LOGINPOV Vinorca Jona
Trim... Trim... O meu celular tocou, mas ignorei. Eu não tinha ninguém importante que fosse me ligar. Deixando de lado os pensamentos sobre a ligação, me concentrei no que Lewis dizia. Foi erro meu não ter contado nada a eles antes. Eu só não queria que os outros sentissem pena de mim, e nem sequer sabia como os meus pais tinham morrido. O que eu poderia dizer a alguém que perguntasse? Naquela faculdade, as notícias corriam feito fogo em palha seca. Apesar de confiar em Amanda e Lewis, eu não queria envolvê-los a ponto de a verdade trazer dor a eles e a mim. — Ela só não se sente à vontade para falar, Lewis. Não tem a ver com sermos amigos. A gente não pode obrigá-la a falar do que ela não quer. Esse é um assunto delicado para ela — Amanda me defende, entendendo a situação. Era exatamente por isso que eu nunca quis contar os detalhes da morte dos meus pais. Eu já tinha pensado em contar a Amanda e Lewis, mas sempre tive medo da reação deles. — Desculpa, Vin. Por favor, não chora — a voz arrependida de Lewis me traz de volta à realidade. Toco o rosto e percebo que as lágrimas escorrem sem que eu note. Sinto-me fraca e quero correr para me esconder, mas, com Lewis e Amanda ao meu lado, fugir não é uma opção. — Olha o que você fez, seu babaca. Ela está chorando por sua causa — xinga Amanda, tentando me consolar com um abraço apertado. Emocionada e sem forças, deixo-me desmanchar ainda mais no abraço dela. Começo a soluçar alto, não por causa do que Lewis disse, mas porque aquele calor me permite encarar a dor que venho sufocando. Ele arranca a armadura que eu tinha erguido para esconder as minhas emoções. — Desculpa, Vin. Eu me senti traído porque você não me contou isso antes. Achei que não me considerasse seu amigo. Por favor, não chora — Lewis pede desculpas sem parar, a voz carregada de ansiedade. Continuo soluçando sem controle. Por que os dois insistem em me mimar desse jeito? Será que não podem me tratar como tratam todo mundo? Ou, quem sabe, eu queira que os outros me tratem como Amanda e Lewis tratam. Eles estabeleceram um padrão alto para mim, ao contrário de Dante, que destruiu a minha autoestima. Essa é uma das razões pelas quais encontrei coragem para me posicionar contra ele. Eu nunca conseguia nem olhá-lo nos olhos, muito menos levantar a voz ou dar a minha opinião. Parecia um sonho. — Não chora por causa desse idiota. Ele não sabe se comportar. Só sabe estragar o humor dos outros — Amanda dispara, desfazendo o abraço. Levanto a cabeça enquanto Lewis me entrega o lenço dele. Enxugo as lágrimas e assoo o nariz, tentando recuperar a compostura. — Você está horrível. Lágrimas não combinam com você, Vin — Lewis provoca, puxando o lóbulo da orelha para mostrar seu arrependimento. Sei que ele não quer me magoar de forma alguma. As palavras dele não me afetam; é o estresse esmagador e a carga de emoções que me deixam assim. Em busca de paz, aconchego-me no peito de Lewis, inspirando o cheiro másculo e tranquilizador dele, que acalma os meus sentidos. Sem saber explicar, não quero que Lewis descubra a situação desesperadora em que me encontro. Ele estende a mão e toca a minha testa. — Parece que você está com febre. Num gesto rápido, Lewis tira o cachecol e o enrola no meu pescoço, o que me arranca um sorriso. — Se você ficar doente, a Amanda vai te dar sermão de novo. Olhando para ele, sinto o coração disparar um pouco. O sorriso dele é caloroso, como o sol. Ele é o segundo homem mais bonito que já conheci, sendo o primeiro Dante, é claro. Por um instante, meus pensamentos se fixam em Dante, e olho depressa ao redor, conferindo se ele está por perto. Talvez eu esteja ficando atenta demais, pois não quero a presença dele. Nesse momento, Lewis pergunta, curioso: — Está procurando alguém? Gaguejo: — Não, não. — Mas não consigo afastar a vaga sensação de que alguém me observa das