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Doce Anjo
Doce Anjo
Author: Taynara Andrade

O vestido Branco

last update Petsa ng paglalathala: 2026-08-18 00:15:07

Tayná Avelar acreditava que algumas memórias deveriam desaparecer com o tempo.

Aquela não.

Mesmo depois de meses, ela ainda conseguia sentir o peso do vestido branco sobre o corpo, o perfume das rosas espalhadas pelo salão e o som distante da música escolhida para sua entrada.

Algumas lembranças não desaparecem.

Elas apenas aprendem a morar dentro da gente.

Tayná tinha vinte e quatro anos e, naquela manhã, acreditava conhecer perfeitamente o homem com quem se casaria.

Daniel.

Seu primeiro amor.

O homem que conhecera ainda jovem, que segurara sua mão diante de seus pais e prometera que jamais a faria sofrer.

Talvez por isso a dor tivesse sido tão grande.

Porque a traição não começara naquele momento.

Ela apenas descobrira tarde demais.

Diante do espelho, Tayná ajeitou uma mecha dos cabelos castanho-caramelados que caíam em cachos sobre os ombros.

O vestido era perfeito.

Sua mãe escolhera cada detalhe.

O tecido branco se ajustava delicadamente ao corpo, enquanto a cauda se espalhava pelo chão.

As bochechas arredondadas davam ao rosto uma aparência ainda mais jovem.

Ela sorriu para o próprio reflexo.

Parecia feliz.

E era isso que mais doeria depois.

— Tayná? — chamou sua mãe do outro lado da porta. — Filha, está pronta?

— Estou.

Helena entrou e parou ao vê-la.

Seus olhos imediatamente ficaram marejados.

— Minha menina...

Tayná riu.

— Mãe, não começa a chorar.

Helena aproximou-se e segurou o rosto da filha.

— Você está linda.

— Obrigada.

— Está feliz?

Tayná sorriu.

— Muito.

Helena beijou sua testa.

— Então é tudo o que importa.

Tayná pegou o buquê.

Mas, antes de sair, percebeu um funcionário atravessando rapidamente o corredor.

Algo naquela movimentação chamou sua atenção.

— Eu já volto.

— Tayná?

— Só vou verificar uma coisa.

Ela caminhou pelo corredor sem saber exatamente por quê.

Quando chegou perto de uma porta lateral, ouviu uma risada.

Depois, uma voz masculina.

— Você sabe que eu amo você.

Tayná congelou.

Conhecia aquela voz.

Daniel.

Seu coração disparou.

Ela abriu a porta.

E tudo parou.

Daniel estava beijando outra mulher.

Não era um beijo rápido.

Não havia dúvida.

A mão dele estava na cintura dela.

A mulher segurava seu rosto.

Tayná ficou imóvel.

O buquê escorregou de seus dedos.

Uma rosa caiu no chão.

Depois outra.

Daniel abriu os olhos.

O rosto perdeu a cor.

— Tayná...

Ela não respondeu.

A mulher se afastou.

— Meu Deus...

Tayná olhou diretamente para Daniel.

— Há quanto tempo?

— Não é o que você está pensando.

Ela soltou uma risada baixa.

— Então me explica.

Daniel deu um passo.

— Eu posso explicar.

— Há quanto tempo?

Ele ficou em silêncio.

E aquele silêncio foi a resposta.

Tayná olhou para o vestido.

Depois para o anel em seu dedo.

O símbolo de uma promessa que, naquele instante, parecia uma mentira.

Ela retirou o anel.

Daniel tentou segurá-la.

— Não faz isso.

Tayná abriu a mão.

O anel caiu.

— Você já fez.

As lágrimas começaram a cair.

Mas ela não choraria diante dele.

Virou-se e saiu.

No corredor, Helena apareceu.

— Filha?

Tayná passou por ela.

— Eu não vou me casar.

Helena empalideceu.

— O quê?

Tayná parou por um instante.

— Pergunte ao seu futuro genro.

E continuou andando.

Naquela noite, sua família tentou convencê-la a ficar.

Seu pai ofereceu ajuda.

Sua mãe ofereceu colo.

Seus irmãos queriam confrontar Daniel.

Tayná recusou tudo.

Ela não queria vingança.

Queria distância.

Na madrugada, sentou-se diante da janela e abriu o notebook.

Pesquisou passagens.

São Paulo para Nova York.

Três dias depois.

Comprou.

Ficou olhando para a confirmação da passagem.

Não tinha emprego.

Não tinha apartamento.

Não tinha plano.

Mas tinha uma certeza.

Precisava partir.

Precisava descobrir quem era sem Daniel.

E, sem saber, naquela decisão começava a história que mudaria sua vida para sempre.

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