Se connecterLuiza falou a palavra “noivo” com tanta naturalidade que parecia que os dois já estavam juntos há anos, como se aquilo fosse a coisa mais comum do mundo.Quando Gustavo ouviu aquilo, teve a sensação de que alguma coisa arranhava devagar uma parte escondida do coração. Uma coceira gostosa tomou conta de dentro dele e o canto da boca se levantou, sem que ele percebesse, num sorriso satisfeito.O mordomo não percebeu nada de diferente no tom dela, mas sabia muito bem que o homem parado ao lado de Luiza estava longe de ser uma pessoa comum. Ele não era alguém com quem eles pudessem se indispor.— Claro, claro.Depois de responder, o mordomo fez um gesto respeitoso com a mão, convidando os dois a segui‑lo, e foi na frente, guiando o caminho.Quando Luiza entrou no quarto de Osvaldo e viu o homem deitado na cama, franziu a testa na mesma hora, por puro reflexo.O rosto de Osvaldo estava mais escuro, sem brilho, bem pior do que no dia anterior. Pelo jeito, ele não tinha mentido para ela. A do
Luiza tinha acabado de chegar à porta da clínica quando Jacarias encostou o carro.Quando Jacarias viu Luiza sair, ele desceu do veículo às pressas. Enquanto se preparava para abrir a porta para ela, Jacarias falou, todo cheio de graça:— Luiza, eu já tinha mais ou menos calculado a hora em que você ia sair.— Obrigada, Jacarias.Luiza curvou os lábios em um sorriso e, por um instante, sentiu que tinha voltado aos tempos de escola. Naquela época, Jacarias também sempre acertava quase na mosca o horário em que ela saía pelo portão, dirigia o carro até a entrada e tentava fazer com que ela andasse o mínimo possível.A única diferença era que, naquela época, Gustavo se sentava no banco de trás todas as vezes, esperando por ela.Agora, cada um deles tinha a própria vida e os próprios compromissos...Quando ainda nem tinha conseguido organizar os próprios pensamentos, Luiza virou a cabeça na direção da porta de trás, que já estava aberta e, de repente, deu de cara com um par de olhos negros
Luiza deu uma leve pausa nos movimentos, desacelerou um pouco e, só então, começou a caminhar em direção ao consultório. Ao mesmo tempo, perguntou, com certa desconfiança:— Onde o senhor está se sentindo mal?Pelo que Luiza avaliava, ele tinha feito acupuntura no dia anterior e ela tinha acabado de trocar a prescrição de remédios, então, em teoria, não era para ter acontecido nenhum problema.Mas a voz de Osvaldo soou fraca, sem força nenhuma, e não pareceu em nada com alguém fingindo.— Isso… — Osvaldo parecia estar meio sem fôlego. Ele fez uma pausa antes de continuar. — Hoje de manhã, quando eu levantei, eu senti o peito apertado, eu não estava conseguindo respirar direito. Até para puxar o ar estava custando.Luiza pensou por um instante e falou:— Certo. O senhor tenta ficar de lado, o máximo que conseguir. Assim que eu terminar aqui, vou até a sua casa. Se, antes disso, os sintomas piorarem, o senhor liga para o hospital na hora.No dia anterior, ela tinha acabado de fazer o dia
Depois de mais uma rodada de prazer, Luiza tinha ficado encharcada, como se alguém tivesse acabado de tirá-la de dentro d’água. Ela estava largada em cima do travesseiro, o corpo inteiro coberto de suor, sem um fiapo de força sobrando.Gustavo pegou umas toalhas umedecidas e começou a limpá-la com calma, cada cantinho, com paciência quase reverente.— Quer tomar banho? — Ele perguntou.— Não. — Luiza recusou na mesma hora.Mesmo que, nas últimas vezes, ele sempre a tivesse carregado até o banheiro e ainda tivesse lavado cada parte do corpo dela sem um pingo de reclamação, naquela noite ela não queria saber de chuveiro.Porque ele não prestava. Volta e meia, no meio do banho, ele a encostava na borda da banheira e começava outra rodada, como se tivesse energia inesgotável.Naquele momento, ela só queria dormir. Nada além disso.Os olhos dela já eram naturalmente sedutores, alongados e cheios de malícia. Agora, com os cantos úmidos e cansados, eles chamavam ainda mais atenção, perigosos
