LOGINAgora, diante do filho, ela já não tinha mais como controlá-lo.— Felipe, por mais que você esteja insatisfeito com o Jorge, o Fá te chamou de irmão mais velho durante tantos anos.Felipe se levantou. Quando falou, sua voz saiu ainda mais fria:— Eu só tenho uma irmã. Irmão, nenhum.— Felipe...— Tenho coisas para resolver na empresa. Estou indo.Sem dizer mais nada, ele se virou e saiu da sala.Eliane ficou olhando enquanto ele se afastava, o rosto mergulhado numa expressão sombria.Às três da tarde, o carro finalmente entrou na garagem da casa na meia encosta e parou devagar.Lá em cima, o clima já era bem diferente do calor abafado da cidade. O ar estava fresco, agradável.Assim que desceu do carro, Bia já quis correr para soltar pipa.Tatiane e Henrique passaram a tarde inteira no jardim com ela.Bia fazia questão de que fosse o pai a empinar a pipa.Henrique ergueu a linha, soltou a pipa no vento, e Bia gritou, empolgada:— Tia Evelyn, olha! O coelhinho subiu lá no alto!Tatiane l
Bia disse que queria soltar pipa à tarde.— Hoje está muito quente. Melhor não. — Tatiane respondeu na mesma hora.Bia pensou por um instante e logo encontrou uma solução:— Na casa da montanha dá pra soltar pipa. Lá não faz calor. Eu e o papai vamos sempre pra lá.Ela estava falando da casa que Henrique tinha na serra.Tatiane lançou um olhar para ele.Henrique então disse à filha:— Depois do almoço você descansa um pouco, e aí a gente vai.— Tá bom.Depois do almoço, a babá separou tudo o que Bia poderia precisar.O motorista levou o carro até a entrada.Bia pulava de um lado para o outro, como um coelhinho elétrico.Criança era assim mesmo: a tristeza vinha num instante e, no outro, já tinha passado.Os três entraram no carro.Pouco depois de saírem, Bia adormeceu de novo. Henrique a cobriu com uma mantinha.Com a menina dormindo em silêncio, o carro mergulhou numa quietude pesada.Henrique e Tatiane seguiram sem trocar uma única palavra.Tatiane observava o rosto sereno da filha a
As duas permaneceram abraçadas por um bom tempo.Do lado de fora, junto à porta entreaberta, uma figura alta ficou parada em silêncio, observando a cena dentro do escritório.Aos poucos, apoiada no ombro de Tatiane, Bia foi se acalmando.Tatiane então a pegou no colo e saiu.O homem já não estava mais ali.De volta ao quarto, ela limpou com cuidado o rostinho da menina.Bia segurou a toalhinha e, com toda a dedicação do mundo, começou a enxugar o rosto de Tatiane também. Tatiane se abaixou um pouco, deixando que ela fizesse aquilo, enquanto a menina murmurava, muito séria:— Tia Evelyn não chora. Eu também não choro.Tatiane sorriu e acariciou de leve a bochecha da filha.— Tá bom. A gente não chora, tá?Criança se acalma rápido.Pouco depois, Bia já estava sorrindo de novo, como se nada tivesse acontecido.Depois de lavar o rosto, ela chamou, de repente:— Tia Evelyn...— O que foi?Bia fez uma carinha meio sem graça, hesitante.— Hoje... A tia Evelyn pode ficar aqui comigo? Amanhã a
— Você... — A respiração de Tatiane falhou por um instante. — O que é que você quer, afinal?Henrique se virou e foi até ela em passos largos.Antes que Tatiane pudesse reagir, ele agarrou seu pulso com força.— Henrique... Você ficou louco?No instante seguinte, Tatiane foi atirada no sofá.Logo depois, a presença dele caiu sobre ela como uma tempestade, opressiva, sufocante, fazendo cada poro do seu corpo se contrair.Ela arregalou os olhos, tomada pelo pânico, e encarou o homem inclinado sobre si. Henrique segurou seu queixo, forçando-a a levantar o rosto e encará-lo.O semblante dele parecia talhado em gelo.— Com que direito eu te trato assim? — Repetiu, deixando escapar uma risada curta, carregada de escárnio. — Com o direito de que foi você quem resolveu se meter com o que não devia.Tatiane permaneceu imóvel, com o corpo inteiro em alerta, observando-o com cautela.— E agora? Vai querer ficar com quem desta vez?O tom dele vinha carregado de deboche, de pura provocação.O peito
