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Capítulo 7

Author: Oxe
Afastei a mão dele com um gesto brusco e lancei-lhe um olhar glacial:

— Luca está no céu agora. Vá encontrá-lo. — Fiz uma pausa e ergui um canto dos lábios. — Ah, não. Pensando bem, alguém como você vai para o inferno quando morrer. Que direito teria de ver o meu filho?

O rosto dele empalideceu de repente, e Carlos cambaleou para trás:

— Não pode ser. Há um mês você estava bem. Se não tivesse feito birra e ido para o exterior...

— Carlos. — Interrompi, com uma ponta de sarcasmo na voz. — Você ac
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    Foi assim que, em uma clínica de reprodução assistida em Boston, assinei o termo de consentimento para engravidar com o sêmen de um doador.O médico me entregou a ficha de um dos doadores: 1,85 m de altura, formado em uma universidade de prestígio e sem histórico familiar de doenças genéticas.— Sra. Bianca, tem certeza de que deseja criar a criança sozinha? — Perguntou o médico.Assenti e toquei no colar que trazia no pescoço.— Sim. Hoje, tenho condições de proporcionar a essa criança a melhor vida possível.Carlos, porém, nunca saiu de verdade da minha vida. Ele continuava me vigiando às escondidas, por meio das câmeras do meu apartamento e da localização do meu celular. Chegou até mesmo a subornar um funcionário da cafeteria que eu frequentava. Como uma fera à espreita nas sombras, acompanhava cada um dos meus movimentos. Por isso, soube no exato momento em que pisei na clínica de reprodução assistida.Ele invadiu meu apartamento, com o rosto tomado pela fúria.— Bianca, você enlo

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    Soltei uma risada fria e me virei em direção ao banheiro.— Você já pode ir embora.Ele se levantou cambaleando e, ao chegar à porta, se virou de repente.— Bianca, eu...— Some daqui. — Interrompi, com a voz gelada.Assim que ele foi embora, corri para o banheiro e comecei a lavar as mãos compulsivamente. Abri a torneira no máximo. A água fria escorria pelas minhas mãos, mas não conseguia livrá-las daquela sensação repugnante.Encarei meu rosto pálido no espelho e murmurei:— Luca, a mamãe vai fazer todos eles pagarem.Depois que Carlos foi embora, fiquei diante da janela, observando sua silhueta desaparecer em meio à neve e ao vento.Algumas semanas depois, as manchetes de todo o país foram tomadas pela notícia: "Luana, ex-executiva do Grupo Gonçalves, é presa sob suspeita de fraude e desvio de recursos".As reportagens detalhavam como Luana havia se aproveitado do cargo para falsificar contratos, desviar dinheiro da empresa e até se envolver em lavagem de dinheiro.Carlos apresentou

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    Afastei a mão dele com um gesto brusco e lancei-lhe um olhar glacial:— Luca está no céu agora. Vá encontrá-lo. — Fiz uma pausa e ergui um canto dos lábios. — Ah, não. Pensando bem, alguém como você vai para o inferno quando morrer. Que direito teria de ver o meu filho?O rosto dele empalideceu de repente, e Carlos cambaleou para trás:— Não pode ser. Há um mês você estava bem. Se não tivesse feito birra e ido para o exterior...— Carlos. — Interrompi, com uma ponta de sarcasmo na voz. — Você acha mesmo que tem o direito de falar do nosso filho? Quando acompanhou Luana ao hospital, pensou nele? Quando deixou que ela fosse morar na nossa casa, pensou nele?Ele abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada.Me virei e entrei em casa. Carlos tentou correr atrás de mim para me impedir, mas os seguranças na entrada o barraram.— Bianca! — Ele caiu de joelhos na neve, com a voz rouca. — Me deixe ver o nosso filho. Eu imploro...Fechei a porta, deixando do lado de fora a nevasca e os gritos dese

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    Quando despertei novamente, a luz branca e ofuscante me fez semicerrar os olhos.O cheiro de antisséptico invadiu minhas narinas. Eu estava deitada em uma cama de hospital, com um acesso intravenoso na mão.— Acordou? — O médico se aproximou com uma expressão séria. — Sinto muito. Não conseguimos salvar o bebê.Meu corpo inteiro estremeceu, e meus dedos se fecharam com força sobre o lençol.— Por quê?— O impacto direto no abdômen provocou um descolamento prematuro da placenta. — O médico folheou meu prontuário. — Você já chegou aqui com uma hemorragia intensa. Fizemos tudo o que pudemos.Fechei os olhos enquanto um zumbido intenso tomava conta dos meus ouvidos.— Quer que avisemos algum familiar? — Perguntou a enfermeira em voz baixa.Balancei a cabeça. Minha voz saiu rouca:— Não precisa.O silêncio no quarto era assustador, quebrado apenas pelos bipes ritmados do monitor.Passei a mão sobre o ventre. Estava plano outra vez, mas havia ali um vazio imenso, como se tivessem arrancado a

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    Enquanto a página de reserva carregava, a maçaneta girou e Carlos entrou.Ele trazia um copo de leite quente nas mãos e olhou de relance para a tela do meu computador.— O que você está fazendo acordada a esta hora?Troquei de página depressa e respondi com naturalidade:— Nada. Só estava procurando algumas músicas para o bebê ouvir.Ele se aproximou por trás de mim e pousou a mão no meu ombro.— Amor, a Luana só vai ficar alguns dias aqui em casa. Você já está prestes a dar à luz. Não fique pensando demais nisso.Fechei o computador e me levantei.— Estou cansada. Vou dormir.Ele permaneceu parado, como se quisesse dizer alguma coisa, mas, no fim, apenas suspirou e foi embora.Abri o computador novamente e comprei uma passagem para Boston. A luz da tela iluminava meu rosto enquanto eu acariciava a barriga saliente. Eu me sentia estranhamente calma. Desta vez, eu realmente iria embora.Na manhã seguinte, abri o guarda-roupa e comecei a arrumar minhas malas. Em um canto, havia uma velha

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    O tom dele parecia conciliador, como se tentasse apaziguar a situação, mas seus olhos não se desviaram do rosto de Luana nem por um instante.Cerrei os punhos, cravando as unhas nas palmas das mãos. Durante a semana seguinte, Carlos passou a sair de casa cedo e voltar tarde.Não perguntei nada. Embora morássemos sob o mesmo teto, éramos como dois estranhos.Naquele dia, eu tinha uma consulta de pré-natal. Mandei uma mensagem para ele, mas não obtive resposta. Também liguei, mas ele não atendeu.Sem outra opção, peguei um táxi e fui sozinha ao hospital. A sala de espera estava cheia de casais. Os maridos amparavam as esposas com todo o cuidado, falando em voz baixa para tranquilizá-las.Me sentei sozinha em um canto, apertando o prontuário entre as mãos. Como se percebesse meu estado de espírito, o bebê dentro de mim deu um leve chute.— Número 28, Bianca Lourenço.Ao ouvir a enfermeira chamar meu nome, me levantei com dificuldade e, me apoiando na parede, caminhei devagar até o consult

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