Home / Romance / Doce Anjo / Um jantar inesperado

Share

Um jantar inesperado

last update Petsa ng paglalathala: 2026-08-18 00:22:03

Tayná descobriu que trabalhar para Isac Grier era muito mais difícil do que imaginara.

Não porque ele fosse injusto.

Pelo contrário.

Isac era extremamente profissional.

Exigente, sim.

Frio, quase sempre.

Mas nunca levantava a voz sem motivo, nunca a tratava com desrespeito e, até aquele momento, havia mantido exatamente a distância que ele mesmo estabelecera.

E Tayná agradecia por isso.

Ela ainda estava tentando reconstruir a própria vida.

Não precisava de distrações.

Muito menos de sentimentos.

Naquela manhã, chegou à empresa alguns minutos antes das oito.

Colocou a bolsa sobre a mesa, ligou o computador e começou a revisar a agenda de Isac.

Havia uma reunião às nove.

Uma videoconferência às onze.

Um almoço com investidores às duas.

E, no final do dia, uma reunião com o conselho da empresa.

Tayná respirou fundo.

— Dia tranquilo — murmurou.

— Espero que sim.

Ela se assustou.

Isac estava parado atrás dela.

— Bom dia.

— Bom dia.

Ele colocou uma pasta sobre sua mesa.

— Preciso que esses documentos estejam organizados antes das nove.

Tayná abriu a pasta.

— São muitos.

— Eu sei.

Ela olhou para ele.

— Então por que está me entregando agora?

Isac ficou em silêncio por um instante.

— Porque confio que você consegue.

Tayná não esperava aquela resposta.

— Certo.

Ele se afastou.

Ela voltou aos documentos.

Mas um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.

Era estranho.

Em poucos dias, começava a perceber que havia mais em Isac do que a imagem fria que todos conheciam.

Ele não era gentil de maneira óbvia.

Era discreto.

Demonstrava consideração em pequenas coisas.

E talvez fosse exatamente isso que tornasse difícil ignorá-lo.

Pouco antes das nove, Tayná entrou na sala de Isac.

— Os documentos estão prontos.

Ele levantou os olhos do computador.

— Já?

— Você pediu antes das nove.

Isac olhou para o relógio.

— Faltam oito minutos.

— Então estou adiantada.

Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca dele.

Foi tão rápido que Tayná quase acreditou ter imaginado.

— Deixe aqui.

Ela colocou os documentos sobre a mesa.

Quando se virou para sair, Isac chamou:

— Tayná.

Ela olhou para trás.

— Sim?

— Você tomou café?

Ela piscou.

— Sim.

— Tem certeza?

— Tenho.

— Ótimo.

Ela ficou alguns segundos parada.

— Era só isso?

— Sim.

Tayná saiu.

Quando fechou a porta, ficou olhando para ela.

Por que ele havia perguntado aquilo?

Do outro lado, Isac também se perguntava a mesma coisa.

Ele não costumava se preocupar se os funcionários haviam tomado café.

Muito menos perguntar.

Voltou ao computador.

Tentou esquecer.

Perto do meio-dia, Tayná recebeu uma mensagem de Isabella.

"Como está o trabalho?"

Ela respondeu:

"Cansativo."

A resposta veio imediatamente.

"E o chefe?"

Tayná sorriu.

"Continua sendo meu chefe."

"Não foi isso que perguntei."

Tayná revirou os olhos.

"Isabella..."

"Ele é bonito?"

Ela ficou alguns segundos olhando para a tela.

Então respondeu:

"Infelizmente."

Isabella enviou uma sequência de risadas.

Tayná tentou não rir.

— Algum problema?

Ela levantou os olhos.

Isac estava parado diante dela.

— Não.

Ele olhou para o celular.

— Parece engraçado.

— Minha amiga.

— Entendi.

Ele fez menção de sair.

— Tayná.

— Sim?

— Preciso que venha comigo hoje à noite.

Ela franziu a testa.

— Com você?

— Sim.

— Para onde?

— Jantar.

O coração dela deu uma pequena batida diferente.

— Um jantar de negócios?

— Sim.

Ela respirou aliviada.

— Certo.

— É um jantar com um dos nossos principais investidores. Minha antiga assistente costumava me acompanhar, mas ela está fora da cidade.

