ログインMIA
Acordei com um cutucão nas costelas.
Sentei-me bruscamente no colchão e olhei para quem havia feito aquilo. Vi o sapato de Vittorio perto do meu corpo. Ele tinha mesmo me acordado usando a ponta do sapato caro?
Franzi os olhos e, com toda a força, dei uma cotovelada no pé dele. Vittorio se afastou mancando e me xingando.
A risada de Fiamma ecoava pela mesa, cheia de calor, enquanto ela contava mais uma das suas histórias hilárias sobre a infância de Guillermo, meu pai. Em alguns momentos, eu via a saudade brilhar nos olhos dela, a mesma saudade que cintilava nos olhos de meu avô Maurício.A luz suave das velas no centro da mesa lançava sombras dançantes sobre as paredes da mansão, e o aroma da comida caseira, algo que eu não sabia que sentia tanta falta, preenchia o ar. Aurora estava ao meu lado, brincando com Giuseppe, meu filho com Vittorio. Meu avô nos observava com um sorriso tranquilo, como se o mundo inteiro tivesse finalmente encontrado o seu equilíbrio.— Giuseppe é a coisa mais linda, não é, meu amor? — Aurora disse para o pequeno nos meus braços, apertando
MIAO calor era insuportável.O fogo corria pelas paredes como serpentes vivas, famintas, reduzindo tudo a cinzas.Os retratos, as tapeçarias, os móveis antigos — toda a história daquela mansão amaldiçoada era devorada diante dos nossos olhos.Vittorio puxava minha mão com força, abrindo caminho entre os destroços, enquanto o teto rangia ameaçadoramente acima de nós.A fumaça nos envolvia como um manto sufocante, tornando cada respiração uma luta desesperada.— Não solta de mim! — ele gritou por cima do rugido do incêndio.Eu bala
MIAO mundo parecia prestes a me engolir quando a porta explodiu em um estrondo ensurdecedor, como o trovão de uma tempestade furiosa.O impacto reverberou dentro da minha cabeça entorpecida, despedaçando a névoa negra que me arrastava para o abismo.Tomasio se virou, os olhos arregalados por um breve segundo de surpresa — um segundo que foi tudo de que eu precisei. Meu corpo cedeu e desabou no chão de madeira, arranhando os joelhos e os cotovelos enquanto eu arfava, tentando desesperadamente puxar o ar que ele havia esmagado dos meus pulmões.Vi as botas pretas atravessarem o quarto como relâmpagos, pesadas, determinadas.— Solta ela, seu desgraçado! — Vittorio rugiu, a voz
MIAEu corri, o mármore frio e ensanguentado escorregando sob meus pés descalços, o coração batendo tão alto que abafava os tiros e gritos que ecoavam pelos corredores. Cada explosão de arma de fogo parecia empurrar meu corpo para frente, como se o medo cravasse garras na minha espinha e me obrigasse a continuar.O cheiro de pólvora e ferro impregnava o ar, misturado ao aroma ácido de suor e morte. Corpos juncavam o caminho — rostos conhecidos, rostos desconhecidos —, e cada expressão sem vida era um soco que eu não podia me dar o luxo de sentir. Não havia espaço para o luto. Não havia tempo para a dor. Só importava encontrar um lugar... um buraco onde eu pudesse me esconder, respirar, pensar.A mansão, outrora maje
VITTORIOEu vi Tomasio sorrir, um sorriso predatório, como se estivesse se divertindo com a situação. A pistola girava entre seus dedos com a calma de quem já tinha vivido tudo isso antes, e a voz dele, cheia de sarcasmo, cortou o silêncio da noite.— Ora, ora... Achei que viria sozinho, Vittorio. Trouxe amigos para morrer com você?— Onde está a Mia, seu desgraçado? — Perguntei com violência.Tomasio apenas sorriu.Eu senti a presença de Giuseppe à minha frente, se posicionando como um escudo, e Breno surgiu ao meu lado, tenso, mas sem hesitar. Tudo aconteceu tão rápido que meus olhos mal conseguiram acompanhar. Tomasio levantou a mão,
VITTORIOBreno se aproximou rapidamente, com o rosto parcialmente encoberto pela sombra das árvores. Sussurrou enquanto apontava para as torres de vigilância:— Mais homens do que o previsto. E reforços nos pontos cegos.Giuseppe, atento ao movimento dos seguranças, franziu a testa antes de cuspir no chão, o gesto áspero refletindo o desprezo que carregava na voz ao rosnar:— Alguém passou informações para eles. Sabem que estamos aqui.Uma tensão fria percorreu minha espinha. As palavras de Giuseppe ficaram ecoando na minha cabeça, enquanto meu olhar oscilava entre ele e Breno. Ambos aparentavam estar prontos para lutar, os olhos acesos pela fúria, os co







