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last update publish date: 2026-09-06 13:10:58

Lauren deteve-se no umbral do quarto, com o coração acelerado descontroladamente contra as costelas. Ali estava ela, na iminência de sua própria noite de núpcias: uma mulher casada perante a lei, mas ainda virgem, aterrorizada sem saber o que a aguardava. Olhou ao redor, absorvendo os detalhes elegantes daquela suíte luxuosa, mas tudo ali lhe parecia estranho e ameaçador.

Alexander entrou logo em seguida, fechando a porta com um estalido seco que ecoou dolorosamente no silêncio do aposento. Lauren estremeceu de forma involuntária, sentindo a tensão elétrica crescer de maneira sufocante entre eles. Durante a festa, haviam mantido as aparências com maestria, sorrindo e acenando para os convidados, mas agora, a sós, já não conseguiam esconder o desconforto palpável que os cercava.

— Está pronta, Lauren? — perguntou Alexander, num tom que tentava soar polido, mas que deixava transparecer toda a sua impaciência reprimida.

Parecia que ele estava apenas zombando dela; obviamente, ela não estava preparada para ir para a cama com ele.

Lauren engoliu em seco, desviando o olhar para evitar o contato visual direto.

— Eu... não tenho certeza — admitiu em um fio de voz, sentindo-se submersa por uma onda de pavor.

Alexander deu mais um passo à frente, fixando nela um olhar penetrante.

— Somos marido e mulher agora. É nosso dever consumar este casamento.

As palavras caíram sobre os ombros de Lauren como uma bigorna esmagadora. Dever conjugal. Era exatamente o que se esperava dela; o que se exigia de qualquer mulher na sua posição subalterna. Mas o medo e a incerteza paralisavam suas pernas.

— Por favor, Alexander. Eu... preciso de mais tempo — suplicou, encolhendo-se levemente contra si mesma. — Eu não quero fazer isso.

A mandíbula de Alexander tencionou-se instantaneamente, e Lauren flagranateou o reflexo nítido da frustração nos olhos dele.

— Mais tempo? — ele bufou, incrédulo. — Não temos o ano todo, Lauren. Vamos fazer isso hoje, quer queira quer não.

Uma onda de pánico invadiu o peito da jovem. Por um segundo, chegou a vislumbrar a possibilidade de escapar daquela obrigação. No entanto, aquele homem parecia um leão faminto, e ela, a presa encurralada. Ele não a deixaria ir.

— Eu... não consigo, Alexander. Por favor, tente entender — implorou, recuando mais um passo, acuada como um animal selvagem. — Você não pode me obrigar!

Alexander deu mais um passo decisivo em sua direção, fechando o cerco.

— Entender o quê, Lauren? Que você está se recusando a cumprir suas obrigações básicas? — A voz dele elevou-se, revelando uma irritação crescente. — Acha mesmo que pode fugir disso? Já que gosta tanto de dinheiro fácil, arque com as consequências.

Lauren estremeceu, sentindo os olhos arderem com lágrimas quentes que ameaçavam transbordar.

— Você não sabe o que está dizendo! — soltou entredentes, fazendo-o rir com escárnio antes de agarrá-la firmemente pelos ombros.

— Ah, não sei? Porque neste exato momento sua madrasta, seu tio e seu irmãozinho estão desfrutando de uma das propriedades que conseguiram graças a essa transação. Você é só uma aproveitadora que não perdeu tempo, e agora vem dar uma de recatada? Quer me ver perder a paciência de vez? — cuspiu as palavras com puro ódio.

Ela engoliu a saliva com dificuldade, sentindo o gosto amargo da humilhação.

— Não é nada disso. Eu... estou com medo — confessou em um sussurro quase inaudível, envergonhada da própria fragilidade.

Alexander a fitou intensamente, deixando transparecer algo mais que Lauren foi incapaz de decifrar.

— Medo? — ele bufou com desprezo. — Você é minha esposa agora, Lauren. É seu dever me satisfazer.

Sentiu o ar faltar-lhe nos pulmões. As palavras de Alexander funcionavam como adagas cravadas diretamente em sua alma. Dever. Satisfazer. Conceitos que lhe pareciam terrivelmente distantes, frios e aterrorizantes.

