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Capítulo 4

Penulis: Crystal K
Três dias depois, a porta do meu quarto se abriu.

Cedric entrou com Elsie apoiada em seu braço.

O anel de pedra de sangue em seu dedo anelar esquerdo, símbolo da aliança de seu clã, brilhava em um vermelho ofuscante.

A Rosa de Gelo Eterna, com a qual sonhei por um século, agora era um broche preso ao seu peito, uma declaração de sua vitória.

— Alaina — a voz de Cedric era indiferente. — Como você está se sentindo?

— Viva — respondi com a voz rouca. — Decepcionado?

A sobrancelha de Cedric se contraiu, como se estivesse surpreso com minha calma.

Elsie caminhou até a beira da minha cama, seu rosto uma máscara de falsa preocupação. — Eu queria te ver. Ouvi dizer que você ficou gravemente ferida nos protegendo. Você é tão corajosa.

Nos protegendo.

Que piada de merda.

— Apenas cumprindo meu dever — respondi, meu rosto inexpressivo.

— Sua lealdade é realmente comovente — disse Elsie, um lampejo de triunfo descarado nos olhos.

Nesse momento, uma sombra negra voou pela janela e pousou no meu ombro.

Era um corvo. Suas penas eram negras como tinta, reluzindo com uma estranha luz vermelho-sangue.

Seu nome era Nyx.

Ele era um familiar mágico, nascido do nosso sangue e da nossa magia, misturados quando selamos nosso Pacto do Guardião.

Ele era nosso segredo mais profundo.

E minha única família naquele castelo frio.

Um lampejo de ciúme e repulsa cruzou o rosto de Elsie. Ela se virou para Cedric, com a voz enjoativamente doce.

— Querido, o familiar de Alaina é tão especial, mas… sua escuridão está toda nele. Isso me lembra um passado do qual não faço parte. Me deixa… desconfortável.

Cedric congelou.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

Então, deu uma ordem ao diácono de magia negra do castelo.

— Faça Malachi trazer seu Altar de Purificação para a câmara de cura. Agora.

Meu sangue gelou.

Malachi era o diácono responsável por lidar com bestas corrompidas e purificar linhagens.

O que ele estava prestes a fazer seria mais cruel do que simplesmente matar Nyx?

Não.

Ele não faria…

Vinte minutos depois, Malachi entrou carregando um antigo baú de obsidiana.

Ele olhou para mim na cama, depois para Cedric, confuso. — Meu lorde, tem certeza… de que deseja realizar o ritual de "Purificação de Sangue" aqui?

Achei que ele fosse matar Nyx, apagar o último segredo entre nós.

Eu estava errada.

A verdade era mil vezes mais cruel.

— Aqui mesmo — disse Cedric, puxando magicamente Nyx, em pânico, do meu ombro e suspendendo-o no ar.

Aquele corvo de vermelho-sangue era uma vida que eu criei junto com o sangue do coração dele e o sangue sagrado da minha família, depois de receber uma maldição fatal por ele pela centésima vez.

Único no mundo.

— Purifique-o — ordenou a Malachi, apontando para Nyx. — Use o sangue puro da princesa. Lave dele cada vestígio dessa sujeira humana.

— Meu lorde! — a voz de Malachi ficou tensa. — Tem certeza? Purificar à força um familiar… ele sofrerá uma dor imensa, seu espírito pode até colapsar!

— Faça o que eu digo — o tom de Cedric era absoluto.

Eu não lutei nem implorei, como ele esperava.

Apenas me sentei lentamente na cama e o encarei com um olhar frio como gelo.

— Esta é a última coisa que nos liga — eu disse, minha voz perigosamente calma. — Tem certeza de que quer destruí-la com suas próprias mãos?

Minha calma o deixou inquieto e acendeu um lampejo de pânico.

Ele desviou o olhar, recusando-se a encontrar o meu, e falou com o tom ainda mais frio e firme: — Cale-se. Isso não tem nada a ver com você.

Nada a ver comigo.

Não disse mais nada. Apenas observei.

Observei enquanto ele, por outra mulher, torturava pessoalmente até a morte o último vestígio da nossa história.

O encantamento de purificação ecoou pelo quarto silencioso — um grito que rasgava a alma.

Nyx soltou um grito lancinante, não como um pássaro, mas como um bebê sendo despedaçado vivo.

Vi a bela luz vermelho-sangue sendo arrancada dele à força e se dissipar em fumaça negra.

Suas penas negras caíam em tufos, revelando a pele crua e ensanguentada por baixo.

Meu coração parecia estar sendo dilacerado pelo mesmo feitiço. A dor era insuportável.

Mas meu rosto permaneceu inexpressivo.

Eu apenas gravei essa dor, esse ódio, até o fundo dos meus ossos.

Observei a vida que eu criei, o símbolo do nosso passado, ser atormentada, devorada e consumida pelo "sangue puro", que representava sua nova aliança, sua nova companheira.

Cedric ficou ao lado, observando com o rosto vazio.

Seus olhos nunca saíram de Elsie.

— Vai doer? — perguntou Elsie, enxugando com um lenço o suor inexistente na testa de Cedric, sua voz cheia de preocupação fingida.

— Coisas antigas precisam ser purificadas — a voz de Cedric não tinha calor algum, mas seus olhos permaneciam nela. — Um pouco de dor é preciso para dar boas-vindas a um novo começo.

Uma hora depois, o ritual terminou.

Nyx já não era mais Nyx.

Suas penas, antes negras como a noite, agora eram de um branco opaco e sem vida.

A luz vermelho-sangue havia desaparecido para sempre.

Ele estava deitado no altar, mal respirando, olhando para mim com olhos de um estranho, cheios de medo.

— Perfeito — sussurrou Elsie, estendendo a mão. O corvo branco hesitou, então voou até o seu braço. Ela lhe deu um novo nome. — A partir de agora, você se chamará Lumi.

Cedric olhou para o estranho corvo branco, para a forma como ele roçava afetuosamente o rosto de Elsie.

Ele deu a Elsie um sorriso fraco, mas satisfeito.

— Sim — disse ele, mas seu olhar me encarou.

— Agora, ele pertence apenas a você.
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