INICIAR SESIÓNValentina abriu os olhos lentamente.
A primeira coisa que sentiu foi uma dor latejante na cabeça.
A segunda foi o cheiro forte de hospital.
Ela tentou se mexer, mas um incômodo no braço a fez parar.
Piscou algumas vezes, tentando entender onde estava.
O teto branco parecia distante.
Havia um soro conectado à sua mão e alguns aparelhos ao lado da cama.
Por alguns segundos, não conseguiu se lembrar de como havia chegado ali.
Então tudo voltou.
Riccardo.
Isabella.
A sala.
A traição.
O teste de gravidez.
O carro.
O impacto.
Valentina levou a mão livre até o ventre.
"Meu bebê..."
A voz saiu fraca.
Ela tentou se sentar.
"Não faça isso."
A voz masculina veio do outro lado do quarto.
Valentina virou o rosto.
Um homem estava sentado em uma poltrona próxima à janela.
Alto.
Vestido com um terno escuro.
Os cabelos castanhos estavam ligeiramente desalinhados, como se ele tivesse passado horas sem se importar com a própria aparência.
Ele se levantou assim que percebeu que ela havia acordado.
"Você sofreu um acidente. Precisa ficar deitada."
Valentina o encarou, confusa.
"Quem é você?"
"Dante Moretti."
Ele se aproximou da cama, mantendo uma distância respeitosa.
"Eu estava dirigindo atrás de você quando aconteceu."
Valentina fechou os olhos por um instante.
"Meu bebê?"
A expressão dele ficou mais séria.
"Os médicos fizeram alguns exames."
Ela sentiu o coração disparar.
"E?"
"Dificilmente teriam permitido que eu ficasse aqui se houvesse alguma emergência. Mas é melhor ouvir isso diretamente do médico."
Valentina assentiu rapidamente.
"Chame alguém."
Dante apertou o botão para chamar a enfermagem.
Poucos minutos depois, uma médica entrou no quarto.
Ela examinou Valentina, conferiu os aparelhos e fez algumas perguntas.
"Como você está se sentindo?"
"Minha cabeça dói."
"Isso é esperado depois da pancada. Você teve uma contusão leve, mas não apresentou sinais de algo mais grave."
Valentina respirou fundo.
"E o bebê?"
A médica sorriu suavemente.
"Fizemos uma ultrassonografia. A gestação está no início, então ainda é pequena, mas conseguimos identificar sinais de que está evoluindo. No momento, está tudo bem."
Valentina levou a mão à boca.
Os olhos se encheram de lágrimas.
"Tem certeza?"
"Sim. Você precisa repousar e seguir as orientações médicas. Nas próximas horas vamos continuar observando você, mas não há indicação de perda da gestação."
Valentina fechou os olhos.
Uma lágrima escapou.
Ela só percebeu o quanto estava tensa quando finalmente conseguiu respirar sem sentir o peito apertado.
"Obrigada."
A médica assentiu.
"Descanse."
Assim que a porta se fechou, Valentina ficou em silêncio.
Dante continuava próximo à janela.
Ela olhou para ele.
"Você ficou aqui?"
"Sim."
"Por quê?"
Ele pareceu pensar por um instante.
"Porque você estava sozinha."
A resposta foi simples.
Valentina abaixou os olhos.
Naquela noite, todos tinham ido embora.
Riccardo tinha escolhido outra mulher.
Isabella tinha traído sua confiança.
E um desconhecido havia permanecido ao seu lado.
Ela tentou conter o choro, mas não conseguiu.
Dante percebeu.
"Você quer que eu chame alguém da sua família?"
Valentina balançou a cabeça.
"Não."
"Algum amigo?"
Ela soltou uma risada amarga.
"Eu achava que tinha uma."
Dante entendeu que havia algo por trás daquela resposta.
Mas não insistiu.
"Está bem."
Valentina passou a mão pelo rosto.
"Desculpe."
"Você não precisa se desculpar."
"Eu estou chorando na frente de um estranho."
"Então chore."
Ela ergueu os olhos.
Dante continuou:
"Não precisa fingir que está bem só porque existe alguém no quarto."
Valentina ficou em silêncio.
Aquelas palavras tocaram em uma parte dela que estava cansada de parecer forte.
Ela virou o rosto para a janela.
As lágrimas continuaram escorrendo.
Dante não tentou abraçá-la.
Não fez perguntas.
Não exigiu explicações.
Apenas permaneceu ali.
Depois de alguns minutos, Valentina respirou fundo.
"Eu fui traída."
Dante permaneceu em silêncio.
"Meu marido estava com minha melhor amiga."
Ela esperava alguma reação.
