Masuk22
1842
Os farroupilhas se desorganizam, minados por intrigas.O Império se fortalece. O vice-presidente da República, Antônio Paulo da Fontoura, é assassinado em Alegrete. Nesta época os imperiais contavam com oito mil homens, crescendo sempre com contingentes enviados do centro do país. No final deste ano Caxias iniciou sua campanha com 12 mil soldados, munição à vontade, e bem equipados. Era mais do que a metade da força militar total do país, calculada nesta época em 21.968 soldados. Os legalistas controlavam toda a orla marítima e toda a linha de navegação fluvial, desde a Lagoa Mirim até as imediações da Cachoeira, no Jacuí, e os pontos acessíveis aos navios de guerra nos rios Taquari, Cai e dos Sinos. Os Farrapos tinham agora, somente 3.500 homens, mostrando sua superioridade tática.
─Eu preciso voltar a Viamão. Desde que a guerra começou, eu não pude retornar. Quero ver minha família, e principalmente Sophie! O mascate Simão que poderia me trazer notícias, pois estava vindo para essas bandas, evaporou. Tenho cá para mim que até morreu. – disse ele angustiado ao seu superior. ─Eu dou a minha palavra, que fico a par de tudo por lá, e volto.
─Sei que não vai desertar como muitos fizeram Diogo. Sei de tua coragem e teu senso de compromisso com teus ideais e a lealdade com teus companheiros! Até aqui, tu foste um exemplo de soldado. Pode ir. E que Deus te acompanhe por esses pagos, tchê!
Diogo se despediu dos amigos e partiu o mais rápido que pôde. Levou trinta dias para chegar a Viamão com um bom cavalo e mais dois companheiros que conseguiram uma licença para visitarem as famílias.
Foi direto na casa de sua mãe. Quando Eva o viu, precisou se controlar ou morreria com tanta emoção. Seus irmãos o receberam como um herói fazendo tantas perguntas sobre a guerra que ele ficou zonzo. Procurou responder a todas elas, enquanto observava a mãe colocar a água a ferver na cambona, depois retirar do fogo e despejar dentro dela duas colheres de café em pó. Mexer com a ponta da faca até dissolver todo, depois voltar com a cambona ao fogo. Quando levantou nova fervura, retirou do fogo e colocou um tição aceso dentro do café, provocando uma ebulição. Manteve o tição dentro do café por segundos. Com as costas da faca, deu algumas pancadinhas por fora, na cambona. Sentaram-se nos pelegos dobrados sobre as cadeiras, para tomarem o café, acompanhado por bolachão e pão caseiro, costumes herdados pelos tropeiros, e os índios, e que Dona Eva sabia fazer tão bem. Ele comeu com muita vontade. Sonhava com aquele café e o pão caseiro de sua mãe. Uma cozinheira milagrosa e criativa na arte de transformar o pouco no suficiente numa cozinha pobre, e ainda mais naqueles tempos de guerra e escassez de tudo. Como ele sentira saudade!
Mas Diogo estava estranhando o comportamento dela. Eva falava pelos cotovelos, saindo de um assunto e entrando em outro, como se fugisse, ou não quisesse que ele falasse. Finalmente...
─Teu pai teve um ataque cardíaco quando veio para casa no último natal...
─Eu sabia da visita dele em casa, mas... não ouvi falar se tinha retornado. Nos vimos pouco, em pelotões diferentes. - ele estava realmente muito tocado com a morte do pai. E Eva mais ainda com o que tinha a contar a ele. ─Nós não éramos amigos, mas eu sinto muito mãe... Afinal, ele era meu pai.
─Essa guerra levou muitas pessoas, filho... destruiu famílias.
─Eu sei, mãe. - ele suspirou. ─E fico me perguntando se valeu a pena tantas mortes.
Ela assentiu tristemente. Procurou ter o máximo de cuidado. Falou de Deusa e suas chinocas, da casa incendiada, da chegada de Dario a estância das Magnólias, e à medida que ela contava e via o transtorno no olhar dele, a conversa ia ficando mais e mais difícil.
