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Capítulo 2

Author: Uma Lua Cheia
Eu marquei a data da minha partida para dali a uma semana.

No dia seguinte, eu fui para o hospital trabalhar como de costume. Mesmo relutando, contei ao diretor do hospital que pretendia me demitir. Ele ficou sinceramente sentido e tentou me convencer a ficar várias vezes:

— É algum problema no trabalho? Ou aconteceu alguma coisa? Uma médica tão boa como você ir embora seria uma grande perda para o hospital.

Meus olhos arderam, mas eu ainda assim recusei. Eu amava o meu trabalho e sabia que, no futuro, eu continuaria na mesma área. Só que, desta vez, seria em outro lugar.

O diretor confiava muito em mim e, com medo de que eu acabasse voltando atrás se ficasse mais tempo ali, arrumei uma desculpa e saí às pressas.

Assim que voltei para o consultório, vi uma pessoa conhecida.

Jaqueline entrou, tirou a máscara do rosto:

— Dra. Nilda, eu quero que a senhora faça a minha cirurgia.

Eu me esforcei ao máximo para manter a expressão no rosto, para não perder o controle:

— O... O seu marido não quer que você faça a cirurgia, Sra. Jaqueline. Eu acho melhor deixar isso para lá.

Ela era uma terceira pessoa que não sabia de nada. Eu não queria deixá‑la em uma situação difícil. De qualquer forma, eu já estava prestes a deixar o hospital.

Jaqueline, no entanto, segurou a minha mão, com uma expressão de súplica:

— Dra. Nilda, por favor, me ajuda. A senhora viu como o meu marido é bonito. Ele me ama muito e, toda vez que sente desejo, prefere não fazer sexo comigo para não me machucar, ele se segura. Só que, com o tempo, eu tenho medo de aparecer outra mulher para seduzir ele. A gente está junto há quase um ano e, até agora, ele nunca conseguiu se satisfazer de verdade comigo. No mês passado, eu resolvi ir até o fim com ele, fazer sexo de verdade, e acabei machucando a minha vagina, fiz um pequeno rasgo. Depois disso, ele passou quase quinze dias tomando remédio direto para conseguir segurar o próprio desejo…

Jaqueline continuava falando sem parar, mas as palavras dela já não chegavam mais até mim.

O desejo de Rivaldo sempre tinha sido intenso. Na varanda, no sofá, na cozinha… em cada canto da nossa casa existiam marcas da nossa intimidade. Só que, a partir de um ano atrás, ele começou a fazer hora extra e a viajar a trabalho com frequência.

Em muitos meses, ele passava metade do tempo fora. E, toda vez que voltava, ele me possuía com força. No mês passado, ele passou duas semanas longe e, depois que nós fizemos amor, eu acabei ficando três dias inteiros sem conseguir sair da cama.

Agora, porém, eu ouvia da boca de outra mulher que ele andava se controlando, se contendo, tratando outra como se fosse feita de vidro…

— Ah! Dra. Nilda, a senhora… a senhora está chorando?

Jaqueline me olhou apavorada.

Eu enxuguei as lágrimas às pressas e forcei um sorriso:

— Não é nada, eu só fiquei emocionada de repente.

— Nós duas somos mulheres, Dra. Nilda. A senhora com certeza entende como eu me sinto. Então, por favor, eu imploro, me ajuda com essa cirurgia. — Ela praticamente rezou.

Eu apertei a palma da mão e, no fim, aceitei.

Como médica, eu não tinha como recusar o pedido de uma paciente. Além disso, no dia anterior ela já tinha feito o agendamento da cirurgia.

Eu respirei fundo, deixei todas as minhas emoções de lado e me concentrei totalmente no procedimento. Tudo correu bem, a cirurgia foi um sucesso.

— Descanse bastante, evite esforço físico, principalmente temporariamente, nada de relação sexual com o seu marido.

Eu tirei a máscara e dei as orientações para Jaqueline.

Depois de vê‑la sair, eu me afundei de novo no trabalho.

Já era madrugada quando eu, no sono profundo, fui bruscamente puxada para fora da cama e caí no chão. Meu cotovelo bateu no piso e uma dor aguda me fez prender o ar. Quando eu abri os olhos, vi o rosto de Rivaldo, escuro de raiva.

— O que você fez com a Jaqueline?

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