Ele não demonstrou surpresa exagerada.
Apenas ouviu.
"Eu descobri hoje."
Dante cruzou os braços.
"Foi por isso que você estava dirigindo daquele jeito?"
Valentina apertou os lábios.
"Eu não queria morrer."
"Eu sei."
"Eu só queria fugir."
Dante assentiu lentamente.
"Às vezes, quando estamos desesperados, tomamos decisões sem pensar nas consequências."
Ela olhou para ele.
"Você fala como se conhecesse isso."
"Conheço pessoas que já fizeram isso."
Ele não falou mais.
Valentina não insistiu.
Alguns minutos depois, uma enfermeira entrou para verificar os sinais vitais.
Dante aproveitou para sair do quarto.
Valentina observou quando ele passou pela porta.
Foi estranho.
Ela havia conhecido aquele homem poucas horas antes.
Mesmo assim, a presença dele tinha sido mais confortável do que a de muitas pessoas que estavam em sua vida havia anos.
Na manhã seguinte, Valentina recebeu alta.
O médico recomendou repouso, alimentação adequada e acompanhamento obstétrico.
Ela se sentou na cama enquanto a enfermeira entregava seus pertences.
Sua bolsa estava ali.
Seu celular também.
A tela estava cheia de chamadas perdidas.
Riccardo.
Isabella.
Ela ficou olhando para os nomes durante alguns segundos.
Não queria falar com nenhum dos dois.
Guardou o aparelho.
"Seu acompanhante está esperando lá fora", avisou a enfermeira.
Valentina franziu a testa.
Acompanhante?
Quando saiu do quarto, viu Dante encostado na parede do corredor.
Ele segurava duas xícaras de café.
Ao vê-la, estendeu uma delas.
"Não sei como você toma."
Valentina aceitou.
"Obrigada."
"Conseguiu falar com alguém?"
Ela balançou a cabeça.
"Não."
"E para onde vai?"
Valentina ficou imóvel.
Essa era a pergunta que vinha tentando evitar.
Ela não queria voltar para casa.
Não queria voltar para Riccardo.
Não podia passar o dia na rua.
Não tinha coragem de ligar para os pais naquela situação.
Dante percebeu sua expressão.
"Você tem algum lugar seguro para ficar?"
Valentina hesitou.
"Tenho uma casa."
"Mas?"
Ela baixou os olhos.
"Ela é minha e do meu marido."
Dante compreendeu.
"Você não quer voltar."
"Não."
"Então não volte hoje."
Valentina o encarou.
"Isso é fácil de dizer."
"Eu sei."
Ele tirou o celular do bolso.
"Tenho um apartamento de hóspedes. É tranquilo, tem funcionários e fica perto de uma clínica. Você pode ficar alguns dias enquanto decide o que quer fazer."
Valentina arregalou os olhos.
"Você está oferecendo sua casa para uma desconhecida?"
"Estou oferecendo um lugar seguro para alguém que acabou de sofrer um acidente."
Ela apertou a xícara entre as mãos.
"Não quero causar problemas."
"Você não vai."
"Nem quero que pense que estou tentando me aproveitar."
Dante franziu levemente a testa.
"Valentina, você não me deve nada."
Ela ficou surpresa.
Ele sabia seu nome.
"Como você sabe meu nome?"
"Seu documento estava na bolsa."
"Ah."
Ela desviou o olhar.
"Mesmo assim..."
Dante respirou fundo.
"Você pode recusar."
Valentina observou aquele homem por alguns segundos.
Ele não insistia.
Não fazia pressão.
Não parecia esperar nada em troca.
"Eu aceito."
Dante assentiu.
"Então vamos."
O carro dele estava estacionado em frente ao hospital.
Um motorista abriu a porta.
Valentina entrou no banco traseiro.
Dante ocupou o outro lado.
Durante o trajeto, ela permaneceu em silêncio.
A cidade passava pela janela.
Ela deveria estar pensando no futuro.
Em como contar à família.
Em como enfrentar Riccardo.
Em como organizar a própria vida.
Mas naquele momento, estava cansada demais.
Dante percebeu quando ela apoiou a cabeça no vidro.
"Você dormiu?"
"Pouco."
"Então descanse."
Valentina fechou os olhos.
Não queria admitir, mas se sentia segura naquele carro.
Pouco depois, chegaram a um edifício elegante em uma das áreas mais nobres da cidade.
O apartamento de hóspedes ficava em um andar reservado.
Quando a porta foi aberta, Valentina encontrou uma sala ampla, iluminada e confortável.
Ela parou na entrada.
"É lindo."
"Você pode ficar aqui."
"Por quanto tempo?"
"Até decidir o que fazer."
