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Capítulo 19

Penulis: Emíliana Vaz
last update Tanggal publikasi: 2021-08-10 08:37:58

                                                        19         

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.

Allan Kardec

     Sophie foi, praticamente, levada à força até a grande mesa da sala usada para as visitas em tempo de festas na estância. Sentia o peso da barriga, e sentia fome. Muita fome! Foi uma tortura sentir aquele cheiro de churrasco entrando em seu quarto. Não queria dar o braço a torcer, mas quando foram chamá-la, ela precisou confessar, a si mesma, que esperava por isso, ardentemente. Adorava uma boa costela gorda! Seu tio... ou melhor, seu pai Justino, e ela quase chorou ao lembrar dele, era um exímio assador. Nos dias de churrasco, ele separava um pedaço especial e picava para ela.

   ─Um mimo para minha amada sobrinha!

Pensar nele a emocionou e precisou se segurar para não cair em prantos.

   ─Sente-se a mesa comigo.

   ─Prefiro na cozinha. - ela retrucou pronta para se afastar.

Dario, muito mais rápido, conduziu-a até a cadeira.

    ─Não me faça tamanha desfeita. Afinal, mandei matar um boi para saciar sua vontade de um bom churrasco. Sim, sim, sua mãe me disse que vosmecê havia comentado sobre estar com desejo.

Sophie se sentou à cadeira devagar, à espreita e atenta. Dario fazendo uma vontade para ela? Ele pareceu ler seus pensamentos.

     ─Se vosmecê for sempre boazinha, terá tudo de mim. Até mesmo o que jamais sonhou.

Ela continuou em silêncio, enquanto era servida por umas das escravas. O cheiro da carne a fez salivar. Sem cerimônias, ela se atracou no prato e nem se preocupou em ser educada e exibir bons modos. Ele riu. Sabia ser uma manobra dela para deixá-lo enojado. No entanto, o que ela não sabia, é que quanto mais ela o repelia e o afrontava, mais o excitava. Mais vontade de domá-la ele sentia.

    ─Essa parte “O que eu jamais sonhei” ... - começou ela de boca cheia, mastigando de maneira grosseira. ─... inclui o que? Joias, liteira, (Liteira é uma cadeirinha portátil e coberta, sustentada por dois varais compridos e conduzida por dois animais ou escravos, um na traseira e outro na frente. Era muito usada na época do Brasil Colônia), cavalos puros sangue, casa de luxo, viagens pelo mundo?

    ─Além de outras coisas. - respondeu ainda rindo. ─Não perca seu tempo tentando ser nojenta, minha prenda. Acha que isso vai me fazer mudar de ideia a respeito de nós...?

     ─Não existe “nós” ... - disse ela se lembrando do discurso de Diogo na casa de Deusa há tanto tempo. Um nó em sua garganta se formou, seus olhos brilharam de lágrimas. ─Tu não sabe o que a palavra “nós” representa.

Ele percebera o sofrimento dela e ficou ainda mais envolvido por aquela mulher, que mesmo grávida, gorda, malcuidada, o deixava em estado de muita excitação.

      ─Se contente com a minha companhia, sabe-se lá se o seu...” amor” já não esteja morto por aí.

      ─Tenho certeza de que não. - disse ela sentindo um violento baque com aquelas palavras. Queria ter certeza de que Diogo estava bem. ─Quando tu aprendeste a ser tão mau?

       ─Não se aprende, se nasce mau. - ele desdenhou cortando mais um pedaço de costela vinda da cozinha quentinha e colocando no prato dela.

       ─O que te aconteceu para ficar assim?

      ─Assim como? Autoritário? Independente? Lutador? Sou rico! E junto com a riqueza vem as cobranças, ou você segura às rédeas do que é seu, ou o dinheiro perde a força. Sempre tive tudo, sempre vivi muito bem. Assim como vosmecê. E gosto dessa vida de poder!

E Dario voltou à infância...

