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Penulis: Autora Vanessa
last update Tanggal publikasi: 2026-10-29 03:45:12

Capítulo 3 — Quem rouba de mim paga caro

Narrador: Leonardo

— Tu tá me dizendo que, até agora, ninguém conseguiu descobrir quem caralhos pegou meu dinheiro?

Minha voz atravessou a sala, fazendo os três homens diante da mesa trocarem olhares.

Eu estava sentado havia quase uma hora, ouvindo explicações que não me levavam a porra nenhuma. Duzentos mil reais tinham desaparecido, Eloísa não atendia às minhas ligações e meus homens ainda não tinham conseguido me dar uma resposta decente.

A paciência já tinha ido para o caralho fazia tempo.

— Patrão, estamos verificando quem teve acesso ao dinheiro e conversando com o pessoal que estava aqui ontem — respondeu Darlan.

Soltei uma risada debochada.

— Ah, que maravilha! Enquanto vocês conversam, o dinheiro cria perna e volta sozinho, né?

Ninguém respondeu.

Levantei da cadeira e caminhei até a janela, passando a mão pela barba.

— Eu quero saber quem fez essa merda. Não quero desculpa, não quero história inventada e muito menos quero descobrir amanhã que vocês ficaram o dia inteiro coçando o saco enquanto alguém fugia com a minha grana.

— Pode deixar, Léo. Vamos encontrar o responsável — Darlan garantiu.

Virei o rosto para ele.

— É bom mesmo.

Voltei para a mesa e peguei meu celular. A conversa com Eloísa continuava aberta, com a última mensagem dela me chamando de gostoso e mandando um beijo.

A filha da puta tinha a cara de pau de me mandar mensagem naquela manhã e, poucas horas depois, desaparecer.

Tentei ligar novamente.

Caixa postal.

Joguei o celular sobre a mesa.

— Desgraçada.

Não era como se eu estivesse apaixonado por aquela mulher. Eloísa nunca foi minha namorada, nunca tivemos compromisso e nunca prometi porra nenhuma a ela. A gente se encontrava nos bailes, curtia a noite e, quando os dois estavam a fim, acabávamos juntos.

Simples.

Eu gostava da companhia dela porque Eloísa sabia aproveitar a vida. Não ficava me cobrando mensagens, não fazia cena porque eu conversava com outra mulher e entendia que eu não era homem de ficar dando satisfação.

Só que uma coisa era aproveitar os privilégios que eu oferecia.

Outra, completamente diferente, era meter a mão no meu dinheiro e desaparecer.

Aquilo não tinha perdão.

— Darlan, vem cá.

Ele se aproximou.

— Fala.

— Quero saber tudo sobre a Eloísa. Com quem ela andava, onde esteve ontem depois do baile, quem saiu com ela e se alguém viu alguma coisa estranha. Quero os horários, os lugares e os nomes. Não me interessa se vocês vão precisar perguntar a mesma coisa vinte vezes.

— Certo.

— E vê se descobre por que essa mulher sumiu. Porque, se ela tiver metido a mão nesses duzentos mil, eu mesmo vou buscar aquela filha da puta.

Darlan assentiu e saiu para cumprir a ordem.

Peguei um copo de água e bebi de uma vez. Minha cabeça já não doía como quando acordei, mas a irritação continuava crescendo.

Eu odiava ser enganado.

Passei anos construindo minha posição, aprendendo a identificar quem estava comigo por lealdade e quem só esperava uma oportunidade para me passar a perna. Não cheguei até ali confiando em qualquer um que aparecesse sorrindo.

Eloísa conhecia meu jeito.

Sabia que eu não tolerava traição.

Se tivesse feito aquilo comigo, teria cometido o pior erro da vida dela.

Duas horas depois, Darlan voltou acompanhado de um dos homens que estavam investigando o desaparecimento.

— Patrão, conseguimos algumas informações.

Afastei os papéis que estava conferindo e me recostei na cadeira.

— Finalmente. Fala.

O homem começou:

— A Eloísa saiu do baile com você, mas depois não temos confirmação de onde foi. Algumas pessoas disseram que ela estava agindo normalmente, outras perceberam que saiu com uma bolsa maior do que costumava carregar.

Franzi a testa.

— Uma bolsa?

— Sim, senhor.

— E ninguém achou estranho?

— Na hora, não. Tinha muita gente saindo do baile.

