LOGINCecília e Henrique passaram um mês convivendo daquela forma, sem grandes conflitos.Dante, porém, continuava sem dar qualquer notícia.Cecília chegou a ligar algumas vezes, mas a chamada sempre caía numa mensagem automática informando que ele estava ocupado e não podia atender.Valentina se recusava a acreditar que Dante fosse tão irresponsável assim.Por isso, foi pessoalmente até a Universidade de Vale Sereno procurar informações.Assim que descobriu o que havia acontecido, correu para contar tudo a Cecília.Valentina tomou um grande gole de água. O rosto estava vermelho de tanta raiva.— Eu estou furiosa! Acabei de ir até a Universidade de Vale Sereno perguntar por ele. O Dante já voltou para a faculdade! Voltou há meio mês! Agora está acompanhando o professor numa banca de defesa em outra universidade.Cecília ficou surpresa.— Tem certeza de que não confundiram a pessoa?Valentina assentiu com força.— Certeza absoluta. Eu perguntei direitinho: Dante, calouro de Ciência da Computa
Cecília percebeu que não havia saída fácil.Se insistisse em resistir, poderia arrastar toda a família Almeida para uma guerra contra os Ferraz.Mas voltar significava entrar novamente no lugar de onde tinha lutado tanto para sair.E, pior de tudo, ela não podia contar a verdade.Bruno talvez até aceitasse que Henrique tivesse traído Cecília.Mas jamais aceitaria descobrir que ela, ainda casada, havia engravidado de outro homem.Se isso viesse à tona, os Almeida inevitavelmente seriam envolvidos nas consequências.A presença de Bruno era sufocante, mas Leonardo não recuou nem um centímetro.Ergueu o queixo e sustentou o olhar do velho.— Então o senhor pretende usar o poder da família Ferraz para nos obrigar?Bruno deu um sorriso indiferente.— Se é assim que você quer entender, fique à vontade.Leonardo respirou fundo, contendo a irritação.— A família Almeida realmente não pode ser comparada à família Ferraz. Mas isso não significa que vamos abaixar a cabeça só porque vocês têm mais
Cecília olhou para Bruno, sentado no sofá, depois para a quantidade impressionante de presentes e compensações espalhados pela sala.Por alguns segundos, nem soube como reagir.— Vovô... O que significa tudo isso?Bruno apontou para a pilha diante dele e respondeu com toda a naturalidade:— Eu já sei de tudo o que o Rique fez. Nesses últimos tempos, a família Ferraz realmente foi injusta com você. Considere isso uma forma de compensação. Uma mansão avaliada em trezentos milhões, cinco por cento das ações do Grupo Ferraz, além de joias e bolsas de luxo.Cecília ficou sem palavras.Helena, Emerson e Leonardo também encararam aquela demonstração de "sinceridade" em absoluto silêncio.Henrique se levantou, foi até Cecília e segurou a mão dela.— Ceci, o vovô disse que, quando o bebê nascer, vai transferir mais dez por cento das ações para ele. Somando tudo, serão quinze por cento.Cecília quase perdeu a fala.Quinze por cento do Grupo Ferraz.Era uma fortuna com a qual incontáveis pessoas
A conversa com Dante continuava parada nas últimas mensagens que Cecília havia enviado.[Não espero que você assuma nenhuma responsabilidade. Eu posso criar esse bebê sozinha. Se quiser, até posso te dar algum dinheiro como forma de agradecimento.][Se você preferir não se envolver, podemos encerrar tudo por aqui.]Já fazia vários dias.E, até agora, nenhuma resposta.O que aquele silêncio significava, afinal?Irritada, Cecília colocou o celular no silencioso, apagou a luz e foi dormir.Depois de ser barrado na entrada, ela imaginou que Henrique finalmente entenderia o recado e iria embora.Mas não.Ele passou a noite inteira diante da casa da família Almeida.Ao amanhecer, começou a cair uma chuva torrencial.Ainda assim, Henrique não saiu dali.Ficou parado sob a chuva, em silêncio, como se estivesse disposto a esperar o tempo que fosse preciso.— Senhora, o Sr. Henrique já está debaixo dessa chuva há duas horas! Se continuar assim, vai acabar passando mal!Cecília abriu a cortina.D
Henrique entrou no quarto e parou de repente.A cama estava vazia. O uniforme do hospital havia sido largado sobre o colchão, mas Cecília não estava em lugar nenhum.Por um instante, Henrique ficou completamente desorientado.Com as mãos trêmulas, puxou o celular do bolso e ligou para ela.A chamada tocava, mas ninguém atendia.Sequestro?Assassinato?Extorsão?Só quando ouviu a voz de Cecília do outro lado da linha é que conseguiu respirar um pouco melhor.— Onde você está? Por que saiu do hospital?— Voltei para a casa dos meus pais.Henrique ficou sério na mesma hora.— O que você foi fazer lá?— E eu devia ficar no hospital esperando morrer? Henrique, pode ter certeza de uma coisa: a Isadora falhou dessa vez, mas vai tentar de novo. Eu não vou ficar parada num quarto de hospital esperando ela encontrar outra maneira de acabar comigo.Ele se calou por um instante.— Isso não vai acontecer. Eu fui falar com a Isa, ela...Cecília não tinha a menor paciência para ouvi-lo defender Isado
Isadora pegou o celular, ainda sem entender.Mas bastou olhar para a tela para perder toda a cor do rosto.Por alguns segundos, ficou paralisada, sem saber como reagir.Ali estavam as conversas entre ela e o homem que havia contratado.E também os registros do rastreamento do IP.Henrique sabia?Observando cada mínima mudança em sua expressão, ele já não precisava de mais nenhuma confirmação.Num movimento brusco, segurou o pulso dela e a encarou com frieza.— Por que você fez isso? Você tem ideia de que a Ceci está grávida do meu filho?Isadora nunca o tinha visto daquela forma.Pela primeira vez, sentiu medo de verdade.— Eu também estou grávida do seu filho!Henrique respondeu sem hesitar:— Não é a mesma coisa! O seu filho foi um acidente. O filho da Ceci é fruto do nosso amor!Isadora ficou imóvel.Por um instante, aquelas palavras a atingiram com mais força do que esperava.Ela o encarou, incrédula, arrancou o pulso de sua mão e o empurrou com força.— Então o que eu sou para voc







