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Afinar

작가: KaiKitto
last update 게시일: 2026-11-01 22:35:56

POV Vinorca Jona

— Claro — disseram os dois ao mesmo tempo, antes de me deixarem em paz.

— Mas o que é isso? Sou amiga de vocês dois. Não precisa brigar desse jeito — falei, rindo.

— Mas esse idiota não entende. Ela sempre me faz sentir que eu não sou seu amigo. Como se você fosse amiga só dela — reclamou Lewis, com cara de criança.

— Ele tem razão. Você só conheceu a Vinorca e virou amiga dela por minha causa. Então seja grata — xingou Amanda, revirando os olhos.

Ela tinha razão. Eu costumava me sentir sem jeito perto deles, mas, nos três anos desde então, as coisas melhoraram. Passamos juntos pelo ensino médio e agora estávamos na faculdade.

O ciúme dos dois era lisonjeiro, mas os xingamentos entre eles eram desnecessários.

— E daí? Ela está mais próxima de mim agora. E olha a língua. Eu ainda sou mais velho que você. Não tem como falar assim com o seu irmão mais velho.

— Hahaha! Hahaha! — Caí na gargalhada.

Sempre que Lewis dizia que era mais velho, eu não conseguia segurar o riso. Ele não agia conforme a idade; aos dezoito anos, se comportava como uma criança de oito.

— Viu, até a Vinorca não acredita — Amanda entrou na risada.

— Vin, isso não está certo de jeito nenhum. — Ele beliscou as minhas bochechas.

Continuei rindo.

Ele era a única pessoa, além do meu pai, que me chamava por esse nome.

Fiquei emocionada na primeira vez que ele me chamou de Vin, mas agora o apelido me fazia sentir perto dele, como se eu tivesse uma família. Por isso, eu o guardava com carinho.

— Aiii. — Dei uma risadinha enquanto o rosto de Lewis ficava vermelho ao beliscar as minhas bochechas. Ele estava corando feito louco.

— Suas bochechas são tão macias, Vin.

Agora era a minha vez de corar. Ele sabia fazer um elogio.

A conversa mansa dele me fazia corar, embora eu soubesse que era errado. Mas era bom ser mimada.

Ele era o único garoto de quem eu era próxima, e o único com quem eu me sentia à vontade.

Mesmo conhecendo Dante desde que nasci, eu não me sentia próxima dele.

Mas com Lewis, mesmo em apenas três anos, senti calor humano.

— Olha só como você está corando, Vin fofa — provocou ele.

Eu sabia que devia estar vermelha como um tomate.

— Não provoque a minha amiga — Amanda me defendeu, bancando a protetora.

Eu com certeza precisava disso!

— Sei, tá bom. — Lewis ignorou as palavras dela e então perguntou: — E aí, o que vocês duas vão fazer hoje? Que tal a gente comer junto?

— Eu perguntei à Vinorca, mas ela disse que não pode. Tem o trabalho de meio período — respondeu Amanda, triste.

Eu sabia que ela queria passar tempo comigo, mas ganhar dinheiro era mais importante. Eu não podia me dar ao luxo de faltar ao trabalho; faltar um dia significava ficar sem refeições.

Dante tinha voltado, o que queria dizer que eu precisava tomar cuidado com o meu emprego, ou ele faria questão de que eu o perdesse.

Ele queria me ver fraca, me ver implorar para poder me controlar.

— Por que você é sempre assim, Vin? Nem um dia para os seus amigos? Você está ficando mais magra a cada dia. Isso não é nada bom — Lewis se juntou à preocupação de Amanda.

— Magra eu não estou. Só estou tentando manter a forma — menti. Eu nem ligava para o meu corpo.

Mas não podia deixar que eles soubessem; já se sentiam mal ao ver o meu estado, que eu tentava esconder, mas que muitas vezes acabava transparecendo.

— Ridículo! Quem foi que te disse isso? Vou dar uma surra nessa pessoa. Você não precisa fazer dieta; já parece que os seus ossos vão aparecer — disse Lewis, irritado, erguendo a minha mão como se fosse de papel para provar o que dizia.

— É, pela primeira vez concordo com o Lewis. Quem te disse isso? Você nem precisa de dieta. Já é tão linda. Olha para mim, pareço gorda do seu lado, mesmo sendo saudável — Amanda fez beicinho, concordando com o irmão.

— Mas isso me faz sentir segura — confessei.

Eu tinha insegurança com o meu corpo. Mesmo sem condições de pagar refeições decentes, às vezes eu sentia que não conseguia comer nem as que comprava; era horrível.

Meu apetite tinha diminuído, e eu muitas vezes sentia enjoo, ou vontade de vomitar, se comesse duas refeições por dia.

Eu não conseguia acreditar que já fui tão gulosa. Tudo mudou, e agora eu só me sentia feia dentro do meu corpo. As inseguranças me consumiam.

— Pronto, está decidido, vamos sair para jantar, e eu não aceito "não" como resposta. É bom você arrumar um tempo. A gente pode ir depois do seu trabalho, então não vai ter problema — declarou Lewis, com a voz firme.

— Sim, vamos fazer isso. — Amanda concordou, o que era incomum para ela, mas os dois irmãos estavam fazendo aquilo por mim.

Cerrei o punho de ansiedade e cravei as unhas na palma da mão.

Não havia como eu sair com eles; Dante me mataria.

Ter um emprego de meio período já era loucura suficiente. Se eu chegasse em casa mais tarde que o normal, só causaria mais caos.

Ele não sabia do meu emprego de meio período; eu o mantinha escondido porque era o melhor para mim.

Ele não era burro, mas eu tinha dito à chefe das empregadas que daria aulas particulares na faculdade.

Isso bastava para esconder o meu trabalho de bibliotecária. Mas esse jantar me desmascararia.

E se ele descobrisse que agora eu tinha amigos? Faria Amanda e Lewis sofrerem. Eu não podia deixar que isso acontecesse.

Merda! Xinguei mentalmente.

Eu não tinha mais desculpas; eles toparam sair depois do meu trabalho. Como eu ia escapar disso?

— Meu irmão nunca vai concordar. Ele odeia quando eu saio até tarde — falei, ansiosa.

Essa desculpa esfarrapada saiu da minha boca. Claro que não preencheu a lacuna.

Eu não era criança para precisar de permissão do irmão, ou talvez isso ajudasse?

— Que irmão? Eu nunca soube que você tinha um irmão — perguntou Lewis.

Dei um tapa na testa mentalmente. Como pude esquecer? Eu tinha acabado de contar à Amanda, mas o Lewis não sabia.

— Ela tem, sim. Ele é o tutor dela; ela é órfã — explicou Amanda, e fiquei grata por isso.

Ela sempre me ajudava quando eu não sabia como responder. Tomava para si a tarefa de me socorrer.

— Como você pôde esconder isso de mim? Não é assim que se trata alguém de quem você diz ser próxima — Lewis expressou o choque e a decepção.

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