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Capítulo 2 — O Homem Que Estava ao Meu Lado

Penulis: Eva Belmont
last update Tanggal publikasi: 2026-09-10 19:15:02

Valentina abriu os olhos lentamente.

A primeira coisa que sentiu foi uma dor latejante na cabeça.

A segunda foi o cheiro forte de hospital.

Ela tentou se mexer, mas um incômodo no braço a fez parar.

Piscou algumas vezes, tentando entender onde estava.

O teto branco parecia distante.

Havia um soro conectado à sua mão e alguns aparelhos ao lado da cama.

Por alguns segundos, não conseguiu se lembrar de como havia chegado ali.

Então tudo voltou.

Riccardo.

Isabella.

A sala.

A traição.

O teste de gravidez.

O carro.

O impacto.

Valentina levou a mão livre até o ventre.

"Meu bebê..."

A voz saiu fraca.

Ela tentou se sentar.

"Não faça isso."

A voz masculina veio do outro lado do quarto.

Valentina virou o rosto.

Um homem estava sentado em uma poltrona próxima à janela.

Alto.

Vestido com um terno escuro.

Os cabelos castanhos estavam ligeiramente desalinhados, como se ele tivesse passado horas sem se importar com a própria aparência.

Ele se levantou assim que percebeu que ela havia acordado.

"Você sofreu um acidente. Precisa ficar deitada."

Valentina o encarou, confusa.

"Quem é você?"

"Dante Moretti."

Ele se aproximou da cama, mantendo uma distância respeitosa.

"Eu estava dirigindo atrás de você quando aconteceu."

Valentina fechou os olhos por um instante.

"Meu bebê?"

A expressão dele ficou mais séria.

"Os médicos fizeram alguns exames."

Ela sentiu o coração disparar.

"E?"

"Dificilmente teriam permitido que eu ficasse aqui se houvesse alguma emergência. Mas é melhor ouvir isso diretamente do médico."

Valentina assentiu rapidamente.

"Chame alguém."

Dante apertou o botão para chamar a enfermagem.

Poucos minutos depois, uma médica entrou no quarto.

Ela examinou Valentina, conferiu os aparelhos e fez algumas perguntas.

"Como você está se sentindo?"

"Minha cabeça dói."

"Isso é esperado depois da pancada. Você teve uma contusão leve, mas não apresentou sinais de algo mais grave."

Valentina respirou fundo.

"E o bebê?"

A médica sorriu suavemente.

"Fizemos uma ultrassonografia. A gestação está no início, então ainda é pequena, mas conseguimos identificar sinais de que está evoluindo. No momento, está tudo bem."

Valentina levou a mão à boca.

Os olhos se encheram de lágrimas.

"Tem certeza?"

"Sim. Você precisa repousar e seguir as orientações médicas. Nas próximas horas vamos continuar observando você, mas não há indicação de perda da gestação."

Valentina fechou os olhos.

Uma lágrima escapou.

Ela só percebeu o quanto estava tensa quando finalmente conseguiu respirar sem sentir o peito apertado.

"Obrigada."

A médica assentiu.

"Descanse."

Assim que a porta se fechou, Valentina ficou em silêncio.

Dante continuava próximo à janela.

Ela olhou para ele.

"Você ficou aqui?"

"Sim."

"Por quê?"

Ele pareceu pensar por um instante.

"Porque você estava sozinha."

A resposta foi simples.

Valentina abaixou os olhos.

Naquela noite, todos tinham ido embora.

Riccardo tinha escolhido outra mulher.

Isabella tinha traído sua confiança.

E um desconhecido havia permanecido ao seu lado.

Ela tentou conter o choro, mas não conseguiu.

Dante percebeu.

"Você quer que eu chame alguém da sua família?"

Valentina balançou a cabeça.

"Não."

"Algum amigo?"

Ela soltou uma risada amarga.

"Eu achava que tinha uma."

Dante entendeu que havia algo por trás daquela resposta.

Mas não insistiu.

"Está bem."

Valentina passou a mão pelo rosto.

"Desculpe."