sombras. Pode ter sido imaginação, mas não consigo me livrar da inquietação. — Agora chega, vocês dois. Lewis, você está sendo cringe — Amanda ri, enquanto nos separamos do abraço. — Eu só quero te pagar um jantar, Vin. Você já está na faculdade. Não precisa de permissão do seu irmão, certo? — pergunta Lewis, visivelmente irritado. Afasto os pensamentos. Conheço esses dois há três anos, e eles sempre me apoiaram emocionalmente. Não posso me punir pelos erros de outra pessoa. — Está bem, vamos — respondo, e nos abraçamos os três. Os curiosos ao redor nos encaram como se tivéssemos perdido o juízo. — Assim que eu gosto, Vin. — Os dois sorriem, e sinto gratidão. Já foi um dia caótico, e comer alguma coisa não vai me fazer mal. — Bora arrasar — declara Amanda, animada. Aonde ela vai, a diversão vai junto. Ela é uma pessoa tão cheia de vida, ao contrário de mim, que sou chata de doer. Os três nos levantamos juntos, de mãos dadas como crianças. Não parece estranho; pelo contrário, traz uma sensação de conforto. De mãos dadas, saímos felizes da sala. — Relaxa, garota. Por que você está olhando para todo lado? — pergunta Amanda, notando a minha inquietação. Sorrio e balanço a cabeça, indicando que não há nada de errado. Depois de aproveitarmos a refeição, me despeço de Lewis e Amanda. Ao sair, fui até o meu emprego de bibliotecária, mas estava fechado. Talvez a ligação fosse de lá, avisando que hoje não haveria expediente. Fico feliz, porque não quero me atrasar. Chego à casa da matilha e, sem perder tempo, sigo para o meu quarto. Ao entrar, noto como ele é pequeno comparado aos outros cômodos desta casa. Parece ter sido feito especialmente para mim, embora não seja o menor quarto possível para uma pessoa sozinha como eu. Mesmo assim, é o bastante para eu viver em paz. — Ahhhh!POV Vinorca JonaIgnorei a voz que reverberava em meus ouvidos, causando-me arrepios. Nunca na vida imaginei que desmoronaria dessa forma, aterrorizada até o fundo da alma. Eu só queria bloquear qualquer som da minha mente enquanto meus pensamentos se seguravam por um fio.— Abra a porta, Vinorca! — Alguém bateu com força. Tapei os ouvidos, sentindo a ansiedade crescer além de tudo o que eu jamais poderia ter imaginado.— Por favor, vá embora! — respondi, sem forças.— Estou ouvindo você, Vinorca. Sei que está aí dentro. Por que diabos não responde nem abre a porta? Isso não vai acabar bem se continuar agindo como uma garota mimada.Encolhi meu corpo com força, desejando desaparecer. Eu não queria encará-lo de jeito nenhum. Sabia quem estava lá fora. Ele já tinha chegado? Como o tempo tinha passado tão rápido. Por que parecia que eu tinha acabado de me sentar e ele já estava ali? Era por isso que eu não tinha coragem de encará-lo.— Eu não consigo — murmurei, com o corpo todo tremendo
POV Vinorca JonaTrês anos atrás:— Feliz aniversário, minha querida irmã — disse ele, entrando no meu quarto.Pulei de susto no momento em que ele trancou a porta, desejando-me um feliz aniversário de quinze anos. Foi uma visita totalmente indesejada, e o que tornava tudo pior era o fato de ele ter entrado sem avisar. Sempre que precisava de algo, ele me mandava ir ao seu quarto.Isso é estranho.— Qual é o problema, Vinorca? Por que essa cara? Seu irmão não pode lhe desejar feliz aniversário? — Ele se aproximou, deixando-me ansiosa. A temperatura do meu corpo caiu, enviando calafrios pela minha espinha.— Obri... gada — gaguejei. Como eu poderia falar normalmente em uma situação dessas?— Só um obrigado? Nenhum abraço, nada? — Ele parou bem na minha frente, encarando-me da cabeça aos pés, examinando-me sem deixar um único centímetro de fora. Mesmo estando totalmente vestida, senti-me nua sob o seu olhar.— Mhm — tentei falar, mas ele colocou o dedo sobre os meus lábios, silenciando-
