INICIAR SESIÓNO silêncio que governava o gabinete privado do Alfa Alaric Woodstone era diferente do isolamento acústico da fortaleza dos Varkos. Ali, o ar cheirava a cera de abelha, cinzas de lareira e ao poder esmagador de Fenrir, o lobo do velho líder. Alaric permanecia de pé diante da imensa janela de vidro que dava vista para o vale de Silvaterra, com as mãos cruzadas nas costas. Sentada na poltrona de veludo escuro, a Luna Seraphine mantinha os olhos fechados, os dedos longos massageando as têmporas.
O gabinete privado permaneceu imerso em um silêncio tático após a revelação da paternidade e do herdeiro Woodstone. Kaelen aproximou-se da mesa de mogno, seus olhos verdes frios e focados enquanto a mente de estrategista redesenhava o tabuleiro de Silvaterra. Ele sabia que agir por impulso seria assinar a sentença de morte de sua própria linhagem. — Nós não podemos simplesmente esconder Elara e Aren na fortaleza dos Varkos e esperar que o altar resolva tudo — Kaelen começou, a voz mansa reassumindo o chumbo da liderança. — Se o conselheiro Corvin ou o Alfa Magnus Blackwood desconfiarem de qualquer movimento dos guerreiros antes da cerimônia, eles vão antecipar o ataque. Um estrategista não dá o primeiro passo sem esvaziar o terreno do inimigo. O plano precisa ser silencioso. Alaric Woodstone inclinou-se para a frente, cruzando os braços massivos. — O que você propõe, Kaelen?
O silêncio que governava o gabinete privado do Alfa Alaric Woodstone era diferente do isolamento acústico da fortaleza dos Varkos. Ali, o ar cheirava a cera de abelha, cinzas de lareira e ao poder esmagador de Fenrir, o lobo do velho líder. Alaric permanecia de pé diante da imensa janela de vidro que dava vista para o vale de Silvaterra, com as mãos cruzadas nas costas. Sentada na poltrona de veludo escuro, a Luna Seraphine mantinha os olhos fechados, os dedos longos massageando as têmporas. A atmosfera mudou drasticamente quando Kaelen e Draven cruzaram o limiar, trancando as portas duplas de mogno atrás de si. Alaric sequer se virou. Sua voz grossa ecoou, pesada como o chumbo: — Espero que tenham vindo assinar os termos finais dos contratos, rapazes. As caravanas da Presa de Inverno já começaram a descarregar as joias do cortejo na ala norte. O conselheiro Corvin passou a manhã inteira revisando os assentos do banquete. Faltam tr
O escritório blindado de Darius Varkos parecia ter se transformado em uma tumba de vácuo absoluto. As palavras de Elara ecoavam como estalos de chicote nas mentes de Kaelen e Draven. Para os Co-Alfas de Silvaterra, o mundo que conheciam — moldado por cinco anos de politicagem, cobranças e casamentos forçados — havia acabado de ruir. Draven mantinha os olhos fixos em Elara, a expressão de força bruta completamente desarmada pelo choque. Seu lobo, Vane, uivava de uma forma que o Alfa nunca tinha experimentado: não era mais o rugido de fúria pela fêmea desaparecida, mas um lamento profundo de pura realização e alívio. Ela era a garota do lago. A menina assustada que eles haviam carregado para o santuário de rocha na calada da noite, cujo aroma adocicado permanecera impregnado na sanidade deles por uma década inteira. — Nosso filho... — o sussurro de Draven saiu quebrado, a voz grossa perdendo toda a autoridade militar enquan
O ar parecia prestes a estalar com a pressão Alfa que emanava de Kaelen e Draven. Seus olhares, pesados e confusos, continuavam cravados na figura do menino que ousara erguer os braços contra eles. Antes que Draven pudesse dar um passo na direção de Aren, ou que Kaelen pudesse decifrar o formigamento que subia por seus ossos, uma silhueta robusta moveu-se com a velocidade que só a experiência concede. Marta colocou-se à frente do garoto, envolvendo-o com seus braços fortes de loba ômega e puxando-o para trás de suas saias com um gesto puramente maternal e protetor. Ela manteve a cabeça baixa, ocultando o choque de sua própria loba perante a presença dos herdeiros Woodstone, e forçou uma voz submissa que camuflava o segredo que guardava no peito há dez anos. — Perdoem-no, Alfas — Marta pronunciou, o tom baixo ecoando firme no silêncio tenso do quarto. — É só uma criança que agiu por puro impulso. Ele não entende as leis da nossa matilha e o r
A atmosfera dentro do quarto de hóspedes tornou-se elétrica, pesada com a emanação pura de poder que escapava dos Co-Alfas. Draven deu dois passos largos à frente, fazendo as tábuas do chão rangerem sob suas botas de combate. Suas mãos grandes, marcadas por cicatrizes de garras, abriram-se e fecharam-se em um compasso de puro desespero instintivo. Ele queria tocá-la, cravar os dentes na curvatura de seu pescoço para reivindicar a fêmea que o fizera sangrar em silêncio por quase dez anos. Ao seu lado, Kaelen mantinha os olhos fixos na silhueta de Elara, a mente trabalhando em uma velocidade assustadora, tentando ligar os pontos entre a jovem forasteira que o tio Darius trouxera para a fortaleza e a loba enigmática do lago. — Onde você estava? — Draven exigiu, a voz grossa e áspera vibrando com uma agressividade possessiva que fez a tia Mirela encolher os ombros. Vane, seu lobo, arranhava sua sanidade para assumir o controle físico de suas cordas vocais. — Nós caçamos o seu rastro por
O silêncio que desabou sobre o quarto de hóspedes da fortaleza dos Varkos foi tão denso que o som da respiração fraca de Tarek na cama pareceu desaparecer. O ar, antes impregnado com o odor metálico de sangue e o antisséptico trazido por Elara, foi instantaneamente esmagado pela emanação violenta de poder que escapou dos corpos de Kaelen e Draven. Cael Blackroot, que vinha logo atrás dos líderes, congelou no limiar da porta, sua mão descendo instintivamente para o cabo de sua adaga de combate enquanto seus sentidos de Gama captavam a mudança drástica na atmosfera. O tio Darius e a tia Mirela recuaram um passo, os corpos Delta rígidos em uma reverência instintiva perante a pressão Alfa que começou a estalar pelas paredes de madeira rústica. Kaelen deu o primeiro passo à frente, sua habitual postura calculista e mansa desmoronando por completo. Seus olhos verdes brilharam com um fogo esmeralda tão vivo que parecia rasgar as sombras do canto do quarto onde Elara estava encolhida. Em sua