"Você não precisa se desculpar."

"Eu estou chorando na frente de um estranho."

"Então chore."

Ela ergueu os olhos.

Dante continuou:

"Não precisa fingir que está bem só porque existe alguém no quarto."

Valentina ficou em silêncio.

Aquelas palavras tocaram em uma parte dela que estava cansada de parecer forte.

Ela virou o rosto para a janela.

As lágrimas continuaram escorrendo.

Dante não tentou abraçá-la.

Não fez perguntas.

Não exigiu explicações.

Apenas permaneceu ali.

Depois de alguns minutos, Valentina respirou fundo.

"Eu fui traída."

Dante permaneceu em silêncio.

"Meu marido estava com minha melhor amiga."

Ela esperava alguma reação.

Ele não demonstrou surpresa exagerada.

Apenas ouviu.

"Eu descobri hoje."

Dante cruzou os braços.

"Foi por isso que você estava dirigindo daquele jeito?"

Valentina apertou os lábios.

"Eu não queria morrer."

"Eu sei."

"Eu só queria fugir."

Dante assentiu lentamente.

"Às vezes, quando estamos desesperados, tomamos decisões sem pensar nas consequências."

Ela olhou para ele.

"Você fala como se conhecesse isso."

"Conheço pessoas que já fizeram isso."

Ele não falou mais.

Valentina não insistiu.

Alguns minutos depois, uma enfermeira entrou para verificar os sinais vitais.

Dante aproveitou para sair do quarto.

Valentina observou quando ele passou pela porta.

Foi estranho.

Ela havia conhecido aquele homem poucas horas antes.

Mesmo assim, a presença dele tinha sido mais confortável do que a de muitas pessoas que estavam em sua vida havia anos.

Na manhã seguinte, Valentina recebeu alta.

O médico recomendou repouso, alimentação adequada e acompanhamento obstétrico.

Ela se sentou na cama enquanto a enfermeira entregava seus pertences.

Sua bolsa estava ali.

Seu celular também.

A tela estava cheia de chamadas perdidas.

Riccardo.

Isabella.

Ela ficou olhando para os nomes durante alguns segundos.

Não queria falar com nenhum dos dois.

Guardou o aparelho.

"Seu acompanhante está esperando lá fora", avisou a enfermeira.

Valentina franziu a testa.

Acompanhante?

Quando saiu do quarto, viu Dante encostado na parede do corredor.

Ele segurava duas xícaras de café.

Ao vê-la, estendeu uma delas.

"Não sei como você toma."

Valentina aceitou.

"Obrigada."

"Conseguiu falar com alguém?"

Ela balançou a cabeça.

"Não."

"E para onde vai?"

Valentina ficou imóvel.

Essa era a pergunta que vinha tentando evitar.

Ela não queria voltar para casa.

Não queria voltar para Riccardo.

Não podia passar o dia na rua.

Não tinha coragem de ligar para os pais naquela situação.

Dante percebeu sua expressão.

"Você tem algum lugar seguro para ficar?"

Valentina hesitou.

"Tenho uma casa."

"Mas?"

Ela baixou os olhos.

"Ela é minha e do meu marido."

Dante compreendeu.

"Você não quer voltar."

"Não."

"Então não volte hoje."

Valentina o encarou.

"Isso é fácil de dizer."

"Eu sei."

Ele tirou o celular do bolso.

"Tenho um apartamento de hóspedes. É tranquilo, tem funcionários e fica perto de uma clínica. Você pode ficar alguns dias enquanto decide o que quer fazer."

Valentina arregalou os olhos.

"Você está oferecendo sua casa para uma desconhecida?"

"Estou oferecendo um lugar seguro para alguém que acabou de sofrer um acidente."

Ela apertou a xícara entre as mãos.

"Não quero causar problemas."

"Você não vai."

"Nem quero que pense que estou tentando me aproveitar."

Dante franziu levemente a testa.

"Valentina, você não me deve nada."

Ela ficou surpresa.

Ele sabia seu nome.

"Como você sabe meu nome?"

"Seu documento estava na bolsa."

