تسجيل الدخولMariana estava exausta, oscilando entre a consciência e a semiconsciência. Os analgésicos fortes pesavam em seus pensamentos; a última coisa de que se lembrava era de ter pedido água alguns minutos atrás. Melissa não estava na poltrona, talvez tivesse ido buscar. O quarto mantinha um silêncio artificial, quebrado apenas pelo apito rítmico do oxigênio e pelo zumbido baixo dos monitores. Ela estava semissentada, o rosto pálido contra o travesseiro. As pálpebras pesavam, mas a mente ainda girava, processando o escândalo, a briga e a dor surda no peito.O som da porta se abrindo foi um arranhão no silêncio.Mariana abriu os olhos, esperando ver Charles ou Melissa. O que viu foi Cecília parada ao pé da cama, os cabelos ruivos soltos, a pele pálida ainda mais branca sob a luz fria do hospital. O ar pareceu sumir do quarto:— Cecília? — a voz de Mariana saiu rouca, um fio de ar passando pelo cateter: — O que você está fazendo aqui?Cecília não respondeu de imediato. Deu um passo para o lado,
O trem com destino a Londres balançava suavemente nos trilhos enquanto Mariana mantinha os olhos fixos na tela do tablet, os dedos imóveis sobre a superfície de vidro. A manchete do *Daily Mail* ocupava metade da página com uma foto antiga dela e Márcio — ainda casados, ainda sorrindo, ainda fingindo que tudo estava bem em um evento de caridade há cinco anos.**"BRIGA DE EX-CASAIS SACODE O GLENEAGLES: MARIANA E MÁRCIO CAMPBELL PROTAGONIZAM CENA NO HOTEL MAIS EXCLUSIVO DE EDIMBURGO"**O texto abaixo era pior. Cada parágrafo descrevia detalhes que ela nem sabia como os repórteres haviam descoberto. *"Testemunhas relatam gritos vindos do quarto da socialite por volta das 23h"*, *"um hóspede anônimo afirma ter visto Márcio Campbell deixar o local com o lábio sangrando"*, *"fontes próximas confirmam que a briga envolvia um terceiro homem, identificado como Cameron Wallace, advogado da família Durdday"*.— Meu Deus — Mariana murmurou, passando a mão na testa.Melissa, sentada ao lado, estic
Márcio passou horas angustiado pensando em como se desculpar. Já era tarde da noite quando as batidas ecoaram pelo corredor silencioso do hotel. Márcio apoiou a testa contra a madeira fria da porta, os nós dos dedos ainda doendo do contato repetido:— Louise? — chamou, a voz rouca: — Filha, eu sei que está aí. Só me deixa explicar.Silêncio. Ele bateu de novo, mais suave:— Trouxe chocolate. Aquele que você gosta, com caramelo. Abre a porta, por favor, filha.Nada. Márcio respirou fundo, o coração apertado. A imagem do rosto da filha antes de ela fugir não saía da sua cabeça:— Lulu... — usou o apelido de infância, a voz falhando: — Eu fui um pai horrível. Mas me deixa pelo menos olhar nos seus olhos e pedir desculpas.Os minutos se arrastaram. Ele bateu de novo, e de novo, até que ouviu o clique da fechadura. A porta se abriu alguns centímetros. Não era Louise. Mariana apareceu na fresta, o cabelo loiro solto e desgrenhado, os olhos inchados, um roupão de seda azul apertado contra o
Mais tarde, o salão do hotel brilhava sob os lustres de cristal, mas Mariana não via nada além do reflexo do vinho na taça que girava entre seus dedos. A cada gole, ela tentava afogar a imagem que queimava sua retina: Márcio e Cecília sentados a três mesas de distância, tão próximos que os ombros se tocavam: — Mãe, você está bem? — Louise perguntou, o garfo cortando o bife com uma violência desnecessária. — Estou, querida — Mariana respondeu, sem desviar o olhar do prato. Felipe soltou um riso amargo, os dedos tamborilando na toalha de linho: — Claro que está. Todo mundo está bem. Que noite maravilhosa. — Felipe — Melissa interveio, a voz baixa e conciliatória: — Vamos tentar aproveitar o jantar, sim? O silêncio se instalou, pesado como o veludo das cortinas. Louise deixou os talheres caírem sobre o prato com um ruído metálico: — Quanto tempo? — ela perguntou, a voz cortante como a faca que ainda segurava: — Quanto tempo isso está acontecendo? Mariana ergueu os olhos, surpres
A manhã seguinte chegou com a luz cinzenta filtrando pelas cortinas do spa do Gleneagles. O ambiente era um santuário de mármore creme e toalhas felpudas, com o aroma suave de óleos essenciais pairando no ar aquecido. Mariana estava deitada de bruços na maca, o rosto apoiado na abertura oval, os olhos fechados enquanto as mãos hábeis da massagista trabalhavam os nós de tensão em seus ombros. Ao lado, separada por uma cortina de linho branco, Melissa soltou um gemido de prazer quando a terapeuta pressionou um ponto especialmente tenso em sua lombar: — O que aconteceu ontem? — Melissa disse, a voz arrastada pelo relaxamento: — Você simplesmente sumiu. Uma hora estava dançando com o Cameron, no minuto seguinte evaporou. Dormiu cedo? Mariana hesitou por um segundo antes de responder: — Estava exausta. A festa foi longa. — Exausta — Melissa repetiu, cética: — Ou bebeu demais? Porque se bebeu, tudo bem, mas não quero que você passe mal sozinha. — Não bebi demais... Foram só algu
O som do cartão magnético deslizando na fechadura ecoou no silêncio do corredor. Márcio empurrou a porta do quarto com a testa franzida, ainda processando a noite. A luz do abajur criava sombras suaves no quarto, e ele encontrou Anthony, seu assistente, de pé ao lado da cama onde Cecília estava deitada, os cabelos ruivos espalhados pelo travesseiro:— Sr. Campbell — Anthony disse, a voz baixa e profissional: — A Srta. Blaire me ligou. Disse que estava passando mal, que o senhor não atendia às ligações. Quando cheguei, ela estava desmaiada.Márcio largou o paletó sobre uma poltrona, os olhos fixos em Cecília. Ela parecia pálida, a respiração superficial:— Chamaram um médico?— Ela não deixou, senhor. Insistiu que não queria chamar atenção.Márcio aproximou-se da cama, sentando-se na borda. O colchão cedeu sob seu peso:— Como está se sentindo? — perguntou, a voz mais suave do que pretendia.Cecília abriu os olhos, encontrando os dele com um esforço visível:— Enjoo — murmurou, a mão p







