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Capítulo 4

Author: Uma Lua Cheia
Rivaldo realmente a amava; por isso, tinha mandado que não poupassem esforços para me torturar.

Eu já tinha percebido isso havia muito tempo, mas, mesmo assim, meu peito ainda doía como se alguém apertasse meu coração com força.

— Nilda, esse é o fim de quem se mete como amante.

Jaqueline me olhava de cima, com desprezo no olhar.

Eu levantei o rosto para encarar ela, e a minha voz saiu rouca:

— Eu sou a esposa do Rivaldo. Você é que é a amante.

Um traço de irritação passou pelo rosto de Jaqueline, mas ela logo voltou a sorrir:

— Você sabia que a sua certidão de casamento com o Rivaldo é falsa? Ele já se divorciou de você faz tempo. Agora eu que sou a esposa dele. E o próprio Rivaldo falou que você não passa de uma parceira de sexo que ele usa só para aliviar o desejo.

Eu encarei Jaqueline, sem conseguir acreditar, e a minha mente ficou completamente em branco.

Certidão de casamento falsa… parceira de sexo só para descarregar desejo…

— Você acha mesmo que Rivaldo ama você? Ele só mantém você por perto para satisfazer as necessidades sexuais dele, porque não quer me machucar. Nilda, você se rebaixou porque quis.

De repente, eu comecei a rir, enquanto as lágrimas queimavam descendo pelo meu rosto. Eu nunca tinha imaginado que a verdade seria ainda mais imunda do que eu pensava.

Noite após noite, eu tinha confundido o desejo dele com amor. Na realidade, tudo aquilo era só jeito torto que ele tinha de amar outra mulher.

Quanto mais eu ria, mais alto ficava, até o meu peito doer de tanto esforço.

Jaqueline franziu a testa e deu dois passos para trás.

— Você enlouqueceu?

Eu a encarei com os olhos vermelhos de sangue e, de repente, falei:

— Eu sou só uma parceira de sexo dele, do que é que você tem tanto medo?

Os olhos de Jaqueline se estreitaram na hora e, logo depois, vieram a fúria e a vergonha de quem tinha sido atingida onde mais doía. Ela enfiou a unha afiada diretamente em um dos meus ferimentos:

— Você acha que eu tenho medo de você? Então eu vou deixar bem claro: o Rivaldo nunca vai se interessar por você. E eu nunca vou dar chance para você!

Assim que terminou, ela mandou que me arrastassem para fora.

— Me soltem! Para onde vocês vão me levar?

Eu me debati com tudo que eu ainda tinha de força, mas, depois de tanta agressão, aquilo não significava nada. Eu não sabia quanto tempo tinha passado quando eu já estava com um pano enfiado na boca, amarrada em cima de uma mesa de cirurgia.

Do outro lado de uma cortina, estavam Jaqueline e Rivaldo.

Jaqueline chorava, com a voz embargada:

— Rivaldo, a minha vagina ainda dói tanto… Você vai sentir nojo de mim? Um lugar tão íntimo ter sido visto por outros, eu não quero mais viver.

Rivaldo afagava o rosto dela, com uma doçura no tom que eu nunca tinha ouvido ele usar comigo:

— Eu jamais vou sentir nojo de você, eu só quero amar você. Quem olham a sua vagina são médicos, e, para médicos, não existe esse tipo de diferença.

Jaqueline se atirou nos braços dele:

— Não, nem médicos podem!

— Então o que você quer que eu faça? Eu já mandei colocar a Nilda na cela para você descontar a raiva. Ainda não é suficiente?

— Não.

Jaqueline olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas.

Rivaldo abaixou a cabeça e, enquanto beijava ela, falou com uma leveza cruel:

— Então vamos usar ela como cadáver de anatomia no laboratório, para aula prática.

Jaqueline não respondeu mais nada, mas eu arregalei os olhos na mesma hora. Eu tentei falar com todas as minhas forças, mas nenhum som saía.

Pouco depois, trouxeram uns dez estagiários de medicina para dentro da sala.

Arrancaram toda a minha roupa. Eles me colocaram numa posição completamente humilhante, tirando de mim qualquer resquício de dignidade.

O som de gente engolindo em seco ecoou pelo ambiente, e uma onda de vergonha tão forte tomou conta de mim que eu quase não conseguia respirar.

Foi então que, do outro lado da cortina, começou um som de respiração pesada:

— Meu amor, vem testar se a cirurgia de reparo da minha vagina ficou boa…

A voz cheia de malícia entrava nos meus ouvidos sem parar, e a respiração grossa e contida de Rivaldo era como uma faca sendo enfiada com violência no meu coração. No segundo seguinte, um instrumento gelado foi enfiado dentro da minha vagina.

— Mmm!

Eu comecei a tremer sem controle, e as lágrimas escorreram pelos cantos dos meus olhos.

— Meu amor, você é maravilhoso… Me diz, quem satisfaz mais você, eu ou ela?

A voz grave de Rivaldo atravessou a cortina, límpida, sem qualquer pudor:

— Claro que é você. Ela, para mim, não passa de um brinquedo sexual.

O meu coração foi rasgado de vez em pedacinhos.

Do outro lado, os gemidos de sexo ficaram cada vez mais altos, e o tesão dos médicos residentes na sala também só aumentava.

Alguém ao meu redor não aguentou e começou a abrir os botões da calça:

— Vamos aproveitar para testar também o efeito do dilatador da vagina.

Eu não sabia quanto tempo tinha passado. As minhas lágrimas já tinham secado.

Eu fiquei largada na mesa de cirurgia como uma boneca quebrada, com um lago de sangue se espalhando embaixo de mim.

Depois de fazer Jaqueline dormir, Rivaldo saiu do quarto, acendeu um cigarro e, ao mesmo tempo, fez uma ligação:

— Já levaram a Nilda de volta para casa?

A voz da secretária veio depois de dois segundos de hesitação:

— Mas ela não tinha sido levada para o hospital?

Rivaldo franziu a testa e, naquele instante, as vozes de alguns estagiários de medicina chegaram até ele:

— Aquela mulher era uma delícia...

— Dizem que antes ela era médica especializada em cirurgia íntima…

O coração de Rivaldo deu um pulo dentro do peito. Ele deu meia-volta às pressas, voltou a passos largos e arrancou a cortina de uma vez.

A cena que apareceu na frente dele fez as pupilas dele se contraírem na hora.

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