    Era um garoto calado, introvertido. Não gostava da presença de outras crianças. Queria ficar em meio aos adultos. Seu pai percebendo que o filho não era como as outras crianças, o levava para tratar de negócios, nos jantares de pessoas importantes, e aos dez anos lhe deu uma escrava pessoal jovem e bonita. Todas as noites, ela o botava na sua cama e ficava com ele. De começo Dario só a alisava pelo corpo, pois não tinha muita ideia do que fazer com ela.

     Quando ele começou a ser acariciado por ela, ter ereção e descobriu que podia gozar, principalmente aquela sensação maravilhosa que sentia, só queria ficar no quarto com a sua escrava. Aprendeu tudo na arte do sexo muito cedo, e aos quinze anos não queria somente as escravas, mas as amigas que não se faziam de rogada e se atiravam para ele. Até ele conhecer Maristela, uma garota de rara beleza, de treze anos que desde o primeiro olhar o repeliu.

     Dario ficou enlouquecido por ela. Totalmente dominado pelo desejo, e pela falta da capacidade de lidar com a rejeição, ele a pegou a força na primeira oportunidade que surgira. Na saída da igreja num sábado à tarde, ele lhe ofereceu uma carona que ela recusou e preferiu ir a pé. Ele foi atrás dela em seu lindo cavalo negro.

     ─Por que vosmecê não gosta de mim? - perguntou de cima do cavalo andando do lado dela que passara a correr.

     ─Não gosto e pronto! Não sou obrigada!

     ─Para não gostar de alguém tem que ter um bom motivo! - e ele apeou do cavalo e a segurou com força a derrubando no chão.

Maristela tinha o corpo cheiroso e carnudo que o excitava.

      ─Pois você vai gostar! - disse ele levantando a roupa dela e tirando o seu pênis para fora. ─Nenhuma moça me recusou até agora e você não vai ser a primeira!

       ─Não faça isso, ou eu juro que vou contar para todo mundo! - ela gritou chorando, mas já era tarde. Dario a estuprava sem piedade e com a força de um desejo que beirava a completa insanidade.

    A seguir, para não deixar provas contra ele, sufocou-a com as duas mãos até que ela desse seu último suspiro. Nos olhos dela havia terror.

    ─Não, vosmecê não vai contar, porque mortos não falam.

Desde então, nada lhe era negado, e o que fosse; ele roubava da pior maneira. Em seu histórico havia muitas mortes, só de mulheres, quatro, nas mesmas circunstâncias, asfixia. Era rico, poderoso, de família influente, e nada recaia sobre sua cabeça.

Ele voltou ao presente quando a viu largar o talher no prato e se levantar, lentamente. Sophie podia sentir a energia ruim que vinha dele.

    ─Onde pensa que vai?

    ─Para o meu cativeiro.

    ─Fique onde está. Não a autorizei a sair.

    ─Tu não manda em mim! Homem nenhum manda em mim. - ela foi até ele se apoiando na mesa com uma mão e a outra segurando uma faca. ─Eu estou grávida, não doente. Eu estive numa guerra, não tenho medo de morrer. Se precisar eu te mato! Fique longe de mim e do meu bebê, assim que ele sair do meu ventre.

Dario sentiu mais uma ereção. Levantou da mesa e parou em frente a ela, segurando o pulso com a faca. Ela se deixou dominar, pois sabia que, naquele instante, ele não lhe faria nada.

      ─Gosto de tua coragem, tua ousadia. Não sei se todas as gaúchas são assim, mas vosmecê é uma mulher diferente de todas que eu conheci. Está muito à frente do tipo submissa e obediente que estamos acostumados e são tão enjoadinhas. - ele alisou a face causando um arrepio de nojo na pele dela. O que o fez sorrir, acreditava que ela estava gostando. Foi mais longe. Desceu a mão para o seio. Apenas o grosso linho sob a pele macia e carnuda. Ela se contraiu, e num golpe rápido que o deixou sem ar, tirou a faca da mão dele e a espetou no saco o fazendo gemer entre o prazer e o susto.

