ログインDaniela guardou o celular na bolsa e massageou a nuca, um pouco rígida.— Quando chegar em casa, eu ligo de volta.— Provavelmente não era nada urgente.Samuel foi até o elevador e apertou o botão.As portas se abriram, e os dois entraram.O elevador começou a subir devagar. Dentro da cabine, o silêncio pesava.Daniela mantinha os olhos fixos nos números que mudavam no painel, sem demonstrar emoção.Samuel estava um pouco atrás dela, observando em silêncio.O clima entre os dois tinha ficado estranho.O que Samuel fizera há pouco, ao pegar Daniela no colo, tinha ultrapassado os limites que os dois vinham mantendo até então.E aquilo realmente incomodava Daniela.Afinal, ela não tinha nenhuma intenção de levar a relação com Samuel além da amizade.Quando o elevador chegou ao andar, Daniela saiu primeiro.Samuel veio logo atrás.Ela caminhou alguns passos pelo corredor, mas parou de repente e se virou.Samuel também parou, sem entender.— O que foi?Daniela encarou ele, apertou os lábios
Benjamin levou um susto.Eduardo estava parado à porta, encarando ele com os olhos escuros, sem demonstrar emoção alguma.Benjamin engoliu em seco.— Não fica bravo. Eu só estou preocupado com o senhor. Se não quiser que eu ligue, eu não ligo...— Liga.Benjamin ficou confuso.— O quê?Eduardo manteve os olhos nele e respondeu em voz baixa:— Liga para Daniela agora.Benjamin franziu a testa, sem entender.— E o que eu digo para ela?— Diz que eu não quero comer.Benjamin ficou em silêncio.Eduardo insistiu:— Liga para ela.— Eu ligo agora. Mas o senhor não pode comer primeiro?Eduardo continuou impassível.— Não. Se eu comer, aí não vira mentira?Benjamin ficou sem palavras.Pensou consigo mesmo: “Ele pelo menos é sincero. Só que isso já está ficando infantil demais.”......Samuel tinha acabado de estacionar o carro na garagem quando ouviu o celular de Daniela tocar dentro da bolsa.Ela dormia profundamente.Samuel observou o rosto adormecido dela por alguns instantes. Depois de he
Às dez da manhã, Daniela terminou a reunião e voltou para o escritório.Mal tinha se sentado à mesa quando o celular tocou.Era Benjamin.Daniela atendeu.— Benjamin.— Sra. Daniela, estou ligando para avisar que o Sr. Eduardo já recebeu alta e voltou para casa.Daniela conferiu o horário.— Tão cedo?— Sim. Ele não conseguiu dormir ontem à noite e disse que estava se sentindo sufocado no hospital.— Certo, entendi. Mais tarde vou pedir para Viviane e Yasmin levarem as crianças para fazer companhia para ele.— Acho uma boa. Hoje ele está meio estranho, parece estar com alguma coisa na cabeça. Ele passou a noite sem dormir e, de manhã, saiu sozinho para caminhar no jardim.Daniela franziu a testa.— Ele passou a semana inteira no hospital e, pelo que sei, não aconteceu nada. Você perguntou o que houve?Benjamin soltou um suspiro.— Perguntei, mas a senhora conhece o jeito dele.Daniela apertou os lábios.Eduardo sempre guardava tudo para si. Era quase impossível arrancar alguma coisa d
— Amanhã cedo tenho uma reunião na empresa. Vou levar Dália para dormir comigo. Já que você está tão confiante, Diego e Ana ficam com você esta noite.Depois de dizer isso, Daniela se levantou, desejou boa noite a Diego e Ana e foi para o quarto principal.Samuel acompanhou ela com os olhos até a porta se fechar e ergueu as sobrancelhas.Em seguida, pegou o celular e sorriu para as crianças.— Venham tirar umas fotos comigo para eu postar no Instagram.......Às onze da noite, Eduardo finalmente encerrou uma videoconferência com uma equipe no exterior.Benjamin fechou o notebook e afastou a mesa.— Sr. Eduardo, já está tarde. Quer que eu ajude o senhor a se arrumar para dormir?— Eu consigo sozinho. Pode ir descansar na sala ao lado. Amanhã cedo, cuide dos procedimentos da minha alta. Antes de sair do hospital, preciso passar por uma avaliação com a Sarah.Benjamin assentiu.— Certo. Vou esperar o senhor terminar e depois vou descansar.Embora Eduardo já conseguisse cuidar de si mesmo,
