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Capítulo 3

Author: Uma Lua Cheia
Segurei o braço ferido, com a pele rasgada e sangrando, pensando que Rivaldo tinha ficado sabendo da cirurgia.

— Foi ela que pediu…

Antes que eu terminasse a frase, Rivaldo me puxou com brutalidade e me levantou do chão. Ele me arrastou até o carro e dirigiu em alta velocidade até o hospital.

Jaqueline estava sentada na cama do quarto do hospital e, assim que me viu, o rosto dela se encheu de lágrimas e de reprovação:

— Por que você fez isso comigo? Eu confiava tanto em você, e você fez de propósito para me prejudicar. Você roubou o meu marido, e ainda quer que ele se divorcie de mim e nunca mais encoste em mim, não é isso?

Eu não fazia ideia do que tinha acontecido, e a minha garganta estava seca:

— A cirurgia correu bem, eu não prejudiquei você…

— Mentira! A minha vagina sangrou muito. O médico acabou de me examinar, me mostrou o resultado e disse que você cometeu um erro gravíssimo na cirurgia e acabou estragando a minha vagina.

As lágrimas de Jaqueline caíam ainda mais intensas:

— Você fez de propósito. Você quer se vingar de mim e tirar o meu marido de mim!

Levantei a cabeça de repente, encarei Jaqueline e depois olhei para Rivaldo antes de dizer:

— Eu não fiz isso. Não houve nenhum erro na cirurgia, e nunca pensei em me vingar de você. Sou médica. Nunca faria uma coisa dessas.

Mas nenhum dos dois acreditou em mim.

Jaqueline chorava e gritava para Rivaldo fazer justiça por ela:

— Rivaldo, depois do que ela fez comigo, se você quiser proteger ela, então eu juro que nunca mais apareço na sua frente para atrapalhar. Eu só faço uma pergunta para você: você a escolhe ou escolhe a mim?

Jaqueline olhava fixamente para Rivaldo, esperando a resposta dele. Eu também olhei para ele, sentindo nascer, bem no fundo, uma pontinha de esperança. Eu queria que ele acreditasse em mim, pelo menos porque eu era a esposa dele.

Só que, no segundo seguinte, Rivaldo puxou Jaqueline para os braços dele e, com o olhar escuro, encarou a mim:

— Eu avisei você com todas as letras, você que não quis ouvir. Já que você errou, você merece ser punida.

Os seguranças que estavam atrás dele avançaram rapidamente e me imobilizaram. Eu me debati com todas as forças, e a minha voz saiu trêmula, quase irreconhecível:

— Rivaldo, o que você vai fazer? Não fui eu, juro que não a prejudiquei, acredita em mim…

O que eu recebi de volta foi só um olhar frio e distante:

— Façam.

Meu coração veio à boca quando, ainda plenamente consciente, vi os seguranças quebrarem meus pulsos e cada um dos meus dedos.

— Aaaah!

Eu soltei um grito dilacerante, o corpo inteiro se contorcendo em espasmos de dor. Mas, por pior que fosse a dor física, a dor no meu coração era ainda maior.

— As minhas mãos…

As minhas mãos estavam destruídas e, junto com elas, a minha carreira. A partir dali, talvez eu nunca mais pudesse fazer um procedimento cirúrgico, nunca mais pudesse ser médica.

"Rivaldo, como você pôde… você é cruel demais…" Eu gritava por dentro.

As lágrimas desciam sem parar. A dor era tão aguda que a minha visão começou a escurecer aos poucos.

Nesse momento, eu ouvi Rivaldo fazer uma ligação e dizer, para quem estivesse do outro lado da linha:

— Nilda Serra está envolvida em um caso de erro médico. Coloquem ela na cela de detenção por alguns dias.

Eu arregalei os olhos, sem acreditar. Ele tinha usado os contatos pessoais dele sem hesitar, só para me jogar em uma cela!

— Rivaldo, você não pode fazer isso comigo! Eu não quero ir para lá!

Mas, por mais que eu lutasse, eu fui rapidamente levada.

Os dias que vieram depois se transformaram em um verdadeiro pesadelo. Lá dentro, os policiais corruptos já tinham recebido o recado de Rivaldo, e eu passei a sofrer todo tipo de tortura desumana.

Os meus dedos quebrados eram esmagados, um a um, várias vezes. Os meus punhos, já destruídos, eram forçados e torcidos de propósito, como se eles se divertissem com a minha dor.

Em apenas três dias, o meu corpo inteiro ficou coberto de hematomas, praticamente não havia um ponto sem marcas. Quando eu finalmente fui solta, eu já não parecia mais um ser humano.

Eu mal tive tempo de dar um passo e já fui colocada diante de Jaqueline. Ela me examinou calmamente de cima a baixo, e um sorriso surgiu no canto de sua boca.

— Do jeito que você está, eu tenho certeza de que Rivaldo ainda ama mais é a mim.

O meu coração pareceu ser perfurado de repente por uma agulha afiada.

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