       ─Sou cega e não indefesa.  Não me subestime. - ela deu um tapinha debochado na face dele e virou as costas dizendo. ─Tome tento homem! Nem com uma mesa farta conseguiste conquistar a prenda buchada!

Ele engoliu em seco, bebeu o restante do vinho olhando-a se afastar e sumir.

      ─Espere e verá! - murmurou com os dentes cerrados, se contraindo de dor.

    Sophie acordou de madrugada com gritos e tiros. Assustada, levantou-se da cama e foi até a porta. Batia forte gritando por socorro.

     ─O que está acontecendo? Abram a porta! Me tira daqui!

Foi quando ela ouviu Dario gritar.

      ─Fique quieta ai dentro! Estamos sendo atacados por um grupo de soldados imperiais!

Com os olhos arregalados, trêmula, Sophie se deitou no chão, enquanto ouvia gritos de mulheres, crianças, e tiros, muitos tiros.

    E ela chorou e rezou implorando por piedade ao Senhor.

     A tristeza era tão profunda e tão doída que ela não conseguiu sair do quarto, após ouvir a notícia do próprio Dario.

     ─Todos mortos...

     ─Ninguém...? - ela perguntou num sussurro, sem acreditar no que estava acontecendo.

     ─Somente uma escrava que se escondeu no mato. Perdi alguns homens e escravos.

Ela baixou a cabeça com o coração batendo acelerado, dolorido por aquela tremenda tragédia. Nada a preparara para um momento como aquele.  Podia sentir a presença dele no quarto.

      ─Botaram fogo na estância vizinha matando mulheres e crianças também. Os imperiais fizeram um tremendo estrago pela redondeza. Eu sinto muito...

      ─Me deixe só!

Ele a olhou por mais alguns segundos. Estava arrasado com a tristeza dela, mas satisfeito e vitorioso, por até aquele momento, seu plano transcorrer perfeitamente.

      ─Quer participar do enterro coletivo?

      ─Separe a minha mãe. Quero enterrá-la com meu... tio Justino.

  “Onde tu está Diogo?”

─Vou m****r preparar tudo.

Assim que ela ficou sozinha, cobriu o rosto com as mãos e chorou todas as suas perdas, lembrando dos momentos com cada uma daquelas mulheres maravilhosas.

Lembrou de Emília que estivera em seu quarto em seguida do jantar para ver se ela estava bem.

    ─Depois do churrasco, deu até para desconfiar dessa praga. Mas estava tão gostoso que deu para matar a saudade dos velhos tempos. Em tempos de guerra conseguimos saborear um bom churrasco. Parece um milagre!

Elas riram.

    ─Te sente bem filha?

    ─Sim. – ela sorriu carinhosamente. ─Me sinto segura com a senhora por perto.

Emília sorriu emocionada, sentou-se ao lado dela e segurou suas mãos.

     ─O enxoval do meu neto está quase todo pronto. As mulheres estão trabalhando, intensamente na confecção das roupinhas de tricô. O escravo da praga, Ônix, me surpreendeu! Fez uma cadeirinha com a forma de um cavalinho de madeira para o bebê. Ficou perfeito! Quero meu neto feliz correndo por esses pagos, saudável e livre! Sabia que existe uma imagem do Imperador D. Pedro II, criança, com um tambor de brinquedo? Até um rei tem o direito de brincar!

     ─Como a senhora sabe disso? - perguntou Sophie rindo.

     ─Ouvi o infeliz do Dario comentando ao reclamar da algazarra das crianças perto da sala onde ele estava descansando. Disse que se até Dom Pedro II brincava como os pobres moleques, o que era as pestes do interior fazerem pior? Palavras dele. - ela riu e continuou. ─ E que agora que os parlamentares do Império Brasileiro, em Assembleia Geral, decidiram por conferir a maioridade a Dom Pedro II, com apenas quatorze anos de idade, este país de merda irá se transformar numa quitanda!

Elas riram muito.

      ─Ele está bem informado e parece muito inconformado. - disse Sophie.

