MasukLuiza deu uma leve pausa nos movimentos, desacelerou um pouco e, só então, começou a caminhar em direção ao consultório. Ao mesmo tempo, perguntou, com certa desconfiança:— Onde o senhor está se sentindo mal?Pelo que Luiza avaliava, ele tinha feito acupuntura no dia anterior e ela tinha acabado de trocar a prescrição de remédios, então, em teoria, não era para ter acontecido nenhum problema.Mas a voz de Osvaldo soou fraca, sem força nenhuma, e não pareceu em nada com alguém fingindo.— Isso… — Osvaldo parecia estar meio sem fôlego. Ele fez uma pausa antes de continuar. — Hoje de manhã, quando eu levantei, eu senti o peito apertado, eu não estava conseguindo respirar direito. Até para puxar o ar estava custando.Luiza pensou por um instante e falou:— Certo. O senhor tenta ficar de lado, o máximo que conseguir. Assim que eu terminar aqui, vou até a sua casa. Se, antes disso, os sintomas piorarem, o senhor liga para o hospital na hora.No dia anterior, ela tinha acabado de fazer o dia
Depois de mais uma rodada de prazer, Luiza tinha ficado encharcada, como se alguém tivesse acabado de tirá-la de dentro d’água. Ela estava largada em cima do travesseiro, o corpo inteiro coberto de suor, sem um fiapo de força sobrando.Gustavo pegou umas toalhas umedecidas e começou a limpá-la com calma, cada cantinho, com paciência quase reverente.— Quer tomar banho? — Ele perguntou.— Não. — Luiza recusou na mesma hora.Mesmo que, nas últimas vezes, ele sempre a tivesse carregado até o banheiro e ainda tivesse lavado cada parte do corpo dela sem um pingo de reclamação, naquela noite ela não queria saber de chuveiro.Porque ele não prestava. Volta e meia, no meio do banho, ele a encostava na borda da banheira e começava outra rodada, como se tivesse energia inesgotável.Naquele momento, ela só queria dormir. Nada além disso.Os olhos dela já eram naturalmente sedutores, alongados e cheios de malícia. Agora, com os cantos úmidos e cansados, eles chamavam ainda mais atenção, perigosos
Gustavo parecia de ótimo humor.Luiza achou que ele estava só brincando e entrou na onda:— Aham, claro. Daqui a pouco o Edson vai levantar da cadeira de presidente pra me entregar o cargo, né?Gustavo deu uma risadinha pelo nariz e apertou de leve as bochechas dela, ainda rosadas pelo vapor do banho:— Se você abrir a boca, capaz dele entregar mesmo.O fato de a família Frota ter decidido passar logo cinco por cento das ações pra Luiza tinha fugido completamente das expectativas dele.Mas, vendo o quanto a família estava valorizando Luiza, ele se sentiu genuinamente feliz por ela.Luiza lançou um olhar de lado, sem paciência pra continuar naquela conversa:— Anda, vai. Seca meu cabelo.Provavelmente porque, nesse último tempo, Gustavo tinha sido atento em cada mínimo detalhe, ela já tinha se acostumado a ser cuidada. A ponto de já nem lembrar fazia quanto tempo não secava o próprio cabelo.O olhar de Gustavo se encheu de carinho.— Sim, alteza.Ele a puxou até o sofá, fez com que ela
Nina não tinha exagerado em nada. Dentro da família Frota, ninguém, ao longo de todos aqueles anos, tinha pensado em desistir de procurar por Jennifer — nem mesmo Durval.Quanto a Callum, toda aquela hesitação em relação às ações não passava de um medo de que, no futuro, os quatro irmãos acabassem se estranhando por causa daquela fatia do patrimônio.Como eles já tinham deixado claro que sabiam exatamente o que queriam, Patrícia lançou um olhar rápido para Callum e, em seguida, falou com os netos:— Não são só vocês que se sentem em dívida com a Jennifer. Eu e o seu avô decidimos há muito tempo: no dia em que a gente encontrasse a Jennifer, todos os hotéis que estão no meu nome seriam dela.Ela se referia à parte dos negócios que tinha herdado legalmente depois da morte dos pais. Por mais que, hoje, aqueles hotéis dessem lucros altíssimos, todo aquele patrimônio continuava sendo exclusivamente dela, como pessoa física.Íris percebeu que os dois velhos estavam, de fato, dispostos a comp