POV Vinorca JonaAssenti. — Obrigada, senhor — falei, levantando-me para sair.— Seja lá o que tenhamos conversado hoje, guarde segredo — acrescentou ele.Sem responder, saí da sala, os pensamentos em turbilhão. Ele queria me controlar. Não bastava me fazer sofrer em casa? Agora, até na faculdade, ele não me deixava em paz. Desgraçado.— Vin!A voz de Amanda me assustou. Ela correu até mim e me abraçou com força, quase me esmagando. Fiquei agradecida por não haver mais ninguém por perto para ver o meu constrangimento.— O que aconteceu, Amanda? — perguntei, ouvindo-a chorar.— Meu pai mandou o Lewis para o exterior, para continuar os estudos — ela chorou, os soluços ecoando no corredor vazio.— Como assim? Por quê? Ele estava aqui até ontem — falei, a cabeça girando. Aquilo só podia ser coisa do Dante. Era isso que ele queria dizer quando falou que garantiria que eu nunca mais visse o Lewis.— Nem eu sei. Ele simplesmente fez isso, sem motivo nenhum. O Lewis ficou com tanta raiva e tã
POV Vinorca Jona— Você queria que eu viesse, então vim — respondi depressa, reparando em como ele estava atraente sob a luz. Mas, por trás da beleza, ele não passa de um manipulador que se alimenta da minha dor sem o menor remorso.— Eu nunca pedi que você viesse a esta hora, coelhinha. Se quer outra coisa de mim, é só dizer. Não precisa ter vergonha — disse ele, aproximando-se, e a presença dele fez o meu corpo inteiro tremer.— Por favor — implorei, fechando os olhos, arrepiada com o hálito de menta dele.— Por favor o quê, coelhinha? Se você não quer dormir comigo, então não venha ao meu quarto a esta hora. É perigoso ficar a sós com um homem como eu. Eu também tenho necessidades — disse ele, com frieza.Uma lágrima escorreu pelo meu rosto ao ouvi-lo. Por que ele faz esses jogos? Ele me chamou, e agora age como se eu tivesse me atirado nos braços dele. Eu preferiria me atirar nos braços de um cadáver. Os anos de tortura ainda me assombram, e nunca vou conseguir esquecer.— Ai — si
POV Vinorca Jona— Onde você estava?— Dante? — murmurei, sentindo uma onda de dor quando ele me prensou contra a parede.— Ah! Fico feliz que se lembre do meu nome, mas eu te fiz uma pergunta. Que tal me dar uma resposta? — Ele falou, o hálito soprando no meu rosto.— Eu estava... na faculdade — gaguejei, sem saber o que ele queria que eu dissesse.— É mesmo? Posso confiar nisso? — Ele me questionou, a mão subindo do meu ombro para o meu pescoço, e eu arfei de medo quando ele apertou.— Sim — respondi, tentando manter a voz firme.— Vinorca, sabe o que eu mais odeio?Como eu ia saber o que ele mais odeia? Ainda assim, uma coisa eu sei: ele com certeza me odeia, do fundo do coração.— Responda, Vinorca! — gritou ele, e eu dei um pulo, o corpo inteiro tremendo de medo.— Não sei — respondi de imediato, sem nem ver o rosto dele. Mesmo no quarto escuro, deu para perceber que ele estava furioso, mas por quê? — Foi você quem ligou, não foi? — continuei.— Vou te dizer: o que eu mais odeio
POV Vinorca JonaTrim... Trim...O meu celular tocou, mas ignorei. Eu não tinha ninguém importante que fosse me ligar.Deixando de lado os pensamentos sobre a ligação, me concentrei no que Lewis dizia.Foi erro meu não ter contado nada a eles antes. Eu só não queria que os outros sentissem pena de mim, e nem sequer sabia como os meus pais tinham morrido.O que eu poderia dizer a alguém que perguntasse?Naquela faculdade, as notícias corriam feito fogo em palha seca. Apesar de confiar em Amanda e Lewis, eu não queria envolvê-los a ponto de a verdade trazer dor a eles e a mim.— Ela só não se sente à vontade para falar, Lewis. Não tem a ver com sermos amigos. A gente não pode obrigá-la a falar do que ela não quer. Esse é um assunto delicado para ela — Amanda me defende, entendendo a situação.Era exatamente por isso que eu nunca quis contar os detalhes da morte dos meus pais.Eu já tinha pensado em contar a Amanda e Lewis, mas sempre tive medo da reação deles.— Desculpa, Vin. Por favor







