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# Capítulo 4 - Sentimentos

last update publish date: 2026-09-04 23:50:23

— Namorado da minha filha? Nada disso! Minha filha não vai namorar! Bora, Angel, passa pra cá!

Meu pai me chama, já nervoso.

Dá vontade de rir, mas eu me seguro.

Tento sair de perto do Felipe, mas ele não deixa. Pelo contrário, continua com a mão firme na minha cintura.

— Posso falar com o senhor?

— Não, tio. Não aceita essa merda! A Angel não pode ter arrumado alguém tão rápido assim...

Olho para o Diego, irritada com o comentário.

Por que ele acha que eu não arrumaria alguém?

— Pai? Por favor...

Eu já estava quase entrando naquela discussão, mas, naquele momento, só conseguia pensar que depois eu mataria o Felipe por ter inventado aquilo.

Meu pai respira fundo.

— Alex, nós já conversamos sobre isso...

— Tá!

Ele passa a mão pelo rosto, claramente tentando se controlar.

— Entra, moleque!

Depois coloca a mão no peito e faz uma expressão dramática.

Quase rio.

— Tio?

— Diego, vai pra casa. Tá tudo bem.

— Sim, madrinha...

Ele passa por mim como um foguete. Antes de sair, me lança um olhar irritado e desaparece pela porta.

Sorrio sem querer, e Felipe aperta minha cintura.

— Sorria apenas assim pra mim, que sou seu namorado.

— Vai à merda, Fp.

— Anda vocês dois! E solta a cintura da minha filha!

Finalmente ele me solta.

Mas, antes que eu consiga me afastar, pega minha mão.

Olho para ele, surpresa.

Ele apenas sorri.

Minha mãe ainda está parada, sorrindo e encarando nós dois.

---

Assim que chegamos à sala, meu pai leva Felipe para o escritório.

Minha mãe, por outro lado, vem correndo na minha direção.

— Caraca, minha filha! Se eu soubesse que o Felipe era lindo assim, tinha te incentivado antes! Mas esse lance de namoro não foi rápido demais?

— Mãe, o Felipe é louco! Agora estamos mais ferrados ainda.

— Como assim?

— Nós não estamos namorando. Nem sei por que ele falou isso.

Ela arregala os olhos.

— Mas você já teve alguma coisa com ele?

— Hoje ele me trouxe e me beijou. Eu nem esperava.

Minha mãe começa a rir.

— Ele gosta de você.

— Você gostou do beijo?

— Sim... Não! Ah, não sei! Eu nunca nem imaginei isso. Eu gosto do Diego...

Ela fica séria.

— Esquece o Diego por enquanto, Angel. Foca no que está acontecendo agora.

— Mas eu gosto dele. Você viu como ele ficou?

Digo aquilo cheia de esperança.

— Vi. Mas e esse Felipe? Você também não sente alguma coisa por ele?

— Eu...

Antes que eu consiga responder, a porta do escritório se abre.

Meu pai sai de lá rindo.

Eu e minha mãe nos entreolhamos, completamente chocadas.

— Tudo bem, Angel. Vocês podem namorar.

— Sério?

Olho para ele, surpresa.

— Sim. Mas o Fp já sabe o que acontece se ele te magoar.

Felipe se aproxima imediatamente e segura minha cintura.

— Claro, Alex.

Meu pai aponta para ele, sério.

— Tô de olho.

— Pode deixar, tio.

Felipe sorri.

— Eu vou indo. Me leva até a porta?

— Tá.

Ele se despede dos meus pais, e eu o acompanho até lá fora.

Assim que chegamos do lado de fora, ele para e me encara.

— Felipe, eu...

Ele me beija.

Por alguns segundos, esqueço completamente o que ia dizer.

E acabo correspondendo.

Aquilo é bom demais.

Nos afastamos por falta de ar, e ele fica me olhando com aquele sorriso convencido.

— Você é doido. Por que fez isso?

— Você não quer?

— Eu tô confusa com tudo, Fp.

