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CAPÍTULO 3

Penulis: Fiorella
Ela vestia um vestido amarelo-claro e veio sorrindo, dando uma tapinha no ombro de Rodrigo.

— Rodrigo!

Só então me notou. Passou os olhos pelo meu rosto e sorriu ao perguntar:

— Então essa é a sua namorada? Parece tão quietinha.

— E essa roupa… como é que eu digo…

Ela soltou uma risadinha. O deboche nos olhos era claro.

Eu baixei a cabeça e belisquei a barra do meu vestido, amassando o tecido. Meu rosto queimava.

O vestido tinha custado pouco mais de cem, mas perto da marca que ela usava, parecia barato demais.

Rodrigo puxou a cadeira para ela com naturalidade e perguntou por que tinha aparecido de repente.

Ela disse que estava de mau humor, tinha brigado com a colega de quarto.

Naquela tarde, eu e Rodrigo tínhamos combinado de ir a uma exposição.

Mas depois de ouvir Carolina reclamar, ele se virou para mim e disse:

— A gente vê a exposição outra hora. Vou dar uma volta com a Carolina para ela esfriar a cabeça.

Eu congelei por um segundo e disse que tudo bem.

Carolina imediatamente se pendurou no braço dele e fez uma carinha de desculpa para mim, mostrando a língua.

— Desculpa. Vou emprestar seu namorado por um pouquinho, tá?

Ninguém percebeu o quanto eu fiquei sem chão. Nem Rodrigo.

Aquilo foi só a primeira vez.

Depois, aconteceu cada vez mais.

Carolina levou um fora e ligou chorando para Rodrigo. Ele pegou um carro de madrugada e foi até a faculdade dela para consolá-la.

Carolina quis comer o doce tradicional da zona oeste. Rodrigo faltou à aula para ir com ela enfrentar fila.

No aniversário de Carolina, Rodrigo juntou um monte de amigos para comemorar, correu para lá e para cá. Esqueceu completamente que naquele dia também era o nosso aniversário de um ano juntos.

Toda vez que eu ficava chateada, Rodrigo repetia as mesmas frases.

— Ela sempre foi assim comigo. É como uma irmã mais nova. Para de pensar besteira.

— A gente se conhece há tantos anos. Você não pode ser mais compreensiva?

— Verônica, por que você ficou tão mesquinha?

Briga, silêncio, reconciliação. Um ciclo sem fim.

No fim de toda discussão, eu via o rosto dele cansado e irritado e acabava estendendo a mão primeiro.

Ele me puxava para um abraço e dizia:

— Calma, calma. A única pessoa que eu amo é você.

E tudo continuava igual.

A Carolina o procurava a qualquer hora. E ele nunca aprendia a dizer não.

Ainda achava que o meu incômodo era exagero.

Até esta noite.

Eu vi com meus próprios olhos, no hotel, ele e Carolina enrolados um no outro.

Todas as desculpas que eu inventava para mim mesma se despedaçaram.

Se ele me achava um peso, então eu só precisava ir embora.
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