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Despedida para Sempre
Despedida para Sempre
Auteur: Gaia

Capítulo 1

Auteur: Gaia
No terceiro dia após a morte do meu pai, Vitor ainda não havia aparecido.

— Sr. Caio, eu já me decidi. Vou seguir a última vontade do meu pai e ficar aqui para dar aula às crianças.

Falei com firmeza para o chefe da vila, Sr. Caio, enquanto arrumava minhas malas.

O homem hesitou por um momento e aconselhou:

— Criança boba, foi tão difícil para você sair daqui. Por que voltar para este lugar pobre para sofrer?

Balancei a cabeça e olhei para o relógio gasto em meu pulso, a única lembrança deixada pelo meu pai.

— Eu não tenho medo de sofrer. Me dê sete dias, vou pedir o divórcio.

Às sete da noite, finalmente voltei para a nossa casa na base militar.

A comida na mesa ainda estava lá, exatamente como antes de eu sair.

Assim que larguei a mala, ouvi passos na porta.

Vitor, alto e vestido em um uniforme impecável, entrou com uma voz fria:

— Ainda tem comida? O refeitório fechou. Esquente um pouco e coloque na marmita para mim, vou levar para a Beatriz.

— Ela esteve doente nos últimos dois dias e não tem como cozinhar.

Me virei, revelando meu rosto pálido e abatido:

— Acabei de chegar, não fiz comida.

Vitor franziu a testa. Não perguntou onde eu estive, nem se importou com a minha aparência exausta.

Após ouvir a resposta, foi direto para a cozinha.

Naquele momento, sua mente estava completamente focada na saúde do seu primeiro amor.

Fiquei parada, observando-o fritar um ovo e preparar um macarrão sem nenhuma habilidade.

Em cinco anos de casamento, aquela era a primeira vez que ele cozinhava.

Desde que Beatriz Dias se divorciou e voltou para Cidade Mar, eu já tinha visto isso acontecer vezes demais.

Colocando o macarrão na marmita, Vitor tentou passar por mim para sair, mas eu o impedi.

— Vou precisar voltar para a minha terra natal em alguns dias. Assine o pedido para mim, assim poderei conseguir a carta de autorização.

Pegando o pedido de divórcio ainda incompleto, pedi que ele assinasse no espaço em branco.

Vitor hesitou por um segundo e assinou diretamente, sem sequer olhar.

— Nos últimos dias a Beatriz esteve doente e eu não tive tempo. Quando ela melhorar, eu te acompanho até lá.

Abaixei o olhar, escondendo os cantos avermelhados dos meus olhos.

— Tá bem.

Quando ele passou por mim, senti o cheiro de um creme facial caro nele.

Era um creme que eu nunca tive coragem de comprar, mas que seu primeiro amor usava com frequência.

Quando o portão do quintal se fechou completamente, caminhei rigidamente até a mesa de jantar e dobrei o papel com cuidado.

Uma semana atrás, o Sr. Caio havia me ligado, dizendo que meu pai sofrera um derrame cerebral repentino enquanto dava aula e estava na sala de emergência.

Entrei em pânico na mesma hora, corri para casa e segurei Vitor, que estava prestes a sair.

— Você pode me acompanhar até a minha cidade? O meu pai...

Antes que eu pudesse terminar de falar, a voz de Beatriz veio do lado de fora:

— Vitor, ande logo! Você prometeu que ia fazer compras comigo.

Ao ouvir a voz dela, Vitor perdeu a paciência imediatamente. Ele soltou a minha mão e saiu, deixando apenas uma frase para trás:

— Tenho coisas para fazer. Vá primeiro, quando eu tiver tempo, vou atrás de você.

E essa espera durou sete longos dias.
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