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CAPÍTULO 2

Penulis: Fiorella
Rodrigo me mandou uma mensagem quase na mesma hora.

"Como assim?"

Quer dizer terminar, ué.

Eu não tive paciência para explicar. Bloqueei todas as formas de contato dele e saí daquele grupo de doze pessoas.

Quando levantei os olhos de novo, o carro já tinha parado na frente do condomínio que a gente tinha alugado fora do campus.

Naquela noite, Rodrigo não voltou.

Provavelmente foi continuar com Carolina aquilo que eu tinha interrompido.

Pensando nisso, eu comecei a arrumar a mala e acabei encontrando uma polaroid.

Era do ensino médio. Eu, ainda apaixonada em segredo, tinha tirado uma foto dele resolvendo exercícios no intervalo. No instante em que ele olhou na minha direção, o olhar vinha suave e distante ao mesmo tempo.

Naquela época, meu rosto esquentou de vergonha. Com medo de ele perceber meu sentimento, eu saí quase correndo.

A foto ficou parada na minha mão por um bom tempo, enquanto o céu lá fora escurecia aos poucos.

Eu coloquei a polaroid no fundo da mala e fechei o zíper.

Sentei no chão e olhei em volta daquele quarto em que eu tinha vivido por mais de dois anos. As lembranças começaram a voltar sem pedir permissão.

Eu e Rodrigo só ficamos juntos de verdade no segundo semestre do primeiro ano da faculdade.

No ensino médio, a gente tinha estudado na mesma escola por três anos e quase não tinha trocado uma palavra.

Ele tinha boa aparência, vinha de uma família confortável, era o melhor da turma. Jogava bem, chamava atenção. Sempre tinha gente em volta.

Eu era só uma aluna comum. Minha maior coragem era fingir passar pela porta dos fundos da sala dele no intervalo, só para dar uma olhada rápida no perfil dele de cabeça baixa, escrevendo.

Eu e ele sempre fomos de mundos diferentes.

Depois do vestibular, entramos na mesma universidade.

No dia da matrícula, eu me perdi na frente do ginásio, carregando uma pilha pesada de papéis, e quase esbarrei em alguém.

Os documentos caíram no chão. Eu me abaixei às pressas para juntar, e ouvi uma voz acima de mim.

— Verônica?

Levantei a cabeça e vi Rodrigo parado contra a luz, usando uma camiseta branca simples, o rosto bem definido.

Ele sabia meu nome.

Eu fiquei sem reação. Ele já tinha se agachado para me ajudar a pegar os papéis.

— A aluna da turma 3, Verônica, né? — Ele falou enquanto juntava os documentos. — Você discursou na formatura como aluna destaque. Eu lembro.

Meu coração estava uma bagunça. Eu só consegui concordar com a cabeça.

Ele pegou boa parte da pilha e perguntou para qual prédio do dormitório eu ia. Fomos andando, e ele foi falando dos professores do ensino médio, da novidade da vida universitária, com um tom natural, como se a gente já fosse próximo.

Quando chegamos embaixo do prédio, ele me entregou os papéis e sorriu:

— Agora somos colegas de universidade. A gente se fala.

Eu fiquei segurando o celular, olhando ele se afastar, com a palma da mão toda suada.

Depois disso, a gente realmente começou a se falar com frequência.

No começo, era só se cumprimentar quando se encontrava no campus. Depois, almoçar juntos no refeitório.

Mais tarde, ele passou a me chamar para estudar na biblioteca.

Ele não era tão estudioso assim. Muitas vezes, ficava lendo um pouco e depois dormia apoiado na mesa, o cabelo macio caindo na testa.

Eu lia meu livro e, de vez em quando, olhava para ele. O peito ficava cheio de uma sensação agridoce.

Na noite de Ano-Novo, ele me chamou para ver os fogos à beira do rio.

A multidão apertou, e a gente se perdeu um do outro.

Eu fiquei procurando, quando de repente as luzes de um palco piscaram.

Todo mundo virou para olhar a banda.

E, no centro, Rodrigo, o vocalista, sorria para mim, os olhos firmes e atentos, cantando diretamente para mim.

No instante em que os fogos explodiram no céu, ele gritou:

— Verônica, eu gosto de você há muito tempo. Vamos ficar juntos!

Eu encarei os olhos dele, brilhando, e só ouvi meu coração batendo forte. Juntei coragem e respondi alto:

— Sim!

No começo, tudo foi doce.

Ele acordava cedo e atravessava metade do campus para me levar café da manhã.

Quando eu ficava resfriada, ele tentava cuidar de mim, todo desajeitado.

Lembrava de um filme que eu tinha comentado por acaso e comprava os ingressos.

Ele me fez acreditar que eu tinha escolhido a pessoa certa.

Carolina apareceu seis meses depois de a gente começar a namorar.

Ela era a amiga de infância de Rodrigo. Morava na porta da frente da casa dele. Cresceram juntos.

Quando a vi pela primeira vez, entendi o que é ter nascido um para o outro.
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