As ações do Grupo Frota ficavam, em parte, no nome de Patrícia e, depois dela, Durval, Edson e Cauã detinham, cada um, dez por cento.Íris possuía trinta por cento. Desses trinta por cento, vinte por cento ela mantinha em seu nome apenas formalmente, como representante de Nina e Jennifer.Callum franziu o cenho.— Você não precisava se preocupar com a parte da Jennifer. As ações dela sempre ficaram no nome da sua mãe. Depois, é só transferir direto pra ela.Callum deixava claro que não queria mexer no equilíbrio entre o grupo e a família. Por mais que Durval tivesse feito o que fez, ele ainda era seu filho de sangue.Além disso, em qualquer família, o problema raramente era “ter pouco”, e sim “não dividir direito”. Por isso, sempre que o assunto envolvia patrimônio, Callum fazia questão de deixar tudo às claras, na mesa, de forma justa.— Vovô, desde quando o senhor começou a fingir que não tá entendendo? — Cauã, porém, fingiu que não tinha percebido o recado nas entrelinhas e abriu um
Luiza não tinha esquecido nem por um segundo que aqueles dois carregavam nas costas a vida das pessoas que ela mais amava no mundo.O olhar de Gustavo passou pelos documentos na mão dela e parou nos olhos úmidos e avermelhados.— Vão, sim. — Ele respondeu, firme, sem a menor hesitação.Ele já tinha colocado Leonardo para correr atrás de provas sobre o que Joana tinha feito naquela época. Muitos métodos e caminhos que a polícia não podia usar, aquele cara dominava com uma facilidade assustadora.Só que o tempo que tinha passado era grande demais. Aquilo ia exigir paciência.Luiza puxou o ar em silêncio, engoliu a emoção e guardou os papéis de volta no envelope, do mesmo jeito que eles tinham vindo.— É… Eu também acho que vão, sim.Até o voo de um pássaro deixava rastro no céu. Quanto mais um crime que tirava vidas....Nas Residências Brisa Serena, assim que Nina desligou o celular, ela sentiu na pele o peso dos olhares em volta.Íris, Edson, Cauã e até Callum e Patrícia olhavam direto
— Você voltou para casa com a sua irmã e nem avisou antes? — Reclamou Cauã, em tom de aborrecimento.Gustavo manteve o rosto fechado e respondeu com frieza: — Como eu ia saber que você não consegue segurar a língua? Enquanto falava, ele se jogou no sofá com um ar displicente, acendeu um charuto
Era algo tão estranho, tão desconhecido, que ele sentiu como se estivesse perdendo o controle de si mesmo.Ele não desviou o olhar de Luiza nem por um segundo. Por um instante, chegou até a pensar que, se ela admitisse, ele não hesitaria em acabar com ela ali mesmo.Para sua surpresa, Luiza apenas a
Luiza não sabia quanto tempo havia passado quando foi despertada pelo zumbido do celular vibrando. A luz era forte demais, e ela usou uma das mãos para proteger os olhos enquanto, com a outra, tateava o celular para atender. A voz saiu meio sonolenta: — Alô? — Luiza, por que você ainda não vol
Luiza deu dois passos para trás, afastando-se e puxando a gola de sua roupa das mãos de Ronaldo. Os empregados, que estavam organizando os talheres, já haviam voltado para a cozinha. Na sala de jantar, restavam apenas ela e Ronaldo. Com o rosto frio e a voz carregada de sarcasmo, ela falou: —