Valentina olhou para ele.
"Você realmente não quer nada em troca?"
Dante sorriu discretamente.
"Não."
Ela não sabia se conseguia acreditar nisso.
Sua vida havia acabado de mostrar que pessoas em quem confiava podiam decepcioná-la.
Ainda assim, havia algo diferente naquele homem.
Talvez fosse a forma como ele falava.
Talvez fosse o fato de não tentar descobrir detalhes sobre sua vida.
Ou talvez fosse simplesmente porque, naquele momento, ele era o único homem que não estava pedindo nada dela.
Dante colocou uma pequena chave sobre a mesa.
"Essa é sua."
Valentina pegou.
"Obrigada."
Ele caminhou até a porta.
"Dante."
Ele se virou.
"Sim?"
Valentina hesitou.
"Obrigada por ter ficado no hospital."
"Não precisa agradecer."
"Preciso."
Ele apenas assentiu.
"Descanse."
A porta se fechou.
Valentina ficou sozinha.
Olhou para a chave em sua mão.
Depois colocou a outra mão sobre o ventre.
"Vai ficar tudo bem", sussurrou.
Mas, assim que se sentou no sofá, seu celular tocou.
Era Riccardo.
Valentina ficou olhando para a tela.
Dessa vez, decidiu atender.
"Alô?"
A voz dele veio imediatamente.
"Graças a Deus você está viva."
Valentina fechou os olhos.
"Por que você está ligando?"
"Eu tentei falar com você a noite inteira."
"Eu não queria falar com você."
"Valentina, precisamos conversar."
"Não."
"Eu sei que você está magoada, mas podemos resolver isso."
Ela sentiu o peito apertar.
"Resolver o quê, Riccardo?"
"Nosso casamento."
Ela riu baixinho.
"Você estava com Isabella."
"Eu sei."
"Então o que exatamente você quer resolver?"
Do outro lado, ele ficou em silêncio.
Depois falou:
"Eu errei."
Valentina sentiu uma lágrima escorrer.
"Você não cometeu um erro."
"Valentina..."
"Você fez uma escolha."
Silêncio.
"Eu escolho você."
Ela apertou o celular com força.
"Chegou tarde."
E desligou.
Valentina permaneceu alguns segundos olhando para a tela apagada.
Depois respirou fundo.
Não sentiu vontade de voltar para Riccardo.
Sentiu vontade de seguir em frente.
Ela só não sabia que, enquanto começava a reconstruir a própria vida, Dante Moretti também começava a perceber que aquela mulher não sairia tão facilmente de seus pensamentos.
E o que deveria ser apenas um gesto de gentileza acabaria aproximando os dois muito mais do que qualquer um poderia imaginar.
Na manhã seguinte, Valentina acordou com a sensação de que alguma coisa estava prestes a acontecer.Não sabia explicar por quê.Talvez fosse apenas ansiedade depois da conversa da noite anterior.Talvez fosse a preocupação com Isabella.Ou talvez fosse o fato de que, apesar de tudo que havia sido resolvido, aquela história ainda não encontrara seu verdadeiro encerramento.Dante estava ao lado dela.Valentina ficou alguns segundos observando-o dormir.Desde que haviam se mudado para a nova casa, cada manhã parecia diferente.Aquele quarto ainda tinha poucas coisas.As cortinas ainda não haviam sido escolhidas.Havia caixas espalhadas pelo corredor.Mesmo assim, era o quarto deles.A casa deles.A vida deles.Valentina sorriu.Depois colocou a mão sobre o ventre."Vamos ficar bem."Dante se mexeu."Você está falando sozinha de novo?"Ela riu."Você nunca dorme de verdade?""Durmo.""Então como ouviu?""Porque tenho sono leve."Valentina se virou para ele."Bom dia.""Bom dia."Dante bei
Na manhã seguinte, Valentina acordou com a lembrança do exame.Ainda conseguia ouvir os batimentos do bebê.Ainda conseguia enxergar na memória aquela pequena movimentação na tela.Ela sorriu antes mesmo de abrir os olhos completamente.Virou-se para o lado e encontrou Dante acordado.Ele estava deitado, apoiado em um dos braços, observando-a."Está me olhando?""Estou.""Há quanto tempo?""Alguns minutos."Valentina riu."Você é estranho.""Estou admirando minha esposa."Ela sentiu o rosto aquecer."Bom dia.""Bom dia."Dante aproximou-se e beijou sua testa."Como estão vocês?""Bem.""Os dois?""Os dois."Ele colocou a mão sobre o ventre dela."Bom."Valentina cobriu a mão dele."Você está ficando cada vez mais apegado.""Já estou apegado."Ela sorriu."Percebi."Os dois ainda estavam conversando quando o celular de Valentina tocou.Ela olhou para a tela.Isabella.O sorriso desapareceu.Dante percebeu imediatamente."Quer atender?"Valentina ficou alguns segundos olhando para o tel