Bati os dedos na mesa.

— Continua.

— Também descobrimos que ela esteve com algumas pessoas nos últimos dias, mas ainda estamos tentando confirmar se alguém ajudou na fuga.

— Fuga? — repeti, olhando diretamente para ele. — Então vocês já estão considerando que ela fugiu?

O homem hesitou.

— Pelo desaparecimento e pelo dinheiro, é uma possibilidade.

Soltei o ar pelo nariz.

Aquela possibilidade começou a fazer sentido de uma maneira que me desagradou profundamente.

Eloísa não tinha aparecido em casa, não atendia ao telefone e ninguém sabia onde estava. Se não tivesse nada a esconder, já teria dado algum sinal de vida.

— Quero saber quem são essas pessoas com quem ela andava — ordenei. — E quero descobrir se alguém sabia do dinheiro antes de ele desaparecer.

— Vamos verificar.

— Não. Vocês vão descobrir. É para isso que eu pago vocês, porra.

Os dois assentiram.

Antes que saíssem, Darlan voltou a falar.

— Tem mais uma coisa, Léo.

Olhei para ele.

— Desembucha.

— A Eloísa tem uma irmã gêmea.

Permaneci em silêncio por um instante.

— Como é que é?

— Uma irmã gêmea. O nome dela é Elena.

A informação me pegou de surpresa.

Eu sabia algumas coisas sobre Eloísa, mas nunca tinha demonstrado interesse suficiente pela vida pessoal dela para perguntar sobre família. Ela aparecia nos bailes, ficava no camarote e depois ia embora. Às vezes falava da mãe, reclamava de alguma coisa ou contava uma história, mas eu nunca me preocupei em investigar quem fazia parte da vida dela.

Não era meu papel.

— E onde essa irmã entra nessa história?

— Ainda não sabemos se tem envolvimento com o desaparecimento do dinheiro. Mas pensamos que ela pode saber alguma coisa sobre o paradeiro da Eloísa.

Fiquei alguns segundos olhando para Darlan.

— Tu acabou de me dizer que não sabe se a mulher tem envolvimento e já está querendo colocar a irmã no meio?

— Não estou dizendo que ela participou, patrão. Só acho que vale a pena conversar com ela.

Passei a mão pelo queixo.

A ideia não era absurda. Se Eloísa tivesse contado alguma coisa a alguém antes de sumir, a irmã poderia saber. E, se tivesse planejado aquela merda, talvez Elena tivesse percebido algum comportamento estranho.

Mas eu não queria perder tempo com alguém que não tivesse nada a ver com aquilo.

— Descobre onde ela mora, onde trabalha e tudo o que for relevante. Quero saber quem é essa mulher antes de tomar qualquer decisão.

— Pode deixar.

Darlan saiu, e eu voltei a olhar os papéis sobre a mesa.

Elena.

O nome não significava absolutamente nada para mim.

E, naquele momento, eu não tinha motivo para pensar que conhecer aquela mulher mudaria alguma coisa na minha vida.

Eu só queria meu dinheiro de volta.

No começo da tarde, fui até outra sala para resolver alguns assuntos pendentes. Havia gente esperando por mim, contas para conferir e decisões que não podiam ficar para o dia seguinte.

A vida no morro não parava porque alguém tinha resolvido me roubar.

Muito menos porque uma mulher tinha desaparecido.

Atendi dois homens, conferi alguns documentos e mandei resolverem uma discussão que estava tomando mais tempo do que deveria. Quando terminei, encontrei Darlan me esperando no corredor.

Ele segurava o celular e parecia ter conseguido alguma coisa.

— Descobriu?

— Descobri onde a Elena trabalha e estuda.

Parei diante dele.

— Fala.

— Ela trabalha numa loja durante o dia e estuda à noite. Ajuda a mãe com as despesas da casa. Pelo que conseguimos levantar, as duas irmãs têm vidas bem diferentes.

Cruzei os braços.

— Diferentes como?

— A Elena é mais na dela. Trabalha, estuda e quase não sai. Já a Eloísa vive nos bailes, conhece muita gente e costuma andar com pessoas diferentes.

Soltei uma risada curta.

— Quer dizer que uma trabalha enquanto a outra curte a vida com o dinheiro dos outros?

— Não sabemos de onde vem todo o dinheiro da Eloísa, patrão.

