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Capítulo 2

Penulis: Shirley
Ouvi as provocações grosseiras, sem expressão, como se estivessem falando de outra pessoa.

Depois de sete anos, eu havia aprendido a ser uma casca vazia, oca e sem sentimentos.

Para sobreviver ao preço que haviam colocado pela minha cabeça, lavei manchas de sangue das calçadas das favelas e carreguei caixas em depósitos de bebidas em becos.

Já apontaram armas para minha cabeça, e fui chamada de puta por jogadores que tinham perdido até o último centavo.

Minha dignidade era um luxo, despedaçada junto com a vida do meu pai naquela noite de tempestade, sete anos atrás.

Embaralhei e cortei o baralho com perícia, com minhas mãos se movendo com precisão mecânica.

— Don Declan, suas cartas — repeti.

Declan encarou meus olhos.

Parecia querer arrancar minha máscara e encontrar um resquício de vergonha, uma lágrima, qualquer coisa.

Mas ele ia se decepcionar.

Não havia nada nos meus olhos além de um cansaço profundo e interminável.

Minha indiferença morta finalmente o enfureceu.

Ele, de repente, riu, um som frio, e jogou um maço grosso de dinheiro no chão.

— Você sempre amou dinheiro, não é? — Declan olhou para mim, com seus olhos cheios de uma violência fria.

— Venha aqui. Ajoelhe-se e pegue. É tudo seu quando terminar.

Ele estava me humilhando da forma mais degradante que conhecia.

Sete anos atrás, ele era um bastardo sem nada, desprezado por todos.

Para me comprar um vestido decente, ele já teve duas costelas quebradas em uma arena de lutas clandestinas.

Olhando para ele agora, jogando uma fortuna aos meus pés com tanta facilidade, eu senti um leve alívio.

Ele estava melhor. Só não tinha nada a ver comigo.

Maeve se inclinou contra ele, rindo baixinho.

— Ah, Declan, não seja tão duro com ela. Ela recusou o trabalho de babá na minha propriedade, mas isso é muito dinheiro. Sienna, ande, pegue logo.

Eu não tinha escolha. Eu precisava do dinheiro.

Afastei-me da mesa de jogo, caminhei até os pés dele e me ajoelhei sem mudar minha expressão.

Uma nota. Duas. Três.

Quando minha mão alcançou a última, a ponta afiada de um salto fino desceu com força sobre o dorso da minha mão.

Uma dor aguda atravessou minha mão quando o salto rompeu a pele, fazendo o sangue brotar.

— Ops, nem te vi aí — disse Maeve, cobrindo a boca e rindo alto, pressionando o salto um pouco mais fundo de propósito.

Eu não recuei, nem sequer puxei a mão de volta.

Apenas permaneci ajoelhada no chão, calmamente, esperando que ela tirasse o pé.

Então, com a mão sangrando, peguei a nota manchada de sangue.

Calculei quantos dias de comida aquilo compraria, como finalmente poderia dar algo decente para minha mãe comer.

Essa era a minha vida agora.

Não havia espaço para amor ou ódio, apenas contas intermináveis e dívidas que eu nunca conseguiria pagar.

Quanto à dignidade, aquilo era um jogo que só os ricos podiam se dar ao luxo de jogar.

— Obrigada pela sua generosidade, Don.

Guardei o dinheiro e me levantei.

Ele viu minha reação entorpecida, viu minhas mãos. As mesmas mãos que um dia cuidaram dos ferimentos dele com delicadeza, agora cobertas de calos por embaralhar cartas, marcadas por um ferimento recente e sangrento.

As pupilas de Declan se contraíram, sua expressão endurecendo, como se estivesse reprimindo algo.

Mas o momento foi passageiro, e ele rapidamente voltou ao seu eu frio e implacável e chutou a cadeira de couro à sua frente.

— Saia. Arranje um substituto.

É claro que eu não iria embora. Para o jogo daquela noite, eu precisava das gorjetas e da minha parte.

As contas médicas da minha mãe do mês seguinte ainda não estavam pagas, e os agiotas estavam mandando ameaças de morte novamente.

Fui até o banheiro e lavei rapidamente o ferimento na torneira.

Desamarrei o lenço de seda do meu pescoço e o amarrei com força ao redor da mão sangrando.

Então empurrei as portas pesadas e voltei para o salão, de volta ao ar denso de fumaça de charuto e violência.
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