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De Repente Nós dois
De Repente Nós dois
Penulis: Fee'h Martins

# Capítulo 1 - A filha do mafioso

Penulis: Fee'h Martins
last update Tanggal publikasi: 2026-08-18 04:41:07

**Angel. Filha de Alex e Alana.

20 anos.**

— Angel, abaixa esse som, pelo amor de Deus! Ninguém nessa casa é surdo, minha filha!

A voz do meu pai atravessa a porta do quarto junto com a batida da música que eu estava ouvindo no último volume.

Reviro os olhos e aumento o volume só mais um pouquinho, apenas para provocá-lo.

— Caraca, pai! Deixa de ser chato! Nem tá tão alto assim!

— Chato, Angel? Chato? — ele repete, indignado. — A vizinhança inteira está ouvindo música junto com você, minha filha!

Solto uma gargalhada.

— Kkkkk. O senhor tá velho, por isso tá implicando com as minhas músicas.

O silêncio do outro lado da porta dura apenas alguns segundos.

— Me chama de velho de novo e eu te deixo sem celular por uma semana.

Paro de rir na mesma hora.

Meu pai era capaz de cumprir a ameaça.

Só que, antes que eu consiga responder, escuto a maçaneta sendo forçada.

— Por que essa merda tá trancada, dona Angel? O que você tá fazendo aí? Tá usando droga, não, né, minha filha?

— Meu Deus, pai!

Ele começa a bater na porta desesperadamente, como se estivesse prestes a arrombá-la.

Eu não consigo segurar o riso.

— Já vai!

Abro a porta e encontro meu pai parado na minha frente, com os braços cruzados e aquela expressão de poucos amigos.

— Privacidade não existe mais nessa casa, né, pai? — resmungo, fazendo bico.

— Desemburra essa cara, senão vai ficar de castigo!

Faço uma expressão inocente.

— Desculpa, papai lindo...

Ele me encara por alguns segundos antes de balançar a cabeça.

— A Globo tá perdendo você, minha filha.

Minha mãe aparece na porta justamente nesse momento, rindo da cena.

— Tá mesmo, né, mãe? — entro na brincadeira. — Já posso investir na carreira de atriz.

— Pode! Porque drama você já sabe fazer muito bem.

Nós duas começamos a rir.

Meu pai revira os olhos.

— Vocês duas ainda vão acabar comigo.

Então ele olha para minha mãe e sua expressão muda completamente.

— Lana, por que você está de pé? Você tem que descansar. Já está no final da gravidez e...

— E nada, eu, hein! — minha mãe interrompe, colocando as mãos na cintura. — Você não manda em mim, Alex! Se manca, homem! Eu não sou inválida, não. Estou só grávida. E a culpa é sua!

— Toma, distraído! — digo, começando a rir.

Meu pai lentamente vira o rosto na minha direção.

Aquele olhar.

Pronto.

Eu conhecia aquele olhar.

— Quer ficar um mês de castigo, Angel? — pergunta, sério.

Meu sorriso desaparece imediatamente.

— Não...

Minha mãe cai na gargalhada.

Eu me seguro para não rir também. Afinal, tinha coisas que eram engraçadas... até meu pai lembrar que era ele quem mandava.

— Vem, povo, bora descer — ele fala, tentando encerrar a discussão. Então olha para minha mãe. — E, Lana, vê se para de fazer esforço. Eu sei que você estava lavando roupa.

Ele aponta para o cabelo dela.

— Tem sabão em pó no seu cabelo.

Minha mãe leva a mão à cabeça.

— O quê?!

Começo a rir novamente.

— Kkkkk!

— Tá rindo do quê, garota?

— Nada, mãe!

Eles eram muito figuras.

Minha mãe olha para o meu pai com uma expressão emburrada.

— Mas você é chato, hein...

Ela faz um bico enorme.

Meu pai sorri de canto e rouba um selinho dela.

Fico alguns segundos apenas observando os dois.

Eles eram tão lindos juntos.

Apesar das brigas, das provocações e de todas as loucuras daquela família, o amor entre eles era impossível de não perceber.

Eu cresci vendo aquilo.

E talvez por isso tivesse criado uma visão tão bonita sobre o amor.

Eu sabia que meu pai tinha sido um homem envolvido com a máfia. Um passado que ele havia deixado para trás quando decidiu construir uma família e largar aquela vida por nós.

Por mim.

Pela minha mãe.

Eu admirava muito meu pai por isso.

Ele havia escolhido a nossa família.

E, mesmo sendo superprotetor, ciumento e completamente maluco às vezes, eu sabia que tudo vinha do amor.

Descemos as escadas juntos.

No meio do caminho, começo a cantar baixinho:

— Quem eu quero não me quer... quem me quer não vou querer...

Minha mãe entra na brincadeira imediatamente:

— Ninguém vai viver sozinho, todo mundo vai sofrer!

Nós duas terminamos a música rindo.