— Por favor, Alexander. Eu preciso de mais tempo. Eu... não posso — sussurrou, praticamente rastejando em súplica.

Ele a encarou fixamente por alguns segundos intermináveis, com a expressão endurecendo ainda mais. Então, sem aviso prévio, avançou e agarrou-a pelo braço, puxando-a com força desmedida.

— Acabou o tempo, Lauren — rosnou, com a voz grave e inflexível. — Você é minha esposa e vai fazer exatamente o que eu mandar.

O pânico paralisou o corpo da jovem enquanto Alexander a empurrava em direção à cama. Ela tentou resistir com todas as suas forças, mas a superioridade física dele era avassaladora. O coração batia descompassado enquanto ela lutava inutilmente, suplicando exaustivamente para que ele parasse.

Mas Alexander não parou. Com movimentos bruscos e desajeitados, começou a arrancar o vestido de noiva dela, ignorando por completo os soluços e as súplicas desesperadas de Lauren. Ela se contorcia e chorava, sentindo-se totalmente impotente diante da brutalidade do próprio marido.

Quando ele finalmente cessou os movimentos, ofegante e plenamente consciente do que acabara de cometer, fitou Lauren estendida sobre os lençóis, desfeita em lágrimas. Um lampejo fugaz de remorso cruzou seu semblante. Sem pronunciar uma única palavra, levantou-se, ajeitou as vestes e saiu do quarto, deixando-a sozinha com sua dor, sua culpa e seu desespero.

Lauren encolheu-se na cama, abraçando o próprio corpo num esforço patético para se proteger. Sentia-se suja, quebrada, profundamente traída. Cada um de seus piores temores havia se materializado, e agora encontrava-se aprisionada em um casamento que lhe roubara até a última gota de dignidade.

Fitando a lua cheia através da janela, que projetava uma luz pálida e fria sobre a cidade, sentiu-se reduzida a cinzas... condenada a viver nas sombras de uma relação que jamais desejara. Com o coração estilhaçado em mil pedaços, compreendeu que sua vida, tal como a conhecia, havia chegado ao fim.

Na manhã seguinte, ao abrir os olhos sob a claridade implacável do sol que invadia o quarto, sentiu-se ofuscada. Como uma avalanche descontrolada, todas as lembranças da noite anterior retornaram à sua mente, condenando-a a reviver cada segundo daquele pesadelo. Sentou-se na cama, cobrindo o rosto com as mãos trêmulas.

Forçou-se a levantar, embora o seu único e verdadeiro desejo fosse fechar os olhos para nunca mais despertar; mas a realidade, cruel, impedia tal descanso.

Pouco depois, uma empregada trouxe-lhe o café da manhã e voltou a trancar a porta pelo lado de fora. Nem era preciso perguntar para saber que cumpria ordens estritas daquele homem tirano.

A comida posta na bandeja parecia requintada, mas ela não tinha o menor apetite. Não tocaria em um único bocado; recusava-se a alimentar-se. Para quê comer se sua vida continuaria sendo igualmente detestável? A morte parecia a melhor alternativa, embora a própria fome começasse a importuná-la fisicamente, tornando o jejum absoluto um sacrifício quase insuportável.

— Seja forte, Lauren, seja forte... — repetia para si mesma, contendo as lágrimas com um nó doloroso na garganta.

Quase no cair da noite, a porta abriu-se com um baque violento. Uma Lauren debilitada ergueu o olhar para encarar o marido e soltou um suspiro fraco. Alexander afrouxou o nó da gravata e caminhou a passos firmes até parar diante dela.

— Por que se recusa a comer? Quer morrer por acaso? — repreendeu-o, severo. — Faz isso só para me ver infernizar o mundo, não é? Quer que eu me transforme em um verdadeiro monstro com você?

— Você já é uma besta comigo... — murmurou ela num fio de voz. Ele tencionou o dorso do nariz, irritado. — E eu quero morrer sim. Deixe-me morrer, Alexander.

— Morra, então. Faça isso se é realmente o que deseja.

O homem virou as costas e bateu a porta, abandonando-a sozinha na penumbra.

Horas mais tarde, vencida pela fraqueza, Lauren acabou cedendo e comeu a comida já fria; pois, por mais terrível que fosse sua situação, o instinto de sobrevivência falava mais alto e ela, no fundo, não queria morrer.

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