LOGINPOV Vinorca JonaTrês anos atrás:— Feliz aniversário, minha querida irmã — disse ele, entrando no meu quarto.Pulei de susto no momento em que ele trancou a porta, desejando-me um feliz aniversário de quinze anos. Foi uma visita totalmente indesejada, e o que tornava tudo pior era o fato de ele ter entrado sem avisar. Sempre que precisava de algo, ele me mandava ir ao seu quarto.Isso é estranho.— Qual é o problema, Vinorca? Por que essa cara? Seu irmão não pode lhe desejar feliz aniversário? — Ele se aproximou, deixando-me ansiosa. A temperatura do meu corpo caiu, enviando calafrios pela minha espinha.— Obri... gada — gaguejei. Como eu poderia falar normalmente em uma situação dessas?— Só um obrigado? Nenhum abraço, nada? — Ele parou bem na minha frente, encarando-me da cabeça aos pés, examinando-me sem deixar um único centímetro de fora. Mesmo estando totalmente vestida, senti-me nua sob o seu olhar.— Mhm — tentei falar, mas ele colocou o dedo sobre os meus lábios, silenciando-
POV Vinorca JonaAssenti. — Obrigada, senhor — falei, levantando-me para sair.— Seja lá o que tenhamos conversado hoje, guarde segredo — acrescentou ele.Sem responder, saí da sala, os pensamentos em turbilhão. Ele queria me controlar. Não bastava me fazer sofrer em casa? Agora, até na faculdade, ele não me deixava em paz. Desgraçado.— Vin!A voz de Amanda me assustou. Ela correu até mim e me abraçou com força, quase me esmagando. Fiquei agradecida por não haver mais ninguém por perto para ver o meu constrangimento.— O que aconteceu, Amanda? — perguntei, ouvindo-a chorar.— Meu pai mandou o Lewis para o exterior, para continuar os estudos — ela chorou, os soluços ecoando no corredor vazio.— Como assim? Por quê? Ele estava aqui até ontem — falei, a cabeça girando. Aquilo só podia ser coisa do Dante. Era isso que ele queria dizer quando falou que garantiria que eu nunca mais visse o Lewis.— Nem eu sei. Ele simplesmente fez isso, sem motivo nenhum. O Lewis ficou com tanta raiva e tã
POV Vinorca Jona— Você queria que eu viesse, então vim — respondi depressa, reparando em como ele estava atraente sob a luz. Mas, por trás da beleza, ele não passa de um manipulador que se alimenta da minha dor sem o menor remorso.— Eu nunca pedi que você viesse a esta hora, coelhinha. Se quer outra coisa de mim, é só dizer. Não precisa ter vergonha — disse ele, aproximando-se, e a presença dele fez o meu corpo inteiro tremer.— Por favor — implorei, fechando os olhos, arrepiada com o hálito de menta dele.— Por favor o quê, coelhinha? Se você não quer dormir comigo, então não venha ao meu quarto a esta hora. É perigoso ficar a sós com um homem como eu. Eu também tenho necessidades — disse ele, com frieza.Uma lágrima escorreu pelo meu rosto ao ouvi-lo. Por que ele faz esses jogos? Ele me chamou, e agora age como se eu tivesse me atirado nos braços dele. Eu preferiria me atirar nos braços de um cadáver. Os anos de tortura ainda me assombram, e nunca vou conseguir esquecer.— Ai — si
POV Vinorca Jona— Onde você estava?— Dante? — murmurei, sentindo uma onda de dor quando ele me prensou contra a parede.— Ah! Fico feliz que se lembre do meu nome, mas eu te fiz uma pergunta. Que tal me dar uma resposta? — Ele falou, o hálito soprando no meu rosto.— Eu estava... na faculdade — gaguejei, sem saber o que ele queria que eu dissesse.— É mesmo? Posso confiar nisso? — Ele me questionou, a mão subindo do meu ombro para o meu pescoço, e eu arfei de medo quando ele apertou.— Sim — respondi, tentando manter a voz firme.— Vinorca, sabe o que eu mais odeio?Como eu ia saber o que ele mais odeia? Ainda assim, uma coisa eu sei: ele com certeza me odeia, do fundo do coração.— Responda, Vinorca! — gritou ele, e eu dei um pulo, o corpo inteiro tremendo de medo.— Não sei — respondi de imediato, sem nem ver o rosto dele. Mesmo no quarto escuro, deu para perceber que ele estava furioso, mas por quê? — Foi você quem ligou, não foi? — continuei.— Vou te dizer: o que eu mais odeio
POV Vinorca JonaTrim... Trim...O meu celular tocou, mas ignorei. Eu não tinha ninguém importante que fosse me ligar.Deixando de lado os pensamentos sobre a ligação, me concentrei no que Lewis dizia.Foi erro meu não ter contado nada a eles antes. Eu só não queria que os outros sentissem pena de mim, e nem sequer sabia como os meus pais tinham morrido.O que eu poderia dizer a alguém que perguntasse?Naquela faculdade, as notícias corriam feito fogo em palha seca. Apesar de confiar em Amanda e Lewis, eu não queria envolvê-los a ponto de a verdade trazer dor a eles e a mim.— Ela só não se sente à vontade para falar, Lewis. Não tem a ver com sermos amigos. A gente não pode obrigá-la a falar do que ela não quer. Esse é um assunto delicado para ela — Amanda me defende, entendendo a situação.Era exatamente por isso que eu nunca quis contar os detalhes da morte dos meus pais.Eu já tinha pensado em contar a Amanda e Lewis, mas sempre tive medo da reação deles.— Desculpa, Vin. Por favor
POV Vinorca Jona— Claro — disseram os dois ao mesmo tempo, antes de me deixarem em paz.— Mas o que é isso? Sou amiga de vocês dois. Não precisa brigar desse jeito — falei, rindo.— Mas esse idiota não entende. Ela sempre me faz sentir que eu não sou seu amigo. Como se você fosse amiga só dela — reclamou Lewis, com cara de criança.— Ele tem razão. Você só conheceu a Vinorca e virou amiga dela por minha causa. Então seja grata — xingou Amanda, revirando os olhos.Ela tinha razão. Eu costumava me sentir sem jeito perto deles, mas, nos três anos desde então, as coisas melhoraram. Passamos juntos pelo ensino médio e agora estávamos na faculdade.O ciúme dos dois era lisonjeiro, mas os xingamentos entre eles eram desnecessários.— E daí? Ela está mais próxima de mim agora. E olha a língua. Eu ainda sou mais velho que você. Não tem como falar assim com o seu irmão mais velho.— Hahaha! Hahaha! — Caí na gargalhada.Sempre que Lewis dizia que era mais velho, eu não conseguia segurar o riso.