Tayná assentiu.

— Que horas?

— Sete e meia.

— Tudo bem.

Isac começou a andar.

Então parou.

— E use alguma coisa elegante.

Tayná olhou para ele.

— Eu sei me vestir.

— Eu não disse que não sabia.

— Parece que disse.

Isac a encarou.

Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio.

Então ele disse:

— Sete e meia.

— Estarei pronta.

Ele saiu.

Tayná respirou fundo.

— Distância — murmurou.

Precisava se lembrar disso.

Às sete e vinte, Tayná estava diante do restaurante.

Havia escolhido um vestido preto simples, elegante, que valorizava sua silhueta sem exageros.

Os cabelos estavam soltos.

Os cachos caíam sobre os ombros.

Ela olhou para o reflexo na porta de vidro.

Por um instante, lembrou-se de seu casamento.

O vestido branco.

O buquê.

Daniel.

A lembrança veio como uma pancada.

Ela fechou os olhos.

Não.

Não permitiria que aquela memória estragasse sua noite.

— Você está linda.

Tayná abriu os olhos.

Isac estava atrás dela.

Ela se virou.

Ele usava um terno preto impecável.

Por um momento, nenhum dos dois falou.

Isac foi o primeiro a desviar o olhar.

— Vamos?

— Vamos.

Entraram.

O restaurante era sofisticado e silencioso.

O investidor já os esperava.

— Senhor Grier.

— Richard.

Os dois apertaram as mãos.

Então Richard olhou para Tayná.

— E esta é...?

— Tayná Avelar, minha secretária executiva.

— Prazer.

— Prazer.

Durante o jantar, Tayná permaneceu profissional.

Anotou informações.

Organizou alguns documentos.

Prestou atenção em cada detalhe da conversa.

Richard pareceu impressionado.

— Senhor Grier, sua nova secretária é muito competente.

Isac olhou para Tayná.

— Eu sei.

Ela sentiu o rosto esquentar.

— Obrigada.

A conversa continuou.

Até que Richard fez uma pergunta inesperada.

— Vocês estão trabalhando juntos há quanto tempo?

— Poucos dias — respondeu Tayná.

— Interessante.

Richard sorriu.

— Porque parecem se conhecer há muito mais tempo.

Tayná ficou sem resposta.

Isac apenas tomou um gole de água.

— Nós trabalhamos bem juntos.

A resposta foi seca.

Profissional.

Mas Tayná percebeu a tensão.

Depois do jantar, Richard se despediu.

— Foi um prazer conhecê-los.

Isac apertou sua mão.

— Igualmente.

Quando ficaram sozinhos, Tayná respirou aliviada.

— Achei que nunca terminaria.

Isac olhou para ela.

— Você se saiu bem.

— Obrigada.

— Muito bem.

Ela sorriu.

— Você está me elogiando novamente?

— Não se acostume.

Tayná riu.

Isac ficou observando.

Aquele sorriso.

O mesmo sorriso que vira durante a entrevista.

Por alguns segundos, esqueceu a regra da distância.

Esqueceu tudo.

Só havia Tayná diante dele.

E a sensação estranha de que aquela mulher conseguia trazer uma leveza que ele não sentia havia anos.

— Está frio — disse ele.

— Um pouco.

Isac tirou o próprio casaco.

Tayná arregalou os olhos.

— Não precisa.

— Vista.

— Mas você vai ficar com frio.

— Eu estou de terno.

Ela hesitou.

Então aceitou.

Quando colocou o casaco sobre os ombros, sentiu o perfume dele.

E, inexplicavelmente, seu coração acelerou.

Isac percebeu.

Não comentou.

Os dois caminharam até o carro.

No caminho, Tayná tropeçou discretamente em uma irregularidade da calçada.

Isac segurou seu braço.

— Cuidado.

Ela olhou para a mão dele.

Depois para seus olhos.

Por um instante, ficaram próximos demais.

Isac soltou seu braço.

— Desculpe.

— Tudo bem.

O motorista abriu a porta.

Tayná entrou.

Isac entrou logo depois.

Durante o caminho, nenhum dos dois falou.

Mas o silêncio não era desconfortável.

Era diferente.

Quase íntimo.

Quando chegaram ao prédio onde Tayná morava, ela retirou o casaco.

