LOGINTayná descobriu que trabalhar para Isac Grier era muito mais difícil do que imaginara.Não porque ele fosse injusto.Pelo contrário.Isac era extremamente profissional.Exigente, sim.Frio, quase sempre.Mas nunca levantava a voz sem motivo, nunca a tratava com desrespeito e, até aquele momento, havia mantido exatamente a distância que ele mesmo estabelecera.E Tayná agradecia por isso.Ela ainda estava tentando reconstruir a própria vida.Não precisava de distrações.Muito menos de sentimentos.Naquela manhã, chegou à empresa alguns minutos antes das oito.Colocou a bolsa sobre a mesa, ligou o computador e começou a revisar a agenda de Isac.Havia uma reunião às nove.Uma videoconferência às onze.Um almoço com investidores às duas.E, no final do dia, uma reunião com o conselho da empresa.Tayná respirou fundo.— Dia tranquilo — murmurou.— Espero que sim.Ela se assustou.Isac estava parado atrás dela.— Bom dia.— Bom dia.Ele colocou uma pasta sobre sua mesa.— Preciso que esses
O primeiro dia de Tayná na Grier Enterprises começou antes mesmo de o sol nascer.Ela acordou às cinco e meia da manhã, embora seu despertador estivesse programado para tocar às seis.Não conseguira dormir direito.Passara boa parte da noite pensando na entrevista do dia anterior.Principalmente no homem que estaria esperando por ela naquela manhã.Isac Grier.Tayná não conseguia explicar por que a presença dele havia ficado em sua cabeça.Talvez fosse apenas nervosismo.Era seu primeiro emprego em Nova York.Seu primeiro passo para reconstruir a própria vida.Ela se levantou, tomou banho e escolheu uma roupa discreta e elegante.Não queria chamar atenção.Queria apenas trabalhar.Quando chegou à empresa, o enorme prédio pareceu ainda maior do que no dia anterior.Respirou fundo antes de entrar.— Você consegue — murmurou.Às oito em ponto, estava diante da mesa que seria seu novo espaço de trabalho.Tudo estava perfeitamente organizado.Pastas alinhadas.Computador ligado.Telefone a
Isac Grier não gostava de entrevistas.Preferia que o departamento de recursos humanos cuidasse daquela parte. Para ele, contratar alguém era simples: currículo, competência, referências e resultados.Pessoas, porém, eram muito mais complicadas.Elas mentiam.Escondiam intenções.Sorriam quando queriam alguma coisa.E, quase sempre, mostravam apenas aquilo que julgavam conveniente.Isac aprendera isso cedo.Seu pai costumava dizer que o dinheiro revelava o caráter das pessoas.Com o passar dos anos, Isac descobrira que era justamente o contrário.O dinheiro não revelava.Dava às pessoas mais oportunidades para esconder quem realmente eram.Sentado atrás de sua enorme mesa de madeira escura, Isac analisava alguns documentos quando Amelia bateu à porta.— Senhor Grier?— Entre.Ela abriu a porta.— A candidata chegou.Isac nem levantou os olhos.— Mande entrar.— Senhor Grier, ela está aguardando há alguns minutos.— Então pode entrar agora.Amelia assentiu e saiu.Isac voltou aos docum
Nova York era fria.Tayná descobriu isso no instante em que saiu do aeroporto.O vento atravessou seu casaco e fez com que ela apertasse ainda mais a alça da mala. Por alguns segundos, ficou parada, observando tudo ao redor.Pessoas caminhavam apressadas.Táxis passavam pelas ruas.Carros buzinavam.Prédios enormes pareciam tocar o céu.Era diferente de tudo que conhecia.E, pela primeira vez em muitos anos, ninguém olhava para ela como se soubesse sua história.Ninguém sabia quem era Tayná Avelar.Ninguém sabia que seu casamento havia sido cancelado.Ninguém sabia que o homem que deveria esperá-la no altar estava beijando outra mulher poucos minutos antes de sua entrada.Ninguém sabia que ela havia deixado para trás uma família que a amava, uma vida confortável e um relacionamento que acreditava ser para sempre.Ali, ela era apenas uma desconhecida.E aquilo, estranhamente, lhe trouxe paz.— Tayná!Ela reconheceu a voz imediatamente.Virou-se e viu Isabella caminhando em sua direção.
Tayná Avelar acreditava que algumas memórias deveriam desaparecer com o tempo.Aquela não.Mesmo depois de meses, ela ainda conseguia sentir o peso do vestido branco sobre o corpo, o perfume das rosas espalhadas pelo salão e o som distante da música escolhida para sua entrada.Algumas lembranças não desaparecem.Elas apenas aprendem a morar dentro da gente.Tayná tinha vinte e quatro anos e, naquela manhã, acreditava conhecer perfeitamente o homem com quem se casaria.Daniel.Seu primeiro amor.O homem que conhecera ainda jovem, que segurara sua mão diante de seus pais e prometera que jamais a faria sofrer.Talvez por isso a dor tivesse sido tão grande.Porque a traição não começara naquele momento.Ela apenas descobrira tarde demais.Diante do espelho, Tayná ajeitou uma mecha dos cabelos castanho-caramelados que caíam em cachos sobre os ombros.O vestido era perfeito.Sua mãe escolhera cada detalhe.O tecido branco se ajustava delicadamente ao corpo, enquanto a cauda se espalhava pel







