เข้าสู่ระบบEu sempre tive uma quedinha por ele.
Desde crianças, nós brincávamos juntos. Éramos próximos, até que, de repente, ele se afastou sem motivo algum e passou a me ignorar. Nunca entendi o porquê. E agora, anos depois, parecia que eu continuava presa naquele mesmo sentimento idiota. — Cunhada, vocês estão me abandonando, hein... — minha mãe reclama, fazendo aquele drama que ela adorava. — Lá vai minha mãe fazer drama, kkk. Essa aí adora. Meu pai que lute com as mudanças de humor dela. — E essa barriga aí? Vai explodir, Allana? — tio Rodrigo provoca, arrancando risadas de todo mundo. Todo mundo, menos minha mãe, que imediatamente fecha a cara. — Não fala assim da minha bolotinha... Meu pai a defende, mas minha mãe simplesmente dá língua para ele. — Kkkkk! Esses quatro, quando se juntavam, eram uma comédia à parte. A tia Karol engravidou um ano depois que eu nasci, e desde então nossas famílias ficaram ainda mais próximas. — Alex, não chama o Enzo de bolotinha! — Eu estava falando de você, amor... Minha mãe estreita os olhos. — Quer dormir na sala hoje? — Não, amor! É brincadeira, já parei, kkk. — Paumandado... — tio Rodrigo zoa. Meu pai simplesmente levanta o dedo do meio para ele. — Tu também foi, hein! A Karol te colocou na sala por três dias porque tu falou do pé dela. Todos caem na gargalhada, até o próprio tio Rodrigo. Na época, ele teve a brilhante ideia de dizer que o pé da tia Karol parecia um pão doce. O problema é que ela amava pão doce. Depois disso, simplesmente pegou ranço do doce e colocou a culpa nele. Resultado? Tio Rodrigo dormindo na sala por três dias. — Gente, bora comer! Vocês só chegam na hora boa, né? — Claro, irmãozinho, kkk. Todos fomos para a mesa e começamos a comer. — Você está um homem lindo, Diego — minha mãe elogia. — Obrigado, madrinha! Diego sorri, e eu abaixo a cabeça, tentando disfarçar o sorriso bobo que ameaça aparecer. Minha mãe percebe. Claro que percebe. Ela percebe tudo. — Minha afilhada também está uma moça linda... Se prepara, parceiro, porque o que vai ter de pretendente... kkk. — Pois é. Estávamos falando disso agora há pouco — minha mãe comenta, toda animada. — Aposto que já tem um monte de gatinho a fim de você na faculdade, não é, sobrinha? — tia Karol pergunta. Meu rosto esquenta na mesma hora. — Tia... Diego ri debochado ao meu lado. Olho para ele com raiva. Tia Karol percebe e dá logo um peteleco nele. — Para de rir da menina! Graças a Deus, meu pai está entretido com a coxa de frango. Falar da minha mãe ele fala. Agora, se deixar, come mais que ela. — Gente, eu tenho novidades! — tia Karol anuncia, batendo palminhas. Todos olham para ela. — Tá grávida, cunhada? — meu pai pergunta. — Não! Eu vou me mudar para perto de vocês! — Ah, não! Ninguém merece! — meu pai reclama. Todo mundo começa a rir. — Vai se ferrar, Alex! — tia Karol pega uma azeitona e j**a nele. — Kkkkk... A Kate vai morrer de ciúmes. — Daqui a pouco ela se muda para perto também — meu pai comenta. — Ela vem no Natal. — Tô doida para apertar as bochechas do Nando. Ele está a coisa mais fofa nas fotos... — tia Karol comenta, toda derretida. Fernando era filho da tia Kate e do tio Caio. Meus pais eram padrinhos dele. Tio Rodrigo e tia Kate eram meus padrinhos, enquanto os padrinhos do Diego eram meus pais. Já tia Karol e tio Caio eram os padrinhos do Enzo, meu irmãozinho que ainda estava na barriga da minha mãe e já estava quase chegando ao mundo. — Cunhada, eu matriculei o Diego na mesma faculdade da Angel. Só falta um ano para ele se formar e, além disso, aqui é mais perto. Meu coração dá um pequeno salto. — Bom que vocês vão poder ir juntos... — minha mãe fala, já