— Obrigada pela noite.

— Pelo jantar.

— Também.

Ela estendeu o casaco.

Isac não pegou imediatamente.

Seus olhos estavam nela.

— Tayná.

— Sim?

— Você realmente está bem?

A pergunta a pegou desprevenida.

Ela olhou pela janela.

— Por que pergunta isso?

— Porque você parece estar sempre tentando convencer as pessoas de que está.

Tayná sentiu a garganta apertar.

— Eu estou tentando.

Isac assentiu.

— Eu sei.

Ela olhou para ele.

— Você também faz isso.

Ele ficou imóvel.

— O quê?

— Finge que está bem.

Isac desviou o olhar.

— Boa noite, Tayná.

Ela percebeu que havia ultrapassado um limite.

— Boa noite.

Saiu do carro.

Antes de fechar a porta, devolveu o casaco.

— Obrigada.

Isac segurou o casaco.

— Boa noite.

A porta se fechou.

Tayná entrou no prédio.

Isac ficou olhando até que ela desaparecesse.

Só então encostou a cabeça no banco.

Ele não deveria ter perguntado.

Não deveria ter levado Tayná para aquele jantar.

Não deveria ter emprestado o casaco.

E, principalmente, não deveria ter gostado de estar ao lado dela.

Porque a regra da distância existia por um motivo.

E ele começava a perceber que manter distância de Tayná seria muito mais difícil do que imaginara.

Quando entrou no apartamento, Isabella estava no sofá.

— E então?

Tayná tirou os sapatos.

— E então o quê?

— O jantar.

— Foi profissional.

Isabella estreitou os olhos.

— Só profissional?

— Só.

— E por que você está sorrindo?

Tayná imediatamente parou.

— Eu não estou sorrindo.

— Está.

— Não estou.

Isabella riu.

— Você gosta dele.

— Não.

— Tayná...

— Isabella, eu não gosto dele.

Ela respirou fundo.

— Eu só acho que ele é uma pessoa diferente do que parece.

Isabella ficou séria.

— Isso pode ser perigoso.

Tayná olhou para ela.

— Por quê?

— Porque você também é diferente do que parece.

Tayná não respondeu.

Naquela noite, deitada na cama, ficou olhando para o teto.

Pensou em Daniel.

Pela primeira vez desde que chegara a Nova York, a lembrança não doeu tanto.

Pensou em Isac.

E isso a assustou muito mais.

Do outro lado da cidade, Isac também estava acordado.

O casaco ainda estava sobre a cadeira.

Ele olhou para ele durante alguns segundos.

Depois fechou os olhos.

Sabia que deveria manter distância.

Sabia que Tayná era sua funcionária.

Sabia que havia coisas em seu passado que ainda não estavam resolvidas.

Mas, pela primeira vez em anos, uma mulher havia conseguido despertar nele algo que ele julgava morto.

E aquilo era apenas o começo.

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • Doce Anjo   Um jantar inesperado

    Tayná descobriu que trabalhar para Isac Grier era muito mais difícil do que imaginara.Não porque ele fosse injusto.Pelo contrário.Isac era extremamente profissional.Exigente, sim.Frio, quase sempre.Mas nunca levantava a voz sem motivo, nunca a tratava com desrespeito e, até aquele momento, havia mantido exatamente a distância que ele mesmo estabelecera.E Tayná agradecia por isso.Ela ainda estava tentando reconstruir a própria vida.Não precisava de distrações.Muito menos de sentimentos.Naquela manhã, chegou à empresa alguns minutos antes das oito.Colocou a bolsa sobre a mesa, ligou o computador e começou a revisar a agenda de Isac.Havia uma reunião às nove.Uma videoconferência às onze.Um almoço com investidores às duas.E, no final do dia, uma reunião com o conselho da empresa.Tayná respirou fundo.— Dia tranquilo — murmurou.— Espero que sim.Ela se assustou.Isac estava parado atrás dela.— Bom dia.— Bom dia.Ele colocou uma pasta sobre sua mesa.— Preciso que esses