Ao que tudo indicava, o Henrique não demonstrava o menor interesse por Evelyn.As duas ficaram intrigadas. Até pensaram em dizer alguma coisa, aconselhar, alertar… Mas, no fim, nenhuma teve coragem de abrir a boca.Só lhes restava esperar uma chance de contar tudo à Bianca.Tatiane e Bia foram para o quarto.Bia mostrou a ela o desenho que havia feito antes, o retrato da mãe.— Tia Evelyn, olha... Ficou bonito?Tatiane baixou os olhos para a folha.Bia já tinha desenhado os traços do rosto. O estilo ainda era bem infantil, típico de desenho de criança, mas a pequena pinta em forma de lágrima abaixo do canto do olho e aqueles traços delicados deixavam claro quem ela tinha tentado retratar.Tatiane observou o desenho com atenção.— Ficou lindo. Você desenha muito bem, Bia.— Então é pra tia Evelyn.Tatiane afagou a cabecinha da menina.— Obrigada, Bia.— De nada. Eu já arrumei tudo. Posso ir hoje pra casa da tia Evelyn?— Claro. Mas espera só um pouquinho, tá? Antes eu quero conversar co
— Obrigada, professor. Quero tentar falar com Henrique mais uma vez. Depois eu entro em contato com o senhor.Por Bia, pelo menos, Tatiane não queria que tudo acabasse da pior forma possível.Leandro apenas assentiu:— Tudo bem.Logo depois, ela ligou para o advogado Thiago e cancelou, por enquanto, o encontro marcado para aquele dia.Assim que terminou o café da manhã, pegou o carro e foi direto para a mansão no Residencial Aurora.Parou em frente ao portão.Antes, era quase impossível saber onde Henrique estava. Ultimamente, porém, aos fins de semana ele costumava ficar em casa.Tatiane tocou a campainha.Pouco depois, Ana apareceu para atender. Assim que viu quem era, fechou a cara.Tatiane nem olhou para ela e entrou sem pedir licença.— Ei, o que você acha que está fazendo? Aqui não é sua casa.Ana se adiantou para barrar sua passagem.Tatiane parou e lançou a ela um olhar cortante.— Sai da frente. A menos que queira apanhar.Ana estremeceu. Ficou imóvel, sem coragem de dar mais
A ligação mal tinha terminado quando a voz de Karine, carregada de manha e ressentimento, soou ao lado dele:— Rick, hoje você tem que ficar comigo.Sete da noite.Tatiane foi finalmente retirada da sala de cirurgia, empurrada em uma maca, usando uma máscara de oxigênio.As pessoas que aguardavam do
Por volta das 11h30, Henrique acabava de retornar ao escritório quando a secretária se aproximou.— Sr. Henrique, há um senhor na recepção que se identificou como irmão da Sra. Tatiane. Ele pediu para falar com o senhor.Henrique interrompeu o passo por um instante.— Pode mandar subir.— Sim, senho
A ligação foi atendida quase imediatamente.Do outro lado da linha, Tatiane ouviu o choro do bebê.No mesmo instante, o coração dela se apertou com força. Vinha se esforçando ao máximo para não pensar na criança. Durante o dia, até conseguia se distrair, fingir que estava tudo sob controle. Mas à no
Cristiano trouxe o carro até a entrada.Marcos empurrou a cadeira de rodas de Tatiane com cuidado, descendo os degraus lentamente.Ao chegarem perto do carro, Cristiano se inclinou e a pegou no colo de uma vez só. Mônica ficou ao lado, ajudando, até que Tatiane fosse acomodada com todo o cuidado no







