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Capítulo 2

Auteur: Gaia
Até o enterro do meu pai, o momento livre de Vitor nunca chegou.

A única coisa que consegui foi ver meu pai segurar minha mão antes de fechar os olhos, me avisando:

— O Vitor é um bom rapaz. Ele protege o nosso país, é normal que viva ocupado.

— Eu não o culpo. Por favor, quando voltar, não brigue com ele.

Mas, pai, Vitor não estava ocupado com o trabalho, e sim porque estava acompanhando Beatriz.

Enxugando as lágrimas, lavei e guardei a louça que estava na mesa.

Contagem regressiva para a partida.

Restavam seis dias.

No primeiro dia, fui sozinha ao escritório do diretor do meu trabalho, Miguel Barbosa.

— Este é o pedido de divórcio entre mim e Vitor. Espero que a direção possa aprovar o mais rápido possível.

A mão do diretor parou enquanto bebia água. Ele rapidamente pegou o documento para examiná-lo com cuidado.

Ao ver a minha assinatura e a de Vitor, ele soltou um longo suspiro.

— Você e o Vitor não estavam indo tão bem? Como chegaram ao ponto de se divorciar?

Pois é, como chegamos a esse ponto?

Eu e Vitor fomos apresentados por conhecidos em comum.

Ele era um capitão promissor no exército, e eu, uma professora do ensino fundamental, gentil e bondosa.

Todos diziam que éramos o casal perfeito.

Mas, desde que Beatriz voltou, o que eu mais ouvia era:

— O Sr. Brito é tão bom para a Professora Dias.

Balancei a cabeça, afastando os pensamentos confusos da mente, e respondi à pergunta de Miguel:

— Não se pode forçar os sentimentos. Nós só queremos nos separar de forma amigável.

Miguel não disse mais nada e guardou o pedido na gaveta.

— Volte em dois dias para buscar.

Ao sair do escritório, fui fazer umas compras.

Assim que cheguei ao balcão, vi o creme facial caro na prateleira.

Em cinco anos de casamento, eu nunca tive coragem de comprá-lo para mim.

Seguindo o meu olhar, a vendedora do armazém brincou, sorrindo:

— Há poucos dias vi o Sr. Brito comprar uns cinco ou seis potes deste creme caro. Já acabou tão rápido?

— Professora Lima, o Sr. Brito é realmente maravilhoso com você.

Minha mão congelou ao segurar os produtos.

Eu não estava em casa nos últimos dias, e Vitor nunca havia me dado um creme facial caro.

Lembrando do perfume que senti na noite anterior, entendi tudo.

Os cremes faciais caros haviam sido comprados para Beatriz.

Cinco anos cuidando da casa, lavando e cozinhando para ele, e eu nunca ganhei um daqueles.

Foi só Beatriz voltar para receber cinco ou seis potes de uma vez.

Sem saber se sentia mais mágoa ou raiva, encarei o olhar invejoso da vendedora:

— Me dê um pote desse creme. Eu mesma vou comprar.

No quinto dia em casa.

Primeiro, fui até Miguel buscar o pedido de divórcio aprovado e, em seguida, fui à escola entregar minha carta de demissão.

Como as aulas ainda não tinham começado, não havia muitos professores na sala.

Fui até a minha mesa para arrumar minhas coisas e encontrei-a lotada de objetos que não eram meus.

Estavam ocupando completamente o espaço da mesa.

Meus cadernos estavam esmagados no fundo. Quando os puxei, já estavam totalmente arruinados, cheios de marcas irrecuperáveis.

O professor da mesa ao lado me disse:

— Essas coisas são da nova Professora Dias.

— O Sr. Brito trouxe tudo pessoalmente enquanto você não estava. Ele disse que, já que a mesa estava vazia, poderia ser usada.

A Professora Dias de quem ele falava era Beatriz.

Um mês atrás, ela havia se divorciado do marido e voltado para Cidade Mar para trabalhar.

Atualmente, ela era professora substituta na escola, apenas uma funcionária temporária.

Soltei uma risada de desdém, empurrei as coisas da mesa para o chão e comecei a organizar as minhas.

Quando estava quase terminando de arrumar, ouvi um grito repentino atrás de mim.

Beatriz estava parada na porta, seguida por Vitor, que tinha dito que me acompanharia.

— Vitor, olhe!

— Por que as minhas coisas estão jogadas no chão?
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