─Dizem que foi um ataque dos caramurus...
─Quantas tragédias! Mas como? Não havia... E Sophie? Mãe, pelo amor de Deus!
Eva baixou os olhos e ele entendeu tudo. Os olhos de Diogo lacrimejaram arregalados numa incredulidade espantosa. Podia-se ver a menina dos olhos escura e todos os seus pequenos traços. Mas principalmente a dor profunda. Seu corpo gelou, seus poros fecharam, e suas artérias pararam. Por um momento, ele pôde ver o que estava acontecendo dentro do seu interior. A reação física era espantosa, mas a reação emocional e espiritual ia além do seu entendimento.
Diogo voltou a lembrança a uma noite em que olhava para o céu pensando nela e pegou no sono. De repente acordou sufocado e assustado a ponto de passar mal.
─Sophie...
Um mau presságio. Um mau agouro. Teve a impressão de ver uma sombra passando ao seu lado, mas não deu importância. Naquela noite, ele não dormiu. Ficou acordado, angustiado de saudade e de falta de notícias dela. E agora... entendia a razão. Diogo sentiu a morte dela.
─Não posso acreditar, mãe...
─É o que dizem meu filho. Sophie teria se casado com esse Dario e engravidou. Morreu no parto junto com a criança... Eu achei tudo muito estranho, depois de...
Ele saiu em desabalada, deixando-a ali, sentada do lado do fogão a lenha, segurando a cuia de chimarrão na mão, olhando o vazio que a guerra, e todos os que partiram deixaram na alma de cada um dos gaúchos.
O cavalo de Diogo corria velozmente pelos campos, atalhando caminhos para chegar o mais depressa possível. Seu coração batia num ritmo descompassado. Não conseguia acreditar nas coisas que a mãe lhe dissera. Não podia ser!
Era um engano. Um terrível engano! Chegaria à estância e a encontraria na janela o esperando com aquele sorriso de menina maravilhoso, aquele olhar que lembrava o céu e seu infinito.
Atravessou o portão imenso entre os muros altos construídos para proteger a fazenda e saltou de seu cavalo com os olhos fixos naquela janela. Nada! Não via uma viva alma naquele lugar. Apenas o vento soprando e murmurando coisas em seus ouvidos que ele não entendia.
Ele procurava algo. Faltava algo de muito importante. Fitou a árvore de magnólias, não sentia o perfume. Desesperado, invadiu a casa, batendo com o salto gasto da bota velha no assoalho de madeira. Subiu as escadas de dois em dois. No corredor, sentiu seu coração parar por um momento. Caminhou até o quarto onde viveram momentos inesquecíveis. Quando abriu a porta ele sentiu o leve aroma das flores. Sorriu. Ela estava ali.
─Sophie, minha guria...
Nada! Silêncio absoluto. Procurou-a no banheiro, foi até a janela. Fitou a planície, os arredores. Ninguém. Parecia tudo abandonado. Sentindo que ia fraquejar, ele saiu do quarto em busca de alguém que pudesse falar com ele. Na cozinha, Diogo parou ao ver uma negra velha sentada numa cadeira olhando através da janela com o olhar perdido na imensidão. Sentiu seu coração bater descompassado de alívio.
─Até que enfim uma viva alma! Onde está, Sophie? Cadê seu patrão?
Malvina custou a responder, mas quando o olhou, Diogo teve todas as certezas de que não queria.
─A moça Sophie se foi... No lugar que ela tá, só quando o senhor desencarna pra encontra... E o outro, partiu pra casa, mas vai volta, e o sinhô tem que mata!
Diogo sentiu o impacto daquelas palavras. Sabia que Sophie estava morta desde que vira a expressão de sua mãe, mas não queria acreditar naquela tragédia. E agora tinha certeza por aquela mulher, que Sophie sofrera algo muito sério.
─Os restos dela está no cemitério da família...
Diogo partiu em seu cavalo para rever a mulher amada, sem vida, na sua última morada.