      ─Trazem os jornais para ele.

      ─E as charges de Diogo, mãe? Apareceu alguma?

      ─Não, filha. Depois que acabaram as que tu entregaste para o tal jornalista, mais nenhuma.

      ─Será que ele...?

      ─Não pense nisso. Ele está bem, logo aparecerá. Rezo por isso todos os dias, para que ele possa te tirar deste calvário.

      ─Deixe o meu filho nascer e esse monstro vai se arrepender de ter vindo para cá! Guarde o que eu disse!

Emília beijou-a na testa, passou a mão no ventre da filha e foi até a porta.

      ─Eu te amo filha.

Sophie demorou um pouco a responder, quando o fez, Emília estava quase fechando a porta.

      ─Eu também te amo mãe.

E ela saiu do quarto da filha chorando de emoção.

   Na sala, Dario sussurrava com três de seus homens.

      ─Deram fim nos corpos?

      ─Sim. Todos queimados. Menos o da mãe dela.

      ─Menos movimento dentro da casa. Ela é cega, mas perceptiva. Quero saber do mascate Simão. Encontraram-no?

      ─Sim, há quatro dias daqui. Estava a caminho de Caxias. Está morto. Nosso homem chegou ontem pela manhã, mas o deixei escondido para não levantar suspeitas entre as mulheres. A carta está aqui. - e ele tirou do bolso e entregou a Dario.

Fez um sinal dispensando os homens, abriu-a e leu-a em silêncio.

    

     Diogo:

Tomei a liberdade de te escrever sem que Sophie soubesse. Nossa situação aqui na estância é muito difícil. Meu marido vendeu as terras, e com elas Sophie, para Dario, tal barão do açúcar de Campinas. Um verdadeiro monstro, que desde que chegou aqui só tem nos causado muito sofrimento e dor. Sophie não tem conhecimento desta carta, ou ficaria furiosa por te deixar preocupado, mas com Everaldo e Justino mortos, não tenho a quem recorrer. Estamos vivendo um inferno por aqui. Precisamos de ajuda urgente! Minha filha precisa de ti, peão! Traga reforços, o mais rápido possível. Que Deus esteja contigo e o traga são e salvo!

                  Emília Rodrigues

   ─China velha! Ainda bem que vosmecê está morta! Agora só falta colocá-la a sete palmos da terra!

   Sophie chorou muito ao lado do corpo da mãe. Não conseguiu se controlar. Estava sensível, sentia-se pressionada pelo ódio por toda a desgraça que acontecia em sua vida desde que aquele homem entrara em sua casa com a permissão do próprio pai. Estava desconsolada com a morte das pessoas que mais amava, e o pior de tudo, ter que se acostumar com a ideia de que Diogo só voltaria quando aquela guerra maldita acabasse. Uma guerra que, se por um lado era para libertar os escravos e o estado da tirania imperial, acabava por destruir com sonhos e famílias inteiras, como acontecera com a sua. Estava completamente só!

  Do seu lado, Dario a apoiava sem tocá-la. Ela sentia a presença dele, e gostaria de matá-lo se pudesse, mas não era hora de ter aquele tipo de pensamento, e sim rezar pelas pessoas queridas que ela nunca mais tocaria, ou ouviria a voz.

    ─Deu um enterro a todas as mulheres da minha família?

    ─Claro. Estão todas em sua última morada com dignidade. Não se preocupe. - e ele lhe passou um lenço que ela recusou, e limpou o nariz com a manga do vestido.

Dario riu. Ela fazia de propósito, mas o efeito era totalmente o contrário. Quanto mais ela tentava mantê-lo a distância, mais próximo ele se sentia, mais apaixonado ele ficava...Ele se assustou com o próprio pensamento. Jamais se apaixonara de verdade. Mas ele estava sim, e agora enxergava a realidade bem em frente aos seus olhos! Não podia ser! Não queria estar apaixonado por mulher alguma! Observou-a com atenção. Ela era cega e não precisava de proteção. Ela era valente, forte, capaz de morrer para defender o que acreditava. Jamais conhecera mulher assim. E tinha certeza de que ela seria a única. E era dele! Ninguém a roubaria dele, nem que para isso ele tivesse que matá-la, ou morrer!!

