LOGINLorena pareceu perceber algo e me disse:— Thiago saiu cedo. Ele mencionou que tinha uma audiência importante hoje.Eu hesitei por um momento e respondi, um pouco sem graça:— Ah, agora faz sentido. Eu achei que ele ainda não tinha acordado.— Isso é impossível. Ele nunca gostou de dormir até tarde.Quando Lorena falava de Thiago, seus olhos se enchiam de ternura.Era difícil imaginar que alguém como ela, tão doce, tenha conseguido se separar do próprio filho por tantos anos e ainda assim criar Fabiana como se fosse sua filha de sangue.Foi nesse momento que ouvimos a voz de Davi do lado de fora, em tom de repreensão.Eu me apressei e fui até a porta para ver o que estava acontecendo.Augusto tinha chegado, mas Davi estava parado na entrada, bloqueando a passagem e impedindo-o de entrar.— Saia daqui! — Davi apontou o dedo para ele e disse. — Eu não reconheço um neto como você, que não tem nem fidelidade, nem respeito, nem decência! Ontem você colocou sua esposa na delegacia, e hoje ai
Ele fez a pergunta de repente, e eu quase não tive reação. Logo em seguida, respondi com firmeza:— Sim, quero o divórcio.Thiago soltou uma risada baixa e disse:— Você está prestes a se divorciar dele, então me diz, que tipo de tio eu sou pra você?Meu rosto ficou completamente vermelho. Eu não sabia o que ele queria dizer com aquilo, então tentei encontrar uma maneira de sair daquela situação:— O vovô Davi aprecia parentes que são educados.— Pois seja educada apenas na frente dele. — Os olhos escuros de Thiago me lançaram um olhar rápido antes de ele dizer. — Eu não estou interessado em ganhar uma sobrinha do seu tamanho. Só dá trabalho.Eu fiquei ligeiramente surpresa e, hesitante, perguntei:— Então, fora de casa, devo chamá-lo de Sr. Thiago? Ou Dr. Thiago?— Tanto faz. — Ele respondeu em um tom indiferente. — Desde que você não me chame de tio a cada frase. Isso me dá arrepios.Fiquei sem palavras diante daquele comentário. Baixei a cabeça, olhando para os meus joelhos, e murmu
Ele me olhou por alguns segundos antes de se virar para o policial ao lado e dizer:— Delegado, conto com você.O homem chamado de delegado imediatamente mudou sua expressão para uma de simpatia. Ele sorriu gentilmente e se dirigiu a mim com educação:— Débora, o Sr. Thiago já cuidou de toda a sua fiança. Você está liberada. Parece que houve um mal-entendido no meio disso tudo. Pedimos desculpas pelo transtorno.Eu mantinha os dedos pressionados contra a rachadura na parede, tentando me levantar.Mas minhas pernas estavam tão dormentes que eu mal conseguia senti-las. No momento em que tentei me mover, meu corpo vacilou e eu caí de volta na cadeira.Um calor desconfortável subiu pelo meu rosto, e a vergonha me invadiu. Com o rosto em chamas, tentei uma segunda vez me levantar.Foi então que uma mão firme, de dedos longos e bem definidos, apareceu diante de mim.Thiago se agachou levemente, sua expressão calma escondida pelas pestanas abaixadas, enquanto ele dizia suavemente:— Me dê sua
Meu coração apertou, e Augusto também franziu o cenho, virando-se para olhar Mônica.Mônica imediatamente assumiu um tom de vítima, com os olhos cheios de falsa preocupação, e disse:— Augusto, eu... Eu estava tão preocupada com a Laís. Tive medo de que a Débora fugisse de culpa, então liguei novamente para os policiais para apressá-los...Davi rapidamente se adiantou e falou aos policiais:— Senhores, isso foi tudo um mal-entendido. Nós queremos retirar a denúncia. Já está tudo resolvido.Mas Mônica interveio, com a voz firme:— Sr. Davi, pelo menos por agora, eu sou a tutora legal da Laís. Eu tenho que garantir a segurança da minha filha. A Débora deve, sim, ir à delegacia para esclarecer tudo. Eu não posso retirar a denúncia.O rosto de Augusto escureceu ainda mais, mas ele não disse nada para impedir a decisão. Permaneceu em silêncio, enquanto os policiais se aproximavam para me levar.Eu olhei para o perfil frio e indiferente de Augusto, e naquele momento finalmente entendi como n
Eu pensei que ir até a delegacia para esclarecer tudo pessoalmente talvez fosse o melhor. Pelo menos, eu não precisaria carregar essa acusação injusta.Mas Davi, com os olhos arregalados de raiva, gritou:— Augusto, você chamou a polícia? Débora é sua esposa! Como teve coragem de chamar a polícia!Augusto me olhou com um olhar tão gelado que parecia perfurar a minha alma, e respondeu:— Sim, qualquer pessoa que machucar minha filha terá apenas esse destino. Débora agora vai comigo até a delegacia explicar tudo na frente da polícia.Ele mal terminou de falar e já me puxava para fora, sem que ninguém conseguisse detê-lo. Seu aperto no meu pulso era tão forte que parecia querer esmagar meus ossos. Por mais que eu tentasse, não conseguia me soltar.Foi então que uma voz baixa e fria ecoou atrás de nós:— Pare agora!Augusto parou abruptamente, surpreso, e se virou para encarar quem tinha falado.Thiago descia as escadas com passos firmes, seu semblante calmo e controlado. Ele caminhou até
Eu mudei de assunto e perguntei:— Vovó Lorena, como está a sua saúde agora? Está se sentindo melhor?Lorena levou a mão ao peito e tossiu algumas vezes antes de responder:— Ainda na mesma…Thiago, que estava atento, disse imediatamente:— Mãe, vou te ajudar a subir para descansar.— Está bem.O rosto de Lorena estava pálido, com uma tonalidade quase doentia. Antes de sair, ela ainda se virou para mim e disse:— Débora, aproveitem bem o jantar. Eu vou subir para descansar um pouco.Enquanto eu observava a figura dela se afastando ao lado de Thiago, o rosto de Davi se encheu de melancolia e tristeza.Eu não consegui evitar e tentei consolá-lo:— Vovô Davi, hoje em dia a medicina está tão avançada. Tenho certeza de que a vovó Lorena vai ficar bem.— Ah… Quando descobrimos, já era tarde demais… — Davi suspirou profundamente e continuou. — Ainda bem que Thiago, apesar de ser tão frio por fora, é uma pessoa calorosa por dentro. Nessas últimas semanas, ele tem feito questão de passar mais t