Diogo encontrou poucos túmulos, e o dela mais a frente, com uma pequena cruz e seu nome gravado nela. Ajoelhou-se e chorou pedindo perdão por não estar presente. Culpava-se por tudo que tinha acontecido. Jamais teria paz, por saber que não esteve com ela nos momentos que ela mais precisou.
─Por que ele não me ouve? Por que não me vê? - ela indagava angustiada depois de andar atrás dele como louca pela casa e agora ali no pequeno cemitério da família. Pela primeira vez, podia ver o amor de sua vida! E como ele era lindo! Os cabelos castanhos revoltos e escuros compridos na altura dos ombros, a barba cerrada, o olhar negro como a noite. O corpo magro e atlético, a força do andar, dos movimentos, da maneira de olhar. Era incrível que somente depois de morta pudesse ter esse prazer: admirar aquele que ela amava com toda a força de sua alma.
Penalizada, Afroline a olhava sem saber o que dizer.
─Ele não pode te ver.
─Como não? Ele viu Malvina! Ela morreu no mesmo dia que eu!
─Ela estava ali para dar a certeza que ele não queria. Ela estava em missão.
─Eu preciso falar com ele! Eu preciso contar sobre a nossa filha! Tu pode fazer esse milagre!
─Não, não posso. Não insista. Tu já está infringindo todas as regras ficando aqui. Estou aqui para te proteger e te orientar.
─Mais do que adianta se eu não posso falar com ele?
─Tu vai ter que aceitar Sophie. Nem todos podem nos ver. Nem todos querem nos ver. E nem tudo tu vai poder fazer ou resolver.
─Eu preciso contar a ele o que Dario fez!
─Eu sinto muito.
Sophie viu o seu amor partir sem poder trocar uma palavra com ele. Então ela soube, que estar morta não lhe daria vantagem alguma sobre os vivos.
Desnorteado na cidade, Diogo apeou do cavalo e foi até um dos armazéns mais antigos de Viamão. Tentou algumas informações, mas ninguém lhe dizia nada com nada. Partiu para Porto Alegre. Alguns dias de estrada, sujo, faminto, cansado, mas o pior de tudo era aquela dor em seu peito. Tinha a sensação de que cortaram o seu coração em dois pedaços. Sentia dificuldade para respirar. A imagem de Sophie em vários momentos importantes em que estiveram juntos não saia de sua cabeça. Foram essas mesmas lembranças que o mantiveram vivo e lutando.
─Não! - disse ele parando o cavalo no meio do nada e saltando do animal. ─Fui egoísta pensando somente naquilo em que eu acreditava e nos meus ideais. Em nenhum momento pensei em ti, minha guria, em nós! Quando pensava, deixava sempre para depois, depois, depois, que acabasse tudo, como acabou, como se nós fossemos ter todo o tempo do mundo! Eu acreditei e confiei no tempo! E o tempo te devolveu para mim, morta! - berrou ensandecido para o espaço. ─A culpa é minha e enquanto eu viver, não vou me perdoar! Não acredito que tu tenha se casado com esse tal Dario. Não acredito que tu tenha me esquecido, mas se o fez, tinha todo o direito!
Ele se ajoelhou na terra embarrada e chorou como uma criança perdida e sem rumo.
Conversando com um dos homens num bar de volta em Viamão, Diogo conseguiu algumas informações que o deixaram intrigado.
─Dizem que esse tal de Dario é louco! Há uma desconfiança que ele pode ter armado o ataque contra as mulheres da estância em Viamão matando todas elas como se fosse os caramurus. Dizem que depois da morte da única sobrevivente, ele resolveu voltar para Campinas. Mas eu ouvi dizer que ele vai voltar para vender a estância. Parece que a mãe dele bateu as botas.
─Sabe de alguém que possa me dar mais alguma informação?
O sujeito pensou um pouco, até que sua expressão se iluminou.
─Tchê, me parece que tem uma escrava que era dele na casa do... - e ele explicou onde Diogo poderia ter mais informações.
