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Capítulo 3

Auteur: Chama do Templo
— Há quanto tempo.

A curva nos lábios de Nicolas era sutil, mas o sorriso não alcançava seus olhos. Sua voz era grave.

Bárbara hesitou por um momento: — Nós... já nos encontramos?

Claro que ela o conhecia.

Na Cidade Phassa, quem não conhecia o herdeiro bilionário da família Alves?

Sua capacidade e aparência eram de primeira linha. Mais importante, os rumores diziam que ele era frio e indiferente às mulheres. Tanto na vida profissional quanto na pessoal, eram sempre os outros que o cercavam.

Mas se ele a conhecia, isso ela não sabia.

O olhar do homem permaneceu em seu rosto por um longo tempo, tão direto que a deixou um pouco desconfortável.

Seus olhos profundos e belos pareciam capazes de ver através dela. Seu coração falhou uma batida, e ela não ousou encontrar seu olhar.

Por que ele continuava a encará-la? Havia algo em seu rosto?

Ele não respondeu, apenas empurrou lentamente uma caixa de veludo vermelho escuro em sua direção.

— O que é isso...?

A qualidade da caixa já indicava o valor do item em seu interior.

Um anel? Um presente?

Ela abriu a tampa e encontrou um anel com um enorme diamante azul-esverdeado.

Mesmo estando juntos por tantos anos, Marcos nunca lhe dera um anel. Já este homem, em seu primeiro encontro, oferecia-lhe uma joia de valor incalculável.

Bárbara ficou momentaneamente atônita.

Nicolas apoiou o queixo em uma das mãos, com um gesto preguiçoso e casual. Seu olhar percorreu o rosto dela por um momento, e ele franziu levemente a testa:

— Não gostou?

Só então ela voltou a si, erguendo a cabeça para encontrar o olhar dele, que a observava fixamente:

— Obrigada, Sr. Nicolas. Como você sabia... que eu gosto desta cor?

A tonalidade azul-esverdeada junto ao aro era sua preferida, uma cor rara no mercado. Como designer, ela sabia que criar uma cor tão precisa não era tarefa fácil.

Ele baixou o olhar, seus longos cílios projetando uma sombra suave. Com a ponta dos dedos, mexia distraidamente o café:

— Escolhi ao acaso.

Seria mesmo uma coincidência?

Bárbara ainda ponderava, mas ele não tinha motivo para mentir para ela.

Enquanto ela o observava, ele já havia mudado de assunto naturalmente, desviando o olhar e resmungando:

— Na época em que as famílias Alves e Sousa eram mais próximas, ouvi dizer que você recusou o casamento arranjado.

Ela respondeu imediatamente: — Peço desculpas, fui imprudente na época.

Depois de tanto tempo, ele ainda não havia encontrado outra noiva?

Se soubesse o que sabe hoje, ela preferiria ter escolhido um casamento arranjado com alguém de status compatível, mesmo sem amor, a apostar tudo em um amor tão ilusório.

Ela garantiu: — Quando eu voltar para a família Sousa, assumirei os negócios da família e estou confiante de que podemos criar uma situação vantajosa para ambas as famílias. Após o casamento, não vou interferir em seus assuntos, desde que tudo seja mantido com discrição.

Em outras palavras, o que ele fizesse fora do casamento, ela não questionaria.

Depois de testemunhar o comportamento de Marcos, ela já não tinha expectativas sobre a fidelidade dos homens.

Se homens comuns eram assim, imagine ele, um homem de uma família poderosa da Cidade Phassa, com tantas opções.

— Mas por que você aceitou este casamento agora?

Era o que ela mais queria saber.

Com as qualificações de Nicolas, por que ele esperaria por ela, que já o havia rejeitado uma vez?

A não ser que fosse exatamente o que ela estava pensando.

Nicolas ouviu em silêncio e, percebendo seus pensamentos, desviou o olhar com indiferença, sua voz fria:

— O velho Sr. Sousa salvou minha vida e também mencionou a intenção de um casamento arranjado. Agora, estou na idade de me casar. Fique tranquila, cumprirei minhas responsabilidades como marido.

Seu tom era grave, como se não gostasse da suposição que ela acabara de fazer. Ele continuou lentamente:

— Quanto a casos extraconjugais, você está se preocupando demais.

Bárbara franziu os lábios. Na infância, seu avô de fato havia trazido um jovem frio para passar um tempo na casa da família Sousa.

Ela o observou secretamente algumas vezes, mas não sabia se ele a havia notado.

Só depois que ele partiu é que ela soube que ele era da família Alves.

— Então, sou apenas a candidata adequada? E por causa da dívida de gratidão com meu avô?

Ele a encarou, em silêncio, como se concordasse.

Um casamento sem amor, mas com benefícios, combinava com o estilo dele.

Bárbara assentiu levemente.