— Pois vamos descobrir.

Darlan me mostrou algumas informações no celular. Havia o endereço da casa onde as duas moravam e o nome da loja em que Elena trabalhava.

Observei os dados por alguns segundos.

Eu não gostava de envolver gente que não tinha nada a ver com os meus problemas. Mas também não deixaria de procurar respostas só porque a investigação tinha chegado a alguém da família de Eloísa.

Se Elena soubesse de alguma coisa, eu precisava descobrir.

Se não soubesse, eu continuaria procurando a irmã.

Era simples.

— Manda alguém conversar com ela — ordenei. — Quero que perguntem quando foi a última vez que viu a Eloísa e se sabe onde ela está.

Darlan assentiu.

— Certo.

— E deixa claro que eu quero respostas verdadeiras. Não quero ninguém inventando acusação contra a garota só porque ela é irmã da outra.

Ele pareceu surpreso com a última parte.

— Entendi, patrão.

Olhei para ele de lado.

— Que foi? Está esperando que eu mande trazer a família inteira para cá?

— Não, senhor.

— Então para de me olhar com essa cara de idiota e vai trabalhar.

Darlan segurou o riso e se afastou.

Voltei para a sala, mas a informação sobre as irmãs continuou na minha cabeça.

Eu queria entender por que Eloísa tinha sumido daquele jeito. Queria saber se alguém a ajudou e se o roubo tinha sido planejado desde o começo.

E, principalmente, queria descobrir onde estavam os meus duzentos mil reais.

Já estava ficando tarde quando Darlan voltou mais uma vez.

Dessa vez, não veio sozinho. Um dos homens da equipe tinha conseguido informações mais detalhadas sobre a rotina de Elena.

— Patrão, a gente confirmou que ela sai da loja no fim da tarde e volta para casa antes de ir para a faculdade — Darlan explicou. — Hoje ela deve seguir essa mesma rotina.

Olhei para o relógio.

— E a mãe delas?

— Continua em casa. Não conseguimos falar com ela ainda.

— Não quero perder tempo conversando com a mãe. Quero falar com a irmã.

Darlan assentiu.

— Quer que a gente espere ela chegar em casa?

Pensei por alguns segundos.

Eu poderia mandar alguém conversar com Elena, mas, se ela soubesse onde Eloísa estava, talvez tivesse tempo para avisá-la. Não queria que a mulher desaparecesse também.

Por outro lado, não tinha prova de que aquela garota sabia de alguma coisa.

Eu precisava de respostas, não de mais problemas.

— Não vou ficar esperando até amanhã — decidi. — Quero que tragam a Elena para conversar comigo.

Darlan me observou.

— Agora?

— Não, caralho. No Natal! É claro que é agora!

Ele baixou a cabeça, escondendo um sorriso.

— Certo, patrão.

Apontei para ele.

— E escuta bem: tragam a garota para conversar. Não quero ninguém machucando a mulher antes de eu saber o que ela tem a dizer. Entendeu?

— Entendi.

Darlan saiu para organizar a busca.

Fiquei sozinho, olhando pela janela enquanto a noite começava a cair sobre o morro.

Eu não sabia como Elena era, não conhecia sua voz e nunca tinha olhado para o rosto dela.

Para mim, naquele momento, ela era apenas a irmã da mulher que poderia ter me roubado.

E eu estava decidido a descobrir se ela sabia de alguma coisa.

Peguei o celular e tentei ligar para Eloísa mais uma vez.

Nada.

A chamada caiu na caixa postal.

Sorri sem humor.

— Pode correr, desgraçada. Uma hora eu te encontro.

Guardei o aparelho e voltei para a mesa.

Eu ainda não sabia, mas aquela decisão mudaria tudo.

Porque Elena não era Eloísa.

Não tinha participado do roubo, não conhecia os planos da irmã e não fazia ideia do tamanho da confusão que estava prestes a atingir sua vida.

E, quando meus homens chegassem até ela, a garota que passava os dias trabalhando para sustentar a própria casa descobriria que, no meu mundo, carregar o rosto errado podia ser suficiente para virar a vida de alguém de cabeça para baixo.

Mensagem da autora: Meninas, o Léo já mandou buscar a Elena! 😭🔥 Será que alguém vai conseguir explicar a confusão antes que seja tarde? Comentem muito, porque o próximo capítulo vai ser tenso! ❤️

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