Gustavo parecia de ótimo humor.Luiza achou que ele estava só brincando e entrou na onda:— Aham, claro. Daqui a pouco o Edson vai levantar da cadeira de presidente pra me entregar o cargo, né?Gustavo deu uma risadinha pelo nariz e apertou de leve as bochechas dela, ainda rosadas pelo vapor do banho:— Se você abrir a boca, capaz dele entregar mesmo.O fato de a família Frota ter decidido passar logo cinco por cento das ações pra Luiza tinha fugido completamente das expectativas dele.Mas, vendo o quanto a família estava valorizando Luiza, ele se sentiu genuinamente feliz por ela.Luiza lançou um olhar de lado, sem paciência pra continuar naquela conversa:— Anda, vai. Seca meu cabelo.Provavelmente porque, nesse último tempo, Gustavo tinha sido atento em cada mínimo detalhe, ela já tinha se acostumado a ser cuidada. A ponto de já nem lembrar fazia quanto tempo não secava o próprio cabelo.O olhar de Gustavo se encheu de carinho.— Sim, alteza.Ele a puxou até o sofá, fez com que ela
Nina não tinha exagerado em nada. Dentro da família Frota, ninguém, ao longo de todos aqueles anos, tinha pensado em desistir de procurar por Jennifer — nem mesmo Durval.Quanto a Callum, toda aquela hesitação em relação às ações não passava de um medo de que, no futuro, os quatro irmãos acabassem se estranhando por causa daquela fatia do patrimônio.Como eles já tinham deixado claro que sabiam exatamente o que queriam, Patrícia lançou um olhar rápido para Callum e, em seguida, falou com os netos:— Não são só vocês que se sentem em dívida com a Jennifer. Eu e o seu avô decidimos há muito tempo: no dia em que a gente encontrasse a Jennifer, todos os hotéis que estão no meu nome seriam dela.Ela se referia à parte dos negócios que tinha herdado legalmente depois da morte dos pais. Por mais que, hoje, aqueles hotéis dessem lucros altíssimos, todo aquele patrimônio continuava sendo exclusivamente dela, como pessoa física.Íris percebeu que os dois velhos estavam, de fato, dispostos a comp
Ethan segurou o queixo de Gabriela entre os dedos, um sorriso cruel curvando seus lábios. — O que você acha que seria mais doloroso para você? Que tal eu colocar alguns cães selvagens no porão para fazer companhia pra você? — Não!! — Gabriela desabou no mesmo instante, o desespero tomando conta
Os lóbulos das orelhas de Luiza ficaram tão vermelhos que pareciam prestes a pingar sangue. Ela, nervosa, murmurou apressadamente: — Eu… Eu vou ao banheiro sozinha. — Espera. — Gustavo segurou o pulso dela com firmeza e a puxou para mais perto. Então, com um movimento rápido e preciso, ele amarr
— Odin? Luiza sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela levantou a cabeça e olhou para Gustavo. — Como assim? Você chamou ele de Odin? Ele também se chama Odin? Gustavo caminhou até ela, estendendo a mão para acariciar o cachorro. Porém, o animal se aninhou ainda mais no colo de Luiza, ignora
Luiza parecia indiferente, e Gabriela sentiu como se tivesse dado um soco no vazio, atingindo nada além de ar. Frustrada, ela bateu o pé no chão, mas quando olhou para o colar jogado na sua bolsa, rapidamente se acalmou. Ela sabia que não podia ficar parada. Além desse colar, precisava encontrar o