Depois de dois dias procurando a tal mulher, numa tarde de muita chuva, Diogo viu uma mulher correr pelo lamaçal com dificuldade, tentando proteger a criança em seu colo coberta com uma manta de lá grossa. Correu até ela, puxando-a pelo braço para não atolar. Quando conseguiu um abrigo, ele pegou a criança para que ela pudesse se ajeitar. A mulher, uma senhora de mais ou menos trinta anos, sorriu agradecendo.
─Esta época, este tempo é um castigo!
Diogo estava um tanto sem jeito com a criança no colo, mas baixou os olhos para ela que estava bem coberta e sorria para ele. Os olhos azuis lhe chamaram a atenção. Ele puxou um pouco a coberta da cabecinha e se assustou ao ver os cabelos finos num tom prateado. A mulher viu a mudança no semblante dele e tratou de pegar a criança.
─Obrigada! Precisamos ir!
─Só um momento... com quem ela...se parece?
─Com o pai. - disse a mulher num tom trêmulo. ─Ele está me esperando. Mais uma vez, obrigada. Deus te pague!
Ela saiu pelo costado das casas, num passo apressado como se fugisse de algo. Diogo ficou com uma estranha sensação. Uma alegria e tristeza misturadas, uma tarefa inacabada, um sentimento de perda profunda.
─Eu custei a achá-la. - disse ele um tanto irritado para a escrava. ─Por favor, se sabe de algo me conte.
A negra era jovem, magra, e estava com uma aparência de doente. Sua pele negra tinha um tom amarelado.
─Eu estou doente sim, sinhô, se é isso que está olhando. Fui jogada fora pelo patrão.
─Dario?
Ela assentiu em silêncio, sentindo um arrepio de frio. A escrava estava muito doente, e tudo que queria era descansar. Não fora assassinada por Dario, porque ele estava totalmente alienado, ao saber que ela estava doente, mandou-a embora. Ele estava louco! Ficou ainda mais depois que matou Sophie. A escrava fora amante de Dario por um tempo, depois viera Elísia. Então, ele a dispensara. Fora um alívio! Não suportava o toque daquele homem, embora toda a sua beleza e charme.
─Sim... - ela gemeu, e Diogo pegou uma coberta que estava em cima de uma cadeira e colocou sobre os ombros dela.
Ela o fitou com estranheza.
─Sinhô tem bom coração...
─Neste momento, eu não sei mais se tenho um coração.
─Tem sim. – ela respirou fundo. ─Sinhá Sophie sofreu muito nos últimos meses antes de morrer. O patrão sempre foi muito ruim, e estava obcecado por ela. Não posso dizer mais, mas... ele vai voltar. E se o sinhô quiser, pode ouvir da boca dele tudo de ruim que ele já fez nessa vida, principalmente com a menina Sophie. O ponto fraco dele... gosta de contar vantagem de seu poder.
─Me diz uma coisa... só mais uma coisa. - ele segurou a respiração. ─Ela engravidou dele?
─Na primeira vez, não. Ela veio grávida da viagem. Ela foi até o fim da gravidez, mas disseram que a menina nasceu morta.
Diogo sentiu um baque tão grande no estômago que se encolheu um pouco. Uma nítida imagem veio a sua cabeça. O bebê na noite da chuva. Uma dúvida se acendeu em sua mente como a pequena chama de uma vela.
─Ela engravidou dele?
─Sim... foi quando ela morreu algumas luas depois...mas, não me pergunte mais por que eu não sei...- Na verdade, não posso dizer, pensou ela.
─Eu estou muito grato! Obrigado!
A mulher o viu partir e sorriu cansada, mas satisfeita com sua missão. Tinha feito a sua parte, hora de ir embora desse mundo cruel para sua casa.
Já havia partido dessa vida há duas noites. Mas ficara ali para cumprir com sua missão, dar mais algumas pistas a Diogo.
Em casa, Diogo contou o que aconteceu para sua mãe. Eva o olhava com extrema atenção. Eram muito parecidos fisicamente. Ele estava mais velho, havia marcas de expressão na testa reveladas quando ele abria os cabelos repartidos ao meio caídos pelo rosto. Rugas finas em volta dos olhos, a boca bem-feita larga, estava branca. O cansaço da guerra, o peso das mortes era evidente nos ombros caídos do filho.
