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Capítulo 2

Author: Crystal K
O que eu nunca contei a Cedric era que o Pacto do Guardião não era eterno.

Quando um guardião protege seu lorde por 9.999 vezes, o pacto dessa geração é automaticamente cumprido.

O guardião fica livre para partir quando quiser.

Eu poderia ter ido embora há dez anos, mas eu desejava o prazer de estar ao lado dele, ansiava por nosso próprio vínculo eterno. Ignorei o chamado da minha família para retornar.

Agora desliguei todas as minhas comunicações mágicas.

Se fosse partir, faria isso por completo.

Às duas da tarde, o portão principal da minha casa ancestral foi arrombado por uma poderosa onda de magia.

O braço direito de Cedric, um servo de sangue chamado Marcus, invadiu com quatro guardas.

— Lady Alaina — a voz de Marcus era educada, mas sua mão já estava no punho da espada. — O lorde deseja vê-la.

Não levantei o olhar e continuei a consertar o antigo grimório rasgado diante de mim. — Diga ao seu lorde que estou ocupada.

— Receio que isso não seja um pedido.

Coloquei minhas ferramentas de lado e me levantei. — Então vai me arrastar de volta à força?

Marcus não negou.

— São ordens do lorde. Ele precisa que você esteja presente para mostrar à princesa Valerius e aos anciãos o vínculo inquebrável entre o clã Thorne e seus guardiões. Não torne isso feio.

Vinte minutos depois, a carruagem mágica parou diante do castelo do clã Thorne.

Este lugar já foi meu refúgio.

Agora era apenas uma gaiola dourada.

Fui "escoltada" até o meu antigo laboratório de magia.

No momento em que a porta se abriu, congelei.

O cômodo estava vazio.

Todos os meus pergaminhos mágicos, minha bancada de alquimia, o cacto de floração noturna que eu cultivei, nossa única fotografia mágica…

Todo vestígio da minha existência havia desaparecido, completamente apagado.

Em seu lugar havia uma decoração delicada, em estilo élfico.

No centro da parede pendia um enorme retrato mágico.

Era Elsie, vestida de branco, sorrindo como uma deusa da lua, intocada pelo mundo.

— Gostou? Elsie mesma escolheu — a voz de Cedric veio de trás de mim.

Ele usava um manto negro sob medida, com bordados mágicos. Impecável.

Elsie estava apoiada em seu braço, loira e de olhos azuis, como um anjo.

— Elsie — o tom de Cedric era indiferente — esta é Alaina. O recurso mais… capaz do nosso clã.

Os olhos azuis de Elsie brilhavam com inocência. Sua voz era doce.

— É um prazer conhecê-la. Cedric sempre diz que você é sua ajudante mais capaz. Sou muito grata por você cuidar de todos os assuntos tediosos do clã, os perigosos também. Mas não se preocupe. Em breve, você poderá descansar.

Ela estava me dizendo que, quando se casasse com Cedric, eu seria descartada.

— É uma honra servir ao clã — respondi com a voz carregada de amargura.

Cedric assentiu, satisfeito. Ele se virou para Elsie. — Meu amor, deixe-me apresentá-la aos anciãos.

Ele a abraçou e a conduziu em direção ao salão principal. Eu os segui como uma sombra.

Os anciãos do clã já estavam esperando.

Um deles, o Ancião Alaric, olhou de mim para Cedric e riu. — Cedric, Alaina esteve ao seu lado por tantos anos. Todos nós pensamos…

Cedric o interrompeu, sua voz fria como gelo.

— Ancião Alaric — seu rosto se fechou. — Não diga coisas que possam ser mal interpretadas.

Seu olhar veio até mim como uma lâmina; sua voz baixa, mas ecoando pela sala silenciosa.

— Eu preferiria caminhar sob o sol a entrar em um vínculo eterno com uma humana e manchar minha linhagem.

Baixei os olhos para esconder minha dor. Forcei um sorriso. — Ancião Alaric, o senhor entendeu errado. O lorde e eu sempre tivemos uma relação puramente profissional.

Por um momento, a expressão de Cedric congelou.

Ele não parecia esperar que eu colaborasse de forma tão obediente, tão decisiva.

Mas então um lampejo de aprovação cruzou seus olhos, como se admirasse uma ferramenta perfeitamente domada.

A tensão no salão se dissipou.

Elsie apertou mais o braço de Cedric e me lançou um sorriso triunfante.

Cedric passou por mim. Ele ergueu a mão. Por um segundo, achei que ele iria afagar minha cabeça como sempre fazia.

Mas ele parou. E ajeitou o cabelo de Elsie.

Ele se inclinou, sibilando em um rosnado baixo que só eu podia ouvir.

— Muito bem. Lembre-se do que disse esta noite. Não me decepcione.

O banquete começou.

Sentei-me sozinha na extremidade da longa mesa, observando Cedric e Elsie receberem as bênçãos de todos nos assentos de honra.

Cedric sentiu meu olhar, virou-se e nossos olhares se encontraram.

Ele ergueu sua taça de sangue em minha direção. Seu olhar era frio — aprovador. O olhar que um mestre dá ao seu cão bem treinado.

Ergui minha taça em resposta, um sorriso perfeito nos lábios.

Vamos ver se você ainda estará sorrindo em sete dias, Cedric, quando eu tiver desaparecido para sempre.

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