Como Samuel ficou em silêncio, Daniela sabia que ele ainda estava irritado.Mas ela não tinha outra resposta para dar.Já tinha dito tudo o que precisava. O resto, Samuel teria que resolver sozinho.— Quantos dias você pretende ficar em Cidade dos Ventos?Samuel virou o rosto para ela.— Quantos dias você quer que eu fique?— Para mim, tanto faz. Mas você também deve estar ocupado, então se organiza como achar melhor. Só perguntei.Samuel soltou uma risada sem humor.— Você realmente não tem coração comigo.Daniela olhou para ele e suspirou.— É você que espera demais de mim. Nós dois somos adultos. Certas coisas eu só preciso dizer uma vez. Se eu ficar repetindo, no fim ainda vou acabar estragando a nossa relação.Samuel bufou.— Ainda existe alguma relação entre nós?Daniela sorriu.— Claro que existe. Amizade também é uma relação.— Você sabe que não é isso que eu quero.— E só porque você quer amor, eu sou obrigada a corresponder?Samuel ficou sem resposta.Daniela continuou:— Vo
Samuel levantou a mão e apertou as têmporas.— Às vezes, você podia mentir um pouquinho.Daniela olhou para ele e respondeu com sinceridade:— Acho melhor falar a verdade. Eu realmente esqueci. Antes do terremoto, eu já passava os dias no Estado de Alvéria tão ocupada que mal conseguia pensar direito. Depois que aconteceu, tudo virou um caos. Um dos integrantes da equipe ficou ferido, o sinal caiu, e só conseguimos sair de lá tão rápido porque Eduardo foi buscar a gente.Samuel encarou ela.— Então você ficou mexida?— De certa forma.Samuel franziu a testa.— Não vai me dizer que, só porque ele foi atrás de você no Estado de Alvéria, acabou se machucando e você ficou com pena, amoleceu e simplesmente perdoou tudo?Daniela continuava tranquila.— Eu fiquei preocupada e meu coração amoleceu um pouco, sim. Mas dizer que perdoei não é bem isso. Entre nós dois, essa questão de perdão já deixou de fazer sentido há muito tempo.Samuel respirou fundo, tentando conter a irritação que começava
Era uma noite de verão. No quarto principal, mergulhado na penumbra, o colchão da cama grande afundava sob o peso de dois corpos.A cortina leve deixava passar a luz branca da lua.As respirações se misturavam no ar, e as sombras se moviam silenciosamente.Eduardo havia bebido. Seus movimentos não
Nos três dias em que Eduardo não voltou para casa, Daniela também não ficou parada.Ela começou a separar tudo o que lhe pertencia. Tudo o que era seu foi cuidadosamente embalado, e ela chamou uma empresa de mudanças para levar as caixas embora.Viviane, ao ver aquela movimentação, percebeu que des
Se fosse antes, Daniela já teria corrido até ele para exigir explicações.Mas agora não.Ela tinha visto com os próprios olhos, na Villa do Lago, como Eduardo mimava Agatha e Diego.Sabia que Eduardo havia mudado.Mesmo que tivessem outro filho, nada entre eles voltaria a ser como antes.Ela não que
Agatha vestia um elegante traje profissional de alta-costura. Sua figura era esguia, e os longos cabelos castanhos ondulados caíam sobre os ombros. Caminhava com passos firmes e tranquilos, levemente inclinada enquanto dava instruções à assistente que vinha logo atrás.Ela realmente tinha agora o







