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Capítulo 4

Auteur: Gaia
Quando saí trazendo o último prato, ouvi o tom de provocação deles.

— Sr. Brito, que tal você e a Professora Dias tomarem uma taça de vinho entrelaçando os braços?

— É isso aí, tomem uma!

Beatriz estava sentada ao lado de Vitor, com o rosto corado.

— Parem com essas brincadeiras, o Vitor já é casado.

Alguém soltou uma risada de zombaria:

— Os outros podem não saber, mas nós sabemos. Se ela não tivesse se casado com outro na época, o Sr. Brito não teria ficado desolado a ponto de ir a encontros arranjados.

— Além do mais, a Professora Lima nem está aqui.

Eu segurava um prato quente recém-saído do fogão, mas sentia um frio pior que o gelo.

Ao lembrar que aquelas mesmas pessoas costumavam me chamar carinhosamente de Lorena, senti nojo.

Vitor colocou a taça na mesa com força, fechando a cara, pronto para falar.

Exatamente nesse momento, tossi levemente e entrei, colocando a comida na mesa.

— Vamos comer.

Dei um sorriso e me preparei para sentar.

Mas Vitor pareceu ter notado algo e franziu a testa:

— Por que tem tantos pratos que a Beatriz não gosta de comer?

Beatriz acenou com a mão e disse com voz suave:

— Não tem problema, eu como só as verduras.

— A Lorena... não fez de propósito.

Ela disse isso, mas seus olhos encheram-se de lágrimas.

Vitor se levantou, mostrando claro descontentamento no rosto:

— Vou levá-la a um restaurante para comer.

— Espere um pouco.

Falei de repente, pegando a garrafa na mesa e me servindo uma taça de vinho.

Vitor olhou-me estupefato.

Em cinco anos de casamento, eu nunca havia bebido na frente dele.

— Beatriz, faço um brinde a você com esta taça.

A bebida desceu pela garganta, fazendo-me tossir sem parar.

Ao ver isso, Vitor franziu a testa e estendeu a mão para dar tapinhas nas minhas costas.

Esquivei-me instintivamente, escondendo o canto avermelhado dos meus olhos.

Sua mão congelou no ar e a expressão dele escureceu na mesma hora.

— Lorena, você está sendo completamente irracional.

Depois de dizer isso, ele saiu levando Beatriz.

Os colegas que sobraram trocaram olhares e também se levantaram para ir embora.

Fiquei sentada no quintal, comendo sozinha toda aquela comida.

Faltavam quatro horas para o meu trem partir.

Colhi todas as hortaliças que tinha plantado no quintal e as entreguei aos vizinhos de ambos os lados.

Faltavam três horas para o trem partir.

Depois de lavar a louça, deixei o pedido de divórcio e aquele pote de creme facial caro, já usado, em cima da mesa.

Faltavam duas horas para o trem partir.

Peguei minha bagagem e subi no caminhão da base militar.

O jovem soldado que dirigia me perguntou:

— Professora Lima, indo para casa de novo? Quanto tempo vai ficar desta vez?

Entreguei a ele algumas balas de frutas e respondi com um sorriso:

— Não sei. Talvez a vida inteira.

O soldado achou que eu estava brincando. Aceitou as balas alegremente e disse:

— Então, quando for voltar, peça para o Sr. Brito me avisar que eu venho buscá-la de novo.

Assenti, dizendo silenciosamente em meu coração:

— Não haverá uma próxima vez.

Às oito da noite, Vitor voltou para casa com Beatriz, acompanhados pelos mesmos colegas daquela tarde.

O grupo entrou conversando e rindo, segurando marmitas com restos do restaurante.

— Professora Lima, voltamos!

O primeiro a entrar gritou e, vendo que a casa estava escura, tateou a parede para acender a luz.

— A Professora Lima saiu?

O colega coçou a cabeça e colocou a comida na mesa.

Quando viu o papel em cima da mesa, paralisou e gritou sem pensar:

— Sr. Brito, a Professora Lima deixou uma carta para você. É... é um pedido... de divórcio...
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