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Capítulo 3

Author: Crystal K
O banquete terminou.

— Alaina, você também vem — a voz de Cedric ecoou do topo da escada.

Ele claramente não tinha intenção de me deixar respirar, determinado a levar essa humilhação até o fim.

Ele olhou para mim, seus olhos como gelo.

— Você é minha melhor guardiã. Já está na hora de se acostumar com sua nova senhora.

A carruagem mágica aguardava do lado de fora.

Por instinto, me movi em direção ao assento do guarda.

Um único olhar de Cedric me fez parar.

— Sente-se atrás — ele ordenou.

Elsie, agarrada ao seu braço, deslizou para o assento principal espaçoso.

Fui empurrada para o canto apertado dos acompanhantes, lá atrás.

Uma figurante.

Durante o jantar, eu tinha tomado alguns Bloody Marys para manter meu sorriso perfeito e forçado.

O álcool não havia passado, deixando meus pensamentos lentos e meu sangue sagrado pesado nas veias.

Encostei no canto e fechei os olhos e quis apenas que aquela longa noite humilhante acabasse.

A carruagem entrou nas sombras da Floresta Sombria.

As garras do primeiro Cão das Sombras rasgaram o teto sem aviso.

— Abaixem-se! — Marcus rugiu, fazendo a carruagem virar bruscamente.

Os rosnados dos cães preencheram o ar enquanto suas flechas sombrias caíam sobre a carruagem.

— Droga! — os olhos de Cedric brilharam em vermelho. — Vira-latas de clã rival!

Imediatamente, tentei invocar meu poder de guardiã, mas a força no meu sangue parecia envolta em uma névoa espessa, lenta e pesada.

Droga, o álcool!

Só consegui sacar minha adaga de prata e revidar pela janela traseira, do jeito antigo.

Elsie gritou e se encolheu nos braços de Cedric.

Ele a protegeu com o próprio corpo enquanto contra-atacava com maldições de sangue.

— Não tenha medo, meu amor. Estou aqui.

O núcleo mágico da carruagem recebeu um impacto direto.

Ela girou fora de controle, colidindo contra uma árvore gigante e morta.

Então eu vi.

Um enorme cão alfa mutante formava uma esfera de pura energia sombria — devastadora.

— Esfera de energia! — gritei.

O tempo pareceu desacelerar.

A esfera de sombra veio em nossa direção, deixando um rastro de luz negra e roxa.

Naquele instante, Cedric fez sua escolha.

Ele agarrou Elsie, puxando-a para debaixo de si, usando suas costas indestrutíveis como escudo.

Então, ele levantou o pé.

Com toda a força, chutou a porta ao meu lado.

A força imensa me lançou para fora da carruagem.

Eu entendi sua intenção. Ele estava me usando para absorver parte do impacto, para criar um espaço mais seguro para ele e Elsie.

Era apenas mais uma das formas como ele estava acostumado a me "usar".

Ele nem considerou. Nunca pensou que a mulher que bebeu apenas para sobreviver ao seu jantar não seria capaz de invocar todo o seu poder.

BOOM!

Uma nuvem de energia negro-violeta engoliu tudo.

A onda de choque, misturada com a magia vil dos Cães das Sombras, me arremessou contra uma parede de rocha distante.

Meu poder de guardiã, suprimido pelo álcool, conseguiu formar apenas uma fraca barreira, que se despedaçou instantaneamente.

Fragmentos de energia sombria caíram como lâminas superaquecidas, cortando profundamente minha pele.

Senti a dor aguda das costelas quebradas enquanto uma golfada de sangue quente escapava dos meus lábios e turvava minha visão.

Eu o vi sair dos destroços. Elsie estava segura em seus braços.

Seu traje estava rasgado, mas seus olhos estavam firmes.

Ele acariciou suavemente o cabelo dela, sussurrando palavras de consolo, e então se teletransportou com ela para um lugar seguro.

Ele nem sequer olhou para trás.

Fiquei deitada no chão frio, ouvindo o chiado da energia sombria residual devorar as árvores e o som da minha própria respiração se apagar.

Então a escuridão me tomou.

Quando abri os olhos, eu estava na câmara secreta de cura do clã.

— Você acordou — disse o médico idoso, Elias, verificando minhas pupilas. — Você teve sorte. Marcus a tirou do local pouco antes da explosão principal.

— Onde está Cedric? — minha voz saiu rouca.

— O lorde está com a princesa Elsie — disse o médico, hesitando. — Ela ficou bastante assustada.

Minhas feridas reais, o susto superficial dela. Tão precioso.

Fechei os olhos, engolindo o amargor.

Mas uma pequena voz, no fundo do meu coração, gritava.

Eu precisava ver. Depois de me usar como escudo, depois de me deixar para morrer… ele sentiu sequer um resquício de culpa?

Provavelmente era a última fantasia tola da garota que o amou por um século.

— Doutor — abri os olhos novamente, minha voz assustadoramente calma. — Ligue o cristal de vidência.

A esfera de cristal na parede se iluminou, exibindo imagens mágicas de todo o castelo.

Mudei para o quarto de Elsie.

Ela estava em uma camisola de seda branca, apoiada fracamente contra o travesseiro.

Cedric estava sentado na beira da cama, dando algo a ela com uma colher de prata.

Era o sangue do seu próprio coração. A essência vital mais preciosa de um vampiro.

Seus movimentos eram tão suaves, como se estivesse cuidando de um tesouro inestimável.

— Quase te perdi — sua voz tremia de medo. — Não posso viver sem você, Elsie.

— Eu sei. Você me salvou — ela sussurrou, tocando o rosto dele. — Você é meu herói.

Então, Cedric tirou uma rosa cristalina do bolso.

Meu coração parou.

Era uma Rosa de Gelo Eterna, esculpida de gelo eterno, com uma única gota do sangue do seu coração selada em seu núcleo.

O mais alto símbolo de um pedido de casamento no clã Thorne.

Ele se ajoelhou sobre um joelho. Ergueu a rosa.

— Case-se comigo — ele disse, olhando para ela, seus olhos cheios de amor. — Não pelo clã. Não por uma aliança. Apenas porque… eu te amo.

Elsie começou a chorar de alegria. — Sim! Claro que eu aceito!

Ele colocou a Rosa de Gelo na palma da mão dela e beijou o dorso de sua mão.

Fiquei olhando para o cristal de visão até que minha própria magia o reduziu a pó.

Então ele sabia amar.

Ele só nunca me amou.
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