LOGINNina se recostou na cadeira e olhou para o irmão, com um olhar bem mais relaxado do que antes.Ela pegou o copo de água sobre a mesa, tomou um gole e só então falou, sem nenhuma pressa:— As pessoas com quem o Soren está se aproximando são antigos subordinados do nosso pai em Cidade B. Quando o pai foi transferido para o exterior, ele aproveitou a brecha.Cauã franziu levemente a testa:— Ele quer trazer esse pessoal para o lado dele para quê? Para tentar equilibrar forças com a família Williams? Ou para usar a rede de contatos deles e atrapalhar a família Frota?— Para as duas coisas. — Nina enxergava a situação com clareza. — Mas, principalmente, para a primeira. A situação dele não está boa. A família Williams está insatisfeita com ele, e a família Duarte não vai colocar a mão no fogo para defendê-lo. As cartas que ele ainda tem na mão estão cada vez mais limitadas.Ela fez uma pequena pausa antes de continuar:— A única carta que ele ainda pode usar é essa, a da “genro da família F
No dia seguinte, o céu de Cidade A tinha amanhecido pesado e acinzentado. A previsão falava em neve moderada a forte, mas os flocos teimavam em não cair.Nina tinha acabado de sair da sala de reuniões e ainda nem tinha conseguido respirar direito quando recebeu a ligação de Callum.— Nina, o projeto com o pessoal de Rivara ainda está indo bem?— Está tudo certo. — Nina respondeu enquanto entrava na própria sala. — Já fechamos o contrato. A partir de agora, quem vai acompanhar é o Cauã.— Ótimo. — Callum ficou em silêncio por uns segundos antes de continuar. — Aliás, eu ouvi dizer que o Soren anda procurando o pessoal que trabalhava com o seu pai em Cidade B. Eu não fui atrás de detalhes sobre o assunto, mas eu não gostei muito do que eu acabei ouvindo.Os dedos de Nina, que já iam virar uma pasta sobre a mesa, pararam no ar.Depois que o Durval foi esvaziado de poder, o grupo antigo de Cidade B já não atendia mais às ordens dele. Mas, se justamente agora o Soren tinha decidido ir atrás
O jantar já tinha terminado quando o céu ficou completamente escuro.Íris saiu apoiada no braço de Edson, caminhando em direção ao portão, e ainda virou várias vezes para falar com Luiza:— Agora que esfriou, você não precisa sair para nos acompanhar. Volta para dentro, tá? Não pega sereno. Daqui a uns dias eu venho ver você de novo. Por enquanto, você descansa, não fica se preocupando com coisa à toa.Luiza ficou parada na porta, sorrindo enquanto respondia, e acompanhou com o olhar até todos entrarem nos carros, um por um.Cauã foi o último a passar. Quando ele chegou perto de Lilian, o passo dele desacelerou. Ele virou ligeiramente a cabeça para olhar para ela e inclinou o queixo num cumprimento curto, antes de se abaixar para entrar no próprio carro.As luzes traseiras foram sumindo na escuridão.Lilian continuou no meio do quintal, puxando a gola do casaco para mais perto do pescoço. O olhar dela ficou preso na direção em que os faróis tinham desaparecido. Só depois de um bom temp
Lilian olhou para ele e não respondeu de imediato.Ela sabia muito bem o que aquelas palavras queriam dizer e sabia também que, com o peso da família Frota, não seria difícil mexer os pauzinhos em Cidade A e resolver aquilo de vez.Difícil era entender por que ele fazia tudo isso.— Cauã. — Ela chamou por ele.— Hm?— Você não era assim antes.Cauã ficou um pouco surpreso com aquela frase.Lilian sustentou o olhar dele, e, quando falou, a voz saiu firme:— O Cauã de antes nunca explicava para ninguém o que tinha feito. E, muito menos, ficava quieto, apagado, resolvendo tudo pelos outros sem falar nada… E ainda se recusava a admitir.Cauã não retrucou logo. Ele apenas ficou em silêncio por alguns segundos.— E eu era como, então?— Antes, você mal podia esperar para o mundo inteiro saber quando você fazia alguma coisa boa. — Lilian não desviou os olhos nem por um segundo. — Se você ajudasse em alguma coisa, você dava um jeito de todo mundo saber que tinha sido você. Parecia até que você
Quando Cauã chegou ao quintal, Lilian já estava agachada no chão, passando a mão no Odin, que estava deitado com a língua para fora.Odin balançava o rabo sem parar e esfregava a cabeça na palma da mão dela.Cauã arqueou levemente a sobrancelha:— Ele é bem apegado a você, hein.Lilian não olhou para trás. Ela continuou fazendo carinho na cabeça de Odin e respondeu, arrastando a voz:— Sim. Ele é bem mais fácil de lidar do que certas pessoas. Pelo menos ele não deixa ninguém sem saber o que ele está pensando.A frase tinha endereço certo, mas Cauã preferiu não responder.Ele se aproximou devagar e parou ao lado dela, com o olhar preso no perfil delicado e marcante de Lilian.De repente, Odin se levantou, deu duas voltas em torno das pernas de Cauã, o rabo batendo na barra da calça dele, como se ele estivesse conferindo o cheiro. Depois, o cachorro voltou a se deitar ao lado de Lilian.Lilian ergueu uma sobrancelha:— Pelo visto, ele também gosta de você.— É claro que gosta. — Cauã bai
Íris viu quando Luiza desceu e acenou para ela:— Luiza, vem aqui ver se você gosta dessa roupinha. Foi o Edson que escolheu pessoalmente para o bebê.Luiza caminhou até lá sorrindo, analisou a peça com atenção e só então assentiu:— Está linda. Eu adorei.— Edson, obrigada. — Ela olhou diretamente para ele ao dizer isso.— Agradecer o quê? Comprar roupa para o bebê não é exatamente obrigação dele? — Íris falou como se fosse óbvio, mas, no meio da frase, pareceu lembrar de alguma coisa e tentou se corrigir. — Quer dizer… No fim das contas, ele sempre tratou você como irmã.Edson soltou um suspiro e olhou para Luiza, rindo de si mesmo:— Minha mãe agora só enxerga você. Eu e o Cauã perdemos totalmente a moral aqui em casa.— Desde quando você teve moral? — Cauã entrou na conversa, arrastando a voz, e pegou o copo de água que estava na bandeja. Ele caminhou até Lilian e estendeu o copo para ela. — Toma, bebe um pouco de água.Lilian olhou para ele e esticou a mão para pegar o copo. As po