Valentina tentou convencer Dante durante todo o caminho até a clínica de que não havia motivo para preocupação."Foi apenas uma tontura."Dante manteve os olhos na estrada."Você ficou pálida.""Porque levantei muito rápido.""Mesmo assim."Valentina sorriu."Você está preocupado demais.""Provavelmente.""Você sempre foi assim?""Não.""Então fui eu que causei isso?"Dante olhou rapidamente para ela."Você e o nosso bebê."Valentina colocou a mão sobre o ventre."Nosso bebê."Ele segurou sua mão por alguns segundos enquanto esperavam o sinal abrir."Quero ter certeza de que vocês dois estão bem."Ela sorriu."Estamos.""Vamos confirmar."Quando chegaram à clínica, Dante insistiu em acompanhá-la até a recepção.Valentina entregou os documentos e sentou-se ao lado dele."Você pode esperar aqui.""Não.""Dante.""Vou entrar com você."Ela riu."Não sei por que estou tentando discutir.""Porque você gosta.""Talvez."Quando foram chamados, o médico recebeu os dois com um sorriso."Valent
A casa ainda cheirava a tinta nova quando Valentina entrou no quarto naquela noite.Havia caixas espalhadas pelo corredor, algumas roupas ainda dentro das malas e poucos móveis ocupando os cômodos.Mesmo assim, ela sorriu.Era a casa deles.Não era um apartamento emprestado.Não era um lugar escolhido porque precisava de proteção.Não havia contrato determinando quanto tempo permaneceriam ali.Era simplesmente a casa onde ela e Dante haviam decidido construir a própria história.Dante apareceu atrás dela carregando duas caixas."Você está olhando para essa parede há cinco minutos."Valentina sorriu."Estou imaginando.""Já começou?""Comecei."Ele deixou as caixas no chão."O que está imaginando?""Uma cama aqui.""Isso eu esperava.""Uma poltrona perto da janela.""Para você?""Para nós."Dante se aproximou."E ali?""Um pequeno berço."Ele olhou para o espaço que ela indicava."Está imaginando o quarto do bebê.""Sim."Dante colocou a mão no ventre dela."Então vamos fazer exatament
Valentina passou o caminho inteiro tentando imaginar o que a mãe poderia ter descoberto.Dante dirigia em silêncio, mas percebeu a inquietação dela."Você está preocupada.""Estou tentando não estar.""Quer que eu vá com você?"Valentina segurou a mão dele por alguns segundos."Quero."Pouco depois, chegaram à casa dos pais dela.A mãe estava esperando na sala.Assim que viu os dois entrando, levantou-se."Graças a Deus vocês chegaram."Valentina caminhou rapidamente até ela."O que aconteceu?"A mãe respirou fundo."Não aconteceu nada grave."Valentina soltou o ar."Então me diga."O pai dela também estava na sala.Ele segurava alguns documentos."Recebemos uma ligação do advogado de Riccardo."Valentina franziu a testa."Sobre o quê?""Sobre a gravidez de Isabella."Ela cruzou os braços."Isso eu já sei."O pai assentiu."Mas existe uma questão prática."Valentina olhou para Dante.Depois voltou para o pai."Qual?""Riccardo decidiu assumir integralmente as despesas médicas da gesta
Na manhã seguinte, Valentina acordou com a sensação de que alguma coisa havia mudado.Não era apenas a decisão de procurar uma casa.Era tudo o que aquela decisão representava.Ela e Dante estavam planejando algo sem prazo, sem cláusulas e sem a possibilidade de simplesmente voltar atrás quando o contrato terminasse.Era uma escolha.Uma escolha dos dois.Valentina ficou alguns segundos olhando para Dante, que ainda dormia ao seu lado.Ela sorriu.Depois passou a mão delicadamente sobre o próprio ventre."Vamos ter uma casa."Dante abriu os olhos."Está falando com o bebê?"Ela riu."Talvez."Ele se aproximou."Bom dia.""Bom dia."Dante beijou sua testa."Pronta para procurar nossa casa?""Estou.""Você dormiu pensando nisso?""Um pouco."Ele sorriu."Eu também."Pouco depois do café, saíram juntos.O primeiro imóvel ficava em uma região muito movimentada.Era bonito, moderno e tinha uma vista maravilhosa.Valentina entrou na sala e olhou ao redor."É lindo."Dante concordou."Mas?"