— É, minha filha... — minha mãe diz, me empurrando de leve com o ombro. — Tá com carinha de apaixonada, hein?

Meu sorriso desaparece por um segundo.

Apaixonada?

Talvez.

Ou talvez eu só estivesse começando a descobrir o que significava sentir alguma coisa por alguém.

Meu pai, porém, parece ouvir exatamente o que não queria.

Ele vira o pescoço lentamente na nossa direção.

A expressão dele é tão séria que parece até personagem de filme de terror.

Eu quase rio.

— Pode parar com esses papos aí, vocês duas.

— Ihhh... — minha mãe provoca.

— Meu bebê só vai se apaixonar quando tiver quarenta anos — ele continua, nervoso, coçando a cabeça. — Antes disso, nem pensar.

Minha mãe arregala os olhos.

— Alex, me poupe, né? Vão fazer com a Angel o que você fez comigo.

Meu pai fica quase sem cor.

Minha mãe começa a gargalhar.

Eu acompanho.

— Mãe!

— Ué, estou mentindo?

Meu pai passa a mão pelo rosto, completamente sem saber o que responder.

Minha mãe realmente não perdia uma oportunidade de perturbá-lo.

— Nada disso, amor — ele diz, tentando recuperar a pose. — Minha filha vai ser freira, né, princesa?

— Até parece, né, pai? — respondo, rindo. — Eu vou namorar como todo mundo. Aceita isso!

— Vamos encerrar esse assunto porque eu não quero falar disso agora. Estou novo demais para ser sogro de alguém ou começar a ter cabelos brancos.

Minha mãe olha para ele de cima a baixo.

— Mas você já tem alguns, amor.

— Lana, vê se ajuda também, né!

Ela se aproxima dele e sorri.

— Se preocupa, não. Eu te amo do mesmo jeito, meu velhinho.

— Sonsa... — ele murmura.

Eu escuto.

Minha mãe também.

— Como é que você fala assim da mãe dos seus filhos?

Ela começa a dar pequenos t***s no braço dele, enquanto meu pai tenta segurar o riso.

A cena é hilária.

Minha mãe é pequena perto dele, mas, naquele momento, parecia que era ela quem estava mandando em tudo.

— Pai, eu nem tenho namorado ainda. Fica tranquilo.

Ele olha para mim imediatamente.

— Graças a Deus!

— Pai!

— O quê? Pensei que ia ter que voltar a ser mafioso para colocar esses moleques no lugar.

— Mas vai se preparando, amor — minha mãe provoca. — Daqui a pouco vão começar a aparecer os pretendentes.

Meu pai abre a boca para responder, mas não chega a dizer nada.

Porque, naquele instante, a porta da sala se abre com força.

— **FAMÍLIA, CHEGUEI!**

Era minha tia Karol.

Ela entra praticamente pulando pela sala, como se estivesse chegando para anunciar o fim do mundo.

Essa era a Karol.

Sempre exagerada.

Sempre barulhenta.

E, talvez justamente por isso, uma das pessoas mais divertidas daquela família.

— Meu Deus, Karol... — meu pai murmura.

— O quê? Sentiram minha falta?

— Nem um pouco — ele responde.

— Mentiroso!

Ela corre até mim e me abraça apertado.

— Minha sobrinha linda!

— Oi, tia!

Logo atrás dela aparece meu tio Rodrigo.

— Boa tarde, família.

— Oi, tio!

Ele também vem até mim e me abraça.

E então...

Ele entra.

Diego.

Meu coração dispara no mesmo instante.

É ridículo.

Completamente ridículo.

Porque basta olhar para ele para meu corpo inteiro parecer esquecer como funciona normalmente.

Diego era filho da minha tia Karol e do meu tio Rodrigo.

E, apesar de ser meu primo, havia alguma coisa nele que fazia meu coração bater diferente.

Talvez fosse apenas uma admiração.

Talvez fosse uma paixão boba.

Ou talvez eu estivesse começando a sentir algo que ainda não sabia explicar.

Ele passa pelos meus pais, cumprimenta os dois e conversa normalmente com eles.

Quando chega perto de mim, porém...

Nada.

Apenas um breve olhar.

Um movimento quase imperceptível com a cabeça.

— Angel.

E continua andando.

Só isso.

Ele me esnoba completamente.

Fico parada por alguns segundos, tentando fingir que não liguei.

Mas liguei.

Muito.

Meu coração, que segundos antes estava acelerado, parece afundar dentro do peito.

E, naquele momento, eu ainda não fazia ideia de que aquele sentimento que eu achava conhecer estava prestes a me levar por um caminho completamente diferente do que eu havia imaginado.

Eu acreditava que já sabia quem faria parte da minha história.

Não sabia.

Porque, às vezes, a vida coloca alguém no nosso caminho apenas para nos ensinar que aquilo que planejamos para o coração não significa absolutamente nada.

E o meu verdadeiro amor...

Eu ainda nem tinha conhecido.

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