me olhando com um sorriso malicioso. Minha mãe é fogo. Percebeu tudo. — Melhor ainda. Ele fica de olho para ninguém botar o olho nela — meu pai completa. Se ele soubesse que eu queria justamente o contrário... Eu queria que o Diego finalmente tivesse olhos para mim. — Filha, você pode apresentar o Diego para o pessoal e ajudar ele a se enturmar? — Claro, mãe! — respondo, mas meu entusiasmo desaparece assim que imagino a cena. Já consigo visualizar um monte de garotas se jogando em cima dele. E, pior... Ele provavelmente vai dar atenção para elas. Olho para Diego. Ele está me encarando. Por alguns segundos, nossos olhos se encontram, e meu coração dispara. Mas, antes que ele perceba, desvio o olhar e volto minha atenção para minha mãe, que conversa sorrindo com tia Karol. Essas duas juntas eram só Jesus na causa. Eu estava ferrada. Completamente ferrada. Porque, se antes já era difícil ter Diego me ignorando dentro de casa e nos encontros da família, agora eu teria que lidar com ele na faculdade também. E o pior de tudo? Eu teria que assistir, de camarote, um monte de garotas se aproximando dele. Garotas bonitas. Garotas interessadas. Garotas que, provavelmente, teriam muito mais coragem do que eu para demonstrar o que sentiam. E eu? Eu continuaria ali. Escondendo uma paixão que carregava desde criança. Enquanto ele, mais uma vez, fingia que eu não existia. Só que dessa vez seria diferente. Porque agora eu teria que vê-lo todos os dias. E não fazia ideia de quanto tempo conseguiria continuar fingindo que aquilo não doía. .. — Filha, eu posso entrar? — minha mãe pergunta, batendo de leve na porta. — Claro, mãe. Está aberta. Coloco o notebook de lado e me ajeito na cama. — Oi, meu amor! Ela entra, se aproxima, dá um beijo carinhoso na minha testa e se senta ao meu lado. — Precisa de alguma coisa, mãe? — Não, meu amor. Na verdade, vim conversar um pouquinho com você. Meu coração aperta. Eu já sabia do que se tratava. Minha mãe me conhece melhor do que ninguém. Tenho certeza de que ela percebeu o clima estranho durante o almoço, principalmente entre mim e o Diego. Respiro fundo e olho para ela, meio sem jeito. — Tudo bem, mãe. Pode falar. Ela me encara com aquele olhar meigo que sempre consegue me acalmar. — Filha, seja sincera comigo, tá legal? Antes de tudo, você sabe que somos amigas, não sabe? Pode sempre confiar em mim. — Tá bom, mãe. Assinto com a cabeça, esperando a pergunta que eu já sabia que viria. Ela respira fundo. — Filha... você gosta do Diego? Meu coração dispara. Por alguns segundos, fico em silêncio. Não fazia sentido mentir para ela. — Sim, mãe. Eu gosto dele... — admito, baixando o olhar. — Mas sei que temos essa relação de primos por causa dos nossos padrinhos. Minha voz sai sem ânimo. Ela me observa por alguns segundos antes de responder. — Vocês foram criados como primos porque tanto eu quanto a Karol somos madrinhas de vocês. Mas vocês não têm nenhum laço de sangue, Angel. Não existe nada que impeça vocês de se gostarem ou até de ficarem juntos, caso isso aconteça. — Eu sei, mãe, mas... Suspiro e deito a cabeça em seu colo. Ela segura minha mão e começa a fazer carinho no meu cabelo. — Mas o quê, meu amor? — O Diego nunca olhou para mim dessa forma. Às vezes, acho até que ele não gosta de mim. — Bobagem sua, Angel. O Diego sempre foi muito na dele. Você sabe disso. Ela continua fazendo carinho na minha cabeça. — Agora vocês vão estudar juntos. Talvez seja justamente a oportunidade que faltava para vocês se aproximarem de verdade. Quem sabe, com o tempo, você consiga contar o que sente. — Pode até ser... mas eu não sei se tenho coragem de falar que gosto dele. E