  • Doce Anjo   Três regras

    O primeiro dia de Tayná na Grier Enterprises começou antes mesmo de o sol nascer.Ela acordou às cinco e meia da manhã, embora seu despertador estivesse programado para tocar às seis.Não conseguira dormir direito.Passara boa parte da noite pensando na entrevista do dia anterior.Principalmente no homem que estaria esperando por ela naquela manhã.Isac Grier.Tayná não conseguia explicar por que a presença dele havia ficado em sua cabeça.Talvez fosse apenas nervosismo.Era seu primeiro emprego em Nova York.Seu primeiro passo para reconstruir a própria vida.Ela se levantou, tomou banho e escolheu uma roupa discreta e elegante.Não queria chamar atenção.Queria apenas trabalhar.Quando chegou à empresa, o enorme prédio pareceu ainda maior do que no dia anterior.Respirou fundo antes de entrar.— Você consegue — murmurou.Às oito em ponto, estava diante da mesa que seria seu novo espaço de trabalho.Tudo estava perfeitamente organizado.Pastas alinhadas.Computador ligado.Telefone a

  • Doce Anjo   Isac Grier

    Isac Grier não gostava de entrevistas.Preferia que o departamento de recursos humanos cuidasse daquela parte. Para ele, contratar alguém era simples: currículo, competência, referências e resultados.Pessoas, porém, eram muito mais complicadas.Elas mentiam.Escondiam intenções.Sorriam quando queriam alguma coisa.E, quase sempre, mostravam apenas aquilo que julgavam conveniente.Isac aprendera isso cedo.Seu pai costumava dizer que o dinheiro revelava o caráter das pessoas.Com o passar dos anos, Isac descobrira que era justamente o contrário.O dinheiro não revelava.Dava às pessoas mais oportunidades para esconder quem realmente eram.Sentado atrás de sua enorme mesa de madeira escura, Isac analisava alguns documentos quando Amelia bateu à porta.— Senhor Grier?— Entre.Ela abriu a porta.— A candidata chegou.Isac nem levantou os olhos.— Mande entrar.— Senhor Grier, ela está aguardando há alguns minutos.— Então pode entrar agora.Amelia assentiu e saiu.Isac voltou aos docum

  • Doce Anjo   Uma cidade que não sabia seu nome

    Nova York era fria.Tayná descobriu isso no instante em que saiu do aeroporto.O vento atravessou seu casaco e fez com que ela apertasse ainda mais a alça da mala. Por alguns segundos, ficou parada, observando tudo ao redor.Pessoas caminhavam apressadas.Táxis passavam pelas ruas.Carros buzinavam.Prédios enormes pareciam tocar o céu.Era diferente de tudo que conhecia.E, pela primeira vez em muitos anos, ninguém olhava para ela como se soubesse sua história.Ninguém sabia quem era Tayná Avelar.Ninguém sabia que seu casamento havia sido cancelado.Ninguém sabia que o homem que deveria esperá-la no altar estava beijando outra mulher poucos minutos antes de sua entrada.Ninguém sabia que ela havia deixado para trás uma família que a amava, uma vida confortável e um relacionamento que acreditava ser para sempre.Ali, ela era apenas uma desconhecida.E aquilo, estranhamente, lhe trouxe paz.— Tayná!Ela reconheceu a voz imediatamente.Virou-se e viu Isabella caminhando em sua direção.

  • Doce Anjo   O vestido Branco

    Tayná Avelar acreditava que algumas memórias deveriam desaparecer com o tempo.Aquela não.Mesmo depois de meses, ela ainda conseguia sentir o peso do vestido branco sobre o corpo, o perfume das rosas espalhadas pelo salão e o som distante da música escolhida para sua entrada.Algumas lembranças não desaparecem.Elas apenas aprendem a morar dentro da gente.Tayná tinha vinte e quatro anos e, naquela manhã, acreditava conhecer perfeitamente o homem com quem se casaria.Daniel.Seu primeiro amor.O homem que conhecera ainda jovem, que segurara sua mão diante de seus pais e prometera que jamais a faria sofrer.Talvez por isso a dor tivesse sido tão grande.Porque a traição não começara naquele momento.Ela apenas descobrira tarde demais.Diante do espelho, Tayná ajeitou uma mecha dos cabelos castanho-caramelados que caíam em cachos sobre os ombros.O vestido era perfeito.Sua mãe escolhera cada detalhe.O tecido branco se ajustava delicadamente ao corpo, enquanto a cauda se espalhava pel

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status