"Ah."

Ela desviou o olhar.

"Mesmo assim..."

Dante respirou fundo.

"Você pode recusar."

Valentina observou aquele homem por alguns segundos.

Ele não insistia.

Não fazia pressão.

Não parecia esperar nada em troca.

"Eu aceito."

Dante assentiu.

"Então vamos."

O carro dele estava estacionado em frente ao hospital.

Um motorista abriu a porta.

Valentina entrou no banco traseiro.

Dante ocupou o outro lado.

Durante o trajeto, ela permaneceu em silêncio.

A cidade passava pela janela.

Ela deveria estar pensando no futuro.

Em como contar à família.

Em como enfrentar Riccardo.

Em como organizar a própria vida.

Mas naquele momento, estava cansada demais.

Dante percebeu quando ela apoiou a cabeça no vidro.

"Você dormiu?"

"Pouco."

"Então descanse."

Valentina fechou os olhos.

Não queria admitir, mas se sentia segura naquele carro.

Pouco depois, chegaram a um edifício elegante em uma das áreas mais nobres da cidade.

O apartamento de hóspedes ficava em um andar reservado.

Quando a porta foi aberta, Valentina encontrou uma sala ampla, iluminada e confortável.

Ela parou na entrada.

"É lindo."

"Você pode ficar aqui."

"Por quanto tempo?"

"Até decidir o que fazer."

Valentina olhou para ele.

"Você realmente não quer nada em troca?"

Dante sorriu discretamente.

"Não."

Ela não sabia se conseguia acreditar nisso.

Sua vida havia acabado de mostrar que pessoas em quem confiava podiam decepcioná-la.

Ainda assim, havia algo diferente naquele homem.

Talvez fosse a forma como ele falava.

Talvez fosse o fato de não tentar descobrir detalhes sobre sua vida.

Ou talvez fosse simplesmente porque, naquele momento, ele era o único homem que não estava pedindo nada dela.

Dante colocou uma pequena chave sobre a mesa.

"Essa é sua."

Valentina pegou.

"Obrigada."

Ele caminhou até a porta.

"Dante."

Ele se virou.

"Sim?"

Valentina hesitou.

"Obrigada por ter ficado no hospital."

"Não precisa agradecer."

"Preciso."

Ele apenas assentiu.

"Descanse."

A porta se fechou.

Valentina ficou sozinha.

Olhou para a chave em sua mão.

Depois colocou a outra mão sobre o ventre.

"Vai ficar tudo bem", sussurrou.

Mas, assim que se sentou no sofá, seu celular tocou.

Era Riccardo.

Valentina ficou olhando para a tela.

Dessa vez, decidiu atender.

"Alô?"

A voz dele veio imediatamente.

"Graças a Deus você está viva."

Valentina fechou os olhos.

"Por que você está ligando?"

"Eu tentei falar com você a noite inteira."

"Eu não queria falar com você."

"Valentina, precisamos conversar."

"Não."

"Eu sei que você está magoada, mas podemos resolver isso."

Ela sentiu o peito apertar.

"Resolver o quê, Riccardo?"

"Nosso casamento."

Ela riu baixinho.

"Você estava com Isabella."

"Eu sei."

"Então o que exatamente você quer resolver?"

Do outro lado, ele ficou em silêncio.

Depois falou:

"Eu errei."

Valentina sentiu uma lágrima escorrer.

"Você não cometeu um erro."

"Valentina..."

"Você fez uma escolha."

Silêncio.

"Eu escolho você."

Ela apertou o celular com força.

"Chegou tarde."

E desligou.

Valentina permaneceu alguns segundos olhando para a tela apagada.

Depois respirou fundo.

Não sentiu vontade de voltar para Riccardo.

Sentiu vontade de seguir em frente.

Ela só não sabia que, enquanto começava a reconstruir a própria vida, Dante Moretti também começava a perceber que aquela mulher não sairia tão facilmente de seus pensamentos.

E o que deveria ser apenas um gesto de gentileza acabaria aproximando os dois muito mais do que qualquer um poderia imaginar.

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