se ele não sentir o mesmo? Minha mãe dá de ombros, como se a resposta fosse a coisa mais simples do mundo. — Bola pra frente, ué! Vai sofrer? Vai. Mas uma hora passa. O que você não pode é ficar presa nessa dúvida e perder tempo imaginando o que poderia ter acontecido. Acabo sorrindo. Ela também. — Minha filha, às vezes é melhor levar um não do que passar anos se perguntando se poderia ter sido um sim. Fico em silêncio, absorvendo suas palavras. Talvez ela tivesse razão. — Mas quer saber de uma coisa? — ela pergunta, com um sorriso travesso. — O quê? — Por que você não coloca ciúmes nele? Arregalo os olhos. — Mãe, você tá doida? Kkkkk! Começo a rir, e ela acompanha. Por isso meu pai sempre dizia que minha mãe tinha dado trabalho quando era mais nova. Ela adorava aprontar. — Ué, seu pai era bobão! — ela responde, rindo. — Tinha medo de assumir que me amava. — Mas ele sempre foi apaixonado por você. — Era, mas tinha medo de ficarmos juntos por causa de tudo aquilo que você já sabe. Vai que o Diego também tem algum medo? Franzo a testa. — Medo de quê, mãe? Ela pensa por alguns segundos. — Do seu pai, talvez. Ou de a família não aceitar... Ah, sei lá, Angel. Às vezes, a pessoa sente alguma coisa, mas tem medo de dar o primeiro passo. Vai por mim. Fico pensativa. Talvez ela estivesse certa. Talvez o Diego realmente sentisse alguma coisa e simplesmente nunca tivesse demonstrado. Ou talvez eu estivesse criando esperanças onde não existia absolutamente nada. — Tá... pode até ser. Mas como eu vou colocar ciúmes nele? Minha mãe me olha como se já tivesse a resposta pronta. — Não tem nenhum garoto da faculdade próximo de você? Penso por alguns segundos. — Não sei. Eu não sou de fazer muitas amizades... O garoto que é mais próximo de mim e vive no meu pé é o Fp. O sorriso dela aumenta. — Então vai ser ele mesmo. — Mãe... — Só toma cuidado, tá? — ela me interrompe, agora falando sério. — Não usa os sentimentos dele. É só uma aproximação para descobrir se o Diego sente alguma coisa. Você não pode brincar com o coração de outra pessoa só para conseguir uma resposta. Assinto. — Eu sei. Não quero magoar ninguém. — Então pronto. Se você perceber que o Fp está levando isso a sério, para imediatamente. — Vou pensar sobre isso... — digo, ainda meio insegura. — Não quero brincar com ninguém e muito menos me decepcionar. Minha mãe sorri e aperta minha mão. — Isso mesmo. Ela se levanta da cama e ajeita a blusa. — Bom, eu vou indo, meu amor. E lembra de uma coisa: eu vou estar sempre do seu lado, para qualquer coisa. Ela se inclina, beija minha testa e caminha até a porta. — Obrigada, mãe. — Eu te amo. — Também te amo. Ela sai e fecha a porta. Fico alguns segundos olhando para o nada. Será que minha mãe tinha razão? Será que o Diego poderia sentir alguma coisa por mim e simplesmente nunca teve coragem de demonstrar? Ou será que eu estava me iludindo? Não custa tentar descobrir, né? Eu não pretendia ficar com o Fp. Muito menos usar alguém de propósito. Mas talvez eu pudesse me aproximar um pouco dele quando o Diego estivesse por perto. Só para observar. Só para ver se ele demonstraria alguma reação. Um olhar diferente. Uma expressão de ciúmes. Qualquer coisa. Talvez fosse o suficiente para me dar uma resposta. Só esperava que o Fp colaborasse com o plano. Porque, sinceramente... Aquele garoto não me dava paz nem quando eu queria.— Namorado da minha filha? Nada disso! Minha filha não vai namorar! Bora, Angel, passa pra cá!Meu pai me chama, já nervoso.Dá vontade de rir, mas eu me seguro.Tento sair de perto do Felipe, mas ele não deixa. Pelo contrário, continua com a mão firme na minha cintura.— Posso falar com o senhor?