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Dois Nomes, a Mesma Mentira
Dois Nomes, a Mesma Mentira
Author: Lua e Ramos

Capítulo 1

Author: Lua e Ramos
Quando a última página saiu da impressora, apaguei o arquivo original do computador.

Imprimi o diário, mas não porque não conseguia me desapegar dele.

Depois, mandei encadernar aquela pilha de folhas para entregar a Mateus no aniversário dele.

Após sete anos gostando dele, estava na hora de dar um fim àquela história.

No dia seguinte, pela primeira vez, não fui esperar Mateus no prédio dos laboratórios.

Fui ao restaurante universitário com Rafael, meu parceiro de projeto.

Estávamos no meio da refeição quando, de repente, alguém tirou um pedaço de bisteca do meu prato com um garfo.

Mateus estava ao lado da mesa, de cara fechada.

A testa ainda estava úmida de suor do treino.

— Por que seu celular está desligado?

— A bateria acabou.

— Fiquei quarenta minutos esperando você no prédio dos laboratórios.

Espetei um pedaço de bisteca.

— Não pedi para você me esperar.

Ele ficou imóvel por um instante.

Quinze dias antes, eu tinha me declarado para Mateus pela décima terceira vez.

Ele não aceitou as flores.

Só se apoiou no corrimão e repetiu:

— Paula, eu sempre vi você como uma irmã mais nova. Não perde mais tempo comigo.

Agora eu finalmente fazia o que ele tinha pedido, e Mateus parecia se sentir traído.

Rafael empurrou a tigela de sopa um pouco mais para perto de mim.

— Ela ainda está comendo. Se tem alguma coisa para dizer, espera ela terminar.

Mateus puxou uma cadeira e se sentou entre nós.

— Estou falando com ela. Quem te deu o direito de se meter?

— E desde quando você tem o direito de decidir com quem ela pode comer?

Sem responder a Rafael, Mateus afastou meu prato e, no lugar, colocou uma tigela de sopa de legumes.

— Você tem o estômago sensível. Pega leve na gordura.

— Não quero sopa.

— Não começa.

Fui pegar meu prato de volta, mas ele agarrou meu pulso, apertando o polegar bem sobre o osso.

— Antes você comia tudo o que eu te dava. Mal conhece Rafael e já está me contrariando?

— Me solta.

— Primeiro, apaga o contato dele do WhatsApp.

— Com que direito?

Mateus se inclinou na minha direção e falou bem baixo:

— Eu posso não gostar de você. Mas você não pode resolver gostar de outro assim, do nada.

Olhei para ele sem acreditar.

— Por quê?

Mateus sorriu, convencido de que estava certo.

— Você passou sete anos correndo atrás de mim. Agora resolve parar do nada? Está brincando comigo?

O celular de Mateus tocou de repente, e o nome de Érica apareceu na tela.

Ele me soltou sem hesitar.

Até a voz dele ficou mais suave quando atendeu.

— Já pousou? Seu remédio está no compartimento interno da mala. É o da caixa branca. Não toma de estômago vazio.

Érica acabava de voltar do exterior, e ele sabia até onde estavam os remédios dela.

Dava para ouvir Érica chorando do outro lado da linha.

Mateus se levantou e seguiu para a saída.

Quando passou por mim, deu algumas batidinhas na mesa.

— Termina essa sopa. Depois da aula, me espera na porta. Não vai embora com ele.

Fiquei olhando para as costas dele.

— Pode ir fazer companhia para Érica.

Mateus se virou com a testa franzida.

— Ela acabou de voltar do exterior sozinha e não anda bem de saúde. Você tem tanta gente por perto. Precisa mesmo competir com ela?

Ele lembrava que Érica não podia tomar remédio de estômago vazio, mas nem sabia que eu estava com dor de estômago havia dois dias.

......

Na aula da tarde, fiquei debruçada sobre a carteira da última fileira e escrevi para Daniel: [Você tinha razão. Só porque ele me trata bem de vez em quando não quer dizer que goste de mim.]

Daniel respondeu logo: [Ele te magoou de novo?]

[Sim.]

[Seu estômago está doendo?]

Fiquei surpresa.

Só tinha comentado por alto na noite anterior, e ele lembrava.

[Um pouco.]

[Vai ao ambulatório da universidade. Você tem alergia a ibuprofeno. Não esquece de avisar o médico.]

De repente, senti vontade de chorar.

Estava prestes a responder quando a porta no fundo da sala se abriu.

Mateus entrou com sopa de legumes e remédios e colocou tudo na minha frente.

— Por que não disse que estava com dor de estômago?

Na lateral da caixa, alguém tinha escrito à caneta: [Não tomar ibuprofeno.]

Eu só tinha contado aquilo a Daniel.

Ergui a cabeça.

— Como você sabe?

Mateus parou por um instante antes de abrir a caixa.

— Perguntei a um médico.

— Qual médico?

— Eu trago remédio para você e ainda tenho que passar por um interrogatório?

Ele levou o remédio até meus lábios.

— Abre a boca.

Obedeci por reflexo.

Satisfeito, Mateus acariciou meu cabelo.

— Você fica muito mais adorável quando obedece.

Mal engoli o remédio, Érica ligou por vídeo para Mateus.

Ele se levantou na mesma hora.

— Ela acabou de voltar para o país e está emocionalmente abalada. Vou atender.

Já na porta, ele se virou para repetir:

— Me espera depois da aula.

— Não vou esperar.

Ele me olhou com um leve sorriso.

— Já tomou o remédio que eu trouxe e ainda vai ficar de birra comigo?

Até aquele cuidado básico servia de motivo para exigir minha obediência.

......

Naquela noite, Daniel perguntou: [Hoje você pensou em perdoar ele de novo?]

[Quase.]

[Ele não está assim porque não suporta perder você. Ele só sabe que, depois de te magoar, basta tratar você um pouco melhor para você acabar ficando.]

Me encolhi debaixo das cobertas.

Pela primeira vez, senti que alguém que eu nunca tinha encontrado pessoalmente me conhecia melhor do que Mateus.

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