Não pôde deixar de lembrar que, quando vivia na Cidade Phassa, a mídia especulava que ele tinha um primeiro amor não correspondido. Agora, parecia que Nicolas também havia se desiludido com o amor, então não importava mais.

Nesse ponto, eles eram parecidos.

Um passo de cada vez. A prioridade era obter o perdão de seus pais e retornar à família Sousa.

— No próximo mês, anunciarei nosso noivado à mídia da Cidade Phassa.

— Anunciar já no próximo mês?

Ele ergueu o canto dos olhos, com uma expressão que era quase um sorriso:

— Se quiser, pode ser agora.

Ele originalmente queria dar-lhe tempo para resolver os problemas ao seu redor. Agora que o casamento estava decidido e ela estava comprometida com ele, não havia necessidade de pressa.

Ela balançou a cabeça apressadamente: — Não, o próximo mês está ótimo.

A atmosfera do jantar foi agradável.

Ele parecia frio, mas sua conversa era contida e educada.

Claro, era o primeiro encontro, então a polidez era natural. Se ele seria acessível mais tarde, era outra história. Afinal, os homens mudavam muito rápido, pensou Bárbara.

Ao se despedirem, o homem deu um sinal ao seu assistente e entrou no carro primeiro.

Bruno entendeu o recado, aproximou-se e curvou-se: — Srta. Bárbara, eu a levarei.

— Não precisa se incomodar, eu posso ir sozinha.

Ele veio da Cidade Phassa especialmente para encontrá-la, e ela já estava muito grata. Como poderia incomodá-lo ainda mais?

Bruno abriu a porta do carro, com o mesmo sorriso:

— O Sr. Nicolas não tem o hábito de deixar suas acompanhantes voltarem sozinhas. Por favor, compreenda.

Antes que ele terminasse de falar, a janela do carro baixou, revelando um perfil bonito e sério. Seu olhar era calmo, mas irrecusável:

— Entre.

Sob o olhar dele, Bárbara entrou no carro sem perceber.

O caminho foi silencioso.

A atmosfera era estranhamente quieta.

Ela observava a noite passar pela janela, fechando os olhos suavemente para descansar.

De repente, a voz grave dele soou, uma frase sem contexto:

— Eu não levo qualquer mulher para casa.

Essa observação fez o motorista olhar instintivamente pelo retrovisor.

Bárbara ficou perplexa e se virou para olhá-lo.

Os dedos longos do homem repousavam em seu joelho, seu perfil era austero, e seu olhar estava fixo na janela.

Sem expressão, ele parecia muito frio.

Seria sua imaginação? Ela sentiu que ele tinha um toque de...

Arrogância?

Ela percebeu tardiamente que ele estava explicando o que Bruno havia dito.

Se não pensasse muito, poderia realmente parecer que ele tinha tido muitas acompanhantes.

Ela não havia pensado muito nisso, mas para alguém de sua posição, prestes a se casar, era natural que se preocupasse com sua reputação e quisesse esclarecer as coisas. Não havia outro significado, certo?

Ela respondeu em voz baixa: — Entendi.

O silêncio voltou ao carro.

Ao descer, Bruno se despediu educadamente: — Tenha cuidado, Srta. Bárbara.

Do lado de fora da mansão da família Lemos.

Bárbara pensou que Marcos já estaria dormindo, mas o viu sozinho na varanda do segundo andar.

Ao vê-la descer de um carro de luxo, antes mesmo de conseguir ver a placa, seu olhar foi capturado pela figura esbelta dela.

Quando viu claramente aquele rosto deslumbrante, um brilho de admiração passou pelos olhos de Marcos.

Ele quase pensou que estava enganado.

Aquela era mesmo Bárbara.

A mulher que ele nunca havia se dado ao trabalho de apreciar.

— Bárbara, por que voltou tão tarde? — Ele desceu as escadas correndo assim que ela entrou na sala.

Bárbara continuou tirando os saltos, com uma expressão fria:

— Bem mais cedo que o normal.

Ele nunca a esperara até tão tarde. Como saberia a que horas ela costumava chegar?

Marcos ficou em silêncio por um momento, seu olhar ainda fixo no rosto dela: — Que cliente você foi ver? Precisava se vestir assim?

— Um amigo. Conversamos um pouco.

Percebendo a frieza dela, ele sentiu uma irritação inexplicável.

A placa daquele carro não era comum. Como ele não sabia que ela conhecia alguém assim na Cidade Zeus?

— Homem ou mulher?

— Você parece especialmente preocupado comigo hoje, Marcos. — Ela se endireitou, encarando-o. — Você nunca foi assim antes.

Uma expressão complexa passou pelo rosto dele, e seu tom suavizou:

— Bárbara, eu andava muito ocupado, não prestei atenção em você. Só estou perguntando.

Esta noite deveria ser a noite do jantar à luz de velas deles.

Ele não entendia por que, mesmo depois de voltar para casa e não vê-la, insistia em esperar.
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