— Relaxa. Vamos ficar assim por um tempo. Se você quiser terminar comigo daqui a dois meses, a gente termina. Mas me deixa tentar, tá?

— Felipe...

Ele segura meu rosto com carinho.

— Eu gosto de você, Angel. Eu sempre gostei. Quando vi o Diego lá hoje e percebi sua reação, me senti ameaçado. Fiquei com medo de te perder pra sempre.

Ele respira fundo.

— Eu fui errado. Eu sei que fui. Nem sei se sou a melhor escolha pra você... mas vamos tentar, por favor. Já estamos no meio dessa bagunça mesmo.

Fico sem reação.

Só consigo encará-lo.

Agora estou completamente perdida.

Ele passa o polegar pelo meu rosto.

— Vou nessa.

— Obrigada por me trazer.

— Amanhã eu te busco.

— E o Diego? Ele que ia me levar...

— Já falei com seu pai que eu vou te buscar.

— Ok.

Ele me dá mais um beijo e vai embora.

Fico alguns segundos parada, olhando enquanto ele se afasta.

Depois entro em casa e vou para o meu quarto.

Minha cabeça está uma bagunça.

Eu não faço ideia de onde aquilo tudo vai dar.

---

### Alguns meses depois...

Hoje é aniversário da tia Karol.

E, de alguma forma, Felipe e eu permanecemos juntos.

Nunca mais falamos sobre o acordo.

O que começou como uma mentira acabou se tornando algo real.

Estamos, de verdade, vivendo como namorados.

E isso é justamente o que mais me assusta.

— Filha, como você está se sentindo em relação a hoje?

Minha mãe pergunta enquanto terminamos de nos arrumar.

— Por mim, tudo bem, mãe. Só espero que o Fp não ache estranho.

— Acho que, se você estiver ao lado dele, vai ficar tudo bem.

Dou um pequeno sorriso.

— Na verdade, o Diego nunca quis nada comigo. Então não tem por que eu me preocupar.

Minha mãe me olha por alguns segundos.

— Você ainda gosta dele?

Fico em silêncio.

— Não sei... Desde que ele saiu da faculdade, eu não vejo mais o Diego.

Diego saiu da faculdade no dia seguinte, dizendo que não tinha gostado do que aconteceu.

Tia Karol e tio Rodrigo concordaram com a decisão dele.

Depois disso, nunca mais nos vimos.

— E você também começou a gostar do Felipe, né?

Baixo os olhos.

— É... Mas eu estou com medo, sabe?

Minha mãe segura minha mão.

— Só segue seu coração. E toma cuidado para não se machucar... nem machucar ninguém no final.

Concordo.

A gente se abraça.

Depois, finalmente, descemos.

---

Felipe está na sala conversando com meu pai.

Os dois estão rindo de alguma coisa.

Quase não acredito.

Meu pai, que no começo não queria nem ouvir falar em genro, agora não desgruda do Felipe.

É até engraçado.

— Oi, Angel. Você está maravilhosa.

— Obrigada!

Sorrio e dou um selinho nele.

— Você também está muito linda, Allana.

Minha mãe fica toda feliz.

— Obrigada, querido! Viu, Alex? Tem que me elogiar assim.

— Você nem me deu tempo, amor.

Meu pai beija minha mãe, arrancando uma risada dela.

Felipe se aproxima de mim e me dá outro selinho.

— Tá linda demais, Angel. Sempre linda.

Ele beija meu pescoço de leve, e eu fico completamente arrepiada.

Ultimamente, qualquer coisa que ele faz mexe comigo.

Um simples toque já é suficiente para me deixar nervosa.

— Vamos?

— Claro!

Meus pais vão de carro.

Eu vou com Felipe na moto.

Durante o caminho, fico abraçada à cintura dele, enquanto ele mantém uma das mãos sobre minha perna nos momentos em que paramos.

Até que ele aperta de leve.

Solto um suspiro.

Assim que chegamos, meus pais entram.

Quando vou entrar também, Felipe segura meu braço.

