LOGINCarolina trocou os sapatos por um par mais confortável e colocou o capacete de segurança antes de abrir a porta e descer do carro. O responsável pela obra, Balthazar, avançou alguns passos para recebê-la com um cumprimento respeitoso. — Seja bem-vinda, senhora Carolina. Carolina lançou um rápido olhar para ele, mantendo a expressão impassível. — Mostre o caminho. O sol estava escaldante no céu, fazendo o ar parecer quase irrespirável. Carolina e Diana seguiram Balthazar pelo canteiro de obras, verificando diferentes áreas do local. O calor opressivo fazia o suor escorrer de todos os presentes, molhando camisas e rostos. Enquanto caminhava, Carolina identificou alguns problemas. Embora não fossem graves, eram detalhes que, para ela, faziam toda a diferença. Exigente como sempre, Carolina ordenou que chamassem o mestre de obras e, com os desenhos do projeto em mãos, revisou item por item com o engenheiro e o encarregado. Sob o sol intenso, seu rosto ganhou um tom vermel
— Eu sei exatamente o que estou fazendo. — Nicolas respondeu enquanto pressionava os dedos contra o próprio cenho como se quisesse afastar o desconforto da conversa. — Olhe, somos amigos, Valentina. Considere isso como um favor. Liberte a Suelen do contrato, e eu pago pessoalmente a multa rescisória dela. Valentina riu com frieza, cruzando os braços, enquanto sua expressão endurecia. — Nicolas. O que aconteceu para você agir assim? A Suelen já não tinha dado em cima de você antes, te entregado até o número do quarto de hotel, e você nem deu bola pra ela. Por que agora ela te interessa? Ah, já entendi… Depois de casado você se diverte com esses joguinhos, não é? Deve ser emocionante para um homem casado brincar de conquista. A expressão de Nicolas se fechou, escurecendo ainda mais. Ele respondeu, com firmeza: — Essa situação não tem nada a ver com o meu estado civil. Eu estou apenas ajudando. Não existe nada entre mim e a Suelen, pelo menos não da forma como você está insinuando
— Eu vou dar um pulo na empresa agora, mas à tarde venho te buscar para irmos juntos para casa. — Lucas disse, com a voz calma. Valentina acenou com a cabeça. — Tudo bem. Assim que Lucas saiu, Valentina se organizou rapidamente e foi para a reunião já programada. Quando a reunião terminou, já passava das três da tarde. Ao deixar a sala de reuniões, Valentina ouviu Isaac chamá-la por trás. — Valentina. Ela parou no corredor e se virou para ele. Isaac se aproximou com um semblante sério. — Preciso te atualizar sobre uma situação. É sobre a Suelen. — Certo. Vamos para o meu escritório. — Valentina respondeu, direta. …No escritório, Isaac fechou cuidadosamente a porta antes de se virar e seguir em direção ao centro da sala. — Pode sentar. — Valentina disse, acomodando-se no sofá e indicando a poltrona à frente para que ele também se sentasse. Isaac assentiu e ocupou o lugar indicado. — O que aconteceu com a Suelen? Isaac clareou a garganta antes de começar.
— Eu sei que você trata o Marcos como um irmão, mas sair para almoçar com ele sem me chamar é como me deixar de lado, não acha? Lucas suspirou suavemente. Sua voz estava tão grave e atraente como sempre, mas, naquele momento, carregava um toque evidente de ciúme. Valentina revirou os olhos e lançou um olhar exasperado para ele. — Eu procurei o Marcos por um motivo sério. — Que motivo tão sério é esse que não dá pra ser compartilhado comigo? — Você conhece a Isabela, e até se dá bem com ela. Se eu te levasse junto, o Marcos não falaria a verdade nem por um decreto. Lucas arqueou uma sobrancelha, claramente interessado. — Então você foi almoçar pra tentar juntar os dois? — Algo assim. — Valentina suspirou, visivelmente desgostosa. — Mas acho que o resultado não foi muito bom. Pelo jeito, a Isabela vai acabar se decepcionando. Lucas deu um leve sorriso enquanto se acomodava ao lado dela na cama. Ele apoiou a cabeça sobre uma das mãos e, com a outra, começou a brincar dis
— Não! — Marcos respondeu com uma rapidez impressionante, quase ansioso. — Marcos, você respondeu tão rápido que parece até que está escondendo alguma coisa. Marcos se calou, mas o silêncio apenas reforçava a acusação de Valentina. — A Isabela é uma mulher muito boa. Ela tem uma personalidade direta, fala sem pensar às vezes, mas é só o jeito dela. Apesar de parecer impulsiva, ela nunca foi leviana. Você precisa parar de julgar as pessoas só pela aparência. — Não faz diferença. Entre nós dois, isso simplesmente não tem a menor chance de acontecer. Valentina franziu o cenho. — Não me diga que o problema é a origem dela ou a profissão que ela tem? — Ela nem sequer é uma cidadã reconhecida formalmente no nosso país. Só isso já torna o status dela um tanto... Complicado. E você sabe qual é a situação da minha família. As palavras de Marcos foram diretas, porém carregadas de um peso que Valentina ainda não havia considerado. Se o problema estava mesmo relacionado à posição
Lucas carregou Valentina no colo e a levou para o banheiro, onde lhe deu um banho reconfortante. Depois de limpá-la e cuidar dela com paciência, ele a deixou na cama, acomodando-a entre os lençóis macios. — Você precisa descansar. Durma um pouco. Eu vou descer para ver as crianças. Valentina estava, de fato, exausta. Assim, deixou-se levar pelo alívio de poder tirar um cochilo. Mas, quando acabara de fechar os olhos, algo lhe veio à mente. Ela os abriu repentinamente e esticou a mão para segurar Lucas antes que ele se afastasse por completo. Lucas parou, surpreso, e a olhou com atenção. — O que foi? — Ele perguntou, percebendo a seriedade no rosto dela. Valentina franziu levemente o cenho antes de falar: — Agora há pouco… Você não usou proteção contraceptiva. O comentário o pegou desprevenido, mas Lucas se manteve calmo. Sua expressão era tranquila, sem sinal algum de surpresa ou culpa. Aquela reação serena estava errada. Valentina o conhecia bem demais. Ele era o
Quando Valentina voltou ao quarto do hospital, Marina já estava dormindo novamente. Luiz percebeu sua chegada e imediatamente se levantou. — Sra. Valentina. Valentina respondeu com um aceno discreto. — Luiz, obrigada pelo esforço. — Sra. Valentina, a senhora não precisa agradecer. Marina é
Valentina pegou o celular e começou a procurar passagens de avião. Depois de finalizar a compra, ela fez mais duas ligações para resolver algumas questões de trabalho. Quando levantou os olhos novamente, percebeu que o motorista parecia estar indo na direção errada. — Essa estrada não é o caminh
Valentina nunca imaginou que, aos trinta anos, já seria o alvo principal de homens oportunistas e interesseiros, aqueles conhecidos como “caçadores de fortuna”. Naquele momento, ela havia saído para o terraço em busca de um pouco de ar fresco. Orson Winters apareceu logo atrás, segurando um prat
Valentina, ao ouvir as palavras do filho, também olhou para fora da janela. A neve continuava a cair, com flocos macios como penas de ganso dançando no ar. — Noah, você gosta tanto assim de neve? — Papai me prometeu. — Respondeu Noah, com a voz baixa. — Ele disse que, quando o inverno chegasse e