— Não, tio. Não aceita essa merda! A Angel não pode ter arrumado alguém tão rápido assim...Olho para o Diego, irritada com o comentário.Por que ele acha que eu não arrumaria alguém?— Pai? Por favor...Eu já estava quase entrando naquela discussão, mas, naquele momento, só conseguia pensar que depois eu mataria o Felipe por ter inventado aquilo.Meu pai respira fundo.— Alex, nós já conversamos sobre isso...— Tá!Ele passa a mão pelo rosto, claramente tentando se controlar.— Entra, moleque!Depois coloca a mão no peito e faz uma expressão dramática.Quase rio.— Tio?— Diego, vai pra casa. Tá tudo bem.— Sim, madrinha...Ele passa por mim como um foguete. Antes de sair, me lança um olhar
Acordei sem coragem nenhuma de enfrentar o mundo.Passei quase a noite toda em claro, pensando no que minha mãe tinha dito sobre provocar ciúmes.Será que vai dar certo?Espero que, no final, ninguém saia magoado...Desci e meus pais já estavam na cozinha.— Bom dia, meus amores!— Oi, filha!Minha mãe sorriu e me deu um beijo.— Filha, o Diego vem te buscar, já que é caminho. Você precisa resolver logo essa história da sua carteira.— Tudo bem, pai. Vejo isso depois.Sentei para tomar café da manhã com eles e, poucos minutos depois, a campainha tocou.Eu já sabia que era o Diego, e isso me deixou supernervosa.Minha mãe, é claro, saiu correndo para atender. Kkk. Ela simplesmente adorava colocar fogo no parquinho.— Oi, meu afilhado lindo! Entra aí!Ela já foi puxando o Diego para dentro. Ele entrou e cumprimentou meu pai.— Bom dia, padrinho! Oi, Angel. Vamos?— Si-sim...Merda!Não sei por que fico desse jeito perto dele....Me despedi dos meus pais e segui Diego até lá fora.— Vem
Eu sempre tive uma quedinha por ele.Desde crianças, nós brincávamos juntos. Éramos próximos, até que, de repente, ele se afastou sem motivo algum e passou a me ignorar. Nunca entendi o porquê.E agora, anos depois, parecia que eu continuava presa naquele mesmo sentimento idiota.— Cunhada, vocês estão me abandonando, hein... — minha mãe reclama, fazendo aquele drama que ela adorava. — Lá vai minha mãe fazer drama, kkk.Essa aí adora.Meu pai que lute com as mudanças de humor dela.— E essa barriga aí? Vai explodir, Allana? — tio Rodrigo provoca, arrancando risadas de todo mundo.Todo mundo, menos minha mãe, que imediatamente fecha a cara.— Não fala assim da minha bolotinha...Meu pai a defende, mas minha mãe simplesmente dá língua para ele.— Kkkkk!Esses quatro, quando se juntavam, eram uma comédia à parte.A tia Karol engravidou um ano depois que eu nasci, e desde então nossas famílias ficaram ainda mais próximas.— Alex, não chama o Enzo de bolotinha!— Eu estava falando de você,
**Angel. Filha de Alex e Alana.20 anos.**— Angel, abaixa esse som, pelo amor de Deus! Ninguém nessa casa é surdo, minha filha!A voz do meu pai atravessa a porta do quarto junto com a batida da música que eu estava ouvindo no último volume.Reviro os olhos e aumento o volume só mais um pouquinho, apenas para provocá-lo.— Caraca, pai! Deixa de ser chato! Nem tá tão alto assim!— Chato, Angel? Chato? — ele repete, indignado. — A vizinhança inteira está ouvindo música junto com você, minha filha!Solto uma gargalhada.— Kkkkk. O senhor tá velho, por isso tá implicando com as minhas músicas.O silêncio do outro lado da porta dura apenas alguns segundos.— Me chama de velho de novo e eu te deixo sem celular por uma semana.Paro de rir na mesma hora.Meu pai era capaz de cumprir a ameaça.Só que, antes que eu consiga responder, escuto a maçaneta sendo forçada.— Por que essa merda tá trancada, dona Angel? O que você tá fazendo aí? Tá usando droga, não, né, minha filha?— Meu Deus, pai!E







