LOGINMeu celular toca e vejo que é Clarabela em uma chamada de vídeo, que atendo imediatamente pelo sistema multimídia do carro, fazendo-a aparecer no visor.— Oi, B2 — ela fala animada, acenando pra tela.— Já disse que eu sou o B1 nessa relação! — respondo em um resmungo, irritada. Nem fodendo eu vou ser a B2.— Coisíssima nenhuma, cópia barata! Segundo a certidão de nascimento que o tio Carlos me mandou, eu sou exatamente um minuto e meio mais velha que você, ou seja, eu vim primeiro e por isso sou a número um, e você é a B2. Aceite! — Ela fala animada, e é maravilhoso vê-la assim, ainda mais sabendo de tudo pelo qual passou, o que me incentiva a continuar atormentando a "minha irmã". Puta que pariu, eu tenho uma irmã e isso é massa demais!— Foda-se, made in china, eu tô por aqui há mais tempo, você chegou agora, ou seja, eu sou a número um nesse rolê e você precisa aceitar isso!Me empolgo tanto conversando com a Bela que nem percebo que o carro caiu no mais profundo silêncio e a
Mas é nunca que deixaríamos nossa loirinha fugir sozinha. Somos suas fiéis escudeiras e, mesmo achando que ela deveria ficar e falar cara a cara com o Thiago, nós iremos apoiá-la em cada passo que der, em cada decisão que tomar. Claro que vamos sempre tentar alertá-la sobre consequências e possibilidades, mas a decisão dela sempre será respeitada. A gente ama essa nanica, e tudo o que queremos neste mundo é vê-la feliz. É justamente por isso que estamos esperando dentro do carro enquanto ela sobe até o apartamento do Thiago e busca as suas coisas. Queríamos subir, mas ela disse que precisava fazer isso sozinha e se despedir do lugar onde foi feliz.— Ela tá fazendo merda... — Betina cantarola do banco de trás do carro.— Isso é fato, mas no final a decisão é dela, Cabrita, e a gente precisa respeitar e dar apoio. Só espero que ela não se arrependa e seja tarde demais — respondo, apreensiva.— Não quero que ela vá sozinha, eu tô preocupada. Ela está sensível, gravidez mexe com os ho
— Porra, mulher, do que você está falando? Que enigma é esse? Eu tô enlouquecendo aqui sem conseguir montar esse quebra-cabeça! — Ailim sai do prumo e fica exasperada, o que me faz soluçar.— Eu estou grávida...Finalmente eu conto, e, ao mesmo tempo em que há uma nuvem escura ainda mais tortuosa sobre mim ao fazer isso, eu também tiro um peso enorme dos meus ombros. É ótimo poder compartilhar isso com elas.— Por favor, né, nanica! Você está assim porque está grávida... Vocês são tão lindos juntos e se amam pra caralho. Eu sei que deve ser assustador, mas vai ficar tudo bem... — Eu soluço sofrido. — Vai ficar tudo bem, né? — Betina questiona, desconfiada. — Puta que pariu, o bebê não é do Thiago! — Ela constata, insana, e eu a interrompo com ímpeto.— É claro que é dele, tá louca? Eu não estou traindo, tá legal! — protesto, inconformada com a sugestão.— Então qual é a merda do problema, Sophia?Minha ruiva não dá ponto sem nó, e eu me rendo, desanimada:— Ele não quer ser pai
Meu mundo virou de cabeça para baixo! Não, isso não é um drama; é apenas a constatação de um fato. Sim, eu sei que sou desparafusadinha e dramática, mas dessa vez é só a verdade. Perdi meu chão e meu rumo. É difícil saber o que fazer a partir de agora — bom, na verdade, eu sei o que preciso fazer, só não sei se terei forças suficientes para isso. É só... difícil demais.Estou com o coração sangrando, mas a decisão foi tomada. Sei que poucos vão compreender minha atitude, mas ela é necessária. Ele não vai querê-lo, e, por consequência, eu também serei uma persona non grata em sua vida. Sei que por mim, por nós, ele vai querer tentar, mas não é assim que imagino nosso amor, e jamais vou querer ser culpada por feri-lo ou fazê-lo aceitar aquilo que, para ele, é inaceitável.Cresci sem amor. Sim, meus pais ainda estão vivos, mas ocupados demais com sua vida de glamour para se preocuparem comigo, com o amor que nunca recebi. Sou a típica garota rica, criada por babás e funcionários, que v
— Vocês não entendem! Quando eu cheguei ao hospital, a Clara estava desolada. O Dante disse a ela que uma das gêmeas estava morta e que era castigo pela sua infidelidade. Por causa das agressões e do adiantamento do nascimento, vocês duas ficaram dias no hospital, e nem mesmo tivemos a oportunidade de velar o corpinho do outro bebê. Quando saímos finalmente daquele lugar, a Clara com a Ailim nos braços... Analu, esse seria o seu nome, criança — ele acaricia o rosto da Bela. —, significa "guerreira famosa iluminada". Já estava enterrada, e minha irmã não teve nem mesmo a chance de segurá-la uma única vez nos braços.Ele irrompe em um choro sentido com as lembranças dolorosas.— O que houve com você, criança? Onde esteve todo esse tempo?Clara engole seco, controlando o choro. Eu também me arrumo para escutar sua história; falamos muito pouco sobre tudo, só sei que ela cresceu como órfã.— Eu tinha alguns dias de vida quando fui encontrada pela Polícia Federal dentro de um contêiner
Nem percebo que destrambelhei a falar até que sou interrompida por ela. Caramba, acho que esse treco de ser tagarela é contagioso! Será que existe algum remédio ou banho que pare essas coisas?— Eu quero!— Hã? — Olho aturdida para ela.— Eu quero conhecê-lo. Eu sempre quis uma família, ganhei uma irmã — uma irmã gêmea ainda! —, e agora um tio destrambelhado. Eu quero, e eu quero tudo, Ailim! Obrigada.— Obrigada também, Clara. Eu também sempre quis uma família. Depois vou te contar tudo sobre nossa mãe e tudo o que aconteceu na minha vida, com calma, mas quero que você saiba que sempre faltou um pedaço de mim e que agora eu sei que era você. Desculpe por não a ter encontrado antes!— Vai se foder, B2, você nem sabia sobre mim... O que importa é agora, e eu tô tãooooo feliz!Nos abraçamos novamente, e o interfone toca. O Yago libera a entrada, e sei que a hora chegou.— O que acha de começarmos a atormentar a sanidade das pessoas agora? — pergunto, animada, para a Bela, que me







