceu assustado. Ele respirou fundo, olhou diretamente para o meu pai e soltou: — Eu sou Felipe, namorado da Angel. Vim aqui justamente para falar com o senhor. Ele ainda sorriu. Meu pai ficou vermelho de raiva. Diego também o encarava como se estivesse prestes a perder a paciência. Minha mãe, por outro lado, estava sorrindo de orelha a orelha. E eu? Eu estava simplesmente em pânico, sem reação. Que porr* o Fp acha que está fazendo?!— Namorado da minha filha? Nada disso! Minha filha não vai namorar! Bora, Angel, passa pra cá!Meu pai me chama, já nervoso.Dá vontade de rir, mas eu me seguro.Tento sair de perto do Felipe, mas ele não deixa. Pelo contrário, continua com a mão firme na minha cintura.— Posso falar com o senhor?— Não, tio. Não aceita essa merda! A Angel não pode ter arrumado alguém tão rápido assim...Olho para o Diego, irritada com o comentário.Por que ele acha que eu não arrumaria alguém?— Pai? Por favor...Eu já estava quase entrando naquela discussão, mas, naquele momento, só conseguia pensar que depois eu mataria o Felipe por ter inventado aquilo.Meu pai respira fundo.— Alex, nós já conversamos sobre isso...— Tá!Ele passa a mão pelo rosto, claramente tentando se controlar.— Entra, moleque!Depois coloca a mão no peito e faz uma expressão dramática.Quase rio.— Tio?— Diego, vai pra casa. Tá tudo bem.— Sim, madrinha...Ele passa por mim como um foguete. Antes de sair, me lança um olhar
Acordei sem coragem nenhuma de enfrentar o mundo.Passei quase a noite toda em claro, pensando no que minha mãe tinha dito sobre provocar ciúmes.Será que vai dar certo?Espero que, no final, ninguém saia magoado...Desci e meus pais já estavam na cozinha.— Bom dia, meus amores!— Oi, filha!Minha mãe sorriu e me deu um beijo.— Filha, o Diego vem te buscar, já que é caminho. Você precisa resolver logo essa história da sua carteira.— Tudo bem, pai. Vejo isso depois.Sentei para tomar café da manhã com eles e, poucos minutos depois, a campainha tocou.Eu já sabia que era o Diego, e isso me deixou supernervosa.Minha mãe, é claro, saiu correndo para atender. Kkk. Ela simplesmente adorava colocar fogo no parquinho.— Oi, meu afilhado lindo! Entra aí!Ela já foi puxando o Diego para dentro. Ele entrou e cumprimentou meu pai.— Bom dia, padrinho! Oi, Angel. Vamos?— Si-sim...Merda!Não sei por que fico desse jeito perto dele....Me despedi dos meus pais e segui Diego até lá fora.— Vem
Eu sempre tive uma quedinha por ele.Desde crianças, nós brincávamos juntos. Éramos próximos, até que, de repente, ele se afastou sem motivo algum e passou a me ignorar. Nunca entendi o porquê.E agora, anos depois, parecia que eu continuava presa naquele mesmo sentimento idiota.— Cunhada, vocês estão me abandonando, hein... — minha mãe reclama, fazendo aquele drama que ela adorava. — Lá vai minha mãe fazer drama, kkk.Essa aí adora.Meu pai que lute com as mudanças de humor dela.— E essa barriga aí? Vai explodir, Allana? — tio Rodrigo provoca, arrancando risadas de todo mundo.Todo mundo, menos minha mãe, que imediatamente fecha a cara.— Não fala assim da minha bolotinha...Meu pai a defende, mas minha mãe simplesmente dá língua para ele.— Kkkkk!Esses quatro, quando se juntavam, eram uma comédia à parte.A tia Karol engravidou um ano depois que eu nasci, e desde então nossas famílias ficaram ainda mais próximas.— Alex, não chama o Enzo de bolotinha!— Eu estava falando de você,
**Angel. Filha de Alex e Alana.20 anos.**— Angel, abaixa esse som, pelo amor de Deus! Ninguém nessa casa é surdo, minha filha!A voz do meu pai atravessa a porta do quarto junto com a batida da música que eu estava ouvindo no último volume.Reviro os olhos e aumento o volume só mais um pouquinho, apenas para provocá-lo.— Caraca, pai! Deixa de ser chato! Nem tá tão alto assim!— Chato, Angel? Chato? — ele repete, indignado. — A vizinhança inteira está ouvindo música junto com você, minha filha!Solto uma gargalhada.— Kkkkk. O senhor tá velho, por isso tá implicando com as minhas músicas.O silêncio do outro lado da porta dura apenas alguns segundos.— Me chama de velho de novo e eu te deixo sem celular por uma semana.Paro de rir na mesma hora.Meu pai era capaz de cumprir a ameaça.Só que, antes que eu consiga responder, escuto a maçaneta sendo forçada.— Por que essa merda tá trancada, dona Angel? O que você tá fazendo aí? Tá usando droga, não, né, minha filha?— Meu Deus, pai!E







