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Capítulo 4

Author: Oxe
O tom dele parecia conciliador, como se tentasse apaziguar a situação, mas seus olhos não se desviaram do rosto de Luana nem por um instante.

Cerrei os punhos, cravando as unhas nas palmas das mãos. Durante a semana seguinte, Carlos passou a sair de casa cedo e voltar tarde.

Não perguntei nada. Embora morássemos sob o mesmo teto, éramos como dois estranhos.

Naquele dia, eu tinha uma consulta de pré-natal. Mandei uma mensagem para ele, mas não obtive resposta. Também liguei, mas ele não atendeu.

Sem outra opção, peguei um táxi e fui sozinha ao hospital. A sala de espera estava cheia de casais. Os maridos amparavam as esposas com todo o cuidado, falando em voz baixa para tranquilizá-las.

Me sentei sozinha em um canto, apertando o prontuário entre as mãos. Como se percebesse meu estado de espírito, o bebê dentro de mim deu um leve chute.

— Número 28, Bianca Lourenço.

Ao ouvir a enfermeira chamar meu nome, me levantei com dificuldade e, me apoiando na parede, caminhei devagar até o consultório.

Depois dos exames, saí com os resultados nas mãos e, de repente, avistei uma figura familiar no fim do corredor.

Carlos amparava Luana com extremo cuidado, como se ela fosse algo frágil que pudesse se quebrar ao menor descuido.

Ela vestia um avental hospitalar e estava pálida, mas nem mesmo aquilo diminuía sua beleza impressionante.

Parei onde estava, observando os dois abraçados como recém-casados ainda perdidamente apaixonados.

Carlos se inclinou e murmurou alguma coisa ao ouvido dela. Luana assentiu com um leve sorriso.

— Irmão! — Cecília surgiu correndo, com uma sacola de medicamentos na mão. — Peguei os remédios da Luana.

Quando me viu, ficou imóvel por um instante e logo abriu um sorriso de escárnio:

— Ora, a cunhada também veio ao hospital? Sozinha?

Só então Carlos percebeu minha presença. Sua expressão mudou.

— Bianca...

Ele fez menção de vir até mim, mas Cecília imediatamente o segurou.

— Irmão, você vai simplesmente deixar a Luana aqui? Ela se machucou tentando salvar você.

Luana se apoiou na parede, debilitada, e falou com suavidade:

— Carlos, pode ir. Eu estou bem. Sua esposa precisa mais de você agora.

Seu tom soava gentil e compreensivo, mas a provocação em seu olhar era evidente.

Cecília se exaltou:

— Luana, pare de bancar a forte! Você quase morreu por causa dele. Se ele for embora agora, ainda pode dizer que tem consciência?

Permaneci ali em silêncio, assistindo àquela cena ridícula sem sentir absolutamente nada.

Talvez, no passado, a traição de Carlos fosse capaz de despedaçar meu coração. Mas, depois de ser rejeitada por ele tantas vezes, toda a mágoa e todo o ressentimento que eu sentia já tinham desaparecido.

Não disse uma única palavra nem fiz qualquer gesto desnecessário. Apenas me virei devagar e fui embora.

Eu sabia que, a partir daquele momento, nunca mais sofreria por aquele homem.

Naquela noite, eu tinha acabado de sair do banho e ainda estava com uma toalha enrolada nos cabelos molhados.

Foi então que vi minha sogra, Débora, além de Cecília e Luana, já sentadas no sofá da sala da minha casa.

Havia algumas xícaras de café sobre a mesa, e as três conversavam em perfeita harmonia, como se fossem as donas daquela casa.

Luana estava recostada no braço do sofá. Seu rosto continuava pálido, mas era impossível esconder a satisfação em seus olhos.

Assim que me viu, Débora foi direto ao assunto:

— Bianca, Luana está machucada e vai precisar ficar aqui por um tempo. Assim, fica mais fácil para Carlos cuidar dela.

Seu tom não admitia contestação. Aquilo não era uma conversa, muito menos um pedido. Era apenas uma notificação.

Cecília estava sentada de pernas cruzadas e, segurando uma uva entre os dedos, acrescentou sem a menor cerimônia:

— A Luana se machucou para salvar meu irmão. Você não vai ser mesquinha a esse ponto, vai?

Enquanto enxugava o cabelo, passei os olhos por todas elas e, por fim, encarei Carlos.

Ele estava de pé ao lado delas, com as sobrancelhas levemente franzidas. Parecia constrangido com a situação, mas não disse nada para se opor.

— Para mim, tanto faz. — Respondi com indiferença, antes de me virar e seguir para o quarto.

Fechei a porta, me sentei diante da escrivaninha e liguei o computador.

Havia um novo e-mail na minha caixa de entrada. O assunto dizia: "Admissão ao programa de doutorado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts".

Abri a mensagem e fiquei olhando por um longo tempo para aquela única palavra: "Parabéns!" Aos poucos, um leve sorriso surgiu em meus lábios.

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