Ela se aproximou, os dois ficaram se olhando por um tempo. Então ela o abraçou e ele chorou livremente sua dor. Amava sua mãe com toda a força do seu ser. Somente nos braços dela encontraria aquele conforto para aliviar um pouco do seu sofrimento. E como era bom estar assim com ela.
─O que podia ser feito... - disse Afroline a Sophie que olhavam as duas mulheres que falaram com Diogo. ─... elas fizeram. Deram pistas.
─Não é o suficiente. Ele precisa saber que a nossa filha está viva por aí! Me ajude, Afroline, eu sei que tu pode! Eu não vou ter paz enquanto ele e eu não soubermos onde ela está!
─Vai ter que aprender a viver sem essa paz. Aqui desse lado, o que mais temos é tempo Sophie. E de uma coisa tu pode ter certeza, nada escapa ao Criador. Tudo tem o seu tempo, sua hora. Se tu saísse daqui agora para a nossa casa, saberia de tudo no mesmo instante. Mas precisa deixar esse mundo de uma vez por todas.
Sophie a olhou ternamente. Afroline era tão linda! Era tão boa e tão justa.
─Não posso... Se eu partir, não poderei fazer nada. Sinto muito. É mais forte do que eu. Preciso fazer alguma coisa!
Epílogo Não faças aos outros o que não quereríeis que vos fosse feito, mas fazei-lhe, ao contrário, todo o bem que está em vosso poder fazer-lhe.Allan Kardec Depois do natal, Diogo encontrou o momento certo para explicar a Diná, que ela poderia ser da oitava geração, e por tanto, descendente da família que viveu naquela estância. Conversavam em frente ao quadro de Sophie. Diná analisava a pintura em êxtase. Conseguia ver muitas semelhanças, e embora o quadro tivesse chamado a atenção dela no primeiro momento
23 A hora da verdade! Então algo inusitado, obra divina, destino, força do ódio ou a força do amor aconteceu. Antes de voltar aos campos de batalha, Diogo retornou a Estância das Magnólias,
22 1842Os farroupilhas se desorganizam, minados por intrigas.O Império se fortalece. O vice-presidente da República, Antônio Paulo da Fontoura, é assassinado em Alegrete. Nesta época os imperiais contavam com oito mil homens, crescendo sempre com contingentes enviados do centro do país. No final deste ano Caxias iniciou sua campanha com 12 mil soldados, munição à vontade, e bem equipados
21 Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito.Allan Kardec Sophie ficou dias num estranho coma. Ela dormia o tempo inteiro, só acordava quando ela, realmente, queria. Não comia, cuspia a água que lhe era enfiada garganta abaixo. Não queria tomar banho, e sentia que alguém a lavava de maneira gentil com um pano úmido, secava e a vestia. Às vezes aqueles movimentos em seu corpo lhe davam vida e ânimo. S
20 Os espíritos protetores nos ajudam com os seus conselhos, através da voz da consciência, que fazem falar em nosso íntimo - mas como nem sempre lhes damos a necessária importância, oferecem-nos outros mais diretos, servindo-se das pessoas que nos cercam.Allan Kardec Daniel entrou no quarto do hospital, onde Diná estava hospitalizada depois da tentativa de suicídio. Ela estava abatida, mais magra, e seus olhos claros, totalmente sem brilho. Estava sentada na cama, e olhava pa
19 A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.Allan Kardec Sophie foi, praticamente, levada à força até a grande mesa da sala usada para as visitas em tempo de festas na estância. Sentia o peso da barriga, e sentia fome. Muita fome! Foi uma tortura sentir aquele cheiro de churrasco entrando em seu quarto. Não queria dar o braço a torcer, mas quando foram chamá-la, ela precisou confessar, a si mesma, que esperava por isso, ardentemente. Adorava uma boa costela gorda! Seu tio... ou melhor,