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Capítulo 5

Author: Oxe
Enquanto a página de reserva carregava, a maçaneta girou e Carlos entrou.

Ele trazia um copo de leite quente nas mãos e olhou de relance para a tela do meu computador.

— O que você está fazendo acordada a esta hora?

Troquei de página depressa e respondi com naturalidade:

— Nada. Só estava procurando algumas músicas para o bebê ouvir.

Ele se aproximou por trás de mim e pousou a mão no meu ombro.

— Amor, a Luana só vai ficar alguns dias aqui em casa. Você já está prestes a dar à luz. Não fique pensando demais nisso.

Fechei o computador e me levantei.

— Estou cansada. Vou dormir.

Ele permaneceu parado, como se quisesse dizer alguma coisa, mas, no fim, apenas suspirou e foi embora.

Abri o computador novamente e comprei uma passagem para Boston. A luz da tela iluminava meu rosto enquanto eu acariciava a barriga saliente. Eu me sentia estranhamente calma. Desta vez, eu realmente iria embora.

Na manhã seguinte, abri o guarda-roupa e comecei a arrumar minhas malas. Em um canto, havia uma velha caixa de joias revestida de veludo vermelho, já desbotado, com as bordas gastas e esbranquiçadas.

Abri com cuidado. Dentro, havia um colar de prata com um pequeno pingente de sino. Era a única lembrança que minha mãe havia deixado para mim.

Eu tinha acabado de guardar a caixa de joias na mala quando Luana entrou de repente, sem bater.

Seus olhos pousaram imediatamente no colar, brilhando de cobiça.

— Esse colar... Foi o Carlos que comprou para mim, não foi?

Lancei-lhe um olhar frio.

— Era da minha mãe. Foi o que ela deixou para mim.

— Mentira! — Ela avançou sobre mim e agarrou a caixa de joias. — Carlos disse que ia me dar um colar com um sino. Só pode ser este!

Segurei com força a outra extremidade da caixa.

— Luana, você não entende o que eu estou dizendo? Eu já falei que isso era da minha mãe!

— Pare de bancar a coitada! — Gritou ela, com a voz estridente. — Carlos já me contou tudo. Sua mãe se matou porque seu pai a traiu. Alguém que vem de uma família como a sua nem merece usar um colar tão bonito!

Meu corpo inteiro estremeceu, e meus dedos afrouxaram por um instante, sem que eu percebesse.

Ela aproveitou o momento de distração e puxou a caixa com força. A caixa caiu no chão, e o colar rolou para fora.

— Só você mesmo para tratar uma porcaria dessas como se fosse um tesouro. Se você quer tanto esse colar, pode ficar com ele. Eu não faço questão! — Me abaixei para pegar o colar e acrescentei, com a voz dura. — Mas isso era da minha mãe. Não pense que vai pôr as mãos nele!

— E para que essa pose de superioridade? — Debochou ela. — Você acha mesmo que o Carlos ama você? Ele só não queria que eu tivesse que passar por uma gravidez. Por isso, fez você carregar esse bebê no meu lugar.

— Cale a boca! — Dei-lhe um tapa e arranquei o colar de suas mãos.

Furiosa, ela me empurrou com toda a força.

Perdi o equilíbrio e caí com violência no chão, batendo a barriga com força na quina da cama.

Uma dor lancinante percorreu meu corpo no mesmo instante. Me encolhi, enquanto o suor frio escorria pela minha testa.

Luana ficou paralisada, o rosto foi perdendo toda a cor.

— Bianca, você... Não tente jogar a culpa em mim. Eu... Eu não fiz de propósito.

Ela deu dois passos para trás, se virou e saiu correndo.

Deitada no chão, senti o líquido amniótico se misturar ao sangue e encharcar o tapete. Era como se uma lâmina estivesse rasgando meu ventre por dentro.

— Socorro... Por favor...

Com enorme dificuldade, comecei a me arrastar para a frente, arranhando o piso com as unhas e deixando rastros de sangue.

O colar continuava apertado em minha mão, todo manchado de sangue.

Quando finalmente consegui alcançar o celular, liguei para a emergência com as mãos trêmulas e disse, com a voz rouca:

— Eu... Estou na 35ª semana de gravidez. Caí... Minha bolsa rompeu...

A voz do outro lado da linha ficou imediatamente mais urgente.

— O endereço! Diga seu endereço, rápido!

Passei o endereço, e minha visão escureceu por alguns instantes.

A dor vinha em ondas cada vez mais fortes. Mordi os lábios com toda a força, lutando para não perder a consciência.

— Aguente firme! A ambulância já está a caminho!

Deitada no chão, fiquei olhando para o lustre no teto enquanto minha visão se tornava cada vez mais turva.

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