LOGINAinda assim, seria preciso conversar pessoalmente com a outra parte.A reunião ficou marcada para as dez da manhã seguinte.Às oito da noite, Tatiane ainda estava fazendo hora extra na empresa quando recebeu uma ligação de Bia.— Papai e mamãe só sabem trabalhar demais… Papai também ainda nem voltou pra casa.A voz de Tatiane se suavizou.— Bia, seja boazinha e vá dormir, está bem? Amanhã cedo você ainda tem aula na escolinha.Depois de desligar, Tatiane continuou trabalhando até as nove da noite. Só então começou a se preparar para ir embora.Nesse momento, o celular tocou de novo. Era Roberto.— Beto, o que foi?Do outro lado da linha, Roberto perguntou:— Ainda está ocupada?— Acabei de sair do trabalho. Estou indo pra casa. Você bebeu?A voz de Roberto estava pesada. Mesmo pelo telefone, dava para perceber o efeito do álcool.— Bebi. Preciso de um favor.Naquela noite, Roberto havia saído para beber com alguns amigos. O principal motivo era que eles queriam lhe pedir ajuda. O probl
Embora fossem rivais, Henrique e Leandro ainda tinham o número pessoal um do outro. Só que, na prática, quase nunca se falavam.A publicação dele no Moments logo deu o que falar.Várias pessoas começaram a mandar mensagens privadas para ele.André:[Finalmente criou juízo, hein? Parece que vocês se divertiram bastante. A Tati mudou um pouco a impressão que tinha de você?]Embora, na foto, o rosto dela estivesse praticamente irreconhecível, quem conhecia a história reconheceria Tatiane de imediato.Gilberto:[Então você também foi? Ontem você não quis ir ou foi rejeitado mesmo? Difícil saber!]Henrique simplesmente o ignorou.Gilberto continuou:[Você ficou irritado ontem à noite, não ficou? Aí hoje teve que tirar uma foto junto só pra contra-atacar.]Na noite anterior, Leandro também havia postado uma atualização, com fotos parecidas com as que Tatiane tinha publicado.Henrique ignorou as mensagens de Gilberto e não respondeu. Apenas mandou uma resposta para André:[Basta a Bia estar f
Henrique ficou em silêncio por um instante. Então baixou os olhos, desviou o olhar e disse, num tom indiferente:— Nada. Foi só curiosidade.Tatiane achou aquilo estranho, mas não pensou muito no assunto.Quanto a sentir falta do irmão... Antes, ela sentia. Quando se lembrava da família feliz que os quatro tinham formado um dia, chegava a se deitar à noite e chorar em silêncio.Mas tantos anos haviam se passado.Agora, ela tinha Cristiano. Tinha uma mãe que a acolhia de coração e um irmãozinho adorável. Por mais profunda que fosse aquela saudade, a felicidade trazida por essa nova família acabava, pouco a pouco, preenchendo os vazios antigos.Só que, ao ouvir alguém mencioná-lo outra vez, Tatiane não pôde deixar de se perguntar como ele e a mãe estariam vivendo agora.O irmão provavelmente já havia construído a própria vida, talvez até formado uma família. Ela nem sabia se ainda teriam a chance de se reencontrar algum dia.E, mesmo que se reencontrassem, talvez fossem apenas estranhos.
Tatiane não olhou para ele. Apenas disse a Bia:— Pronto, Bia. Daqui a pouco a gente precisa descer.No alto da montanha fazia frio demais.Bia não podia ficar ali por muito tempo.No fim, depois de tirarem uma foto com os bonecos de neve, os três pegaram o teleférico e desceram a montanha.Quando chegaram ao hotel, Leandro, Cristiano e os outros já tinham ido embora.Tatiane levou Bia de volta ao quarto para arrumar as malas. Como a viagem tinha sido curta, não havia muita coisa para guardar. A maior parte era de Bia.Depois de terminar, ela saiu do quarto.Henrique viu a sacola nas mãos de Tatiane e a pequena mala de Bia. Então se aproximou e pegou a malinha da filha.Ao olhar para a sacola que Tatiane ainda carregava, disse:— Me dá as sacolas também.Tatiane recusou com delicadeza:— Não precisa. Eu mesma levo.Bia olhou para Tatiane e disse:— Mamãe, o papai é menino. Então é o papai que tem que ajudar a mamãe a carregar as coisas.Tatiane estava prestes a dizer alguma coisa, mas
Antes que Tatiane pudesse responder, Bia já se adiantou:— Quero! Quero tirar foto com o papai e a mamãe.Mais uma vez, ela chamou Tatiane de mamãe com a maior naturalidade do mundo.Tatiane apenas acariciou a cabecinha de Bia.Henrique entregou a câmera que tinha nas mãos a um funcionário, que tirou várias fotos dos três.Depois, Henrique começou a conferir as imagens na câmera, e Bia logo se aproximou para olhar também. Tatiane, por sua vez, pegou o celular e gravou um vídeo do sol nascendo ao longe.A beleza arrebatadora do nascer e do pôr do sol era grande demais para caber na tela pequena de um celular.Henrique então pegou a câmera outra vez e tirou várias fotos de Tatiane e Bia.Alguns minutos depois, o topo da montanha já estava completamente iluminado.Os três desceram e deixaram o mirante.Bia levava nas mãos um molde de neve em formato de patinho e foi brincando pelo caminho, fazendo vários patinhos de neve. Tatiane ficou ao lado dela e ajudou a montar um boneco de neve.Só
No entanto, Tatiane interpretou aquilo apenas como uma tentativa dele de dar a Bia a sensação de ter uma família completa.Ela respondeu com um murmúrio baixo, sem demonstrar muita emoção, e segurou a mãozinha de Bia.Àquela hora, ainda era cedo demais. O hotel nem sequer havia começado a servir o café da manhã.Henrique, porém, já tinha ligado com antecedência para avisar. Quando os três desceram e chegaram ao restaurante, os garçons logo trouxeram a refeição.Bia se sentou ao lado de Tatiane, balançando as perninhas. A felicidade no rostinho dela era tão evidente que mal conseguia esconder.Só que, assim como na manhã anterior, Bia voltou a fazer manha na hora de comer.— Bia, coma o ovo inteiro. Não pode desperdiçar comida.Bia olhou para Tatiane, fez biquinho e resmungou:— Papai come…A voz de Tatiane ficou um pouco mais séria.— Bia, não pode ficar escolhendo comida desse jeito. Seja boazinha e coma o ovo.Os grandes olhos escuros e brilhantes de Bia logo se encheram de mágoa. El