        Diogo acordou com uma estranha sensação de peso no corpo inteiro. Custou a identificar em que época ele estava. Sentou-se na cama, olhou pela janela aberta o sol surgindo no horizonte. Não conseguia ver a beleza, não naquele momento de profunda tristeza por tudo que vira. Vestiu uma roupa, e desceu para se encontrar com Eloy que já o esperava na cozinha com café pronto, pão quente e uma cara de preocupação.

    ─Você não parece bem Diogo.

    ─Nem posso estar. Não com quem vi enquanto eu dormia.

 Em poucas palavras, ele contou seu sonho. Eloy estava chocado com o relato dele.

    ─Nossa! Esse cara era um monstro!

    ─Muito pior do que um monstro. Um serial Killer! Um psicopata! E o pior é que tenho a estranha sensação de que não para por aí.

Neste instante Sophie apareceu. Quando isto acontecia, Eloy ficava comovido e em estado de graça. Era uma experiência, realmente, muito surreal.

    ─Não fique ansioso, Diogo. Está tudo bem. Tudo isso já passou.

    ─Não! Se tivesse concluído você não estaria aqui. Não entendo nada de céu ou inferno, mas tenho certeza de que tudo isso a marcou profundamente, e agora mais do que nunca, não tenho por que acreditar em Deus! Um Deus presente e onipotente não deixaria um homem fazer o que esse crápula fez!

Um pesado silêncio caiu sobre o ambiente. Ouvia-se o canto dos pássaros, os sons da natureza como canções sublimes e mágicas.

   Sophie caminhou até a janela da cozinha que dava para os fundos onde se podia ver a planície muito verde. Ao longe morros e árvores com o fundo azulado de um céu de verão anunciando um dia quente.

     ─Sophie. - chamou Eloy com cuidado. ─O que Diogo viu enquanto dormia, a chacina na estância, você já sabia?

Ela negou com a cabeça e deixou duas lágrimas rolarem.

      ─É muito difícil para você perdoar tudo isso e ficar em paz?

    Ela o olhou nos olhos, e Eloy sentiu um frio gelado percorrer toda a extensão de seu corpo. Soube naquele momento que havia muito mais coisas, que ela sabia, mas que ela não lhe contaria.

       ─A questão aqui não é o meu perdão. Não posso falar mais do que isso. Vamos deixar as coisas se revelarem. -ela se voltou para Diogo. ─Que tu não acredite em Deus, eu entendo, mas não o culpe pelo que aconteceu. Ele nos deu a liberdade de escolher. Ele nos deu o livre arbítrio. O que consome a humanidade, desde sempre, é essa busca incessante pelo poder. É a vontade de subjugar o outro. É o egoísmo e essa fome de TER, de SER mais do que o outro. É essa necessidade que o ser humano tem de JULGAR achando que é superior ao outro. Deus é superior, ELE poderia e não o faz. Deus nos perdoa, nos ama e só pede que amemos uns aos outros. - ela baixou os olhos brilhantes de lágrimas. ─Eu escolhi ficar aqui, e pelas leis universais, eu não poderia. No entanto, ele aceitou e me perdoou. Deus é uma presença constante, ele está em todo lugar e principalmente em nós. Sei que é difícil para quem se diz ateu acreditar desde que nasceu e nunca teve uma crença a não ser nas coisas materiais e visuais como você. Mas não fale o que não sabe. Não coloque Deus no meio dessa maldade provocada pelo homem. Tu ainda duvida da força de Deus depois de estar aqui vivendo tudo isso? Não pode ser tão cego para não perceber a presença de Deus em nossas vidas e também na nossa morte.

E num passe de mágica, ela sumiu os deixando ali envolvidos ainda com o tom de sua voz doce, refletindo cada palavra do que fora dita.

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