— Peraí.

— O que foi?

Ele me olha sério.

— Não faz mais aquilo.

— Aquilo o quê?

— Você sabe.

Ele tenta disfarçar um sorriso.

— Eu tenho que me controlar, Angel. E você não tá ajudando.

Abraço ele, sorrindo.

— E a culpa é minha?

— Você é gostosa. Quer o quê?

— Sou, é?

Me aproximo e beijo seus lábios.

Ele corresponde e segura minha cintura.

Quando nos afastamos, ele balança a cabeça.

— Porr*, Angel... você realmente não tá ajudando.

— Vem logo!

Puxo sua mão, rindo.

E entramos.

---

Assim que chegamos, tia Karol e tio Rodrigo vêm falar conosco.

Apresento Felipe oficialmente a eles.

Para minha surpresa, os dois se dão super bem.

Pouco depois, eles voltam para perto dos meus pais, e nós ficamos em um canto mais reservado, conversando.

— Quero te levar no morro qualquer dia.

Olho para ele.

— Tenho medo.

Ele ri.

— Lá é de boa. É diferente da sua realidade, eu sei. Mas faz parte de mim...

Ele segura minha mão.

— Assim como você também faz parte de mim.

Meu coração aperta.

Felipe tem horas que é muito fofo.

— Tudo bem. Eu quero conhecer.

Sorrio.

Ele se aproxima para me beijar.

Mas, antes que nossos lábios se encontrem, alguém tosse atrás de nós.

Nós dois nos viramos.

E meus olhos simplesmente não acreditam no que estou vendo.

Não pode ser.

— Boa noite!

Diego.

Ao lado da Débora.

Ela me olha com um sorriso debochado.

Meu coração despenca.

— Boa noite! — Felipe responde, olhando rapidamente para mim.

— Bo... boa noite.

Minha voz sai quase como um sussurro.

Me levanto imediatamente.

Preciso sair dali.

Felipe percebe e se levanta também.

Ando rápido até a área externa e só então solto o ar que estava prendendo.

Felipe não diz nada.

Eu me sento no banco que fica ali fora.

Ele senta ao meu lado.

Ficamos em silêncio.

Por alguns segundos, nenhum dos dois sabe o que dizer.

Tento assimilar tudo.

Não consigo acreditar que eles estão juntos.

E, principalmente, não consigo acreditar que ela fez isso comigo.

Olho para Felipe.

Ele está olhando para o nada.

Até que se vira para mim.

Seu semblante está sério.

— Você quer ir embora?

Engulo em seco.

— Não...

Ele hesita.

— Deve ser doído ver o amor da sua vida com outra pessoa.

Meu peito aperta.

— Não é isso. Eu só...

Minha voz falha.

— Tá tudo bem, Angel.

Ele olha para frente novamente.

— Eu já imaginava que talvez não fosse ser tão real como eu pensei.

— A gente pode conversar depois? Eu não quero falar nada agora. Nem quero que você pense alguma coisa errada. Eu só fiquei chocada.

Ele assente.

— Tá. Tudo bem.

Fico alguns segundos em silêncio.

— Vamos entrar?

— Vamos.

Levanto.

Felipe pega minha mão.

Voltamos para a festa juntos.

Ficamos em um canto mais reservado enquanto Diego fazia questão de exibir Débora.

E ela, de vez em quando, me lançava aqueles olhares debochados.

Eu tentava fingir que não estava vendo.

Tentava.

— Vou ao banheiro, tá?

— Tá bom. Eu vou ali ligar pra minha irmã. Ela tá me perturbando.

Dou uma risada.

— Kkkk. Não fala assim da Liz.

Ele sorri e me dá um selinho.

— Já volto.

Observo ele se afastar.

Então respiro fundo.

Porque, pela primeira vez desde que comecei aquela mentira com Felipe, percebo uma coisa:

Talvez o problema já não seja mais fingir que somos um casal.

O problema é que eu não sei mais onde termina a mentira...

E começa o que eu realmente sinto por ele.

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